Côtes-du-Rhone

Les Viguiers 2009

Vinho francês, em geral, é caro. Não tem como negar. Sabemos que se não é por ser caro na origem, é por ser caro no destino mesmo, ficando por conta dos importadores, distribuidores e restaurantes aumentar essa continha, para que a gente sempre pague mais por vinhos desse país.

Mas a proposta da Sociedade da Mesa é trazer vinhos que custam no mercado em torno de 60 reais por um preço de 38 reais (média) para os associados. A proposta é boa, apesar de nem sempre cumprir as minhas expectativas.

Dessa vez, considerando a origem do vinho, eu acho que foi justa. O Les Viguiers 2009 é um corte de  70% Grenache Noir, 20 % Carignan e 10 % Cinsault que mostrou-se bastante equilibrado.

No nariz o vinho apresentou aromas de cereja, leve toque de chocolate e um pouco de herbáceo. Eu sou fã da combinação Carignan e Cinsault e gosto muito dos vinhos feitos com essas uvas, mas confesso que nesse vinho eu não notei nada do que eu estou acostumado a perceber quando provo vinhos feitos com esse corte. Acho que a Grenache predominou bem forte dessa vez.

Na boca é um vinho que tem bom corpo, seus taninos estão bem presentes, mas não estão verdes. Só tem um pouquinho de álcool sobrando, mas bem pouco mesmo, que praticamente nem se nota e não incomoda. Esse não tem aquele final persistente, mas também não tem amargor.

Eu diria que é um vinho “básico com estilo”. Com certeza é um vinho que harmoniza bem com comidas e com queijos mais fortes. Como eu ainda tenho 3 garrafas dele, eu vou provar com alguns pratos inusitados e talvez coloque no desafio da Morcilla (Veja aqui como foi o 1o Desafio da Morcilla).

Acho que o preço está justo. 38 reais bem pagos pelo vinho.

Abraços

Daniel Perches

Vidal-Fleury Crozes-Hermitage 2008

O Rhone é uma região ao sul da França que produz excelentes vinhos, principalmente tintos. Por lá a Syrah e a Grenache se dão muito bem. E só pra gente se situar, Crozes-Hermitage é uma sub-região do Rhone. Então sempre que você encontrar um vinho com esse nome, saberá que é lá do sul da França.

E o Crozes-Hermitage produzido pela Vidal-Fleury é um típico vinho daquela região, feito só com Syrah. Tem um aroma muito característico dessa uva, lembrando frutas vermelhas com toques de especiarias e um leve tostado no final. Não é um vinho exuberante de aromas, mas com eles são muito bem definidos, dá pra perceber com certa facilidade cada um deles.

Na boca ele tem uma acidez média e um leve toque de amargor, mas seu final é relativamente longo. Esse vinho é vendido pela Vinea e custa em média 130 reais. Eu esperava mais dele. Esperava menos amargor, um pouquinho mais de acidez, mas principalmente que fosse um pouco mais complexo de aromas.

Mas de qualquer forma é um vinho que bate outros syrah por aí facilmente (e que muitas vezes têm preços parecidos).

Um abraço

Daniel Perches

Cuvée Must 2007

Tenho falado e conversado bastante sobre os vinhos do Rhône. Situado no sudeste francês, essa região é responsável pela produção de ótimos vinhos, muito aromáticos e saborosos. Os vinhos de lá em geral me agradam muito pelo seu frescor e vigor.

E esse Cuvée Must, importado pela Cave Jado, não foge à regra. É um excelente vinho produzido mais especificamente na AOC Vin du pays d’Orange e é composto de 75% de Grenache e 25% de Syrah. Uma combinação que formou um vinho com uma coloração rubi intensa e muito brilhante.

Em taça, apresentou aromas frutados com destaque para as negras como amoras silvestres. Em boca apresentou um retrogosto muito refinado, sem amargor e com traços de torrefação. Tudo muito delicado e harmonioso, com destaque para seus taninos, muito macios.

cuvee_must_2007Como todos os vinhos da Cave Jado, esse tem um preço muito em conta. Custa 57 reais, que é mais do que justo para a qualidade desse vinho. Foi muito bem harmonizado com carne assada ao vinho (tipo um brasato ao Barolo), pois sua estrutura suporta esse tipo de comida mais forte.

Mas fique atento, pois ao mesmo tempo em que vem a fama dos vinhos do Rhone, vem também um monte de rótulos que se utilizam dessa denominação para apresentar alguns não tão bons assim. Cuidado para não comprar gato por lebre. Esse eu garanto.

Abraços

Daniel Perches

Côtes-du-Rhône Parallèle 45 Rouge 2006

Por indicação do meu amigo Beto Duarte (Papo de Vinho), eu fui almoçar no Le Jazz, um bistrô francês novo aqui em São Paulo. Como ele mesmo descreveu (e muito bem), o lugar é muito agradável, a comida é ótima e os preços são justos. Um lugar para ir e voltar mais vezes, sem dúvida.

E como estava em uma casa francesa, nada melhor do que escolher um vinho daquele país. Foi assim então que eu encontrei esse Côtes-du-Rhône, que é importado pela Mistral e produzido pelo famoso Paul Jaboulet, um produtor aclamado pela crítica internacional. Já vi esse vinho algumas vezes no catálogo da importadora, sempre fiquei curioso, mas nunca tive a oportunidade de provar. Boa escolha, pois o vinho é muito interessante.

Feito com 60% de Grenache e 40% de Syrah, tem uma coloração vermelho clara, típica dos vinhos do Côtes-du-Rhône, a região da França onde é produzido. No nariz, aromas de frutas vermelhas frescas com destaque para cereja, mas lembrando também torta de frutas vermelhas. Aromas muito gostosos e leves, mostrando toda a delicadeza do vinho. Em boca tem bastante equilíbrio e qualidade. Nada de sobras ou arestas. Álcool na medida, taninos macios e final longo e sem amargor.

Foi provado com carne de cordeiro e com um entrecôte. Foi melhor com o cordeiro, que estava mais suave e com um leve tempero de ervas. O molho do entrecôte passou um pouco pelo vinho, pois era mais forte. É importante pensar nisso ao tentar harmonizar esse vinho, que pela sua leveza, demanda pratos também do mesmo “peso”.

Na importadora custa aproximadamente 47 reais e no bistrô foi servido a 70 reais. Sugiro que compre e beba em casa. Dessa forma vai ser, sem dúvida, um best buy.

E pra quem ficar curioso, o nome vem da localização dos vinhedos, que estão próximos do Paralelo 45º Norte, uma boa posição para o cultivo de uvas.

Um abraço

Daniel Perches

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