A Pérez Cruz passou a fazer parte da minha enoteca há mais ou menos um ano. Desde então provei algumas vezes o Pérez Cruz Limited Edition Syrah 2008, o mesmo vinho que vou falar hoje, mas da safra anterior. Provei também o Liguai, o Quelén, o Chaski e outros também. Gosto de todos e acho que cada um tem a sua característica e é destinado a um tipo específico de comida e de paladar.
E esse Limited Edition Syrah foi um dos que me encantou, e olha que eu nem sou tão fã de vinhos muito potentes, mas achei esse bem interessante.
E como eu tinha provado a safra 2008 e gostado muito, fui em busca da nova safra, a 2009, que está agora sendo importada pela Vinho Sul.
Vinho provado e a característica que mais me chamou a atenção em relação à anterior é o toque de frutas doces, muito mais presente. Me pareceu até que tinha um pouco de Carmenere, mas acho que é só impressão. De qualquer forma, no nariz saltou um pouco daquela fruta doce lembrando goiaba mesmo.
Na boca estava bem legal, com acidez na medida e álcool também, apesar de ter 14,5%, mas de novo as frutas doces apareceram. Pra quem gosta desse toque mais adocicado, esse vinho é um deleite.
Provei com um rigattone com molho de calabresa que foi muito bem. O molho tinha um toque adocicado por conta do molho de tomate que combinou perfeitamente com o vinho.
Se a sua é vinho potente, prove o Pérez Cruz Limited Edition Syrah 2009. Não vai se arrepender.
Provei a linha toda dos vinhos Massaya, que vem direto do Líbano (Vale do Bekaa) para o Brasil. Provar os 3 juntos dá uma noção clara da diferença de cada um deles.
Os vinhos Massaya são importados pela Au Vin no Brasil.
Principalmente durante o verão eu saio em busca de vinhos mais refrescantes e os rosés estão nessa lista. Encontrei então o La Diva Rosé 2008, um vinho feito lá no Vale do Loire, França. Esse é produzido com as uvas Syrah e Grenache (não sei o percentual de cada uma, porque no site do vendedor no Brasil não tem e não achei o site do produtor).
Pra mim, rosés precisam ser delicados. Nada contra os mais encorpados ou até mais “raçudos”, se é que podemos dar esse adjetivo para eles, mas é uma questão de estilo. Eu prefiro o estilo daqueles que têm aromas mais leves, que são praticamente “vinhos brancos com um toque tinto”, e não o contrário.
E o La Diva Rosé está indo para o lado dos mais potentes. Tem uma coloração laranja acobreada e no nariz, ao contrário do que eu esperava, nada de muita fruta vermelha. A taça se enche de aromas balsâmicos com toques cítricos e com um leve toque apimentado. Algo diferente, no mínimo.
Na boca não tem uma grande acidez, mas é bem equilibrado e que lembra as pimentas no final de boca (quando o vinho já foi embora e fica só o gosto).
Com um estilo bem diferente dos rosés da Provence, que são mais clarinhos e com aromas até florais, esse é um vinho que precisa de uma comida mais encorpada. Não beberia ele sozinho, como uma entrada num dia quente, por exemplo. Acho que está mais para acompanhar uma refeição.
E como a beleza do mundo do vinho está em descobrir novidades sempre, vamos partir para a próxima. Em breve conto sobre outros que eu provarei ainda nesse verão.
Pra mim, a França é um país mágico. Eu poderia ficar falando sobre os seus vinhos por quilômetros de palavras, mas acho que na França tem muito mais do que bons vinhos. E uma das belezas é a diversidade dentro do mesmo país. Do norte ao sul, diferentes culturas dentro de uma mesma matriz, que se respeitam e conversam entre si. Cada um com sua cultura, seu jeito de ser, suas comidas, seus hábitos.
E um dos lugares mais interessantes me parece ser o Sul da França, que é uma das mais antigas (se não a mais antiga de todas) em produção de vinho do país.
E falar em Sul da França é falar do Languedoc-Rousillon.Para nos situarmos, o Languedoc fica nas beiras ensolaradas do Mediterrâneo. São mais de 200 quilômetros de costa, da Camargue até a fronteira espanhola.
E por lá não tem só bons vinhos não. Não é nada difícil você sair nas ruas em um dia ensolarado e cruzar com famílias, em praças públicas, fazendo um piquenique, com aqueles deliciosos produtos locais e bebendo um belo vinho. Da culinária local a gente pode destacar os embutidos catalães, pêssegos, nectarinas e damascos de Roussillon, alcachofras, anchovas de Collioure e, naturalmente, as rousquilles!
As rousquilles são rosquinhas cobertas com uma camada de açúcar e o impressionante é a leveza desse doce. Se você pensou em algo melado e extremamente doce, pode inverter tudo. É doce sim, mas numa medida que não enjoa e que até pede uma nova mordida. Poderia falar também sobre seus patês, tapenades e outros produtos, que também são deliciosos e leves.
Ah, é importante lembrar também do tradicional Cassoulet. Por lá esse prato é que nem “arroz com feijão” pra gente. Já pensou?
E pra falar nos vinhos, eu provei alguns que o pessoal do Festival Sud de France me enviou e confesso que fiquei encantado. Veja os vinhos que eu provei e dessa vez você pode escolher entre ler e assistir ao video!
Domaine Rimbert Le Mas au Schiste 2008
Produzido em Saint-Chinian, o produtor é conhecido por trabalhar muito bem com a Carignan. Esse tem Carignan (35%), Syrah (30%), Grenache (30%) e Mourvèdre (5 %) e com um toque vegetal de início, mostra que é um vinho potente e ainda um pouco “selvagem”, precisando ser domado. Nada que um tempo de decantação e uma boa comida com um toque de gordura não resolva. Conheça o site do produtor. É importado pela De La Croix.
Domaine des Salices Pinot Noir 2008 Com cor e aroma típico de um bom Pinot Noir francês, tem cor clara e toques de morangos e cerejas. Recomendo que se abra e espere uma meia hora, pois logo de cara aparece um toque herbáceo que esconde um pouco a fruta do vinho, mas depois ele torna-se muito elegante. Esse é produzido por Francois Lurton e importado pela Zahil.
Ego de Cazes 2007 Esse é um vinho biodinâmico do Domaine Cazes produzido com as uvas Syrah (40%), Grenache (20%) e Mourvédre (20%) e foi, dos 3 dessa lista, o mais elegante e complexo. Tem aromas de frutas vermelhas doces, contrastando com um toque terroso e leve toque mineral. Muito estruturado e com acidez na medida, é daqueles que a gente se encanta no nariz e depois quando bebe fica ainda mais impressionado. Acompanha muito bem comidas fortes sem nenhum problema. Esse é importado pela Mistral.
Provei esses vinhos e com isso pude conhecer um pouco do Sul da França. Para mim ficou essa impressão: povo alegre, clima gostoso, alegria, bons vinhos e boa comida. Esse é o Sul da França pra mim.
E pra você, como é? Para celebrar o final de ano, vamos fazer um Concurso Cultural aqui. Pra participar é fácil, você só precisa responder a frase Pra mim, o sul da França é…
A melhor frase ganha um dos vinhos. Você escolhe. É só soltar a sua criatividade.
Assim que entrei no Circuito Brasileiro de Degustação em São Paulo (aconteceu no dia 25/10), fui sendo bombardeado por amigos e conhecidos me falando de um tal vinho mineiro que tinha por lá que era muito interessante.
Depois de andar por quase todo o evento, finalmente consegui parar na mesa da Vinícola Estrada Real. Situados nas montanhas do sul de Minas Gerais, os caras resolveram apostar na produção de vinho, algo não muito comum por lá.
Mas as peculiaridades não param por aí. Lá eles fazem o que se chama de “ciclo invertido” e as uvas são colhidas no inverno, ao contrário do que é feito no resto do mundo, que colhe durante o verão.
Depois de saber dessas informações, é claro que a minha expectativa estava alta, pois queria saber se realmente é possível fazer vinho bom por lá. E a resposta é SIM, é possível.
Por enquanto a vinícola só faz dois vinhos. Um rosé de Syrah e esse, que é um tinto relativamente encorpado, que tem aromas de frutas vermelhas e negras, toques de especiarias e um leve tostado no final. Comentei com um amigo que se a gente pegasse esse vinho às cegas provavelmente pensaríamos que era um exemplar do Velho Mundo. Alguns arriscaram ser algo como um “Mini Chateauneuf-du-Pape”. Não sei se é para tanto, mas é fato que o vinho tem uma excelente qualidade.
É um vinho que vai custar em torno de 65 reais. Não é barato e sinceramente já provei outros que eu considero de qualidade superior por preço até menor, mas sem dúvida vale conhecer. É um ótimo vinho. E mineiro!
Eu gosto de falar sobre a diferença que se pode encontrar nos vinhos feitos com Syrah pelo mundo. É claro que isso acontece com todas as uvas, mas a Syrah pra mim é a campeã de “adaptações de acordo com o terroir”. Já provei Syrah italiano, da Austrália, brasileiro, chileno, americano, e por aí vai. Cada lugar produz com uma forma muito característica.
E o Pangea é um vinho da Viña Ventisquero que tem uma produção muito limitada, feito com Syrah (100%) que não foge à regra, ou melhor, faz a sua própria regra de acordo com o seu terroir. Cultivado em Apalta, no Vale do Colchagua, é um vinho muito intenso, com aquela cor bem forte e quase intransponível.
No nariz é doce, lembrando frutas vermelhas e negras em calda, com um pouco de chocolate amargo. Tem aquele toque adocicado que a gente geralmente reconhece nos vinhos chilenos. Na boca e a sua acidez é bem controlada e tem um bom corpo. De novo aparece a doçura aí e o final é bem correto, sem amargor.
Pra quem gosta de vinhos amadeirados (esse passa 20 meses antes de ser engarrafado), o Pangea é um prato cheio. É sem dúvida um vinho de excelente qualidade, que tem características bem definidas. Mas se aceitam uma sugestão, é recomendável beber esse vinho com pelo menos umas 3 ou 4 pessoas junto. Não só pelo seu álcool, mas por ele ser mais pesadão e sem tanta acidez, ele não é tão fácil de beber. Precisa de tempo e claro, se tiver uma boa comida acompanhando, é melhor.
A linha Ventisquero é importada no Brasil pela Cantu.
Depois de tentar provar o Mitchelton Print Shiraz 2004 e não conseguir porque ele estava bouchonée (veja aqui o post Identificando um vinho bouchonée ao vivo), comprei uma garrafa do mesmo vinho, mas de safra nova, que agora vem com a tampa rosca (ou screwcap). Acabou o problema!
Depois de uma semana intensa de trabalho, em plena sexta-feira à tarde, era hora da minha última reunião da semana. Reuniões nesses dias são sempre um misto muito grande de emoções. Tem uma pitada de cansaço, um toque de sentimento de dever cumprido e claro, muita alegria por estar chegando o final de semana. Eu gosto de reuniões às sextas. Sempre acho que as pessoas estão mais alegres nesses dias.
E foi nesse clima que eu cheguei para falarmos sobre redes sociais para um cliente da América Latina, quando me aparece meu amigo Ferne (ou Fernando, para os menos íntimos), com uma garrafa de Nieto Senetiner na mão. A princípio achei que a reunião seria regada a vinho (o que não seria uma má idéia), mas era um presente pra mim. Ele fez aniversário e eu que ganho o presente. Assim é bom, não?
O Ferne gosta de vinhos e queria minha opinião sobre esse, que é de Mendoza, mais especificamente de Lujan de Cuyo. Estive por lá recentemente, mas não tive oportunidade de visitar a vinícola. Espero poder fazer isso numa próxima.
Trouxe o vinho pra casa, climatizei e não tive dúvidas: abri logo e provei, porque a curiosidade é sempre maior do que a paciência (pelo menos no meu caso).
O vinho é bem jovem e me parece que vai melhorar com o tempo. Tem aqueles aromas já terciários como couro e um toque de baunilha misturados com um pouco de especiaria. Tem taninos ainda bem jovens também, daqueles que amarram a boca um pouquinho, mas que com comida as coisas ficam bem melhores. Aliás, ao contrário de alguns Malbecs argentinos, esse me pareceu ser bem fácil de harmonizar. Como ele tem um pouco de álcool sobrando, recomendo que se beba um pouco mais resfriado, para perder um pouco essa sensação. Só não gele demais, para não ficar amargo (tarefa difícil, eu sei, mas temos que tentar).
E foi assim que eu terminei a minha semana, degustando um bom vinho oferecido pelo meu caro amigo Ferne. Afinal de contas, amigo é para essas coisas, não é mesmo?
Estive recentemente em viagem para a Argentina (Mendoza) e na volta fiz escala no aeroporto do Chile. Como não é permitido sair do aeroporto (nem da sala de embarque, pra ser mais específico) e eu tinha muito tempo, pude olhar com calma os vinhos que eles têm por lá. É uma grande variedade no free-shop e os preços acessíveis é claro que deixam a gente com água na boca.
E como eu já estava há algum tempo querendo provar esse vinho, acabei comprando. Foi só o tempo de ele descansar um pouco na adega para se recuperar da viagem que eu resolvi já abrir e provar. E que sorte a minha. O vinho é fantástico! Realmente uma excelente compra.
TH significa Terroir Hunters e é um projeto da Viña Undurraga, lá do Chile. A idéia é buscar pequenas parcelas de terroirs de excelência e produzir vinhos em pequenas quantidades, mas em alta qualidade.
E é isso mesmo que esse que eu provei tem. O T.H. Syrah Maipo é um vinho muito intenso. Produzido numa pequena parcela chamada Fundo Santa Ana (no Maipo, é claro), é daqueles vinhos que a gente sente a complexidade desde que tira a rolha e que vai só evoluindo até o final da garrafa. E quando chega no final, ficamos até chateados.
É um vinho com muita fruta, chocolate, tostados. Tudo muito intenso, mas muito saboroso. Pra esse vinho é importante, caso queira harmonizar, que você tenha uma comida também forte. Pode ser uma carne com um molho espesso ou até mesmo em um churrasco, que foi o que eu fiz, mas foi com carnes que têm aquela gordura entremeada, sabe?
Pra quem gosta de Syrah potente, o T.H. Maipo é o vinho! Vale a pena provar.
Intipalka significa “Vale do Sol” em quechua, o idioma utilizado na época do Império dos Incas. Não poderia ter um nome melhor (ou ser escrito em um idioma melhor) para retratar a peculiaridade da procedência desse vinho, afinal de contas, não é sempre (e no meu caso foi a primeira vez) que se bebe um vinho peruano.
E engana-se quem pensa que lá não há tradição vinícola. O Peru já foi grande produtor e exportador de vinhos para a Espanha. Esse raro (pelo menos por aqui) exemplar veio através do meu amigo Beto Duarte (do blog Papo de Vinho), que encomendou diretamente de uma amiga que estava a passeio por aquele país.
O vinho é surpreendente não só pelo país, mas pela sua qualidade mesmo. Ele foi provado às cegas depois de uma degustação de Zinfandel, junto com vários degustadores experientes. Eu já sabia qual era o vinho, mas mesmo assim eu fiz a minha análise sem qualquer preconceito.
Preconceito que aliás não existiu lá no dia. Todos elogiaram muito o vinho, que realmente é muito elegante. No nariz apresentou um ótimo aroma de frutas vermelhas mescladas com toques de caramelo. Na boca os seus taninos foram bem macios e mostraram uma elegância que não se encontra em muito vinho europeu.
É, o mundo do vinho tem dessas coisas e nos traz, muitas vezes, boas surpresas com essa. Então se você for ao Peru, não deixe de provar os vinhos deles. Pode ter também uma bela surpresa. E se quiser uma indicação, procure esse e outros da Bodega Santiago.