Pintia 2003

Todo bom enófilo sonha com a possibilidade de provar grandes vinhos. E apesar de termos aqueles nomes franceses bem conhecidos decorados e sempre na expectativa de poder prová-los, existem muitos outros, inclusive de outros países, que estão à altura, pra não dizer até acima de sua qualidade. Mas esse é um mérito que não devemos entrar, inclusive porque envolve gosto.

A verdade é que o Pintia é um dos grandes vinhos do mundo que quem puder provar, não vai se arrepender. Ele é produzido na região de Toro, na Espanha, pela mítica empresa Veja-Sicília e é feito somente com a casta Tempranillo.

A Veja-Sicília estava em busca de um novo terroir, fora de Ribera Del Duero, para investir. Encontraram então a região de Toro e surgiu o Pintia. Desde sua primeira colheita, em 2001, vem ganhando notas altíssimas (sempre acima de 95 pontos) da crítica especializada. Não é pra menos. O vinho surpreende a cada gole.

É um vinho que mereceria páginas e páginas de descrição, mas ao mesmo tempo sinto-me pequeno diante de tantos atributos. Sua complexidade aromática é tão grande que quando provei, eu não sabia o que escrever. Isso sem falar de sua persistência, seu retro-gosto, seu NÃO amargor, enfim, tudo o que um grande vinho deve ter.

Tudo isso o Pintia tem, e tem de sobra.

Mas o mais gostoso, sem dúvida, é poder dividir essa alegria com amigos. Dizem por aí que quem tem amigos, tem tudo. Eu estava com amigos e com um belíssimo vinho à mesa. Precisa dizer mais?

Um abraço

Daniel Perches

(Para saber mais sobre o Pintia, veja o site deles aqui. No Brasil é possível comprar pela Mistral)

Bajoz Reserva 2002

Esse vinho foi comprado na World Wine, por ocasião do Bota Fora que eles fazem anualmente. Garimpando, é possível encontrar boas ofertas e vinhos interessantes para se provar. Eu uso sempre o critério “vinhos que eu gostaria de provar mas não pagaria o preço” para escolher os meus.

E foi assim que eu encontrei o Bajoz Reserva 2002. Eu já havia provado o Bajoz normal (linha de entrada da casa) e de uma safra mais jovem. Esse, por ser reserva e também pelo ano, me chamou a atenção.

Produzido na região de Toro, na Espanha e com a uva Tinta de Toro, apresentou um grande halo de evolução e sua coloração estava viva e brilhante, mas com bons reflexos atijolados, demonstrando que o vinho já estava no ponto para ser bebido e no início de seu declínio. Acredito que seja possível guardar por até mais um ano, mas só se você gostar de vinhos já bem maduros.

No nariz aromas de couro, tabaco, chocolate, fruta passa e um toque de especiaria. Em boca, bom equilíbrio e final interessante, não muito longo, mas equilibrado.

Não acho que seria uma boa combinação com comidas muito fortes, pois o vinho já não tem tanta potência.

Deixo então a dica para quem quiser conhecer esse vinho, que me agradou dentro do esperado. O preço dele na promoção foi de R$ 60,00, mas o normal é R$ 140.

Um abraço

Daniel Perches

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