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Viña Montes – qualidade e inovação andando juntas


Na minha primeira viagem ao Chile eu estive na Viña Montes. Foi um dia muito legal, pois estava com a minha esposa e passamos lá sem grandes pretensões. Depois de conversar um pouco com o pessoal do varejo (que tem uma loja bacana, com bons preços), sugeriram que fossemos nos fundos, onde tem um bar. Lá ficamos e almoçamos, em um lugar fantástico, onde reina o silêncio, com vista para os vinhedos.

Lembro-me perfeitamente do dia, quando bebi um Montes Rosé. Estava uma delícia (e não poderia ser diferente, pois estávamos muito felizes na viagem).

Nessa minha nova visita, dessa vez muito mais técnica, estava curioso para saber se gostaria tanto dos vinhos como gostei da primeira vez. E gostei! Aliás, gostei bastante. O pessoal faz coisa séria por lá. Vale a pena ficar de olho (e se puder, comprar).

Vejam o que eu provei e o que eu mais gostei.

Montes Sauvignon Blanc Limited Edition Leyda 2012
Produzido no Vale de Leyda, é muito aromático, boa acidez. É daqueles que explodem de aroma na taça, mas não acho que incomoda tanto. Bom final, com a fruta mantendo-se presente, como maracujá.

Montes Sauvignon Blanc Outer Limits 2011
Vale de Aconcagua. Aromas mais doces, mais doce na boca também. Toques mais de aspargos, que também dão uma característica legal para o vinho.

Montes Alpha Chardonnay 2011
Tem madeira, trazendo aromas mais amanteigados, mas não incomoda. Bem regular e com final bem marcado da madeira, mas não é muito cansativo. Fica parte do vinho 12 meses em barrica. Ainda prefiro os Sauvignon Blanc deles.

Montes Alpha Pinot Noir 2010
Leve e fácil de beber, na boca tem boa acidez, mas o final é um pouco curto. OK, esperava mais.

Montes Outer Limits 2011
Um pouco mais concentrado, boa fruta, acidez no ponto, final mais interessante que o anterior. Pinot fresco e fácil de beber, com qualidade. Entre os dois, mesmo que esse seja mais caro, recomendo. Esse me encantou.

Montes Carmenere Limited Edition 2009
Esse vinho foi feito especialmente para o Brasil. Tem 90% Carmenere e 10% Cabernet Sauvignon. Boa estrutura, nariz de pimenta, tabaco, tostado. Na boca é bem equilibrado e até agora um dos melhores Carmenere que já provei aqui no Chile, pela sua elegância e equilíbrio.

Montes Twins 2011
Nasceu com a idéia de combinar o melhor do Chile com o melhor da Argentina. Tem metade de Cabernet Sauvignon e metade de Malbec.
Boas notas de tostado, chocolate, bem intenso de frutas, menta. Na boca eu esperava um pouco mais de estrutura, mas é bem fácil de beber.

Montes Alpha Malbec 2010
Um vinho muito tânico, com corpo médio. A Malbec no Chile é diferente. É legal, mas eu ainda fico com os Malbecs da Argentina. Acho que faltou estrutura.

Montes Alpha Merlot 2010
Toque de verdor, folhas, frutas. Na boca é macio e com bons taninos. Não é um vinho para envelhecer,  mas que pode ser guardado por uns 5 anos.

Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2010
Um vinho clássico, que tem um final bem legal. Os taninos ainda estão um pouco duros e pode ser guardado por algum tempo.

Montes Alpha Syrah 2009
Bem preparado, com aromas bem marcados, mas com o álcool aparecendo um pouco. Mas se deixar decantando por um tempo, vai ter um bom vinho depois de uma hora.

Montes Alpha Carmenere 2010
Toques de pimentão, frutas doces, taninos ainda jovens. Bom, mas não encanta.

Montes CGM Outer Limits 2010
Carignan, Grenache, Mourvedre. Toques balsâmicos, animal, na boca é bem equilibrado, final bem marcado. Um belo vinho que surpreende e devemos ter atenção. Esse eu queria trazer, mas não consegui.

Montes Alpha “M” 2010
Um Ícone que é um grande vinho. Anda está jovem e com certeza Ficará muito melhor com o tempo.

Montes Folly 2010
Ícone feita com Syrah, denso, forte, intenso. Para quem gosta de Syrah intenso, esse é um deleite.

Montes Folly 2003
Trouxeram para provarmos esse Montes Folly 2003, para vermos como o vinho envelhece. Sensacional! O vinho evolui muito bem, e ainda está fresco, por incrível que pareça. Na vinícola dá pra comprar essa safra e até a 2002. Existe também para venda no Brasil.

Purple Angel 2010
92% Carmenere, 8% Petit Verdot.
Floral, rosa mosqueta, Um grande vinho no nariz e na boca. Boa estrutura, longo. Para beber com calma.

No Brasil você compra os vinhos da Viña Montes na Mistral. Se for até a vinícola, aproveite para passar no bar deles. Tenho certeza que não vai se arrepender.

Um abraço

Daniel Perches

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Carta aberta de Ciro Lilla contra adoção de salvaguardas para “proteger” vinho nacional


Acabei de receber essa carta, enviada pela assessoria de imprensa da Mistral e da Vinci, assinada pelo Ciro Lilla. Reproduzo na íntegra, pois vejo que estamos todos nos mobilizando CONTRA esse salvaguardas absurdo, fruto de uma idéia sem o menor sentido criada por produtores brasileiros e apoiada por órgãos que os representam.

Aproveito para ressaltar que não são todos os produtores brasileiros que estão apoiando essa onda (e isso é também citado pelo Ciro logo abaixo), mas se for aprovado, todos sofreremos com isso.

Gostei da carta, Ciro Lilla. Precisamos de mais manifestações de todos do setor, principalmente os enófilos. Vamos acabar logo com essa idéia absurda e descabida.

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Proteção sem limites ao vinho nacional

Caro amigo,

O mundo do vinho no Brasil vive momentos decisivos. Agora é mais do que necessário fazer um alerta a nossos clientes sobre algumas notícias muito preocupantes para os amantes de vinho.

Por incrível que pareça, surgem outra vez notícias a respeito da pressão dos grandes produtores gaúchos sobre o governo para que haja um novo aumento de impostos sobre o vinho importado, como se a gigantesca carga tributária atual não representasse proteção suficiente para o vinho nacional. Fala-se agora em “salvaguardas”, como se a indústria nacional estivesse em perigo, em risco de falência, quando na verdade as notícias enviadas à imprensa reportam um grande crescimento de vendas. Afinal, é preciso definir qual discurso é o verdadeiro: o vinho nacional vai muito bem ou vai muito mal? Os comunicados e números oficiais dizem que vai muito bem, o que invalida o argumento a favor das “salvaguardas”. Além do que, os impostos atuais já são altíssimos, e representam o verdadeiro grande inimigo do consumo de vinhos no Brasil.

Além do aumento de impostos  — pediu-se um aumento de 27% para 55% no imposto de importação, o primeiro da longa cadeia de impostos pagos pelo vinho importado — desejam também limitar a importação pelo estabelecimento de cotas para a importação de cada país. Ficariam livre das cotas apenas os vinhos argentinos e uruguaios. Incrível: cotas de importação para proteger ainda mais um setor, o de vinhos finos nacionais, que cresceu cerca de 7% em 2011 — ou seja, nada menos do que quase o tripo do crescimento do PIB brasileiro! Se forem adotadas salvaguardas para um setor que cresceu o tripo do PIB em 2011,  que medidas de proteção se poderia esperar então para o restante da economia? Repito porque parece incrível, mas é verdade: pedem salvaguardas para um setor que cresceu cerca de 7% em 2011! É preciso dizer mais alguma coisa?!

Além de mais impostos e das cotas, os mesmos grandes produtores pedem também ainda mais burocracia, como se a gigantesca burocracia que já envolve a importação de vinhos no Brasil também não fosse proteção suficiente para o vinho nacional. Nem bem foi implantado o malfadado selo fiscal e já se pede agora que o rótulo principal do vinho, o rótulo frontal, contenha algumas das informações que hoje já constam dos contra-rótulos obrigatórios. Essa nova medida, se for adotada, vai afetar — como sempre acontece com a burocracia no caso dos vinhos — apenas os vinhos de alta qualidade e pequenos volumes, já que os grandes produtores mundiais não terão nenhuma dificuldade em imprimir rótulos especiais apenas para o mercado brasileiro. Isso, por outro lado, obviamente não será possível para aqueles produtores que embarcam menos de 50 ou 100 garrafas de cada vinho para o nosso país.

Quem, afinal, seria responsável pelo aumento no interesse pelo vinho no Brasil? Certamente são esses pequenos produtores, de tanto charme e história, cuja vinda se tenta dificultar aumentando a burocracia, em uma medida sobretudo pouco inteligente. A importação desses vinhos deveria ser incentivada por todos, inclusive pelos grandes produtores nacionais, porque são eles os grandes veículos de propagação da cultura do vinho no mundo inteiro.

Para completar esse quadro preocupante, agora também são os vinhos orgânicos de pequenos produtores que têm sua posição ameaçada em nosso país. A partir de Janeiro deste ano, os vinhos orgânicos ou biodinâmicos — mesmo os certificados como tal em seus países de origem ou por órgãos certificadores internacionais — não poderão mais ser identificados como tal no mercado brasileiro, a menos que sejam certificados por organismo certificador brasileiro. Expressões como “orgânico”, “ biodinâmico”,  “bio”,  etc, são proibidas agora nos rótulos, privando o consumidor dessa informação esencial — com exceção dos vinhos certificados por organismo certificador brasileiro. Acontece que o processo de certificação brasileiro é caro e demorado, sendo na prática inacessível aos pequenos produtores do mundo todo. Acreditamos que apenas os grandes produtores mundiais conseguirão se registrar aqui como orgânicos ou biodinâmicos, privando assim o mercado do conhecimento de um número já muito grande e sempre crescente de produtores orgânicos. O vinho é um produto muito particular e específico, em que a maior parte da produção mundial de qualidade está nas mãos de produtores muito pequenos, que não terão recursos para obter a certificação brasileira. Sem dúvida acreditamos que é o caso de adiar a aplicação dessa medida para os vinhos, pelo menos até que sejam assinados acordos de reciprocidade, que permitam o reconhecimento mútuo dos processos de certificação no Brasil e no exterior. Afinal, a quem interessa dificultar a propagação dos vinhos orgânicos a não ser a quem não tenha a intenção de produzir vinhos dessa forma?

Diante desse panorama triste, a pergunta que se impõe é a seguinte: qual o limite para a proteção necessária aos grandes produtores nacionais para que possam competir no mercado? Ou tudo isso seria apenas uma busca por maiores lucros? Algumas das medidas adotadas recentemente, como o malfadado selo fiscal, atingem fortemente os pequenos produtores nacionais também. Vale repetir que os pequenos produtores brasileiros deveriam ter um papel importante no panorama vinícola nacional, uma vez que não existe país com alguma relevância no mundo do vinho onde o mercado seja dominado por apenas alguns grandes produtores. Afinal, todos nos lembramos do período anterior ao início dos anos noventa, quando o mercado pertencia a um pequeno grupo de gigantes da indústria nacional, a maioria multinacionais, e a alguns gigantes da industria vinícola internacional — situação que obrigava o consumidor brasileiro a consumir vinhos caros e medíocres, quando no país nem sequer se sabia o que significava a palavra sommelier.

Estaríamos na iminência de uma volta a esse passado triste para o vinho em nosso país? Será que serão perdidos todos os ganhos dos últimos anos, quando, à custa de tantos esforços, aumentou enormemente a cultura do vinho no Brasil, com o surgimento de muitos milhares de profissionais ligados ao vinho, de inúmeras publicações sobre essa bebida maravilhosa, de tantos novos empregos e de tantas novas possibilidades de crescimento profissional? Seriam os muitos milhares de brasileiros que trabalham nesse novo mercado criado pelo vinho importado, em particular o verdadeiro exército de sommeliers, menos brasileiros do que aqueles que trabalham nas grandes empresas produtoras de vinho nacional? E vale lembrar que de cada 5 garrafas de vinho consumidas no Brasil, entre vinhos finos, espumantes e vinhos comuns (produzidos com uvas de mesa), nada menos do que quase 4 (77.4%) já são de vinhos brasileiros! Os números de vendas e de crescimento do vinho nacional são gritantes, e tornam absurdo se buscar ainda maior proteção!

O consumidor precisa se manifestar, precisa dizer não a esses verdadeiros abusos!

É preciso ter uma agenda positiva para o vinho no Brasil, com todos lutando juntos para um aumento do consumo, para que o vinho obtenha o tratamento tributário de um complemento alimentar — como em diversos países da Europa — e não um tratamento punitivo com ocorre aqui, onde o ICMS pago pelo vinho é o mesmo pago por uma arma de fogo! É preciso também lutar para diminuir a burocracia, que tanto atrapalha os pequenos produtores de vinhos de baixo volume e alta qualidade — aqueles que criam mercado para o “produto vinho”.

É importante que se compreenda o quanto antes que o vinho não é uma commodity, onde o único fator a influenciar a compra é o preço. Vinho é cultura, é diversidade, é terroir, é arte. É como o mercado de livros: o brasileiro lê pouco, assim como bebe pouco vinho. E dificultar a venda de livros de autores estrangeiros não apenas não serviria para aumentar a venda de livros de autores brasileiros, como certamente inibiria ainda mais o hábito da leitura. O mesmo ocorre com os vinhos. É uma ilusão achar que encarecendo o vinho importado o consumidor vai substituí-lo automaticamente pelo vinho nacional. Na verdade o mais provável é que substitua por outro vinho importado mais barato, ou pela cerveja gourmet, ou pelo whisky, por exemplo. O que é preciso é popularizar o consumo do vinho pela diminuição dos preços e da burocracia, tanto para os vinhos nacionais como para os importados. Na verdade eles são aliados, e não inimigos como acreditam aqueles que defendem um protecionismo ainda maior para o vinho brasileiro.

O amante do vinho precisa reagir contra essa situação. Ou teremos todos que aceitar uma volta à situação de 20 anos atrás, com a perda de todo o esforço, todo o trabalho e toda a evolução obtida nesse período.

Cordialmente,

Ciro de Campos Lilla
Presidente das importadoras Mistral e Vinci

Posted in 2012, BrasilComments (6)

Vinhos da Tenuta San Leonardo tem classe e elegância


Se você for provar os vinhos da Tenuta San Leonardo (importados pela Mistral no Brasil), prepare-se para ter em mãos (ou em boca) caldos muito bem produzidos, com grande elegância e complexidade.

Quem esteve no Brasil para apresentar os vinhos foi o Marchese Anselmo Guerrieri Gonzaga, que atualmente é o responsável pela vinícola. O jovem italiano, de classe igual à de seus vinhos, contou um pouco da história e filosofia da vinícola.

Seu pai tinha uma idéia fixa na cabeça: fazer vinhos com castas francesas. Não sabemos ao certo com o ele chegou nessa idéia, mas não tirava isso da cabeça até conseguir. Plantou Merlot, Carménère, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. E deu certo.

Dos vinhos que eu provei, posso dizer que gostei de todos. São todos feitos em um estilo bem francês, mas com um toque italiano de acidez, que faz com que fiquem ainda mais interessantes.

O Terre di San Leonardo 2007 tem 50% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 10 % de Cabernet Franc e Carmenére. No nariz tem toques de cereja, notas balsâmicas, leve pimenta. Na boca é macio e redondo, mas com força.

O Villa Gresti 2005  é um encanto. Com 90% de Merlot e 10% de Carmenére, foi um dos que mais me chamou a atenção. Notas de frutas frescas em contraste com algo mais complexo como um toque mentolado. Na boca é mais encorpado que o anterior, mas nem um pouco “difícil”.

O San Leonardo 2004 é o top da vinícola. Tem 60% de Cabernet Sauvignon e 30% de Cabernet Franc e Carmenére e 10% Merlot. Com um tempo maior de barrica (2 anos), tem já um traço de evolução na taça, mas que no nariz e na boca mostra que ainda tem muita vida pela frente. Aliás, foi aberto e ficou aerando por umas 2 horas e ainda estava fechado. Merece ser bebido com tempo e com uma boa comida.

Se quiser uma dica de um vinho italiano pra não errar, é só ir atrás dos Tenuta  San Leonardo.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2004, 2005, 2007, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Itália, MerlotComments (1)

Gazur 2006


Gosto de vinhos evoluídos. Infelizmente bebo menos deles do que eu gostaria (por questão de oportunidades e também por conta dos valores. Custam caro). Vinhos antigos são paixões que muitos têm e quem já procou um vinho com mais idade deve ter sentido aquele sabor diferenciado, aquela sensação de estar “bebendo história”.

E em uma de minhas garimpagens, caí na Mistral, uma das melhores importadoras do Brasil. Eles têm uma ponta de estoque que fica bem escondidinha. Não contam pra ninguém, mas os vinhos estão lá, pra quem quiser pegar. Como eu já sei dessa história, sempre vou lá. E foi assim que eu encontrei o Gazur 2006, um vinho produzido por Telmo Rodriguez em Ribera de Duero. Só pra ter uma idéia, em 2011 a Mistral está com a safra 2009 sendo vendida.

Não é exatamente um vinho “antigo”, mas com certeza já tem alguma evolução. Resolvi arriscar e trouxe ele pra casa. Ao pesquisar sobre o vinho, vi que esse é feito com a uva Tempranillo e o mais interessante é que o produtor resolveu usar um método de plantação chamado “Bush vine”, ou seja, “vinha arbusto”. Ao contrário do que se pratica em geral, essa forma de plantação deixa a vinha parecendo um pequeno arbusto mesmo, com um monte de galhos.

Vinho aberto e parti com ansiedade para ver o que tinha, mas para a minha (infeliz) surpresa, o vinho já estava em total declínio. Ele soltou um último suspiro de aromas logo que foi aberto, mas um minuto depois já tinha ido tudo embora. Mais nada! Interessante que na boca estava até legal , mas só isso.

É, meus amigos. Nem sempre a gente acerta. Pensei que teria um vinho que estaria no ponto, mas não foi bem isso. Nem sempre a gente acerta e isso faz parte desse belo mundo do vinho. Então se você encontrar um Gazur de safra mais antiga, pense duas vezes. Talvez não encontre um vinho tão esplendoroso como imaginava.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, Espanha, TempranilloComments (0)

O Sul da França e suas maravilhas


Pra mim, a França é um país mágico. Eu poderia ficar falando sobre os seus vinhos por quilômetros de palavras, mas acho que na França tem muito mais do que bons vinhos. E uma das belezas é a diversidade dentro do mesmo país. Do norte ao sul, diferentes culturas dentro de uma mesma matriz, que se respeitam e conversam entre si. Cada um com sua cultura, seu jeito de ser, suas comidas, seus hábitos.

E um dos lugares mais interessantes me parece ser o Sul da França, que é uma das mais antigas (se não a mais antiga de todas) em produção de vinho do país.

E falar em Sul da França é falar do Languedoc-Rousillon.Para nos situarmos, o Languedoc fica nas beiras ensolaradas do Mediterrâneo. São mais de 200 quilômetros de costa, da Camargue até a fronteira espanhola.

E por lá não tem só bons vinhos não. Não é nada difícil você sair nas ruas em um dia ensolarado e cruzar com famílias, em praças públicas, fazendo um piquenique, com aqueles deliciosos produtos locais e bebendo um belo vinho. Da culinária local a gente pode destacar os embutidos catalães, pêssegos, nectarinas e damascos de Roussillon, alcachofras, anchovas de Collioure e, naturalmente, as rousquilles!

As rousquilles são rosquinhas cobertas com uma camada de açúcar e o impressionante é a leveza desse doce. Se você pensou em algo melado e extremamente doce, pode inverter tudo. É doce sim, mas numa medida que não enjoa e que até pede uma nova mordida. Poderia falar também sobre seus patês, tapenades e outros produtos, que também são deliciosos e leves.

Ah, é importante lembrar também do tradicional Cassoulet. Por lá esse prato é que nem “arroz com feijão” pra gente. Já pensou?

E pra falar nos vinhos, eu provei alguns que o pessoal do Festival Sud de France me enviou e confesso que fiquei encantado. Veja os vinhos que eu provei e dessa vez você pode escolher entre ler e assistir ao video! :)

Domaine Rimbert Le Mas au Schiste 2008
Produzido em Saint-Chinian, o produtor é conhecido por trabalhar muito bem com a Carignan. Esse tem Carignan (35%), Syrah (30%), Grenache (30%) e Mourvèdre (5 %) e com um toque vegetal de início, mostra que é um vinho potente e ainda um pouco “selvagem”, precisando ser domado. Nada que um tempo de decantação e uma boa comida com um toque de gordura não resolva. Conheça o site do produtor. É importado pela De La Croix.
Domaine des Salices Pinot Noir 2008
Com cor e aroma típico de um bom Pinot Noir francês, tem cor clara e toques de morangos e cerejas. Recomendo que se abra e espere uma meia hora, pois logo de cara aparece um toque herbáceo que esconde um pouco a fruta do vinho, mas depois ele torna-se muito elegante. Esse é produzido por Francois Lurton e importado pela Zahil.

 

Ego de Cazes 2007
Esse é um vinho biodinâmico do Domaine Cazes produzido com as uvas Syrah (40%), Grenache (20%) e Mourvédre (20%) e foi, dos 3 dessa lista, o mais elegante e complexo. Tem aromas de frutas vermelhas doces, contrastando com um toque terroso e leve toque mineral. Muito estruturado e com acidez na medida, é daqueles que a gente se encanta no nariz e depois quando bebe fica ainda mais impressionado. Acompanha muito bem comidas fortes sem nenhum problema. Esse é importado pela Mistral.

 

Provei esses vinhos e com isso pude conhecer um pouco do Sul da França. Para mim ficou essa impressão: povo alegre, clima gostoso, alegria, bons vinhos e boa comida. Esse é o Sul da França pra mim.

E pra você, como é? Para celebrar o final de ano, vamos fazer um Concurso Cultural aqui. Pra participar é fácil, você só precisa responder a frase Pra mim, o sul da França é…

A melhor frase ganha um dos vinhos. Você escolhe. É só soltar a sua criatividade.

O resultado sai no dia 16 de dezembro. Boa sorte!

Um abraço
Daniel Perches

Posted in 2007, 2008, Carignan, França, Grenache, Mourvedre, SyrahComments (27)

Pisano RPF Petit Verdot 2008


Gosto muito de Petit Verdot. É uma uva que tem algumas características que me encantam e que sempre que posso, provo vinhos feitos com ela.

E foi na minha viagem ao Uruguai, em Novembro/2011, que eu estive na Pisano (relembre aqui o post sobre a Pisano) e pude provar o RPF Petit Verdot 2008. RPF significa Reserva Pessoal de Familia e é uma das linhas deles.

Esse é daqueles vinhos que, mesmo que você não seja um apaixonado pela Petit Verdot como eu, nunca vai passar despercebido. Tem uma cor muito intensa, intransponível (e não é por ser ainda “jovem” não. Ele é intenso mesmo). No nariz os aromas aparecem com muita força, mas ao mesmo tempo com certa elegância. É um misto de frutas negras, chocolate e um toque de pimenta que é algo que também caracteriza a Petit Verdot. Tudo muito bem integrado com o aroma de barrica que aparece também.

Na boca é impressionante. Ao mesmo tempo que é intenso, com taninos presentes, é macio e sedoso, deixando um toque final até levemente adocicado. Quando provei o pessoal abriu a garrafa na hora e bebemos imediatamente, sem decantação. Não saberia dizer se ele evoluiria mais ainda com um tempo no decanter. É testar para ver, mas só se você quiser fazer experiências, porque não precisa.

Harmonizar comida com esse vinho não é fácil, principalmente pela sua intensidade. Tentamos com uma carne da parrillada uruguaia. Foi bem, mas eu ainda acho que precisava de um pouco mais de gordura.

Se você encontrar uma boa harmonização, me mande. Quero saber tudo o que puder sobre a Petit Verdot.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, Petit Verdot, UruguaiComments (0)

[Vinícolas do Uruguai] Pisano


Há tempos que bebo vinhos da Pisano e gosto muito. Lembro-me da primeira vez que me apresentaram os vinhos deles, lá na Mistral (ainda na época em que tive a sorte de morar na mesma rua da importadora. Nesse tempo, me dava ao luxo de ir no sábado de manhã comprar uma garrafa de vinho para o almoço). Lembro-me da vendedora me mostrar os vinhos e prometer qualidade. Resolvi arriscar e não me arrependi. Desde então bebo e recomendo Pisano.

E na minha viagem ao Uruguai tive a sorte de ir à bodega e conversar com os irmãos Francisco e Gustavo e com o Gabriel (que faz os vinhos da Viña Progresso e é filho do Gustavo). Família simples e dedicada, que guarda com muito carinho e respeito a tradição e história da família.

A Pisano é uma das grandes bodegas do Uruguai, com 30 hectares de vinhas plantadas e exporta para mais de 40 países. São 25 variedades (brancas e tintas) e só de Tannat eles têm 12 tipos. Há coisas interessantes como um espumante de Tannat, um vinho feito 100% com Petit Verdot e outras mais.

Se você for à bodega e tiver sorte, poderá ver a matriarca cuidando dos pássaros por lá. Senhora sábia que reivindicou um vinho em seu nome e ganhou o top da vinícola (mas isso é papo para outro post, porque merece).

Na cozinha da família tem um sem número de garrafas (vazias e cheias) e presentes e lembranças do mundo inteiro. E é por lá que se faz a comida. Pra mim foi servida uma típica parillada, que ficou simplesmente divina com os vinhos deles. Provamos vários e tenho meus favoritos, que também contarei em outros posts.

Ah, quase ia me esquecendo de falar sobre a vinícola. Bem, tem a sua parte antiga que preserva até algumas máquinas de mais de 100 anos e tem a parte nova, que é onde produzem efetivamente o vinho

Se for ao Uruguai, recomendo fortemente que agende uma visita à Pisano. Vá, converse com eles, prove os vinhos e depois me diga se estou exagerando. Gaste mais tempo conversando com a família do que vendo a vinícola. Vale a pena.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2011, UruguaiComments (1)

Altos Las Hormigas Malbec Single Vineyard 2006


Costumo pensar que os vinhos “caros”, ou seja, os que custam acima de 150 reais, tem a obrigação de serem bons. Afinal de contas, já pensou gastar essa boa quantia por um vinho ruim? Seria uma lástima. Eu ficaria muito chateado com o meu vendedor e com certeza, não voltaria nem na loja e provavelmente nem beberia outros vinhos da vinícola.

Mas de vez em quando encontro vinhos MUITO BONS, que mesmo sendo caros, merecem a nossa atenção. São aqueles que a gente paga com gosto (quando pode, é claro. Não vá se endividar por conta disso. Há belíssimos vinhos bem mais baratos também).

E foi assim que eu classifiquei o Altos Las Hormigas Malbec Single Vineyard 2006: MUITO BOM! E não é pra menos. Esse vinho faz parte de um projeto de micro terroir desenvolvido pela vinícola e pelo Ph.D Pedro Parra (veja o post com entrevistas com o enólogo e com o proprietário aqui).

Eles trabalharam duro até encontrar o terroir perfeito para fazer um belíssimo malbec e a região escolhida foi Vista Flores, em Mendoza. O resultado foi um vinho excepcional, muito potente, forte, estruturado e com um enorme potencial de guarda. É daqueles vinhos que a gente vai bebendo devagarinho e  sempre pensando no próximo gole.

Tem aromas intensos de frutas negras com um leve floral ao fundo e ao mesmo tempo passando por aromas das barricas, que estão bem integradas ao vinho, mas mostrando a sua força também.

O projeto Vista Flores é bem interessante e vale a pena ser conhecido, nem que seja através do site da Altos Las Hormigas.

Esse vinho é trazido pela Mistral e custa 179 dolares.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, Argentina, MalbecComments (0)

Os vinhos da Mas de Daumas Gassac


A vinícola Mas de Daumas Gassac fica no Languedoc, na França. Depois que apareceu no documentário MondoVino, ficou ainda mais famosa pelos seus vinhos e pelos seus personagens, como Aîmé Guibert, que com a ajuda do grande viticultor Émile Peynaud, plantou algumas uvas bem diferentes do que se tem por lá como a Pinot Noir, Tannat, Cabernet Sauvignon e outras que eles acharam interessantes.

Em visita ao Brasil, Victorine Babé apresentou alguns vinhos da vinícola. Veja também a entrevista com Victorine no post “Mas de Daumas Gassac, contado por uma francesa que tem boa história com a viticultura“.

Dos que eu provei, destaco 4 que me chamaram a atenção.

Daumas de Gassac Blanc 2009

Um vinho impressionante pela sua elegância e qualidade. Produzido com Viognier, Chardonnay e Petit Manseng é muito complexo, com notas florais combinando muito bem com frutas brancas, leve toque de frutas secas e muita complexidade na boca. Um grande vinho que merece ser apreciado junto com um belo prato. Encantado

 

 

 

 

 

 

 

Figaro Rouge 2009

Segundo a proópria vinícola, é o vinho para o “dia a dia”. E eu acho que eles têm razão, pois é um vinho fácil de entender e de beber, com aromas de frutas vermelhas bem destacados. Na boca ele se mostra bem equilibrado e vai muito bem com pratos que tenham alta acidez. O preço é ainda melhor: em torno de 22 dólares (já no Brasil).

Guilhem Rouge 2009

Um vinho feito com as uvas Syrah, Grenache, Carignan e Cinsault, de vinhas velhas. É um vinho que precisa de um tempo de aeração para abrir um pouco os aromas, mas quando abre, é só prazer. Tem um bom toque mineral, combinado com as frutas que começam a surgir com o tempo. Em boca é longo e tem uma boa presença. Ótimo vinho pelo seu preço, que gira em torno de 24 dólares.

Daumas de Gassac Rouge 2008

Ao provar esse vinho entendi porque todos os críticos elogiavam tanto  a vinícola. É um grande vinho. Esse é produzido com 80% de Cabernet Sauvignon e o restante com outras 10 uvas plantadas na propriedade. Tem um estilo muito clássico, com toques de frutas mais maduras contrastando com aromas “verdes”. Algo diferente que chama a atenção e faz desse vinho especial.

É outro que merece ser aerado para mostrar todo o potencial. Custa em torno de 115 dolares, mas que valem a pena.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, 2009, Cabernet Sauvignon, Carignan, Chardonnay, Cinsault, Clairette, França, Grenache, Merlot, Petit Manseng, Sauvignon Blanc, Syrah, Vermentino, ViognierComments (0)

Mas de Daumas Gassac, contado por uma francesa que tem boa história com a viticultura


Mas de Daumas Gassac é uma vinícola que fica no coração do Languedoc, no sul da França. Ficou muito famosa por conta do filme-documentário MondoVino, mostrando o senhor Aîmé Guibert, um vinhateiro que pode até ser chamado de louco, pois plantou o que quis por lá. Foi Tannat, Pinot Noir, Merlot, Nebbiolo, enfim, o que ele achava que devia plantar, plantava. E deu no que deu: Mas de Daumas Gassac é reconhecido por todos pela sua ótima qualidade e claro, pelo seu ineditismo.

Victorine Babé é a gerente de exportação da Vinícola Mas de Daumas Gassac e conversou conosco sobre o projeto e sobre os planos para o Brasil. Os vinhos são importados no Brasil pela Mistral.

Posted in 2011, FrançaComments (1)

Altos Las Hormigas Malbec 2010 – Mendoza Clássico


Um Malbec clássico de Mendoza. Essa é a melhor definição para esse vinho da Altos Las Hormigas.

A vinícola tem vários vinhedos em diversas parcelas de Mendoza e busca sempre o melhor terroir para cada tipo de vinho que pretendem fazer. Conversamos com os produtores e a gerente de exportação sobre a vinícola e você pode ver aqui.

O Altos Las Hormigas Mendoza Classico é feito com uvas vindas de Lujan de Cuyo e do Valle do Uco, numa altitude média de 800 metros (o que é relativamente pouco para aquela região, que tem altitudes de até 1500 metros).

É um vinho que encanta por ser fácil de entender, com aromas florais e frutados bem intensos. Na boca tem um ótimo corpo e taninos muito bem trabalhados, dando ao vinho uma ótima maciez. É daqueles vinhos que eu costumo chamar de “alegres”, pois com a sua ótima acidez e sabores também intensos, faz com que a gente sempre queira beber mais.

Me pareceu ser um vinho bem fácil de harmonizar. Como não tem uma estrtutura tão complexa, pode ir muito bem com uma carne grelhada ou na churrasqueira. Aliás, vale um teste com um churrasco. Acredito que não vai decepcionar.

Para um vinho com essa qualidade, tem um preço justo. Custa em torno de 25 dolares na Mistral. Nada mal para beber um belo Malbec da Argentina, não é mesmo?

Veja também a entrevista com Antonini (proprietário) e Pedro Parra (Enólogo) no post “Altos Las Hormigas e sua busca pelo terroir perfeito“.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2010, Argentina, MalbecComments (2)

Altos Las Hormigas e sua busca pelo terroir perfeito


Altos Las Hormigas é uma vinícola argentina que é comandada por um italiano. Por lá, a busca é sempre pelo Terroir perfeito. O trabalho é feito pelo Ph.D Pedro Parra, que sabe tudo sobre solo, clima e claro, sobre como fazer bons vinhos.

Falamos com Antonini e com Pedro. Veja as duas entrevistas abaixo. Para saber mais, veja o site da Altos Las Hormigas. Esses vinhos são trazidos para o Brasil pela Mistral.



Posted in 2011, ArgentinaComments (2)

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