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Champagne Henriot Brut Millesimé 1996 e 2002 – impressionantes

Como dizem que nada é por acaso, eu acredito então que esse encontro desses dois champagnes tenha sido escrito em algum lugar. E bem escrito.

Aconteceu assim: estive na França no começo de 2011 e quando passei por Reims (na região de Champagne) eu passei por uma loja de vinhos e comprei uma Henriot 1996. O vendedor queria me passar outros produtos, mas o briefing era claro: queria um champagne mais antigo.

Depois de um certo tempo e sem termos conversado sobre isso, meu amigo Alexandre Frias esteve também na França e por “coincidência”, na mesma loja. E comprou também uma Henriot, só que dessa vez uma 2002.

Certo dia, num bate papo, descobrimos que tínhamos essas garrafas e decidimos então fazer essa “mini vertical banguela”, comparando dois grandes champagnes de safras diferentes.

Como já comentei aqui, fico sempre pensando sobre a efetividade das degustações verticais para eleger a “melhor safra”. os motivos são muitos e isso cabe em outra ocasião. O que cabe dizer aqui é que a gente queria mesmo era se reunir e provar essas borbulhas tão famosas, que particularmente me encantam tanto. A idéia então era só provar as duas juntas, para podermos saber como envelhecem e claro, degustar essas maravilhas acompanhado de bons amigos.

A Henriot Brut Millesimé 1996 estava dourada, madura, mas com perlage perfeito e com aquela espuma na taça que parece que foi feita para fazer foto. Os aromas eram para mim, os que eu mais gosto: evoluídos, com toques de fermento, amêndoas, frutas passas e na boca uma perfeição, com um final mais do que longo. Era praticamente infinito.

Por outro lado, a Henriot Brut Millesimé 2002, com 6 anos a menos que a sua parceira, estava com uma cor mais clara, mas já com toques de evolução também. Nela sentíamos aromas mais frutados, mas sem deixar de lado os tostados e de fermento, característicos dessa bebida. Tinha também um pouco mais de acidez, mas não aquela acidez pesada, forte, e sim delicada, que parecia tocar a boca com uma luva de veludo. Uma loucura.

Qual era a melhor? Eu não sei. Cada uma tinha características que faziam delas especiais. E nesse dia eu me dei o direito de simplesmente apreciá-las, cada uma com sua beleza.

É, tem cada coincidência nessa vida, não é mesmo?

Um abraço

Daniel Perches

Pérez Cruz Liguai envelhece bem

Nada melhor do que uma degustação vertical para saber o potencial de envelhecimento de um vinho. Provam-se, num mesmo evento, diversas safras dele e aí fica fácil de perceber as suas modificações ao longo do tempo.

E foi assim que eu pude comprovar que o Pérez Cruz Liguai, um vinho feito com Syrah, Carmenere e Cabernet Sauvignon tem um grande potencial de envelhecimento. Provei as safras 2002, 2003, 2005, 2006, 2007 e 2008, sendo que só a 2007 está sendo comercializada atualmente.

O mais interessante foi que ao olhar para todas as taças com todos os vinhos, nenhum estava “envelhecido”. Todos os vinhos estavam com uma cor bem viva e mostrando bastante força.

Os mais antigos (02 e 03 principalmente) já estavam com aromas mais evoluídos e em boca também tinham traços do tempo, com taninos mais amaciados. Mas não se engane, pois a acidez ainda estava lá presente.

Segundo o enólogo da bodega que esteve acompanhando a degustação, o 2006 é um que deve ser bastante longevo. Sábias palavras e comprovadas pela sua grande acidez e taninos ainda bem amarrados.

O 2007 e o 2008, claro, estavam muito jovens. São vinhos que se forem consumidos hoje, trarão prazer e sem dúvida, eu beberia tranquilamente, mas se você tiver um e conseguir guardar, vai ter um vinho ainda mais complexo. Ou faça o que eu sempre digo (mas nem sempre faço), que é comprar duas garrafas.

Eu já gostava dos vinhos da Pérez Cruz. Agora gosto mais ainda, sabendo que tem mais potencial do que eu imaginava.

Um abraço

Daniel Perches

Entrevista com German Lyon, enólogo da Pérez Cruz

Como já comentei aqui, participei de uma degustação vertical de Liguai, da Pérez Cruz. O evento foi organizado pela Winet, empresa do nosso amigo Deco Rossi e pela Abflug, que é a importadora que traz os vinhos para cá.

Conversamos com o German Lyon, que é o enólogo da casa desde 2002, que foi a primeira safra que provamos.