Estou com essa garrafa faz tempo em minha adega. Ganhei do meu amigo e sócio Beto Duarte, do Blog Papo de Vinho. Ele que trouxe esse produtor para o Brasil e tive o prazer de conhece-los quando estiveram no Encontro de Vinhos OFF de 2012. Foi muito legal conhecer os vinhos deles, que eu já sabia que faziam sucesso.
O produtor chama-se Gloria Reynolds, em homenagem à filha de Carlos Reynolds, que por sua vez é filho de Robert Reynolds, um inglês que migrou para o Alentejo, em Portugal, para fazer a vida e começou a plantar vinhas e fazer vinhos.
Carlos Reynolds é o vinho de entrada da vinícola e já é muito bom. Sim, é importante ressaltar isso, porque não é raro conhecer vinícolas que fazem ótimos vinhos tops, mas os de entrada são bem ruins.
Esse é produzido com Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonês e Syrah e passa por barricas por 6 meses para dar uma afinada antes de ser engarrafado.
Eu gostei muito dele. Tem aromas balsâmicos, madeira velha, chocolate e um toque mentolado bem interessante. Vai bem com carne temperada, como a bracciola, por exemplo.
E o melhor, esse vinho custa em torno de 60 reais. Vale o quanto custa e entrou no meu roll de vinhos para se beber novamente. Agora fiquei curioso para provar os tops deles. Estou com um aqui que vai ser aberto em breve. Conto aqui, é claro.
os vinhos da Gloria Reynolds são importados pela Wine.com.br.
Se você gosta de vinhos portugueses, aqui está uma seleção de 5 grandes vinhos. São daqueles que você pode comprar de olhos fechados (e de carteira bem aberta, porque custam caro). Provei esses vinhos em um evento promovido pela Comissão dos Vinhos do Alentejo. O crítico Rui Falcão, um português que conhece tudo sobre essa região, comandou a prova. Veja os vinhos e anote na agenda.
Herdade do Peso Ícone 2007
Toques balsâmicos, boca cheia, acidez. Dá para guardar por mais tempo. Quer ser o Barca Velha do Alentejo. Vinho muito tinto, quase negro.
Alicante Bouschet, Aragonez e Alfrocheiro.
Marias da Malhadinha 2007
É o terceiro vinho da vinícola (imagina o primeiro), intenso e potente, na boca traz um pouco de balsâmico e medicinal, deve envelhecer bem. É um grande vinho. Essa foi a primeira safra e já nasceu grande.
Aragonez, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon.
Zambujeiro 2005
Apesar da idade é um vinho que ainda pode envelhecer. Boa acidez, boca potente. Um grande vinho.
Monte dos Cabaços Reserva 2005
Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Syrah. Toque ao fundo de baunilha, fruta, floral. Um belíssimo vinho. Jovem e precisa de tempo. Pode ser guardado por muito tempo ainda.
Mouchão 2006
Foi a vinícola que introduzindo o Aicante Bouchet no Alentejo. Corte de Alicante Bouschet com Trincadeira. Na boca é pesado e bem aveludado. Final longo, marcado. Vinho que mesmo que pesado, não incomoda e não cansa.
Gostou? Vale a pena guardar uns trocados para comprar esses vinhos.
Fiz uma promessa para mim mesmo no ano passado e esse ano eu estou repetindo, mesmo sem prometer. Estou bebendo mais vinhos brancos. Gosto muito dos brancos. São (em geral) frescos, leves, fáceis de tomar, aromáticos e combinam com muitas comidas. E com o calor que faz por aqui, nada melhor.
Provei então o Gaudio Verdelho 2011, que é um vinho da Ribafreixo, a mesma vinícola que faz os Pato Frio e o Barrancôa. Como já tinha gostado dos outros, esse eu tinha que provar também, mas já estava esperando algo bacana.
Produzido no Alentejo sob a supervisão do famoso Paulo Laureano, essevinho me conquistou pelo seu frescor, pelos aromas cítricos e minerais e pela sua excelente acidez.
Não é um vinho complexo e acho que nem é a idéia. Acredito que o intuito foi fazer algo que as pessoas pudessem beber para relaxar. E foi o que eu fiz. Abri a garrafa, peguei alguns petiscos e passei uma tarde muito agradável na companhia desse vinho (e de amigos, claro).
Não sei o preço, mas acho que vai ser bem atrativo. Se quiser saber mais sobre o vinho, dê uma olhada no site do importador, o La Cristianini. Aliás, lá tem a história do vinho, que é bem interessante:
“Esse nome significa alegria, esse nome surgiu porque quando o Vaticano anuncia um novo Papa (habemus Papam), normalmente o senhor que anuncia diz essa frase em latim: “Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam” que quer dizer em português o seguinte: “Declaro-vos uma grande alegria: temos Papa” Assim foi associada a palavra Gáudio (alegria) ao nosso vinho, porque é esperado com muita expectativa.
No entanto mais uma vez em tom de alegria a frase para anunciar esse novo vinho será:
” Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Vinum”
Assinado por Paulo Laureano.”
Barrancôa é o vinho da Ribafreixo que eu chamei de “irmão tinto” do Pato Frio. Depois de provar dois brancos – Pato Frio Selecção e Pato Frio Antão Vaz – foi a vez de conhecer o tinto.
Já falei aqui sobre alguns vinhos do Monte da Ravasqueira, que é uma vinícola que fica no Alentejo e tem vinhos que eu gostei bastante. A Vinci, importadora que traz os vinhos deles fez uma seleção legal, onde tem desde uns mais baratos como o Calantica Tinto 2010, uma excelente compra por 15 dolares, até um branco top como o Flavours Viognier 2010.
Mas no meio dessa escala tem o Monte da Ravasqueira Tinto, que é um vinho que custa em torno de 60 reais e é também um que merece atenção. Esse é feito com Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonez (ou Tempranillo), Trincadeira e um pouquinho de Petit Verdot. Uma mistura que deu um vinho muito legal.
O Monte da Ravasqueira é daqueles vinhos bem aromáticos, mas que se você deixar um pouco na taça (ou até a garrafa aberta), com um pouco de tempo ele vai evoluir e ficar ainda melhor, mostrando aromas mais terciários e evoluídos, como um leve esfumaçado e toques de chocolate.
Na boca é um vinho ainda jovem, que tem taninos bem presentes e você vai sentir isso facilmente, junto com a acidez que vai “amarrar a sua boca” um pouco. Fique tranquilo, porque com uma boa comida, isso não só vai sumir como vai ficar ainda mais interessante.
É, fiquei fã da Monte da Ravasqueira. E se você gosta também de cavalos, agende-se para uma visita à vinícola em sua próxima ida a Portugual. Eles são criadores de equinos e pelo jeito a qualidade não se aplica só nos vinhos. Veja um pouco sobre o Monte da Ravasqueira no site deles.
Se você está acostumado a beber vinhos portugueses “difíceis, duros e muito tânicos”, você precisa provar o Calantica, da vinícola Monte da Ravasqueira, que fica no Alentejo.
Esse vinho pra mim é um grande achado por dois motivos: ele é bom e barato! E achar vinhos assim, de Portugal, não é fácil. Nem sempre conseguimos essas duas características no mesmo vinho e em geral, uma vem com o contrário da outra. Mas o Calantica é assim: fácil de beber, leve e custa 15 dólares (na Vinci Vinhos).
Produzido com Aragonez (é a mesma coisa que a Tempranillo, mas tem outro nome em Portugal) e com Trincadeira (essa sim, típica de Portugal), o Calantica tem aromas de frutas vermelhas adocicadas, cereja, leve (bem leve mesmo) toque de especiarias como canela e também pimenta.
É daqueles vinhos que você pode abrir com os amigos para beber e jogar conversa fora, mas acompanhado de um bom vinho. É claro que estamos falando de um vinho “de entrada” aqui, mas quem é que não quer ter um desses na adega?
Me empolguei? Exagerei? Pode ser, não sei. Só sei que eu fiquei contente de conhecer o Calantica. Eu vou guardar alguns na minha adega. Tenho certeza que meus amigos ficarão felizes de beber esse.
Vinhos portugueses costumam ser bem aromáticos e com bastante personalidade. Já vi gente que falou que “não gosta”, mas a maioria das pessoas que eu conheço adora os vinhos de Portugal.
Eu estou na categoria dos que adoram e sempre quero conhecer novos produtores. A cada um que eu conheço, vem uma novidade, um corte diferente. É impressionante a criatividade dos nossos irmãos europeus.
E pra confirmar isso estive com o pessoal do Monte da Ravasqueira, que é uma vinícola que parece ser muito bonita e charmosa lá no Alentejo. Além de produzirem vinhos, eles são criadores de cavalos, o que deve tornar a visita ainda mais agradável.
Provei vários vinhos e um que me chamou a atenção foi o Monte da Ravasqueira Flavours Viognier 2010. Esse vinho branco é fermentado em barrica e depois fica 6 meses ainda descansando lá dentro, antes de ser engarrafado. O resultado é um vinho bem intenso, com aromas fortes de frutas brancas e amanteigados. Na boca tem bom corpo e final bem marcado, daqueles que a gente não esquece tão fácil.
Se você gosta de vinhos encorpados, esse é uma boa pedida. Não é dos mais baratos (custa em torno de 150 reais na Vinci Vinhos), mas vale a pena pelo prazer que proporciona.
Parece que o próximo Flavours Viognier vem com menos tempo em barrica, pra ficar mais fresco, então se você gosta de vinhos brancos bem barricados, melhor garantir essa safra.
Sempre digo aqui que eu gosto da criatividade dos nomes dos vinhos portugueses. Não vemos isso em nenhum outro lugar do mundo e pra mim é algo que faz parte do charme do produto. E não adianta tentar copiar, porque a chance de ficar estranho é muito grande. Se for de Portugal, tudo bem, aceitamos nomes diferentes. Se for de outro lugar, vamos estranhar.
E o Subsídio, como bom vinho português – e alentejano – tem também a sua história com o nome. A idéia vem explicada no contra-rótulo, onde o produtor explica que a idéia do nome veio porque esse vinho deve ser um bom subsídio para os alimentos, ou seja, deve ser um bom acompanhante da gastronomia.
Dito e feito. O vinho, que é feito com Aragonez, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet é daqueles vinhos que ficam realmente muito melhores com a comida. É um vinho jovem, muito frutado (com aromas de frutas vermelhas, tostadas, leve chocolate) e que, por conta dos seus taninos muito presentes e sua acidez bem equilibrada, ele se dá muito bem com a comida. Provei o vinho com uma linguiça defumada feita na brasa e a combinação foi excelente.
Não sei o valor, mas deve ser um vinho que chegue num preço acessível para os consumidores aqui no Brasil. Vale a pena provar e harmonizar. Você verá nitidamente a diferença dele sozinho e acompanhando um bom prato (que de preferência seja bem estruturado, como a linguiça, um assado com gordura ou até mesmo molhos fortes).
Só uma recomendação: tente manter o vinho numa temperatura de 16 graus (um pouco mais baixa do que os 18 graus que são sempre recomendados), pois assim a sensação de álcool vai diminuir.
E se quiser saber mais sobre o vinho e o produtor, acesse o site da Lima-Mayer.
Os vinhos do Alentejo vêm, definitivamente, conquistando mercado aqui no Brasil. A fórmula é simples de se explicar, mas bem difícil de se fazer. São em geral vinhos bem frutados, com boa acidez e com taninos bem macios. Você pode até dizer: “Mas isso é o que qualquer vinho tem que ser”.
Sim, é isso mesmo, mas é o que a maioria não consegue. E o Terras D’Alter Touriga Nacional / Cabernet Sauvignon 2009 tem exatamente isso. Produzido com 50% de cada uma das uvas, é um vinho que, ao ser aberto, explode os seus aromas. Sai muito aroma de fruta vermelha até adocicada e bem ao fundo, um leve toque de terra molhada.
Na boca os taninos mostraram-se bem prontos, ou seja, não estavam amarrando a boca, deixando o vinho mais fácil de beber. A acidez dele também estava na medida, deixando a gente sempre com uma vontade de beber mais.
O Terras D’Alter é um vinho fácil de beber, sem grandes aromas complexos. Me pareceu uma excelente opção de vinho português para o dia a dia. Esse deve ficar na faixa dos 50 reais na importadora.
Mais do que qualquer outra casta, a Syrah é pra mim a que mais me encanta quando eu provo um vinho feito só com ela, de uma região diferente. Gosto dos Syrah feitos no Brasil, mas acho que os da Austrália são mais potentes. Gosto da elegância dos Syrah italianos e franceses, apesar de serem elegancias bem diferentes.
E agora provei um Syrah português que me chamou a atenção, que foi o Herdade do Esporão Syrah 2008. Esse faz parte do lançamento da vinícola alentejana, que trouxe além do Syrah, outros monovarietais (vinho feito só com uma uva) como o Petit Verdot, Alicante Bouschet e o Touriga Nacional.
O Syrah 2008 é um vinho que mostrou muita personalidade. Forte, marcante, com taninos bem marcados e aromas bem presentes. É um vinho que não passa despercebido.
Mas não confunda a força desse syrah com os que estamos acostumados a provar da Austrália. O Syrah da Herdade do Esporão tem uma força mais “amaciada”. É aquela força que a gente só percebe quando bebe o vinho. Dá pra sentir até um pouco de álcool, mas que eu acho que vai embora em algum tempo de garrafa aberta e também vai se dar bem com a comida, então não precisa se preocupar.
Continuo minha busca por Syrah de outras regiões. É uma brincadeira que vale a pena.
Esse é daqueles vinhos que dá até para chamar de Best Buy. O Romeira 2009 é um vinho produzido no Alentejo com as uvas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet.
Trazido para o Brasil pela Domno, é um vinho que chamou a minha atenção por ser bem fácil de entender. E quando eu falo em vinho “fácil de entender” eu quero dizer aquele que tem aromas que a gente identifica de cara, sem precisar ficar esperando muito tempo e nem precisar ficar lembrando de todos aqueles tipos de frutas e outras coisas que a gente conhece.
O Romeira 2009 é assim: no nariz tem um bom aroma de fruta vermelha (com destaque para a cereja), leve toque de madeira bem ao fundo e um pouco de tostado, lembrando um pouquinho de fumaça. Mas o que fica mesmo é a cereja. Ah, tem um pouco de álcool sobrando, mas é só você deixar ele aberto por um tempo que isso vai sair.
Na boca o vinho tem um bom equilíbrio e principalmente tem taninos bem macios. Isso também é muito importante para que o vinho entre na minha categoria de “fácil de entender”.
Esse eu acho que nem precisa de comida. Dá pra ir bebendo ele simplesmente acompanhado de queijos (recomendo os mais maduros e amarelos).
Sim, é um vinho bem correto, mas o que mais importa agora é saber o preço, certo? Esse chega ao Brasil por corretos 42 reais (base São Paulo). Gostou? Eu recomendo provar. Não vai se arrepender.