Maycas del Limarí Reserva Especial Cabernet Sauvignon – o vinho que aguenta até pimenta

A missão parecia simples: provar um vinho chileno feito com a uva Cabernet Sauvignon. Até aí, nenhum perigo aparente. Pra ficar ainda mais fácil, resolvi fazer uma lasagna, que também não oferece grandes perigos para a maioria dos vinhos.

Mas quando pensamos que tudo está sob controle, é que vem o perigo. Os ingredientes chegaram e eu recebi uma linguiça de pernil “apimentada” para fazer o molho. Bom, quem já fez alguns testes com linguiças com pimenta sabe que o campo é muito amplo, podendo passar por uma linguiça que não tem traço quase nenhum de picância até àquelas que parecem queimar tudo, por fora e por dentro.

Para meu desespero, a linguiça que eu tinha era a da segunda opção. Ou seja, o molho ficou muito quente, muito apimentado e na minha opinião, muito difícil de harmonizar.

Mas é nesses momentos que devemos acreditar na força dos vinhos e eu sabia que era hora de testar ao extremo o Maycas del Limarí Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2007.

Produzido com uvas vindas do vale de mesmo nome (Limarí), ele mostrou-se um vinho muito interessante no nariz e na boca: aromas de frutas vermelhas, chocolate, café, torrefação. Na boca uma boa potência e apesar da sua idade, mostrou boa acidez e força.

OK, muito bom vinho, mas eu ainda estava bem preocupado com a harmonização. Achei, sinceramente, que seria um desastre, mas não tinha mais jeito.

Fomos então para a prova final e pra minha total surpresa, o vinho aguentou muito bem a picância da pimenta e a força do prato, segurando tudo de forma muito legal. A harmonização acabou ficando muito boa e prazerosa e todos aprovaram.

É, meus amigos, às vezes a gente se engana, e isso é uma das belezas do mundo dos vinhos. É preciso testar, e testar muito, para saber com certeza se algo vai realmente dar certo.

Pra minha sorte, se não desse certo, beberíamos o vinho sem a comida, pois é um que vale a pena ser apreciado. Mas Baco estava do meu lado nessa.

Se quiser saber mais sobre o Maycas del Limari, acesse o site da vinícola. Os vinhos são importados pela Wine.com.br

Um abraço

Daniel Perches

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11 Comentários

  1. 1

    Recebi há uns meses atras 2 garrafas dele pelo clube. Nao gostei, nao compraria novamente, mas infelizmente mês que vem receberei desse produtoror novamente. CS 2007 e pura Madeira, enjoativo, nao desce nem meia garrafa. :/

  2. 2

    Oi Daniel! Bebi esse vinho recentemente. Um excelente vinho, com ótima acidez.

    Agora, tive uma impressão curiosa dele: Embora ele leve apenas 11% de Syrah, essa uva apareceu muito quando o experimentei. A cor era muito escura, quase negra, no nariz pulavam especiarias, pimenta, tabaco, e a boca confirmou o nariz, além de “apimentar” um pouco a língua.

    Só depois de 30-60 minutos de taça é que as frutas começaram a aparecer. Mas ficaram só no começo, pois os aromas anteriores ainda prevaleciam.

    Se fosse uma degustação às cegas, certamente eu erraria apontando um Syrah, ou no máximo um corte com não menos que 50% de Syrah. Achei muito curioso.

    Foi a impressão que tive. O único defeito desse vinho é esse, não ví 89% de Cabernet Sauvignon nele. Mas de resto, me agradou bastante. Acompanhei com diversos petiscos, e ele foi bem com todos, boa vocação gastronômica.

    Você percebeu algo parecido? Ou sua impressão foi realmente de 89% de Cabernet?

    Abraço!

  3. 3

    Eduardo
    Concordo com você que tem muita madeira. É estilo e pelo jeito você gosta de vinhos mais leves. Aí realmente esse vinho não vai agradar. Apesar de ter essa característica, não me incomodou tanto assim, mas é sempre bom ouvir (ou ler, neste caso) opiniões diferentes.
    Abraços
    Daniel

  4. 4

    Mateus, eu não cheguei nesse ponto de avaliação (e agora já bebi o vinho e não conseguiria fazer essa análise), mas vale lembrar que a Cabernet Sauvignon tem também características parecidas, lembrando pimentão, folhas verdes e até uma leve picância. Pode ser que as duas juntas, nesse vinho, tenham ressaltado essa característica.

    Se eu provar de novo o vinho, vou prestar atenção nisso e te falo.
    Abraços
    Daniel

  5. 5

    Realmente, não tinha pensado por esse lado, deve ser isso.

    Agora me surgiu uma dúvida: Essas características de Pimentão, picância, etc. são típicas da Cabernet Sauvignon em geral, ou da Cabernet no terroir Chileno?

    Abraço!

  6. 6

    Aproveitando o post, queria então tirar uma duvida. Nao que eu goste de vinhos mais leves, o que nao gosto e de bebidas, tanto pode ser vinho como uma cachaça, tequila, rum, ou qualquer outra que passe pela madeira e fique parecendo um chá feito com a mobília da vovó.
    Então minha duvida e: Porque alguns vinhos passam mais de 2 anos em barrica e nao “pegam” o sabor de mobília e ficam deliciosos e outros as vezes passam 2 ou 3 meses ou nem passam, o produtor coloca uns pedaços de Carvalho no tanque de aço e pronto, e esses as vezes podem ter o sabor de Madeira mais acentuado? Nao sei se consegui me expressar bem na pergunta.

  7. 7

    Mateus
    São típicas da Cabernet Sauvignon em geral, mas é claro que em cada solo, em cada terroir, ela se comporta de um jeito. Provei recentemente um Cabernet Sauvignon da Toscana que estava excelente, mas tinha outras características (mais defumado, frutas negras).

    É a beleza do vinho! :)
    Abraços

    Daniel

  8. 8

    Eduardo

    Ótima pergunta. Eu levaria isso para os enólogos, pois eles nos dariam uma resposta muito mais técnica, mas acho que em geral isso se dá pela qualidade do vinho base, como foi fermentado, quanto tempo ficou em tanque de aço inox, etc. Isso faz diferença. A qualidade da madeira também faz.

    Mas muitas vezes vemos vinhos que foram “maquiados”, ou seja, foram manipulados para que os aromas e sabores da madeira se acentuem. Isso pode ser feito de várias formas, pois as técnicas hoje estão bem avançadas.

    Ma concordo com você. Eu também vou sempre pela elegância. Os “mobília da vovó” são bem difícieis de descer.
    Abraços
    Daniel

  9. 9
  10. 10

    Também é necessário que se verifique em qual madeira ficou e se era primeiro uso ou não, tudo isso tambbém influenciam muito no sabor acentuado de carvalho.

  11. 11

    Daniel e Eduardo , desculpe a minha intromissão, mas quem é apaixonado por vinho não gosta de ficar “de fora’
    Estava procurando o Maycas Cabernet Reserva 2009 e vi sua troca e a intervenção da Carolina, que matou a charada. Se você quer diminuir a influência da madeira, é só usar um carvalho que não seja de 1o uso , Assim você garante que a troca com a madeira será menor, pois os usoa anteriores formam uma espécie de película. Claro que este não é o único fator
    Mas como disse o Daniel. Essa é a beleza do vinho eu achei o vinho surpreendente , e o Eduardo o achou com gosto de mobília da vovó!
    Nem dá para falar que ele está errado, pois a experiência anterior de cada um vai moldando nossa percepção
    abraços

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