Chianti Clássico

Chianti Classico House abre suas portas

Para quem for visitar a região de Chianti, essa é uma notícia bacana. Foi inaugurada recentemente a Chianti Classico House, na cidade de Radda.

Por lá é possível fazer degustações, aprender mais sobre a região, fazer cursos e ainda passear pelas salas do Convento de Santa Maria al Prato, que foi todo restaurado para receber as atividades do Consorzio de Chianti Classico.

Além disso eles têm por lá a maior coleção de Chianti Classico do mundo, com uma quantidade de etiquetas diferentes que supera qualquer adega, mesmo as dos mais fãs da região.

Então se passar por lá, pode ser uma boa visitar a Chianti Classico House e conhecer um pouco mais sobre a história, além de provar alguns vinhos bacanas. Para ficar por dentro das novidades dos Chianti, siga o blog deles.

Um abraço

Daniel Perches

Fattoria Ródano Chianti Classico 2004

Comparar vinhos é algo bem bacana, principalmente se você já tem algum histórico sobre outras safras, ou até mesmo sobre outros rótulos bebidos da região ou do produtor.

E foi com esse propósito que degustamos recentemente o Fattoria Ródano Chianti Classico 2004, que eu comprei em uma viagem à Itália, junto com um vinho de Bordeaux, o Chateau Lagarette 2004 (veja o post aqui). A degustação, sem nenhum critério técnico (só hedonístico, ou seja, de puro prazer), tinha como objetivo juntar dois bons vinhos da safra 2004. Por acaso foi um da Itália e um da França.

fattoria_rodano_chianti_classico_2004E tenho que contar que esse deve ter sido o melhor Chianti Classico que eu já bebi até hoje. Não sei se foi porque estava um pouco mais evoluído e os que eu bebi anteriores dessa região foram bem mais novos, mas o fato é que esse para mim estava espetacular. Eu pensava que Chianti Classico era mais intenso, encorpado e às vezes até parecia um Brunello di Montalcino (sim, amigos catedráticos, podem acabar comigo agora), mas o fato é que esse, com 10 anos de vida, estava bem mais leve de corpo, mas muito mais complexo tanto de aromas como de sabores.

Na taça já estava até mais clarinho e eu até diria que essa foi a hora boa de se abrir ele. No nariz aqueles aromas de terra molhada, de couro, de madeira seca, que tanto encantam nos bons vinhos italianos. Na boca um espetáculo de sabores que lembravam os aromas, junto com uma excelente acidez. Ou seja, um excelente vinho.

Eu acho que esse ainda não está no Brasil, mas se chegar, já dá para ficar de olho, porque vale a pena. E se for para a Itália, pode comprar lá. Não é dos mais baratos, mas sabemos que na fonte, tudo custa bem menos do que aqui, então fica a dica.

Um abraço

Daniel Perches

Tignanello 1995

No dia após o Encontro de Vinhos, fui convidado, junto com outros blogueiros para degustar essa jóia rara. Não poderia ter recebido presente melhor, pois não é todo dia que se bebe grandes vinhos como esse, e ainda mais na companhia de pessoas que conhecem, entendem e principalmente, bebem sem frescura.

O local escolhido foi o Ráscal do Itaim, que sempre nos serve com excelente qualidade (e o Anderson, o Sommelier, é muito atencioso) e os felizardos foram eu, Jeriel da Costa, Alexandre Frias, Beto Duarte, Walter Tommasi e Silvestre Tavares (o dono da preciosidade).

Foram 2 espumantes, 3 grandes vinhos e depois ainda um tokaj pra fechar os trabalhos, mas resolvi falar primeiro do Tignanello pois é um vinho ícone, tanto na Itália quanto aqui no Brasil. Sonho de muitos enófilos (inclusive meu), é um vinho que esbanja elegância. Um vinho pra se admirar.

Produzido na região da Toscana, mais precisamente dentro de Chianti Clássico, é um “Supertoscano” que tem em sua composição 80% de Sangiovese, 15% de Cabernet Sauvignon e 5% de Cabernet Franc.

Ao ser servido (às cegas, junto com os outros grandes vinhos), apresentou uma coloração já tendendo para o cobre, com um grande halo de evolução.

No nariz mostrou-se um pouco mais tímido que os outros, demonstrando pra mim que era um vinho que apesar de toda a sua idade, ainda estava em sua plenitude e poderia até ser guardado por mais tempo. Aromas de alcaçuz, frutas em compota e um delicioso terroso que rondava toda a taça montaram os aromas apresentados. Tudo com muita elegância e sem nenhum se sobressair a outro.

Em boca, me impressionei com os seus taninos. Muito vivos ainda e pedindo para que alguma comida acompanhasse. Não tive dúvidas: provei junto com o famoso polpetone que é servido lá no restaurante. Ficou sensacional. Depois ainda fizemos o teste sugerido pelo Tommasi, de harmonizar o Tignanello com um presunto cru italiano. Ficou melhor ainda. A gordura do presunto era completamente absorvida pelo vinho, formando uma combinação digna de se fazer reverência.

É, meus amigos, esse não é um vinho barato (infelizmente), mas é um vinho que, se tiverem oportunidade de beber, não deixem passar. É uma experiência única, eu diria.

Em breve conto mais sobre os outros vinhos, mas só para despertar o interesse, os outros foram um Cousiño-Macul 1995, um Marques de Riscal Gran Reserva 2000 (levado pelo Walter) e um Tokaj Aszu 1989. Dá pra imaginar a minha alegria?

Até a próxima então.

Um abraço

Daniel Perches

Castello di Fonterutoli Chianti Clássico 2006

Mais um vinho que eu resolvi degustar em meia garrafa. Já comentei aqui sobre os benefícios que eu vejo nas garrafas pequenas (375ml ou 187ml): se você quer beber pouco, está sozinho ou quer provar vinhos diferentes ao mesmo tempo, elas podem ser muito úteis.

O meu motivo, dessa vez, foi estar sozinho. Aproveitei então para abrir esse Chianti Classico que é produzido com 90 % de Sangiovese e 10% de Cabernet Sauvignon, pelo grande produtor Mazzei.

O vinho nitidamente ainda estava jovem. Sua coloração era de um rubi intenso e intransponível, praticamente sem halo de evolução. Seus aromas, mesmo que remetendo a frutas negras, leve amadeirado e um pouco de fumo, eram tímidos. Com algum tempo de abertura da garrafa e um pouco de aeração, os aromas tornaram-se mais presentes, mas ainda assim, nada muito exuberante. Mas pra mim ficou claro que o vinho não estava “sem aromas”, mas sim ainda muito fechado. Vai melhorar com o tempo, com certeza.

Em boca, apesar de sua jovialidade, mostrou taninos muito bem tratados, com um bom corpo e um final bem marcante e saboroso. A acidez dele também é um ponto positivo, que mostrou-se bem equilibrada.

É um belo vinho, que eu encontrei na Expand por 58 reais (meia garrafa), então acredito que a garrafa inteira deva estar em torno dos 100 reais. Não é dos mais baratos, mas tem uma boa qualidade. Se comprar, recomendo guardar mais um tempo, pois acho que vai ter melhores resultados.

E quando abrir, se puder harmonizar com uma bela lasagna à bolognesa, acho que vai ter bons resultados.

Um abraço

Daniel Perches