vinho encorpado

Jacob s Creek Shiraz Reserve 2011 – para quem gosta de intensidade

Minha ligação com o Jacob’s Creek é bem interessante. Eu comecei a gostar de vinhos antes de minha esposa, que me acompanhava em algumas taças, mas sempre partia depois para uma batida ou algo mais doce. Eu tive a paciência de apresentar alguns vinhos para ela e esperar e torcer para que um dia ela passasse a se interessar mais por essa bebida.

Certo dia estávamos indo ao cinema e passamos em uma loja de vinhos em um Shopping antes da sessão. Havia uma degustação de Jacob’s Creek lá e ela provou e veio o estalo! Ela parecia uma criança na hora, descobrindo algo novo e muito interessante.

Obviamente compramos uma garrafa e bebemos em casa. O resultado é que ela adorou, Shiraz é hoje uma das uvas preferidas dela e hoje é sem dúvida minha maior companheira de degustação, fazendo inclusive comentários cada vez mais complexos e inteligentes sobre os vinhos.

Jacob's Creek Shiraz Reserve 2011Jacob’s Creek teve esse poder com ela. E hoje, bebendo o Reserve 2011 (que eu ainda não conhecia) pude relembrar um pouco do vinho daquele dia e também ver que ele é bem legal mesmo.

Esse, para levar o nome de Reserve é feito com algumas das melhores parcelas dos vinhedos em Barossa, no Sul da Austrália. Frutas negras, geléia e toques defumados e de barrica são os que mais aparecem. É verdade que junto vem um toque de álcool um pouco forte, mas que você pode resolver esse “problema” facilmente: é só resfriar um pouco o vinho, chegando a uns 15 graus. Vai ficar até mais fácil de beber. E para harmonizar pode pensar em algo bem forte também. Pode ser carne, fungos ou uma massa com molho vermelho ou apimentado.

E você, tem alguma história com o Jacob’s Creek? Quem sabe ele não tem um poder maior do que a gente imagina?

Um abraço

Daniel Perches

San Pedro de Yacochuya e seus vinhos corpulentos

A Viña San Pedro de Yacochuya fica em Cafayate, que fica a 2 horas da cidade de Salta, no norte da Argentina, numa localização incrível. É um lugar alto, bonito, rodeado de montanhas e com um silêncio maravilhoso. Lá dá pra esquecer da vida fácil, fácil.

Eu já conhecia um dos vinhos deles, que provei quando comprei na Grand Cru, que é quem importa no Brasil, mas pude conhecer mais quando estive lá e conversei com o Marcos Etchart, sócio da bodega e responsável pelos vinhos junto com os enólogos contratados, que trabalham com a consultoria do famoso Michel Rolland (também conhecido como Flying Winemaker).

A família Etchart e Michel Rolland tem uma história longa. Desde 1988/1989 que eles se conhecem e desde então Rolland vem fazendo mudanças interessantes nos vinhedos deles. E pelo jeito tem sido bom, porque os caras vem ganhando prêmios todos os anos com os vinhos.

Se tiver que encontrar uma característica para os vinhos da Yachochuya, eu diria que é ter muito corpo. Desde os vinhos mais jovens até o top, todos se destacam por essa característica, mas sem deixar de lado a acidez, que é muito importante para não deixar o vinho “chato” e muito pesado. Então se você gosta desse tipo de vinho, vai fundo. Com certeza será uma ótima experiência. Mas já alerto: tenha uma boa comida, também bem estrutura e até com um pouco de picância se for beber um Malbec deles. Vai ser necessário.

Abaixo tem alguns dos vinhos que eu provei.

San Pedro de Yacochuya Torrontés 2012
Aromático, bom corpo e boa acidez. Não tem tanta doçura, o que ajuda a não deixá-lo enjoativo.

Coquena Rosado Tannat 2012
Bom aroma, mais equilibrado. Na boca tem um começo doce, mas depois sai. Interessante por ser diferente.

Coquena Malbec 2011
90% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon Vinho fácil de beber, com pouca madeira. Na boca tem bastante fruta, final médio com taninos ainda jovens.

yacochuyaSan Pedro de Yacochuya 2010
Malbec 80%, Cabernet Sauvignon 20%. Um toque de frutas vermelhas com leve aroma herbáceo no nariz e na boca. Talvez precise de mais tempo em garrafa. Um pouco rústico.

Yacochuya 2009
Malbec puro. No nariz tem bastante fruta e se deixar descansar um pouco, vai se abrindo. Na boca é doce, com muito tanino. É o mais corpulento de todos e o que mais me chamou a atenção na degustação.

E se você for à vinícola, não deixe de provar os queijos de cabra que eles oferecem. São muito saborosos e com o Torrontés vai muito bem.

Um abraço

Daniel Perches

Stellenzicht Shiraz 2002

A uva Syrah é plantada no mundo inteiro. Junto com a Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc e mais algumas outras, são consideradas já “uvas internacionais”. Qualquer país produtor de vinho tem essas variedades.

E justamente por esse motivo eu gosto de comparar vinhos feitos com essas uvas, desses diferentes países. Outro dia provei um Syrah da Sicília que estava fantástico. Leve, bem frutado, praticamente sem madeira e descendo como uma seda pela boca. Bem diferente dos Syrah que temos na Ámerica do Sul, por exemplo, que são mais encorpados e como é também o caso desse sulafricano, feito na região de Stellenbosch. Corpo, estrutura e vivacidade é o que não falta para esse vinho.

Apesar de seus 8 anos, em taça mostrou-se bastante vivo e ainda jovem, mesmo com um leve halo de evolução. No nariz deixou claro a sua marca, trazendo bastante especiaria e madeira.

Em boca, muita estrutura e taninos bastante finos, mas que ainda não estavam no auge da maturidade.

É um vinho denso e “pesado”, necessitando uma boa comida pra acompanhar. Pela sua estrutura, não é fácil combinar um bom prato. Eu iria com uma carne com bastante tempero e um molho forte, para não correr o risco do vinho nem tomar conhecimento do alimento e reinar sozinho.

Se gosta de vinho estruturado bem ao estilo novo mundo, essa é uma boa pedida!

Um abraço

Daniel Perches

Trapiche Roble Syrah 2008

Já comentei aqui sobre o Trapiche Melodias Malbec e também sobre o Trapiche Roble Colección Syrah. Como já falei nos posts anteriores, a Trapiche é uma empresa que tem uma linha muito grande de vinhos e que as vezes até me confunde um pouco. Confesso que de vez em quando fico em dúvida se já provei determinado vinho, de tantos que eles têm. Mas enfim, é melhor mais do que menos, nesses casos.

Esse é um vinho da linha “Roble” que tem como característica ser jovem, passando 12 meses em barricas de carvalho para afinamento antes de ser engarrafado para ser comercializado. Os vinhedos são localizados em Mendoza, que é a região mais famosa para a produção de vinhos na Argentina.

Fiquei impressionado com a força e potência desse vinho. Mostrou uma coloração rubi muito intensa e intransponível. No nariz, aromas evoluídos e adocicados, com tendências para o café, chocolate e um leve tostado. As frutas estavam presentes junto com um leve toque de especiarias, mas praticamente “sufocadas” por esses outros aromas.

Em boca, apesar de seus 14% de álcool, não me pareceu um vinho muito quente. Equilibrado, com bons taninos e um final longo.

Realmente, esse é um vinho que me agradou bastante pela sua qualidade, mas é claro que com essas características, é preciso harmonizar com uma comida também bastante estruturada e talvez até com uma leve picância para ele não passar por cima. É um vinho que “atropela” as comidas mais leves.

Se você gosta de vinhos mais fortes e encorpados, esse é um bom exemplar. Depois me conte o que achou.

Abraços

Daniel Perches