Resciso 2005

Esse vinho é do produtor Pietro Beconcini. A vinícola é comandada pelos simpáticos Leo e Eva, que de tanto que já conversamos, sinto que somos amigos.

A vinícola tem boas histórias para contar: eles é que produzem o vinho IXE, um Tempranillo feito na Toscana e também o Vigna Alle Nichie, que foi o vinho ganhador do Top5 do Encontro de Vinhos OFF de Abril de 2011.

E o Resciso é mais um vinho deles, dessa vez feito só com Sangiovese. Eu já tinha provado esse vinho em outra oportunidade, mas estava numa situação corrida, daquelas que você praticamente não presta atenção no que está bebendo. Como tinha uma garrafa em casa, resolvi provar com calma, para poder ver se realmente o vinho era tudo aquilo que me falaram.

O vinho não fez feio. Aliás, fez muito bonito, pois mostrou-se realmente digno dos elogios que eu já tinha ouvido.

Abri a garrafa e deixei ela descansar aberta por umas duas horas antes de beber. Tive essa (rara) oportunidade pois estava em companhia de amigos e estávamos bebendo outro vinho antes. Acredito que isso tenha ajudado o vinho a se desenvolver e abrir bem os seus aromas.

É um vinho complexo e que mostra muito potencial. Tem muita fruta vermelha, toques terrosos e um pouco de madeira e defumado muito bem integrados. Na boca tem uma excelente acidez, daquelas que lembra mesmo os bons italianos.

Coloquei o Resciso numa prova de fogo, pois bebi o vinho na companhia de uma amiga italiana, de Roma. Ela, que bebe vinho desde pequena, não é nenhuma crítica ou estudiosa de vinhos, mas para quem bebe vinho italiano desde pequenina, acho que sabe das coisas. Ela aprovou. E eu também.

Esse ainda não tem importador no Brasil, mas eventualmente pode ser encontrado nos Encontros de Vinhos.

Um abraço

Daniel Perches

Castello del Terriccio IGT 2004

Estive em uma degustação com o pessoal da Mistral e pude conhecer os vinhos da Castello del Terriccio, uma vinícola da Toscana – Itália.

Tive também a oportunidade de conhecer as gerentes de exportação, com quem conversamos e gravamos uma entrevista, que pode ser vista aqui – Os vinhos da Castello del Terriccio. No vídeo podem ver que a gente perguntou sobre algumas questões que foram faladas lá, como a proibição de se usar Mouvedre (ou algumas outras variedades) dentro da denominação de origem que eles estão inseridos. Na prática, significa que se eles usarem essa uva para produzir algum vinho, ele não vem com a indicação de procedência e – teoricamente – não teriam tanta qualidade.

Só teoricamente, porque como eu pude comprovar nesse vinho, eles têm coisas fantásticas por lá. Fiquei impressionado com a qualidade desse vinho, que tem Syrah e Petit Verdot em sua composição.

O vinho é muito elegante. Apresentou aromas de frutas negras e vermelhas, contrastando com um toque verde, de um herbáceo muito agradável. Aromas de madeira estavam muito bem integrados ao vinho.

Na boca foi ainda melhor. É daqueles vinhos que você bebe e fica lembrando dele, só esperando o próximo gole. Apesar de ser 2004, mostrou que ainda tem muito tempo pela frente. Se quiser comprar para guardar, pode fazer isso tranquilamente que não vai ter problemas.

Não é um vinho barato (custa mais de R$ 300,00) mas sem dúvida é um grande vinho. É daqueles – pelo menos pra mim – pra se beber lentamente, acompanhando uma boa comida e apreciando cada gole. Vale a pena.

Um abraço

Daniel Perches

Os vinhos da Castello del Terriccio

Giuliana e Carolina vieram para o Brasil para apresentar os vinhos do Castello del Terriccio pra gente. Os vinhos são realmente muito bons, desde o mais “básico” (que de básico não tem muita coisa) até os mais tops, que são um show de elegância.

Em breve comento sobre os vinhos. Por enquanto ficamos com a entrevista. Se quiser saber mais sobre os vinhos, veja o site em www.terriccio.com.

Bons Brunellos di Montalcino da Safra 2006

Brunello di Montalcino. Esse nome deserta suspiros em qualquer enófilo. E não é pra menos, pois os vinhos produzidos na região de Montalcino, na Itália, são considerados por muitos como os melhores daquele país. São feitos dois tipos de vinhos por lá: o Rosso di Montalcino (um vinho mais jovem e que as vezes nem passa por barricas) e o Brunello di Montalcino (que é um vinho mais encorpado e mais potente. Tem que ter passagem por barrica e descansar por um bom tempo antes de ser liberado para a comercialização). Os vinhos de lá são feitos com a uva Sangiovese e obedecem alguns critérios de produção para poderem ter o selo com esse nome tão famoso.

E recentemente o Conzorcio del Vino Brunello di Montalcino trouxe ao Brasil alguns produtores para apresentar sua safra 2006. Estive lá e pude comprovar a belíssima qualidade e claro, escolher alguns que eu considerei os mais representativos e interessantes. Se encontrar algum desses em importadoras ou em lojas, acredito que não vai se arrepender ao comprar.

Banfi 2006
É um produtor que faz juz à fama. Seus vinhos são muito elegantes e têm muita classe. A safra 2006 me pareceu muito jovem ainda, mas possível de beber agora. Apesar da jovialidade, dá pra notar que é um vinho muito bem feito, com um belíssimo final, bem longo.
Site: http://www.castellobanfi.it/
Importador: World Wine

Barbi 2006
Vou reproduzir a minha anotação do dia: equilíbrio e força. É assim o Barbi Brunello di Montalcino 2006.
Site: http://www.fattoriadeibarbi.it/
Importador: Épice

Poggio di Sotto 2006
Muita fruta no nariz, com um corpo impressionante e final bem agradável. É um vinho muito bem pontuado pelo famoso crítico Robert Parker.
Site: http://www.poggiodisotto.com/
Importador: Tahaa Vinhos

Siro Pacenti 2006
Esse consta na minha lista sempre, pois foi o primeiro vinho de Montalcino que eu provei (e aprovei). Gosto muito do produtor e acho que ele faz bem o vinho todos os anos. Vale provar.
Site: http://www.siropacenti.it/
Importador: Fasano

Le Chiuse 2006
Gostei muito da acidez desse vinho, o que mostrou que ele tem força para ser guardado por muito tempo (se é quem vamos conseguir fazer isso). Um final muito longo e prazeroso. Esse é orgânico.
Site: http://www.lechiuse.com/it/
Importador: sem importador no Brasil

Capanna 2006
Muito tanino nesse vinho. É pra ser guardado por décadas tranquilamente, pois junto tem bastante acidez também, mas revelou-se com aromas muito bem marcados de frutas e toques de barrica.
Site: http://www.capannamontalcino.com/
Importador: sem importador no Brasil

Castello Romitorio 2006
Adorei os rótulos desse produtor. Pra mim foi um dos melhores se considerar “o conjunto da obra”. Desde seu rótulo até o final, tudo é muito bem feito. Vale a pena conhecer as criações desse produtor.
Site: http://www.castelloromitorio.com/
Importador: fechou recentemente com um importador brasileiro que será anunciado em breve.

 

Espero que aproveitem. Um bom Brunello di Montalcino com uma bela comida italiana é algo fora do comum, de tão bom!

Um abraço

Daniel Perches

Sasyr 2007

Há tempos não ia à Enoteca Decanter, em São Paulo. O espaço do Wine Bar é bastante aconchegante e eu gosto muito do serviço do pessoal de lá. É sempre uma boa opção pra se provar vinhos (que pode ser em taça ou pedir uma garrafa da loja) e conversar um pouco com os sommeliers e vendedores de lá, que conhecem bastante sobre vinho.

Dessa vez estive lá com um amigo que voltou de Portugal e a estadia por lá o fez gostar mais de vinhos, mas também, como era de se esperar, que ele tivesse uma preferência por vinhos daquele país.

Mas eu consegui convencê-lo a provar, pelo menos dessa vez, um vinho italiano. Estávamos buscando um bom vinho na loja quando me deparei com esse, que tem um corte muito interessante: 60% de Sangiovese e 40% de Syrah. Eu gosto bastante da Syrah produzida na Itália, pois ela parece que produz vinhos mais delicados do que os produzidos no novo mundo. E como gosto também da Sangiovese, resolvi arriscar esse vinho.

Ótima escolha. Esse corte trouxe elegância ao vinho, apresentando uma coloração rubi muito intensa, com aromas adocicados de frutas vermelhas com destaque para groselha, um toque de especiaria e toques de madeira molhada.

Em boca mostrou-se muito macio, com taninos muito finos. Final longo e sem amargor. Foi muito bem com embutidos italianos como salame, presunto cru e também com um queijo grana padano.

Na loja o vinho custou 73 reais. Já vi que no site está 75 (não sei porque no site é mais caro). É um vinho diferente e que vale a pena ser provado.

Um abraço

Daniel Perches

Rosso di San Gimignano DOC Sottobosco 2004

Mais um daqueles vinhos que estavam habitando a minha adega e pedindo para serem abertos. E eu relutando, sempre procurando uma melhor ocasião.

Mas com o frio que estava fazendo em São Paulo, resolvi fazer uma boa lasagna à bolognesa, que é um prato que eu adoro, mas que nem sempre dá pra fazer, não só pelo peso do prato mas também porque por mais que se faça pouco, qualquer pacote pequeno de massa, para um casal, sobra.

Bem, mas resolvi fazer mesmo assim e achei então a oportunidade para abrir o meu Rosso di San Gimignano DOC Sottobosco, que foi comprado na Vinea há algum tempo.

Esse é um vinho produzido na Toscana, composto por Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Syrah. Um belo corte, diga-se de passagem.

O vinho apresentou uma coloração rubi com reflexos granada, mostrando já a sua “média” idade. No nariz, uma explosão de belíssimos aromas, passando por toques de frutas passas, damasco seco, geléias. Mais um tempo em taça e surgiram aromas mais evoluídos como caixa de charutos e até um toque de chocolate.

Em boca, muita maciez, taninos em ótima forma, nenhum amargor e final longo. Um belíssimo vinho, que sem dúvida ficou melhor ainda com comida, mas que na verdade eu queria mesmo era degustá-lo sozinho, para poder aproveitar melhor.

Se você aprecia um bom vinho italiano, essa é uma belíssima pedida.

Um abraço

Daniel Perches

Castello di Fonterutoli Chianti Clássico 2006

Mais um vinho que eu resolvi degustar em meia garrafa. Já comentei aqui sobre os benefícios que eu vejo nas garrafas pequenas (375ml ou 187ml): se você quer beber pouco, está sozinho ou quer provar vinhos diferentes ao mesmo tempo, elas podem ser muito úteis.

O meu motivo, dessa vez, foi estar sozinho. Aproveitei então para abrir esse Chianti Classico que é produzido com 90 % de Sangiovese e 10% de Cabernet Sauvignon, pelo grande produtor Mazzei.

O vinho nitidamente ainda estava jovem. Sua coloração era de um rubi intenso e intransponível, praticamente sem halo de evolução. Seus aromas, mesmo que remetendo a frutas negras, leve amadeirado e um pouco de fumo, eram tímidos. Com algum tempo de abertura da garrafa e um pouco de aeração, os aromas tornaram-se mais presentes, mas ainda assim, nada muito exuberante. Mas pra mim ficou claro que o vinho não estava “sem aromas”, mas sim ainda muito fechado. Vai melhorar com o tempo, com certeza.

Em boca, apesar de sua jovialidade, mostrou taninos muito bem tratados, com um bom corpo e um final bem marcante e saboroso. A acidez dele também é um ponto positivo, que mostrou-se bem equilibrada.

É um belo vinho, que eu encontrei na Expand por 58 reais (meia garrafa), então acredito que a garrafa inteira deva estar em torno dos 100 reais. Não é dos mais baratos, mas tem uma boa qualidade. Se comprar, recomendo guardar mais um tempo, pois acho que vai ter melhores resultados.

E quando abrir, se puder harmonizar com uma bela lasagna à bolognesa, acho que vai ter bons resultados.

Um abraço

Daniel Perches

Case Sparse Chianti 2008

Eu tento fazer uma lista de lugares que eu tenho que visitar (lugares de vinhos, especificamente). Quando começo, me dá um desespero, porque é tanta coisa que eu sei que vai demorar para conseguir fazer tudo. E a loja da Expand no Outlet Premium, que fica na Rodovia dos Bandeirantes (SP), próxima ao Km 72, é uma delas. Eu já havia passado anteriormente e até comprado alguns vinhos, mas o próprio vendedor me disse que não era o melhor dia, então eu resolvi voltar.

Consegui passar lá recentemente com mais calma (e com a loja não muito cheia) e pude fazer minhas garimpagens. E foi assim que eu encontrei esse Chianti Case Sparse, um DOCG que é produzido com 90% de uva Sangiovese e 10% de outras uvas (permitido pela legislação de Chianti). Dessa vez foi uma vendedora muito simpática que me atendeu e me garantiu que o vinho era bom. Comprado com 20% de desconto (era 49,80 e eu levei por 39,84) me pareceu uma boa barganha e eu então paguei pra ver.

O Case Sparse é realmente um bom Chianti. Gostei dos seus aromas, que lembraram madeira molhada, frutas silvestres e um pouco de terra ao fundo. Em boca, uma acidez bastante marcante e um final um pouco quente, mas agradável.

Foi degustado em companhia de panquecas à bolognesa (minhas favoritas) e foi uma boa combinação, mesmo com molho bastante carregado de tomate e especiarias.

Pareceu-me um bom valor para um Chianti, que não decepcionou quando degustado. Se provar, depois me diga o que achou. Se quiser ver mais sobre o produtor, o site é http://www.nistri.it/

Um abraço

Daniel Perches

IXE no Encontro de Vinhos

Muito falou-se sobre o IXE, o único Tempranillo produzido na região da Toscana, na Itália. É um vinho realmente único e diferente de qualquer Tempranillo que se  possa conhecer.

Infelizmente ele ainda não está disponível no Brasil, mas o produtor já confirmou sua presença no evento Papo de Vinho e Vinhos de Corte, em agosto, em São Paulo.

Será a oportunidade para conhecer esse vinho e também outros da mesma vinícola, que tem também um Chianti bem interessante e também o Vigna Alle Nicchie, um vinho produzido com parte de suas uvas passificadas.

Não perca essa chance, pois não sabemos quando esse vinho estará aqui no Brasil para venda. Esperamos que logo!\

Veja o post sobre o IXE aqui.

Um abraço

Daniel Perches

Harmonização – Fettuccine Bolognese e Chianti

Por sugestão dos Blogs Gourmandise e Le Vin au Blog, fiz essa harmonização com um vinho e um prato típico italianos. O molho bolognese (ou bolonhesa) é bem conhecido dos brasileiros e eu arriscaria dizer que é praticamente uma paixão nacional. Já os vinhos da região de Chianti ainda não atingiram esse patamar (de paixão nacional), mas acredito que por puro desconhecimento, pois são muito bons!

Segui à risca a receita e o resultado foi uma bela harmonização. O molho, feito com ingredientes ácidos (salsão, tomate) e alguns componentes lácteos (leite, creme de leite, manteiga) formou uma bela combinação com o Chianti Tosca, da Tenuta Valipatta, que apresentou uma boa acidez e aromas tendendo para os herbáceos e uma leve madeira seca.

O Chianti é produzido na Toscana e é composto de 90% de Sangiovese e 10% de Canaiolo Nero. É comercializado no Brasil pela Zahil e custa em torno de 55 reais. Um bom preço para um Chianti de qualidade.

Eu nunca tinha feito um molho bolognese da forma como descrita abaixo. O resultado foi um molho um pouco diferente do que estamos mais acostumados, que tem muito tempero. Esse foi mais suave e acredito que também por conta do sal marinho, que não só é mais saudável como é mais leve. Agradou bastante.

Esse prato vai bem com outros vinhos também, mas se puder reproduzir com esse Chianti (ou com outros da mesma região), vale a pena.

Abaixo replico as receitas. Parabéns aos blogs organizadores pela bela harmonização.

Receita escolhida: Fettuccine Bolognese – 4 pessoas

Ingredientes:

• 240ml de creme de leite fresco
• 200g de pancetta (gordura de banha de porco) brunoise
• 2 xícaras de cenoura brunoise
• 1 xícara de salsão brunoise
• 1 xícara de cebola brunoise
• 900g de Maminha limpa e sem gordura picada na ponta da faca
• 240ml de vinho tinto seco
• 8 Colheres de sopa de tomate bem maduro concassé brunoise
• 200ml de fundo de legumes caseiro (a receita é a mesma do utilizado na receita da Polenta com ragu de músculo, basta diminuir as quantidades)
• 480ml de leite integral quente
• 30g de manteiga sem sal gelada
• Sal marinho a gosto
• Pimenta preta moída na hora
• 500g de fettuccine Rustichella d’Abruzzo  ou De Cecco (Fettuccelle ou Fettuccia)

Preparo:

Derreta a gordura de porco até ficar quase completamente líquida, unir os legumes e refogar até a cebola ficar translúcida.
Adicionar a carne e refogar até dourar ligeiramente.
Colocar o sal e a pimenta moída na hora.
Acrescentar o vinho, o fundo e tomate, cozinhar por mais ou menos 5 minutos.
Tampar, diminuir o fogo e cozinhar por 2 horas, adicionando o leite aos poucos.

Obs:
Antes de servir aqueça o molho, coloque o creme de leite reduzido para 1/3 (faça no fogo baixo) a manteiga e uma pitada de sal, cozinhe por 3 minutos. Acrescente a massa cozida (respeite o tempo de cocção descrito na embalagem) e sirva imediatamente.
Esta receita foi adaptada da receita do chef André Mifano (restaurante Vito).

Fundo de legumes:
• 200g de cenoura brunoise
• 200g de salsão brunoise
• 400g de cebola brunoise
• 2 dentes de alho esmagados
• 10 grãos de pimenta do reino
• 1 folha de louro
• talos de salsa
• 1L500ml de água
Cozinhe tudo em fogo baixo por 40 minutos à 1h. Amorne e coe, desprezando os legumes. Reserve o líquido.

Um abraço

Daniel Perches

Antiche Vie Chianti 2007

Como diz o meu amigo Alexandre, “um bom Chianti não pode faltar na adega”. E eu concordo com ele. Os Chianti são vinhos muito saborosos e em geral, que acompanham muito bem comidas típicas italianas. Eu acho que a combinação perfeita para uma pizza de calabresa é um bom Chianti.

E como nunca é demais conhecer mais um rótulo, esse eu provei em companhia de outro amigo, o Beto Duarte. Conhecemos o Antiche Vie, que é do mesmo produtor do IXE Tempranillo (veja o post do IXE aqui), que também é um espetáculo de vinho.

Esse Chianti é produzido com Sangiovese (85%), Ciliegiolo, Canaiolo, Malvasia Nera (15%). Em taça mostrou uma coloração não muito escura. No nariz apresentou bons aromas, com um toque de frutas, madeira e até um leve defumado. Depois de certo tempo em taça melhorou um pouco, evoluindo seus aromas e tornando-se ainda mais agradável.

Dessa vez a harmonização não foi com pizza, mas com uma boa carne grelhada. Acompanhou bem, mas eu ainda aposto na primeira opção.

O Antiche Vie (como os outros vinhos do mesmo produtor) não está ainda à venda no Brasil, mas esperamos que em breve esteja. Esse Chianti deve chegar por volta dos 40 reais, o que é um bom preço pra ele.

Um abraço

Daniel Perches

IXE 2007 Tempranillo

Alguns produtores possuem histórias tão interessantes quanto seus vinhos e isso torna a degustação mais interessante ainda. É o que acontece com o produtor do IXE, o único Tempranillo que é produzido na região da Toscana, na Itália.

Durante muitas gerações, a família de Leonardo Beconcini produziu vinhos naquela região. E durante todo o tempo, uma parcela de seus vinhedos produziu vinhos excepcionais, com uma maciez incrível e que agradava a todos que passavam por lá. Mas Leonardo (e seus antepassados) não sabia que uva era aquela. As plantas mais velhas foram sendo clonadas e substituídas por novas, mas nunca perdendo a sua característica, apesar de não saberem qual era a sua variedade. Depois de muito tempo e de muitos pedidos de informação de seus clientes, a família resolveu fazer um teste de DNA da planta e descobriu: era Tempranillo.

Mas como a Tempranillo foi parar ali? Lá foram eles buscar mais informações e descobriram que a propriedade da família está situada numa antiga rota de peregrinos que vinham da Espanha. Acredita-se que algum deles em passagem por lá deva ter trocado sua hospedagem por sementes de uva. E aí se iniciou toda a história.

Como não sabiam qual era a variedade do vinho e para não deixar os seus ávidos consumidores na mão, colocaram um nome: IXE (que significa “X” em italiano). E não só o nome como principalmente o vinho, caiu no gosto do pessoal.

Belíssima história, que alia sorte a esmero dos produtores, que cuidaram muito bem de seus vinhedos durante gerações.

E mais sorte a minha, que pude provar o único vinho feito com a uva Tempranillo vindo da Toscana. Um vinho fantástico, com aromas muito pronunciados e francos, com uma maciez impressionante na boca e que combinou perfeitamente com as carnes que provamos no dia em que meu amigo Beto (que é amigo do produtor) me trouxe esse vinho para provar.

Esse é um vinho que merece atenção, pois se trata de uma variedade de uva conhecida, mas com características bastante distintas (e boas). Uma prova irrefutável de que o terroir influencia as características das uvas, sem dúvida. Se puder provar, não perca a chance, pois tenho certeza que vai gostar.

Um abraço

Daniel Perches