Sangiovese

Barolo Parusso 2006

As degustações às cegas são sempre muito interessantes. Mas calma que eu não quero ficar aqui evangelizando e falando que devemos beber sem pensar em pontuações, rótulos, etc. O

Meu ponto é outro e eu explico: esse Barolo, o Parusso 2006, participou da degustação para a eleição dos Top5 do Encontro de Vinhos de Belo Horizonte 2013, onde foram escolhidos 5 vinhos argentinos (veja o resultado aqui).

Por estar na organização, eu não participei do julgamento, mas eu pude provar vários vinhos e um que me chamou a atenção foi esse barolo. Obviamente eu tenho acesso às notas e sei que ele ficou muito bem classificado, mas não entrou nos 5 melhores.

barolo_parusso_2006O Barolo Parusso é um ótimo vinho. Aromas de frutas e de ervas explodindo na taça e na boca aquela acidez típica italiana, típica da uva Nebbiolo. Esse vinho com um popeltone é para comer rezando.

E nada contra (aliás, só a favor) dos vinhos que ganharam o Top5. É só uma constatação. Será que nós brasileiros estamos nos acostumando com os Malbecs da Argentina e estamos esquecendo de provar os bons vinhos italianos, franceses, espanhóis, etc? Sim, sei que vai falar que é caro, que não é fácil encontrar, etc, etc. Mas e o que falar dos Chiantis, que custam em torno de 50 reais?

Mais do que falar sobre o Barolo Perusso, eu quero fazer um apelo: vamos beber mais vinhos do Velho Mundo. Há uma infinidade de vinhos para conhecer. Se não tiver grana para comprar um barolo por exemplo, fique de olho nas degustações das lojas e importadoras. De vez em quando aparece alguma coisa legal. Paga-se uma grana pequena (e às vezes é de graça) e pode provar alguns rótulos mais caros e exclusivos.

Viva o Barolo, viva os vinhos italianos e principalmente viva a diversidade, sempre!

Um abraço

Daniel Perches

Terenzi Morellino di Scansano DOCG 2011 – Um Sangiovese um pouco diferente

A uva Sangiovese é uma das “queridinhas” da Itália. Uma de suas variações, a Sangiovese Grosso, serve como base para a produção dos Brunellos e Rossos di Montalcino. Vinhos encorpados, potentes e que muitas vezes podem envelhecer muito.

Mas não é só de Brunellos e Rossos que vive a Sangiovese. Existem muitas outras regiões, DOC’s e DOCG’s que têm Sangiovese autorizada e os vinhos podem ser produzidos.

Maremma é uma delas. Uma região muito bonita, com belas paisagens naturais. E de lá vem o Morellino di Scansano, como esse que eu provei, da Terenzi.

Terenzi_morellino_scansano_2011Esse fez parte do júri do Encontro de Vinhos de Belo Horizonte. Não ficou entre os 5 melhores, mas achei um vinho interessante e resolvi contar um pouco sobre ele.

Com uma cor mais leve, ele engana e parece que vai ser levinho na boca também. Não é bem assim. O vinho é potente, com bastante tanino e acidez. Tem aromas e sabores de frutas levemente secas e um pouco de terra, bem agradável.

Gostei do vinho porque é macio e bem gastronômico, mas sem grandes pretensões, fazendo um bom par com comidas leves. É daqueles que a gente vai bebendo devagar, sem pensar muito nele e quando vê, a garrafa já acabou.

Vale a pena provar para sair um pouco da rotina, mesmo para quem já bebe bastante Sangiovese, para ver uma outra versão da uva.

Esse é importado pela Casa Rio Verde e para quem gosta das informações técnicas, aí está a ficha. Você pode ver mais no site deles.

Grape variety: Sangiovese
Soil: Deep, with coarse sands and deep clay; very stony and well-drained
Vine training system: Cordon Spur
Vine density: 5.000 vines per hectare
Grape yield: 9 tonnes/ha
Harvest: End of September
Crushing: De-stemming and partial rupturing of the grapes
Fermentation: In stainless steel tanks at a controlled temperature
Temperature: 27°-28°C
Duration: 7 days
Maceration on the skins: During alcoholic fermentation
Malolactic fermentation: Carried out spontaneously, in stainless steel tanks
Maturation: In stainless steel tanks
Bottle ageing: 3 months
Alcohol content: 14% vol.
Colour: Deep ruby red
Fragrance: Scents of red fruits and violets, with spicy hints
on the fi nish
Taste: A wine with well-balanced, soft and persistent tannins. Its freshness makes it very easy to drink
Pairing: Particularly suitable for accompanying cold cuts, cheese or meat dishes
Initial serving temperature: 15°-16°C

 

Um abraço

Daniel Perches

Chianti Camporsino DOCG 2010

Chianti é um vinho que é relativamente barato (para os nossos padrões) mas que tem uma boa qualidade. Esse Camporsino DOCG, feito 100% com Sangiovese, é um bom exemplo.

 

Chianti Castiglioni 2011 – Frescobaldi

Provei o Chianti Castiglioni 2011. Esse eu comprei no Freeshop e a safra que está sendo comercializada (Ravin) no Brasil agora é a 2010, mas devem ser bem parecidas.

Eu entendo que muitos não gostem dos grandes produtores por acharem algo “industrializado”. Eu não me incomodo e quero beber vinho bom.

Resciso 2005

Esse vinho é do produtor Pietro Beconcini. A vinícola é comandada pelos simpáticos Leo e Eva, que de tanto que já conversamos, sinto que somos amigos.

A vinícola tem boas histórias para contar: eles é que produzem o vinho IXE, um Tempranillo feito na Toscana e também o Vigna Alle Nichie, que foi o vinho ganhador do Top5 do Encontro de Vinhos OFF de Abril de 2011.

E o Resciso é mais um vinho deles, dessa vez feito só com Sangiovese. Eu já tinha provado esse vinho em outra oportunidade, mas estava numa situação corrida, daquelas que você praticamente não presta atenção no que está bebendo. Como tinha uma garrafa em casa, resolvi provar com calma, para poder ver se realmente o vinho era tudo aquilo que me falaram.

O vinho não fez feio. Aliás, fez muito bonito, pois mostrou-se realmente digno dos elogios que eu já tinha ouvido.

Abri a garrafa e deixei ela descansar aberta por umas duas horas antes de beber. Tive essa (rara) oportunidade pois estava em companhia de amigos e estávamos bebendo outro vinho antes. Acredito que isso tenha ajudado o vinho a se desenvolver e abrir bem os seus aromas.

É um vinho complexo e que mostra muito potencial. Tem muita fruta vermelha, toques terrosos e um pouco de madeira e defumado muito bem integrados. Na boca tem uma excelente acidez, daquelas que lembra mesmo os bons italianos.

Coloquei o Resciso numa prova de fogo, pois bebi o vinho na companhia de uma amiga italiana, de Roma. Ela, que bebe vinho desde pequena, não é nenhuma crítica ou estudiosa de vinhos, mas para quem bebe vinho italiano desde pequenina, acho que sabe das coisas. Ela aprovou. E eu também.

Esse ainda não tem importador no Brasil, mas eventualmente pode ser encontrado nos Encontros de Vinhos.

Um abraço

Daniel Perches

Cimbolo IGT 2002

Beber esse vinho me fez lembrar um jantar muito gostoso que tive no restaurante Friccó. Quando fui escolher o vinho, tinha um Chianti da safra de 2002 que estava mais barato que os outros e o sommelier me falou que custava menos porque a safra não tinha sido boa.

Fiquei compadecido com o vinho que estava lá renegado e resolvi provar. É claro que o momento deve ter ajudado muito (era comemoração de aniversário de casamento), mas o fato é que o vinho me supreendeu. E desde então, quando provo um vinho italiano desse ano, lembro-me desse episódio e sempre paro para pensar sobre essa questão de tabela de safras. Como isso é relativo, não é mesmo? Não só de região para região, mas também de produtor para produtor, numa mesma região. Sem dúvida, temos que tomar cuidado com isso.

E dessa vez, ao provar o Cimbolo 2002, que é feito com a uva Sangiovese na região da Umbria (Itália Central) pelo produtor Poggio Bertaio eu também me surpreendi positivamente. O vinho estava ainda bem vivo e potente.

Esse eu provei na Vinea, que por sinal tem um bom catálogo de vinhos da Itália. Apesar de na taça já aparentar um certo envelhecimento, caracterizado pela sua cor rubi escura com grande reflexo granada, no nariz estava parecendo mais jovem. Aromas de frutas em geléia, terroso, um pouco de couro e um leve herbáceo fizeram a dança dos aromas.

Em boca mostrou os taninos ainda um pouco “indomados”, ou seja, ainda amarravam um pouco a boca. Boa acidez e final longo, com toques adocicados e defumados. Essa “amarrada” na boca com certeza deve sair e dar lugar a um final muito mais prazeroso com uma boa comida. Dessa vez eu provei só o vinho, mas não tenho dúvidas que é um vinho gastronômico e que se bem harmonizado, só trará boas surpresas.

Custa 110 reais na Vinea, o que me parece um bom preço para esse vinho que já tem certo envelhecimento e complexidade.

Um abraço

Daniel Perches

Sasyr 2007

Há tempos não ia à Enoteca Decanter, em São Paulo. O espaço do Wine Bar é bastante aconchegante e eu gosto muito do serviço do pessoal de lá. É sempre uma boa opção pra se provar vinhos (que pode ser em taça ou pedir uma garrafa da loja) e conversar um pouco com os sommeliers e vendedores de lá, que conhecem bastante sobre vinho.

Dessa vez estive lá com um amigo que voltou de Portugal e a estadia por lá o fez gostar mais de vinhos, mas também, como era de se esperar, que ele tivesse uma preferência por vinhos daquele país.

Mas eu consegui convencê-lo a provar, pelo menos dessa vez, um vinho italiano. Estávamos buscando um bom vinho na loja quando me deparei com esse, que tem um corte muito interessante: 60% de Sangiovese e 40% de Syrah. Eu gosto bastante da Syrah produzida na Itália, pois ela parece que produz vinhos mais delicados do que os produzidos no novo mundo. E como gosto também da Sangiovese, resolvi arriscar esse vinho.

Ótima escolha. Esse corte trouxe elegância ao vinho, apresentando uma coloração rubi muito intensa, com aromas adocicados de frutas vermelhas com destaque para groselha, um toque de especiaria e toques de madeira molhada.

Em boca mostrou-se muito macio, com taninos muito finos. Final longo e sem amargor. Foi muito bem com embutidos italianos como salame, presunto cru e também com um queijo grana padano.

Na loja o vinho custou 73 reais. Já vi que no site está 75 (não sei porque no site é mais caro). É um vinho diferente e que vale a pena ser provado.

Um abraço

Daniel Perches

Tignanello 1995

No dia após o Encontro de Vinhos, fui convidado, junto com outros blogueiros para degustar essa jóia rara. Não poderia ter recebido presente melhor, pois não é todo dia que se bebe grandes vinhos como esse, e ainda mais na companhia de pessoas que conhecem, entendem e principalmente, bebem sem frescura.

O local escolhido foi o Ráscal do Itaim, que sempre nos serve com excelente qualidade (e o Anderson, o Sommelier, é muito atencioso) e os felizardos foram eu, Jeriel da Costa, Alexandre Frias, Beto Duarte, Walter Tommasi e Silvestre Tavares (o dono da preciosidade).

Foram 2 espumantes, 3 grandes vinhos e depois ainda um tokaj pra fechar os trabalhos, mas resolvi falar primeiro do Tignanello pois é um vinho ícone, tanto na Itália quanto aqui no Brasil. Sonho de muitos enófilos (inclusive meu), é um vinho que esbanja elegância. Um vinho pra se admirar.

Produzido na região da Toscana, mais precisamente dentro de Chianti Clássico, é um “Supertoscano” que tem em sua composição 80% de Sangiovese, 15% de Cabernet Sauvignon e 5% de Cabernet Franc.

Ao ser servido (às cegas, junto com os outros grandes vinhos), apresentou uma coloração já tendendo para o cobre, com um grande halo de evolução.

No nariz mostrou-se um pouco mais tímido que os outros, demonstrando pra mim que era um vinho que apesar de toda a sua idade, ainda estava em sua plenitude e poderia até ser guardado por mais tempo. Aromas de alcaçuz, frutas em compota e um delicioso terroso que rondava toda a taça montaram os aromas apresentados. Tudo com muita elegância e sem nenhum se sobressair a outro.

Em boca, me impressionei com os seus taninos. Muito vivos ainda e pedindo para que alguma comida acompanhasse. Não tive dúvidas: provei junto com o famoso polpetone que é servido lá no restaurante. Ficou sensacional. Depois ainda fizemos o teste sugerido pelo Tommasi, de harmonizar o Tignanello com um presunto cru italiano. Ficou melhor ainda. A gordura do presunto era completamente absorvida pelo vinho, formando uma combinação digna de se fazer reverência.

É, meus amigos, esse não é um vinho barato (infelizmente), mas é um vinho que, se tiverem oportunidade de beber, não deixem passar. É uma experiência única, eu diria.

Em breve conto mais sobre os outros vinhos, mas só para despertar o interesse, os outros foram um Cousiño-Macul 1995, um Marques de Riscal Gran Reserva 2000 (levado pelo Walter) e um Tokaj Aszu 1989. Dá pra imaginar a minha alegria?

Até a próxima então.

Um abraço

Daniel Perches

Poggio del Sasso 2006

Esse é uma boa dica para quem gosta dos vinhos italianos, principalmente os que são feitos com a uva Sangiovese. Essa uva é famosa por ser a principal na produção de vinhos muito conhecidos como o Brunello de Montalcino, por exemplo, além de ser parte integrante obrigatória nos supertoscanos.

Produzido pela Cantina di Montalcino utilizando somente essa casta, é um vinho que tende a agradar muitos paladares, devido à sua leveza. Diferentemente do que pensamos em primeira instância quando falamos da Sangiovese, esse não é um vinho extremamente tânico, com aquela acidez alta. É um vinho mais suave. Eu diria que é uma “sangiovese domada”.

Com uma coloração rubi brilhante e lágrimas numerosas, mostrou-se um vinho ainda jovem, apesar de seus 4 anos de idade. É o que se espera dessa uva, pelo menos.

poggioNo nariz trouxe aromas de frutas vermelhas já em compota, especiarias como canela e um toque de baunilha no final. Não foram aromas muito complexos nem um grande bouquet, mas todos muito francos e persistentes, mesmo depois de algum tempo em taça.

Na boca apresentou boa acidez (mas não passando do ponto) e bom corpo. Seu final não é dos mais longos, mas é justo.

Esse vinho é encontrado no Empório Vila Buarque e importado pela Santa Ceia Vinhos por aproximadamente 60 reais. Um preço justo para um bom vinho italiano da região da Toscana. Vale o investimento para provar e conhecer os vinhos de lá, para depois se aventurar, talvez, pelos Rossos e Brunellos de Montalcino.

Um abraço

Daniel Perches

Chianti Colli Senesi Riserva DOCG 2003

colli_senesi

Prato do dia: espaguetti com molho sugo e polpetone.
Comida decidida, eu tinha que partir para a busca de um vinho que acompanhasse esse clássico italiano à altura.

Foi então que Continue reading

Fattoria di Basciano Rosato di Toscana IGT 2006

rosato_toscana_masi_06Mais um da família Masi, que faz ótimos vinhos na região da Toscana, em Chianti Rufina. Esse é um rosé feito com a uva Sangiovese.

Os rosés não são muito populares aqui no Brasil. Uma pena, pois é uma Continue reading

Erta e China 2006 IGT

erta_china_2006_igtMais um belo exemplar da Toscana que foi provado. E aprovado!

O Erta e China é da subregião (ou subzona) de Chianti Rufina, dentro de Chianti. Essa subregião é muito charmosa e bastante conhecida por Continue reading