O Uruguai veio ao Brasil mostrar os seus Tannats e um pouco mais

Que os vinhos do Uruguai são interessantes, eu já sabia. Eu já estive lá e tenho um contato frequente com produtores e com os produtos deles. E certamente vai além do Tannat, a uva ícone deles e que faz com que o país seja conhecido e reconhecido no meio dos apreciadores de vinhos.

E por conta da união dos produtores, o Brasil recebeu recentemente um tour que passou por várias cidades, chamado “Tannat Tasting Tour 2014“. A ideia era apresentar os seus vinhos dessa casta, mas também mostrar que o Uruguai pode fazer mais. E mostrou. Eu provei vários vinhos e relembrei alguns muito bacanas como os do Carlos Pizzorno, da Bodegas Carrau, Bouza, Familia Deicas, Filgueira e muitos outros.

Eu gosto bastante dos vinhos do Uruguai e acho que eles merecem um bom destaque em nossas adegas. Além de serem, em sua maioria, bem produzidos, com cuidado e dedicação, têm um bom preço.

Em breve eu conto mais sobre alguns que me chamaram a atenção, mas para adiantar, sugiro que não perca o Primus, da Pizzorno, o Sauvignon Gris da Filgueira e o Pinot Noir da Narbona. Esses ficaram na lembrança e são vinhos que eu certamente beberei novamente, com calma e atenção.

E se você vai fazer um churrasco e está querendo sair da linha do Malbec, um bom Tannat uruguaio é certamente uma excelente solução!

Um abraço

Daniel Perches

Acho que o Tannat está ficando mais popular

Você bebe bastante vinho feito com a uva Tannat? Eu acredito que a maioria vai responder que não. Fiz essa pergunta para algumas pessoas próximas de mim (mas não do meio do vinho) e todos me disseram que raramente bebem vinhos feitos com essa uva.

E recentemente estive em um evento organizado pela Wines of Uruguay para divulgar o Tannat, que é a uva-símbolo do país.O Tannat Tasting Tour, como eles estão chamando, está percorrendo quatro cidades – Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Campinas – para mostrar os vinhos do Uruguai feitos com essa uva.

Boa iniciativa e que espero que ajude a aumentar o consumo do vinho uruguaio no Brasil. Se você ainda não conhece os vinhos de lá, vale a pena provar. Em geral têm boa qualidade e bom preço. E se quiser expandir os conhecimentos para os brancos, tente a Sauvignon Blanc de lá. Estão fazendo coisas bem legais com essa uva também.

Para saber mais sobre a Wines of Uruguay acesse o site deles e acompanhe as novidades.

Um abraço

Daniel Perches

Dinastia Tannat 2009

A uva Tannat é símbolo da viticultura uruguaia. E é boa mesmo.

E para confirmar, provei o Dinastia 2009, que é o top da H. Stagnari e é importado pela Cantu.

Veja só.

Um abraço
Daniel Perches

Bertolini & Broglio Tannat Crianza 2008 – Isso sim é vinho com estrutura

Quando comecei a estudar vinhos aprendi que Tannat é a uva emblemática do Uruguai e um bom Tannat com uma carne suculenta é uma boa harmonização.

É claro que toda regra tem sua exceção, mas posso afirmar que na maioria das vezes você vai acertar se fizer esse par de comida e vinho.

E para testar essa harmonização mais uma vez, afinal de contas não é nada chato fazer isso, preparei um bife de chorizo em casa (na churrasqueira) e abri o Bertolini & Broglio Tannat Crianza 2008.

O meu bife de chorizo estava como deveria ser, com uma boa quantidade de gordura entremeada e bem ao ponto (rosado por dentro), mas nem assim ele foi páreo para o vinho.

Esse Tannat é muito potente e tem muita estrutura. Passou por cima da carne sem dó. Aromas de chocolate e defumado encheram a taça, sendo completados por sabores fortes e marcados de torrefação no final.

Se você gosta de vinhos assim, daqueles que você quase mastiga, vai gostar desse. E se resolver comprar e testar, pode buscar a carne mais forte e saborosa que conseguir, porque esse é valente e encara qualquer parada.

Esse veio na seleção Uruguai da Winelands.

Um abraço

Daniel Perches

[Vinícolas do Uruguai] Pisano

Há tempos que bebo vinhos da Pisano e gosto muito. Lembro-me da primeira vez que me apresentaram os vinhos deles, lá na Mistral (ainda na época em que tive a sorte de morar na mesma rua da importadora. Nesse tempo, me dava ao luxo de ir no sábado de manhã comprar uma garrafa de vinho para o almoço). Lembro-me da vendedora me mostrar os vinhos e prometer qualidade. Resolvi arriscar e não me arrependi. Desde então bebo e recomendo Pisano.

E na minha viagem ao Uruguai tive a sorte de ir à bodega e conversar com os irmãos Francisco e Gustavo e com o Gabriel (que faz os vinhos da Viña Progresso e é filho do Gustavo). Família simples e dedicada, que guarda com muito carinho e respeito a tradição e história da família.

A Pisano é uma das grandes bodegas do Uruguai, com 30 hectares de vinhas plantadas e exporta para mais de 40 países. São 25 variedades (brancas e tintas) e só de Tannat eles têm 12 tipos. Há coisas interessantes como um espumante de Tannat, um vinho feito 100% com Petit Verdot e outras mais.

Se você for à bodega e tiver sorte, poderá ver a matriarca cuidando dos pássaros por lá. Senhora sábia que reivindicou um vinho em seu nome e ganhou o top da vinícola (mas isso é papo para outro post, porque merece).

Na cozinha da família tem um sem número de garrafas (vazias e cheias) e presentes e lembranças do mundo inteiro. E é por lá que se faz a comida. Pra mim foi servida uma típica parillada, que ficou simplesmente divina com os vinhos deles. Provamos vários e tenho meus favoritos, que também contarei em outros posts.

Ah, quase ia me esquecendo de falar sobre a vinícola. Bem, tem a sua parte antiga que preserva até algumas máquinas de mais de 100 anos e tem a parte nova, que é onde produzem efetivamente o vinho

Se for ao Uruguai, recomendo fortemente que agende uma visita à Pisano. Vá, converse com eles, prove os vinhos e depois me diga se estou exagerando. Gaste mais tempo conversando com a família do que vendo a vinícola. Vale a pena.

Um abraço

Daniel Perches

Visitando a Don Laurindo

Estive em Bento Gonçalves para o evento de Redes Sociais que o Ibravin promoveu e aproveitei para visitar algumas vinícolas. Tive a oportunidade de rever o Ademir Brandelli, que comanda a Don Laurindo. Ademir recebe muito bem todos que chegam lá. Ele tem uma “prisão” onde guarda os seus vinhos antigos. Só abre quando acha que deve. E dessa vez eu dei sorte. Não só abriu pra mim como gravamos lá de dentro, provando um Tannat 2002.

Rio de los Pasaros Tannat Reserva 2006

Mais um vinho uruguaio degustado. Esse também é da Pisano, uma das maiores bodegas daquele país. A Pisano produz diversas linhas de produtos e essa, a “Rio de los Pasaros” é uma das mais básicas.

Feito 100% com a uva Tannat, casta emblemática do país e que merece bastante atenção, pois realmente tem um ótimo desenvolvimento por lá, tem uma breve passagem por carvalho francês.

Em taça mostrou-se com uma boa coloração, não muito escura e bem viva. No nariz, notas de frutas vermelhas frescas, terra molhada e um pouquinho de madeira no final. Além desses aromas, tem bastante álcool sobrando. E esse aroma ficou presente por bastante tempo e mesmo depois de aerado por aproximadamente 1 hora, o vinho não se equilibrou.

Em boca tem boa tanicidade, mas de novo o seu álcool apareceu, tornando o vinho “quente” demais. Por esse excesso, não é um vinho convidativo, que nos chama para o próximo gole. Precisa de uma comida forte que o ajude a se mostrar e harmonizar.

Foi provado com queijos curados e foi até bem. Talvez uma carne gordurosa vá melhor.

A Pisano, como já falei, produz excelentes vinhos e os seus tops são dignos de medalhas pela sua qualidade. Esse deixou um pouco a desejar, mas entendendo que é uma linha básica, acredito que possamos relevar um pouco, inclusive pelo seu preço, que gira em torno dos 20 reais.

Em breve comentarei sobre seus vinhos tops. Aguardem.

Abraços

Daniel Perches

pisano_pasaros

Juan Carrau Tannat de Reserva 2005

vinhos_de_corte_juan_carrau_tannat_reservaA uva emblemática do Uruguai é a Tannat. Emblemática porque dentre as castas produzidas por lá, essa é a que melhor Continue reading

Churrasco com vinho. Combina?

White wine bottle by red fire with corkscrewImaginem a cena: sábado ensolarado e a gente combina de fazer um churrasco na casa de alguém. Tenho amigos que fazem ótimos churrascos. O ideal é que alguém compre as carnes todas e depois divida o custo e todo mundo leva bebida.

Todos vão chegando com suas caixas de cerveja (algumas geladas, outras quentes), alguns com refrigerantes, outros trazem até uma vodka, e aí eu chego… com vinho!

Mas não dá outra… o pessoal sempre vem com a mesma história: “churrasco não combina com vinho. Combina mesmo é com cerveja gelada!”

Então meus amigos, devo contar-lhes uma verdade que pra alguns pode até doer: churrasco combina mesmo é com vinho. E o pior: não combina com cerveja (e aqui falo daquelas cervejas “comuns”).

Calma, antes de iniciarem a escrita de um comentário malcriado pra mim, leiam mais um pouquinho, que eu vou explicar.

A carne do churrasco, em geral, tem gorduras (é só lembrar da picanha, da lingüiça…) e quando comemos a carne, nossa boca fica “engordurada”. O vinho tem a propriedade – dentre outras – de adstringência. Ou seja, ele “lava” a nossa boca. Se fizerem um teste prestando atenção, verão que é assim mesmo que acontece. Por isso, que a gente recomenda vinhos mais “adstringentes” para o churrasco. Além disso, se for um vinho mais tânico, ele vai contrastar com o sal da carne, trazendo um sabor mais gostoso no final da experiência.

Já a cerveja é amarga e isso ninguém pode negar e alimentos ou bebidas amargos são difíceis de combinar. O que acontece é que como ela tem um sabor mais forte que a carne, além de estar bem gelada, ela esconde o sabor final ou torna-o amargo no final, às vezes até “congelando” as papilas gustativas.

Vale ressaltar que existem diversos tipos de cerveja e até degustações harmonizadas. São cervejas excelentes e muitas combinam perfeitamente com a carne gordurosa. Falarei sobre essas cervejas em breve.

Deixo então uma dica pra quem gosta de cerveja: experimente um dia, num churrasco, comer um pedaço de picanha e depois beber um bom vinho da uva Tannat. Depois faça a mesma experiência com a cerveja. Veja qual fica mais harmônico.

Mas pra que não fique nenhum rancor, eu também gosto de cerveja (e adoro alimentos amargos) e o que eu acho mesmo é que a gente tem que beber o que gosta. Se você gosta de caipirinha, que seja. Se gosta de churrasco com Martini, que seja também. O que importa é bebermos o que gostamos. E viva a liberdade de todos! :)

Abraços e bom churrasco (com a bebida que quiser).

Daniel Perches

Pisano RPF Tannat 2005

pisano_tannatOs países do Novo Mundo elegeram uma uva emblemática para seu país, como forma de se destacar na vinicultura. Acho muito válido e importante para dar característica a um país. A Argentina escolheu a Malbec. A Austrália, a Syrah (ou Shyraz), O Chile escolheu a Carmenère e por aí vai. O Uruguai tem a Tannat como sua uva emblemática. Continue reading