Já falei aqui sobre alguns vinhos do Monte da Ravasqueira, que é uma vinícola que fica no Alentejo e tem vinhos que eu gostei bastante. A Vinci, importadora que traz os vinhos deles fez uma seleção legal, onde tem desde uns mais baratos como o Calantica Tinto 2010, uma excelente compra por 15 dolares, até um branco top como o Flavours Viognier 2010.
Mas no meio dessa escala tem o Monte da Ravasqueira Tinto, que é um vinho que custa em torno de 60 reais e é também um que merece atenção. Esse é feito com Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonez (ou Tempranillo), Trincadeira e um pouquinho de Petit Verdot. Uma mistura que deu um vinho muito legal.
O Monte da Ravasqueira é daqueles vinhos bem aromáticos, mas que se você deixar um pouco na taça (ou até a garrafa aberta), com um pouco de tempo ele vai evoluir e ficar ainda melhor, mostrando aromas mais terciários e evoluídos, como um leve esfumaçado e toques de chocolate.
Na boca é um vinho ainda jovem, que tem taninos bem presentes e você vai sentir isso facilmente, junto com a acidez que vai “amarrar a sua boca” um pouco. Fique tranquilo, porque com uma boa comida, isso não só vai sumir como vai ficar ainda mais interessante.
É, fiquei fã da Monte da Ravasqueira. E se você gosta também de cavalos, agende-se para uma visita à vinícola em sua próxima ida a Portugual. Eles são criadores de equinos e pelo jeito a qualidade não se aplica só nos vinhos. Veja um pouco sobre o Monte da Ravasqueira no site deles.
Chaski significa “mensageiro” no idioma quechua e também é o nome do “filho mais novo” da família de vinhos da Pérez Cruz, uma vinícola do Chile que já está bem conhecida entre os brasileiros pelos seus belos vinhos. Eu gosto muito dos vinhos deles e já tive inclusive a oportunidade de conversar com o enólogo (relembre aqui – Entrevista com German Lyon).
E depois de um Syrah muito intenso, de alguns vinhos de corte premiados, o pessoal de lá resolveu produzir um vinho 100% com a uva Petit Verdot. Não é muito comum (infelizmente) encontrarmos vinhos feitos só com essa casta. Eu gosto e fico contente quando encontro, mas entendo que não sejam produzidos muitos, pois a Petit Verdot não só é mais difícil de se produzir, como serve muito bem para “arredondar” os vinhos. Tudo pelo vinho, então OK.
Mas já que a Pérez Cruz resolveu produzir esse, precisamos provar. É um vinho muito intenso em todos os sentidos. Tem uma cor muito forte, daquelas que se você colocar o dedo atrás da taça, não consegue ver. No nariz tem um misto de herbáceo, floral e fruta, que de tanta intensidade precisa até de um tempo para se perceber tudo. E na boca é também muito intenso e até um pouco adocicado.
É diferente dos outros Petit Verdot que eu já provei, principalmente pela sua doçura e não sei se é o terroir do Chile, se é a forma como produziram (com baixa produção por planta) ou algum outro fator.
Se você gosta de vinhos intensos, prove o Chaski. Pode ser que o mensageiro traga algo de bom pra você.
Aqui vai um conselho: se você for à Patagônia, visite a NQN. E se você voltar sem passar por lá, não vai te acontecer absolutamente nada (fique tranquilo que isso não é uma daquelas correntes, que diz que se você não passar isso para umas 20 pessoas, ou se não fizer uma oração, vai ter azar ou coisa parecida). O que vai acontecer é que você vai perder a visita a uma das vinícolas mais legais da região.
Estive lá no final de 2011 e pude conhecer pessoalmente o Lucas Nemesio, o Diretor da Vinícola. É daquele tipo de cara simpático, de bem com a vida e alegre por estar fazendo o que gosta. Lucas começou o projeto da vinícola em 2001, mas já com uma vocação turística. Ele quer receber gente por lá, para mostrar o que estão produzindo, para conhecer as instalações, para comer bem no restaurante dele e até para ficar na pousada que eles construíram, se for o caso.
Eu provei alguns vinhos (que conto abaixo) e almocei por lá também. A comida é impecável e merece que você tire algumas horas para apreciar com calma, através do restaurante que tem vista para os vinhedos.
Eu já conhecia alguns vinhos da NQN e já gostava. Depois de visitar a vinícola, gostei mais ainda. Veja o que eu degustei por lá:
Sauvignon Blanc 2011
Muito concentrado em fruta, no nariz e na boca, Pomelo, maracujá.
Pinot Noir Reserva 2010
Delicado, fruta mais leve. É um vinho que vai ficar melhor daqui um ano, com certeza. Ainda está um pouco “duro” e precisa descansar. Provei pra saber como seria o vinho e realmente vi que vai ficar excelente.
Reserva Malbec-Petit Verdot
Vinho muito complexo, usando o melhor de cada casta. Ainda precisa descansar um pouco, mas com certeza será um vinho muito bom. Perfume floral, fruta, excelente acidez, final marcante. Toque doce. Gostei muito desse.
E se você for para lá, mande um e-mail para o Lucas. Ele me garantiu que os brasileiros são muito bem vindos por lá. Quem sabe você não consegue almoçar com ele? Diversão – e bons vinhos – garantidos.
Várias vinícolas em Mendoza possuem restaurantes. Tem restaurantes mais baratos, mais caros, chiques, mais rústicos… Enfim, dá pra ir em um tipo diferente por dia e passear uma ou duas semanas comendo muito bem.
E um lugar que eu recomendo é o restaurante da Ruca Malén. A vinícola até tem um tour para conhecer por dentro como eles fazem vinho, mas definitivamente o melhor é o restaurante, afinal de contas, se você já foi em algumas vinícolas, verá que todas têm um mesmo padrão. Sugiro que você gaste seu tempo comendo lá. São 5 passos de comida, que mudam a cada estação. A escolha dos pratos é feita em conjunto pelo chef, pela Sommeliere e pelos diretores da vinícola e eles acreditam que a melhor forma de apresentar os vinhos e mostrar a sua qualidade é provando com comida. Harmonização por lá é coisa séria e o resultado é excelente.
Estive pela última vez lá em dezembro/2011 e dependendo de quando você for, o cardápio será outro. E se for, prefira o verão, pois é possível fazer até um picnic por lá, que deve ser muito legal.
Gostou da idéia? Veja então os pratos e fique com mais vontade ainda.
1o passo
Pequena salada de truta do Valle del Uco curada com ervas, maçã e creme de flores brancas, harmonizado com o Yauquén Torrontés 2011. O vinho é bem floral no nariz e com uma acidez bem marcante na boca.
A alta acidez do vinho foi muito bem com o prato, mesmo com a maçã. O molho deu um ótimo balanço, trazendo um pouco de untuosidade para a harmonização.
2o passo
Pequenos rolos de folhas de videira, filé migrou refogado e cereais argentinos com infusão de azeite de oliva, canela e tomates secos, servidos sobre um seixo rolado, uma pedra típica da região. O prato foi harmonizado com o Yauquén Cabernet Sauvignon 2010. 30% do vinho é envelhecido em barrica durante 6 meses. É o vinho jovem, que mostra bastante fruta e que parece ter uma proposta descompromissada e servir realmente para entradas.
As folhas de uva trouxeram um sabor amargo que foi bem balanceado com a canela. O vinho, com seus taninos jovens e aromas e sabores mais picantes seguraram o amargor da comida, fazendo uma bela harmonização.
3o passo (Entrada)Malfattis de beterrabas assadas e ricota fresca com creme de tomilho defumado com o vinho Ruca Malén Reserva de Bodega 2009, que tem 40% Cabernet Sauvignon, 28% Syrah, 22% Malbec e 10% Petit Verdot. Passa 12 meses em barrica de carvalho. Tem uma mescla de herbáceo com café e um toque mineral no final. Da pra sentir um pouco o álcool na taça, mas não incomoda. Tem taninos ainda jovens e um final curto/médio e um pouco doce.
O prato tem bastante tomilho, que combinado com o molho de ricota fica bem forte, mas o vinho dá conta, principalmente pelos seus taninos.
4o passo
Medalhão de filé Mignon grelhado com tomates defumados, croquete de abóbora e batatas com chimichurri de cebolas.
Dessa vez foram dois vinhos para provarmos e vermos qual seria o melhor com o prato. Ruca Malén Malbec 2009, que passa 12 meses em barrica e o Kinién Cabernet Sauvignon 2008, que fica 18 meses em barrica. O Malbec tem toques adocicados no nariz e em boca tem bastante adstringência e bastante taninos.
Falaram que o Malbec iria melhor com a carne e o Cabernet melhor com os legumes. É verdade, mas o que não falaram é que o Cabernet não agüentou a carne. É um vinho muito bom, mas que realmente se tiver algo mais elaborado, que tenha muita fibra e gordura, talvez vá perder pra comida.
5o passo
Bavaroise de cítricos e biscoito, casca de laranja com frutas da estação, harmonizados com o espumante Ruca Malén Brut, que tem 75% de Pinot Noir e 25% de Chardonnay e é feito pelo método Champenoise (2 anos em contato com as leveduras).
Ok, depois de comer tanto, nem precisava de sobremesa, mas essa tem seu valor. Não foi a melhor sobremesa que eu já comi e nem a melhor harmonização, mas tá valendo. A experiência é incrível e o trabalho deles de harmonizar é muito bom.
Para agendamentos, você precisa entrar no site da Ruca Malén. Os vinhos são importados pela Hannover no Brasil.
Gosto muito de Petit Verdot. É uma uva que tem algumas características que me encantam e que sempre que posso, provo vinhos feitos com ela.
E foi na minha viagem ao Uruguai, em Novembro/2011, que eu estive na Pisano (relembre aqui o post sobre a Pisano) e pude provar o RPF Petit Verdot 2008. RPF significa Reserva Pessoal de Familia e é uma das linhas deles.
Esse é daqueles vinhos que, mesmo que você não seja um apaixonado pela Petit Verdot como eu, nunca vai passar despercebido. Tem uma cor muito intensa, intransponível (e não é por ser ainda “jovem” não. Ele é intenso mesmo). No nariz os aromas aparecem com muita força, mas ao mesmo tempo com certa elegância. É um misto de frutas negras, chocolate e um toque de pimenta que é algo que também caracteriza a Petit Verdot. Tudo muito bem integrado com o aroma de barrica que aparece também.
Na boca é impressionante. Ao mesmo tempo que é intenso, com taninos presentes, é macio e sedoso, deixando um toque final até levemente adocicado. Quando provei o pessoal abriu a garrafa na hora e bebemos imediatamente, sem decantação. Não saberia dizer se ele evoluiria mais ainda com um tempo no decanter. É testar para ver, mas só se você quiser fazer experiências, porque não precisa.
Harmonizar comida com esse vinho não é fácil, principalmente pela sua intensidade. Tentamos com uma carne da parrillada uruguaia. Foi bem, mas eu ainda acho que precisava de um pouco mais de gordura.
Se você encontrar uma boa harmonização, me mande. Quero saber tudo o que puder sobre a Petit Verdot.
Quem produz esse vinho é a Viña Errazuriz, uma vinícola chilena situada no Vale do Aconcagua. É inclusive bem famosa e na minha opinião, com toda razão. Eles fazem realmente bons vinhos e vejo que por aqui no Brasil eles são muito bem aceitos.
O Don Maximiano é o vinho top da vinícola e especificamente na safra de 2005 foi feito com as uvas Cabernet Sauvignon (85%), Cabernet Franc (7%), Petit Verdot (5%) e Shiraz (3%). Um corte que trouxe bastante estrutura para o vinho.
Apesar de sua idade, o vinho parecia bem jovem. Aromas de frutas vermelhas estavam em abundância e dessa vez, mesmo degustado às cegas, não foi difícil de perceber que era um vinho chileno, pois o aroma característico estava lá presente: aquela fruta vermelha adocicada, lembrando até um pouco de goiaba (e olha que nem tem Carmenere nesse, pois muita gente diz que o aroma de goiaba é vindo da Carmenere).
Na boca mostrou um bom corpo, mas o álcool ficou um pouco acima do que eu esperava. Tem 14,5% e dá pra sentir realmente. Mas é um vinho que tem uma boa acidez, o que ajuda na degustação, principalmente se acompanhado de uma boa carne, por exemplo.
Como todo bom vinho top ou vinho ícone, esse custa caro. Quem importa é a Vinci Vinhos e ele custa em torno de R$ 300,00. Se você gosta de vinhos chilenos, com certeza é uma boa pedida. Mas lembre-se que vem com o aroma de goiabada junto!
Esse é o vinho top da Vinícola Ruca Malén, que fica em Mendoza, Argentina. O nome Don Raul vem em homenagem a Raul De la Mota, um famoso e muito talentoso enólogo argentino que era amigo da família. Quando “Don” Raul faleceu, o pessoal da Ruca Malén pediu para a família De la Mota que autorizasse a homenagem. É claro que aceitaram.
Esse é produzido com 60% de Malbec (de Vista Flores), 30% de Cabernet Sauvignon (Vista Flores) e 10% de Petit Verdot (Lujan de Cuyo). Cada uva vinda de um vinhedo diferente para se juntar e formar o vinho Don Raul, que é um vinho bem estruturado e com bom potencial de guarda.
Pelo que pude perceber no dia, o vinho ficou em decanter por um bom tempo antes de ser servido, o que mostrou que é um vinho bem potente, pois quando veio a taça, os aromas estavam muito presentes. Tem bastante aroma de fruta vermelha e negra, misturado com os aromas mais evoluídos como caramelo e chocolate. Gostei também da força dos taninos. Estavam bem vivos, tornando o vinho bem gastronômico.
É um belo vinho. Se você tiver oportunidade de provar, veja se consegue deixar um tempo aerando antes de beber, pois pode ser que ele fique melhor. Se não conseguir, pelo menos beba devagar, aproveitando.
Estive em uma degustação com o pessoal da Mistral e pude conhecer os vinhos da Castello del Terriccio, uma vinícola da Toscana – Itália.
Tive também a oportunidade de conhecer as gerentes de exportação, com quem conversamos e gravamos uma entrevista, que pode ser vista aqui – Os vinhos da Castello del Terriccio. No vídeo podem ver que a gente perguntou sobre algumas questões que foram faladas lá, como a proibição de se usar Mouvedre (ou algumas outras variedades) dentro da denominação de origem que eles estão inseridos. Na prática, significa que se eles usarem essa uva para produzir algum vinho, ele não vem com a indicação de procedência e – teoricamente – não teriam tanta qualidade.
Só teoricamente, porque como eu pude comprovar nesse vinho, eles têm coisas fantásticas por lá. Fiquei impressionado com a qualidade desse vinho, que tem Syrah e Petit Verdot em sua composição.
O vinho é muito elegante. Apresentou aromas de frutas negras e vermelhas, contrastando com um toque verde, de um herbáceo muito agradável. Aromas de madeira estavam muito bem integrados ao vinho.
Na boca foi ainda melhor. É daqueles vinhos que você bebe e fica lembrando dele, só esperando o próximo gole. Apesar de ser 2004, mostrou que ainda tem muito tempo pela frente. Se quiser comprar para guardar, pode fazer isso tranquilamente que não vai ter problemas.
Não é um vinho barato (custa mais de R$ 300,00) mas sem dúvida é um grande vinho. É daqueles – pelo menos pra mim – pra se beber lentamente, acompanhando uma boa comida e apreciando cada gole. Vale a pena.
Esse é o vinho ícone da bodega Pérez Cruz, que fica no Chile, mais precisamente no Maipo Alto (bem perto de Santiago, a uns 45 km de distância).
A bodega é famosa e produz vinhos aclamados pela crítica. Pude provar a linha toda que está no Brasil e esse foi um dos que me impressionou pela sua classe e elegância. É um corte de Petit Verdot, Carmenere e Cot (também conhecida como a boa e velha Malbec) que foi muito bem balanceado pelo enólogo para produzir um vinho longevo e que lembra o estilo de Bordeaux.
Apesar de já ter 5 anos de vida, é um vinho muito jovem ainda. No nariz apresentou aromas muito vivos de frutas vermelhas mesclados com os aromas vindos das barricas, onde fica por 14 meses antes de ser engarrafado. Desse processo de envelhecimento surgem aromas de chocolate, tabaco e um toque mentolado. Não senti aquele aroma típico de goiaba, que eventualmente encontramos nos vinhos chilenos. Ficamos com o vinho aberto por pouco tempo, mas acredito que se decantado por algumas horas antes de beber, ele vai soltar ainda mais aromas.
Em boca é muito macio e sedoso e realmente parece um vinho do velho mundo. Apesar de ser jovem (e potente) é possível beber agora. Eu só gostaria de saber como esse vinho estará daqui alguns anos. Com certeza ganhará ainda mais complexidade. E se você tiver paciência, não hesite em guardá-lo por uns 5 anos ou mais. Ele com certeza aguentará e retribuirá.
O Uruguai é um país pequeno e tem uma produção de vinhos que podemos dizer que é bem proporcional ao seu tamanho. E essa é uma das razões para não encontrarmos tão facilmente vinhos daquele país por aqui. Mesmo estando próximos geograficamente, muitos não tem nem quantidade para exportar.
Mas não é o caso da Família Deicas, que faz parte do Estabelecimento Juanicó. Seus vinhos são enviados ao Brasil e com freqüência encontramos até em supermercados.
Esse em específico eu nunca vi, até por tratar-se de um vinho mais top. Aliás, foi comprado no Uruguai mesmo, então não sei nem dar o valor que estaria por aqui, mas os da linha mais básica são mais comuns em terras brasileiras.
O Preludio é um vinho que é formado da mescla de Cabernet Sauvignon (40%), Cabernet Franc (24%), Merlot (20%), Petit Verdot (12%) e Malbec (2%), proveniente de centenas de tanques que vão sendo provados e escolhidos durante o tempo de fermentação para que a melhor combinação seja feita. Os tanques vão sendo “excluídos” e vão ficando os melhores para a produção do vinho.
E realmente a sua qualidade é alta e parece que tiveram bastante cuidado ao fazer. Com uma coloração rubi muito intensa, o vinho apresentou-se com aromas de frutas negras com um bom toque defumado.
Em boca mostrou-se ainda jovem, com taninos bem presentes, ressecando a boca e pedindo ao mesmo tempo uma boa comida, de preferência gordurosa (não é à toa que dizem que os vinhos uruguaios vão bem com um bom churrasco). Em seu final eu senti uma pontinha de amargor, mas nada comprometedor, ou pelo menos que não saísse na companhia da comida.
Se você gosta de vinhos encorpados e bastante tânicos, esse vai satisfazer suas vontades. Mas não deixe de ter algo para comer junto…