Conhecendo a região dos Vinhos Verdes (e alguns vinhos para começar)

Estive recentemente em Portugal para visitar a região dos Vinhos Verdes, que fica ao norte do país, perto do Porto.

Por lá se fazem principalmente vinhos brancos e a característica mais marcante é o frescor. Vinho Verde é praticamente sinônimo de vinho fresco, com bastante acidez, leve e fácil de beber. Ou seja, um vinho perfeito para a piscina, por exemplo.

Mas por lá se fazem vinhos mais complexos também. Tive a oportunidade de provar grandes vinhos feitos com Alvarinho, que é a uva emblemática da região. Provei, por exemplo, um Alvarinho de 2004, da Soalheiro (esse eu conto mais pra frente).

Há também algumas coisas diferentes por lá, como o vinho tinto, que é em geral feito com a uva Vinhão. Esse é uma experiência à parte, pois tem aromas e sabores realmente diferentes. Dizem que vai muito bem com sardinhas na brasa. Há também bons espumantes e alguns rosés que merecem atenção.

Como é possível perceber, a região é muito rica em diversidade e depois de passar praticamente uma semana por lá, tive a nítida percepção de que eu não tenho bebido muito menos vinhos verdes do que deveria. Estou perdendo a oportunidade de harmonizar bons vinhos com o calor que faz sempre no Brasil.

A visita valeu a pena e nos próximos dias conto para vocês aqui o que vi, quais vinhos provei e algumas dicas do que é imperdível por lá.

Para começar, abaixo tem alguns dos vinhos mais típicos, que fazem parte dos tops da região, que conheci e que expressam de verdade o caráter dos Vinhos Verdes. Serve como um guia inicial (mas vem muito mais coisas por aí).

 

Quinta do Barco Grande Escolha 2011 Loureiro
Sub-região de Lima, que é mais atlântica.
No nariz ainda tímido, na boca tem bastante cítrico. Leve e fácil de beber.

Quinta da Levada Azal 2011
Fica no oeste da região das montanhas. Não existem muitos vinhos feitos só com Azal. Aroma cítrico e um pouco mais adocicado. Na boca é bem ácido e até pica a língua.

Vale de Ambraes Avesso 2011
A uva avesso é encontrada mais no interior e menos na costa do país.
Bem aromático, toques de lichia. Menos ácido que o anterior na boca. No final deixa uma marca forte do vinho. Bem equilibrado.

Reguengo de Melgaço Alvarinho 2011
Muito aromático, mesclando frutas cítricas com adocicadas, na boca tem boa fruta e no final deixa um toque de fruta um pouco passa.

Quinta de Carapeços Espadeiro 2011 Rosé
Cor cereja clara e aroma leve e delicado. Na boca tem um bom corpo e boa acidez. Final médio que não deixa amargor. Bom para uma piscina. Descompromissado. Esse eu provei de novo na vinícola e conto mais depois.

Dom Diogo Padeiro 2011 Rosé
Aromas mais fortes, muito ácido na boca. É bem potente e diferente dos rosés “tradicionais”, com bastante caráter.

Praça de São Thiago Vinhão 2011
Aromas fortes de frutas e até um toque balsâmico. Na boca tem muita acidez. Precisa de comida para acompanhar. É um sabor bem diferente.

Terras de Geraz 2011
Esse me chamou a atenção. Feito com Trajadura e Loureiro, mescla flor e fruta no nariz. Na boca é leve e a acidez não pega tanto. Final bem esquilibrado. Um vinho fácil de beber.

Vale de Abrães Colheita Selecionada 2011
Outro que eu gostei bastante. Feito com Arinto, Tajadura, Avesso, Alvarinho.
Fruta bem forte, pêra, bom corpo com boa complexidade. Vinho versátil, que pode ir desde uma salada com mariscos até um prato mais pesado.

Quinta de Gomariz 2011
Alvarinho, Loureiro, Trajadura
Belo vinho, muito bem feito. Esse está no Brasil e é importado pela WorldWine. Flor, pêra, lichia, maracujá. Na boca tem boa acidez, mas não incomoda. Final leve e um pouco ligeiro, mas é um ótimo vinho.

 

Quinta de Linhares Colheita Selecionada 2011
Loureiro, Tajadura e Avesso.
Feito por Anselmo Mendes. Vinho leve e fácil de beber, para beber no final do dia ou no começo de uma reunião. Muito correto.

Espigueiro 2011
Leve no nariz mas expressivo na boca, deixa um final interessante levemente floral.

Torre de Menagem 2011
Alvarinho e Trajadura
Fruta branca doce com um leve fundo mineral. Na boca é levemente doce também, com final médio.

Quinta da Lourosa 2011
Loureiro, Arinto.
Leve toque lácteo quando se deixa a taça parada. Na boca é bem expressivo. Final agradável.

Adoraz 2011
Alvarinho, Trajadura.
Frutas e flores no nariz, com um fundo cítrico. Lembrou paçoca em alguns momentos. Nariz complexo e boca leve,

Casa de Vilacetinho 2011
Produtor muito pequeno, que só produz regionalmente. Bem correto no nariz e na boca.

Conde de Villar Rosé 2011
Espadeiro
Frutas silvestres, morango. Na boca o morango fica bem evidente.

Muralhas de Monção 2011
Alvarelhão, Pedral, Vinhão.
Tem uma cor menos intensa, do leve toque de alaranjado e acobreado.
Me pareceu mais equilibrado entre aromas e sabores. Bem redondo na boca.

Estréia 2011
Vinhão, Borraçal, Espadeiro
Aromas típicos de um vinho verde tinto, animal. Na boca não é tão carregado.

Tapada dos Monges 2011
Vinhão, Amaral, Padeiro.
Menos aroma animal, mais fruta. Na boca é mais doce, mais fácil de beber.

Gostou? Então prepare-se, porque vem muito mais por aí. E com o verão chegando, nada melhor do que um vinho bem fresco para acompanhar.

Um abraço

Daniel Perches

Foto e Fonte: Site Vinhos Verdes

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