Luiz Argenta e seu Merlot de uvas desidratadas Estilo Amarone

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O Brasil é um país bem curioso quando se fala em produção de vinhos. Nossa produção de qualidade começou faz pouco tempo e mesmo que tenhamos famílias de “gerações no vinho”, é ainda muito pouco perto do que se vê em outros países, principalmente da Europa.

E como dizem que o brasileiro é criativo, por aqui aparecem algumas coisas no mínimo curiosas, como é o caso desse Merlot de Uvas Desidratadas da Luiz Argenta. Os caras fizeram um vinho no estilo dos Amarones, colhendo as uvas maduras e deixando elas secarem e perderem água antes de vinificar.

Para quem ainda não conhece, na Itália, mais especificamente na região de Valpolicella, isso é uma tradição secular e de lá vem Amarones e Ripassos fantásticos (eu sou fã de carteirinha. Se meu dinheiro desse, compraria muitos Amarones). Só lá que se faz assim.

Então como você pode ver nas fotos abaixo, os caras guardaram 1.500kg de uva por mais de um mês secando e depois vinificaram. Passaram por barrica e depois guardaram por mais um tempo antes de liberar para o mercado.

Eu provei. Para mim, sinceramente, não tem muito que lembre os Amarones, a não ser o alto teor alcóolico (16%), que não se sente, o dulçor e o fato de o vinho ser um pouco mais encorpado. Mas pára por aí.

luiz_argenta_merlot_desidratadoSe você estiver interessado em comprar uma das 600 garrafas disponíveis, certifique-se de que está entendendo bem o que vai comprar. É um vinho bem feito, bem cuidado, mas que ainda assim guarda as características da Merlot brasileira, com um pouco de amargor no final e sem uma grande estrutura.

Durante o jantar de apresentação, os pratos que foram servidos não favoreceram, mas eu acho que o vinho pode ser bem gastronômico e ficar muito bom com uma comida. Para isso, você vai precisar necessariamente de um prato encorpado, como um ragú com polenta, um stinco ou algo parecido. Polenta para acompanhar não vai fazer nenhum mal.

Esse vinho deve ser vendido por algo em torno de 290 reais. Não é para pensar racionalmente, e sim como uma experiência. Aí vale!

Um abraço

Daniel Perches

 

*Fotos: Gilmar Gomes / Phototraço

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2 Comentários

  1. 1

    Legal, Daniel.
    É mais ou menos o que fazem aqui com o Raboso. A algumas uvas de colheita tardia eles misturam as uvas desidratadas tipo o Amarone mesmo. Bem interessante o resultado. Esses dias visitei a Ca di Rajo, uma cantina de raboso onde eles ainda utilizam a bellussera, uma forma de cultivo muito antiga e exclusiva da região do Piavo, aqui no Vêneto. Uma beleza. Não sei se conhece o Raboso. Vale a pena conferir. Abraço

  2. 2

    Isa, eu já bebi alguns vinhos feitos com Raboso, mas não passificados. Não sabia dessa. Vou procurar aqui no Brasil para ver se encontro algum assim.
    Abraços
    Daniel

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