Archive | Pinotage

Leopards Leap Pinotage Shiraz 2008

Leopards Leap Pinotage Shiraz 2008

Esse é um bom vinho para o dia a dia, principalmente para quem quer sair dos tradicionais “Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat”. Produzido pela Leopards Leap na África do Sul, o vinho foi trazido pela Sociedade da Mesa, um clube de vinhos que tem o propósito de agregar pessoas para uma compra coletiva, tornando o valor unitário mais barato.

Esse é feito com 52% de Pinotage e 48% de Shiraz, duas castas que são bastante freqüentes na África do Sul e a primeira é considerada inclusive uma uva emblemática daquele país.

O vinho é leve e fácil de beber. Tem aromas fáceis de serem identificados, com predominância de frutas vermelhas como cereja. Ao agitar a taça dá pra sentir um pouco de chocolate e baunilha, que deve ser pelo tempo que passa em barrica.

Em boca percebe-se o seu álcool (tem 14,5%) esquentando a boca. Seu final é curto/médio, mas sem amargor, o que ajuda bastante. A Sociedade da Mesa sugeriu beber o vinho entre 17 e 24 graus de temperatura. Eu acho que isso é alto. Eu testei com ele mais quente (em torno de 22 graus) e depois gelei um pouco. Sem dúvida, aos 16 graus ele fica mais agradável. Você notará que terá um pouco menos de aromas, mas em boca ficará melhor.

Também não guardaria muito tempo esse vinho, pois não me parece ter potencial de guarda longo. Se comprar, o melhor mesmo é beber logo. Aproveite aqueles dias de semana em que você prepara aquela comida que chama um vinho, mas que pela correria do dia a dia você acaba não querendo abrir um grande vinho para acompanhar. Um bife à parmegianna deve ir bem com ele, bem como uma massa ao pomodoro.

Mas, como sempre, o que vale é a experiência. Se você testar com algum outro tipo de comida e tiver dado certo, conte aqui.

E se quiser ver mais algumas sugestões de harmonizações e ocasiões para beber o vinho, acesse o site da Leopards Leap, que tem algumas dicas bem legais.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, África do Sul, Pinotage, Syrah0 Comments

Raka Pinotage 2008

Raka Pinotage 2008

A uva Pinotage sempre me atrai, apesar de às vezes eu me decepcionar fortemente com alguns vinhos feitos com ela. Mas algumas vezes eu também acerto, como foi o caso, quando provei esse vinho na Enoteca Decanter. Lá eles servem vinhos em taça com um preço bem justo, o que me faz sempre ter vontade de voltar.

Produzido pela vinícola de mesmo nome, tem as uvas plantadas e vinificadas na região de Klein River, na África do Sul. Aliás, o país é conhecido por produzir bons vinhos com essa casta.

Esse tem uma coloração rubi bastante viva e brilhante, com um halo bem pequeno de evolução. Tem aromas muito intensos, com destaques para os defumados. Em boca apresentou taninos bastante finos e elegantes e mostrou que o vinho ainda está um pouco jovem. Acredito que se for guardado por mais uns dois anos, deve ficar melhor ainda.

Combinou bem com presunto Parma (apesar da minha preocupação inicial antes de servir o vinho. Achei que não daria certo.) e também com queijos curados. Parece-me ser um vinho gastronômico, que pode ser facilmente harmonizado com carnes assadas ou comidas que tenham especiarias em sua composição, por exemplo.

Esse custa em torno de 75 reais na Decanter. Um bom preço pela sua qualidade. Ouvi falar bem dos vinhos da Raka feitos com outras cepas, mas ainda não provei. Quem sabe não faço isso na minha próxima ida à Enoteca?

Um abraço

Daniel Perches

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Nederburg The Winemaster´s Reserve Pinotage 2007

Nederburg The Winemaster´s Reserve Pinotage 2007

Em tempos de Copa do Mundo na África do Sul, temos um bom motivo para conhecer os vinhos daquele país. Para os mais desavisados, eles são muito melhores produtores de vinho do que de cornetas, apesar dessa última ser mais popular nesses últimos tempos (mais popular, mas não mais prazerosa, que fique bem claro).

A Pinotage é uma uva que se desenvolveu muito bem naquele país, devido às condições de solo e de clima, tornando-se inclusive a uva símbolo da África do Sul.

Esse vinho reserva da vinícola, que utiliza a vedação por screwcap (tampa de rosca) ao invés de rolha de cortiça ou mesmo sintética é um ótimo exemplar tanto da uva quanto do terroir do país. Em taça apresenta uma coloração rubi muito intensa, com um pequeno halo de evolução, praticamente imperceptível.

nederburg_pinotageNo nariz há uma explosão de aromas francos, com destaque para frutas negras frescas e um toque de especiarias, com o cravo aparecendo mais fortemente.

Em boca muita maciez em seus taninos e apesar de seus 14% de álcool, não houve sobreposição. O final é relativamente longo e agradável. É um vinho que pode ser degustado até sozinho, mas que fica muito melhor com uma comida. Sugiro queijos curados, brusqueta de shitake e arriscaria até uma comida mais apimentada.

Esse foi comprado no FreeShop mas acredito que seja encontrado nos mercados especializados e sei que a Casa Flora importa alguns deles.  É um vinho que merece ser provado e uma boa opção para comemorar, por exemplo, um belo gol do Brasil na Copa. Isso pra quem conseguir comprar e esperar para beber.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2007, África do Sul, Pinotage4 Comments

Feijoada com vinho – a revanche

Feijoada com vinho – a revanche

Publiquei recentemente aqui um post sobre a harmonização de feijoada com vinho. Muitos comentaram, por escrito ou falado, e eu me animei pra fazer um tira-teima.

E já que a feijoada é um prato típico brasileiro, decidimos que nesse dia seriam só vinhos brasileiros. Bem tupiniquim mesmo. Só faltou o brochinho com a bandeira do Brasil espetado na lapela dos confrades.

Prato e nacionalidade dos vinhos decididos, propus um “desafio” legal, pra tirar a dúvida dos mais céticos: a idéia era servir ao mesmo tempo o espumante e o vinho tinto junto com o prato. Assim a gente teria à disposição os dois tipos de vinho, pra testar garfada a garfada, gole a gole, o que seria melhor, pois conforme as regras de harmonização, o tipo mais recomendado para acompanhar a feijoada é o espumante. Alguns dizem que um bom tinto, como um Cabernet Sauvignon bem macio também é uma excelente companhia. Ficou a dúvida.

Mas vamos primeiro aos vinhos, pra depois partir para a conclusão.

Espumante Rondinée Brut Rosé – Esse espumante é feito pelo método Charmat, com as uvas Pinotage, Cabernet Franc e Merlot. Tem uma cor cereja intensa, com um bom perlage. Aromas adocicados de frutas vermelhas e de um leve tostado foram notados.  Em boca, boa acidez e persistência média, mas de uma forma geral, o vinho é justo e de boa qualidade. Custa em torno de R$ 30,00.

Vinho tinto Salton Talento 2005 – Escolhemos um “ícone brasileiro”. Esse corte bordalês de Cabernet  Sauvignon, Merlot e Tannat é de uma qualidade ímpar. Aromas de frutas negras em compota, couro, um pouco de especiarias como cravo surgiam da taça a cada vez que era levado ao nariz. O vinho evoluiu bastante depois de 30 minutos, deixando-o ainda mais saboroso. Taninos muito suaves e final longo completaram a ótima sensação, deixando aquele gostinho de “quero mais”. Não há dúvidas de que é um dos melhores vinhos nacionais que temos hoje. Custa em torno de R$ 60,00

casa-da-feijoadaBem, apresentados os vinhos, partimos para a degustação. Todos com suas taças e seus pratos a postos. Primeira garfada e o espumante foi pra boca. Segunda garfada e o acompanhante foi o Salton Talento. Cada um fez suas avaliações e continuamos a comer. Após alguns minutos (e várias garfadas e goles) a imagem da mesa falava por si e não era nem preciso comentar o que tínhamos preferido. A garrafa de espumante já estava quase acabando e a do nobre Talento ainda estava quase intacta. Ou seja, todos, sem exceção, preferiram o espumante (até a minha esposa, que não é muito fã).

Sendo assim, meus amigos, concluo a minha pesquisa sobre harmonização. Peço desculpas a qualquer ONG que possa surgir para reclamar, mas admito que utilizei as melhores cobaias humanas para a minha experiência. Mas fiquem tranqüilos que todos foram muito bem tratados, então não tem com o que se preocupar.

Ah, não poderia deixar de comentar aqui que a feijoada da nossa amiga Thais estava espetacular. Quando ela falou que seria uma feijoada “light” eu confesso que fiquei ressabiado, mas estava simplesmente divina, digna das melhores casas do ramo. Pra se comer de joelhos, sem dúvida!

Em breve, faremos uma experiência com bacalhau. Aguardem.

Abraços

Daniel Perches

Posted in Brasil, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinotage13 Comments

Feijoada com vinho

Feijoada com vinho

 É isso mesmo. Feijoada com vinho. Afinal de contas, se a gente consegue fazer harmonização de comidas complexas da França, Espanha, Portugal, Chile, etc., por que não podemos harmonizar o nosso prato mais famoso com um bom vinho?

Dá e é fácil. É só pensar no que temos na feijoada: feijão (é claro), carnes de porco cozidas e fritas, lingüiças e algum tempero, certo? Desconstruindo assim o prato, fica mais fácil? Calma que ainda temos fatores a analisar.

Como sabemos, as carnes mais gordurosas, como é o caso do porco, pedem vinhos tintos mais estruturados, para que possam agüentar essa untuosidade na boca, no final.

Mas temos que pensar também que temos no prato (prato mesmo, de comida), arroz, couve e farinha. Isso faz com que ele fique um pouco mais “leve”. Ah, temos que levar em consideração o amargor da couve também. Por mais bem frita e temperada que esteja, vai ter um amargor no final.

Opa, a tarefa está mais complicada agora. Temos que encontrar um vinho que tenha estrutura pra agüentar a carne mas que também se dê bem com o amargor da couve. Isso porque nem mencionamos a pimenta colocada no prato, que é parceira fiel dessa comida.

feijoada

Enfim, com todas essas informações, vamos às idéias de vinhos. Listo abaixo algumas sugestões que eu acredito que sejam possíveis. Mais do que seguir essas dicas, acho que vale experimentar com o vinho que gosta. Só sugiro que não tentem com um branco leve, pois a combinação não vai ser a esperada, com certeza…

 

 

Cabernet Sauvignon – Tem uma boa estrutura e acredito que aguenta bem a gordura da carne.

Syrah – pelas suas características mais “picantes”, pode ser uma boa combinação.

Pinotage – Combina as duas características acima, portanto me parece uma boa opção também.

 

Outra informação importante a se lembrar é que os vinhos devem ter taninos macios. Caso você escolha um vinho com tanino mais “selvagem”, a mistura dele com o sal da feijoada vai trazer um sabor não muito interessante.

Agora vamos à degustação! :)

Abraços

Daniel Perches

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