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Batasiolo é Barbaresco, Barolo e algumas coisas mais

Batasiolo é Barbaresco, Barolo e algumas coisas mais

Batasiolo é um grande nome quando se fala em Barolo e Barbaresco. Mas quando eu digo que é um grande nome, não é só aqui no Brasil. É no mundo inteiro. Para se ter uma idéia, eles possuem 124 hectares  de vinhedos e são os maiores proprietários privados de vinhedos do Langhe (região italiana que engloba Barolo e Barbaresco). É muita coisa, quando se fala de Itália, que é um país pequeno e que tem muitos produtores. O comum é encontrar produtor que tem 2 ou 3 hectares, mas não mais do que isso.

E para comprovar a qualidade de seus vinhos, provei alguns (abaixo). Todos tinham muita qualidade, mas conto logo pra vocês qual foi o que eu mais gostei e me impressionei.

Pinot Chardonnay Spumante Brut
Feito através do método Charmat longo, tem 60% Pinot Bianco e 40% Chardonnay. É um espumante leve e fácil de beber, com bastante fruta, boa acidez e um leve adocicado na boca.

Roero Arneis DOCG 2008
Roero é uma região que está fora de Langhe, mas a uva Arneis é autóctone do Piemonte. é um dos vinhos mais jovens que eles têm. A Arneis sempre foi vinificada junto com o Moscato e era usada pra fazer um corte, para deixar o moscato um pouco mais leve. Decidiram então mudar e fazer só de Arneis, o que, na minha opinião, foi uma decisão muito boa, porque o vinho é bem interessante.
Tem um toque de marrom glacê, fruta branca, leve vegetal, mineral. É um branco bBem diferente, que pode lembrar (de longe) o  Chardonnay. Boca com acidez na medida, final médio e marcante.

Barbeara d’Alba DOC Sovrana 2007
Sovrana significa rainha, soberana e não é o nome do vinhedo. É só um nome que decidiram colocar no vinho. Tem um primeiro ataque lembrando muita fruta doce, cereja, chocolate, potente na boca, boa acidez. Depois ele vai se abrindo e tornando-se mais austero, com toques de madeira seca. Bem intenso e com um bom final, sem amargor.

Barbaresco DOCG 2006 *
Pra mim foi o melhor de toda a prova. Adorei esse Barbaresco, que tem potência e elegância. Esse passa 12 meses em barrica e 12 meses em garrafa.
Tem uma cor já evoluída, alaranjada. No nariz sentimos muitas frutas passas, chocolate, leve toque de fumo. Muito potente na boca, com tanino muito presente, final persistente e muito agradável. Esse tem ainda um benefício a mais: custa 130 reais. Um excelente preço para um vinho de ótima qualidade.

Barolo DOCG Vigneto Boscareto 2004
É um Barolo que tem grande capacidade de envelhecimento. Com cor alaranjada típica, tem toques de anis, fruta seca. É mais  forte em boca do que o barbaresco e também mais presente. Tem tanino forte e muito presente e com certeza precisa de uma boa comida.

Barolo DOCG Vigneto Corda Della Briccolina 2004
Vinhedo muito pequeno. Produz só 9.000 garrafas. É um dos tops da vinícola. Um grande Barolo, com  muita fruta seca bem marcada, o vinho mostrou-se com os aromas fechados no começo e precisou de um bom tempo para liberar mais coisas pra gente. Depois surgiram aromas de baunilha e especiarias de leve. Tanino presente e final muito marcado.

Para quem já gosta dos vinhos do Piemonte, não é preciso dizer muita coisa, mas para quem quer entrar nesse maravilhoso mundo, a Batasiolo é uma boa marca para se buscar. São vinhos de ótima qualidade e didáticos, ou seja, expressam bem o caráter das uvas e da forma de se produzir na região.

Os vinhos da Batasiolo são importados pela MaxBrands no Brasil.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2004, 2006, 2007, 2008, Arneis, Barbera, Chardonnay, Itália, Nebbiolo1 Comment

Barolo Cannubi 2005

Barolo Cannubi 2005

Lembro-me quando provei um Barolo pela primeira vez (e não faz muito tempo). Sabe aqueles vinhos que você toma uma porrada e quando se recupera, quer “apanhar” mais? Barolo é assim! Desperta paixões e cria fans no mundo inteiro.

Barolo é um vinho feito na região de mesmo nome e que tem que ser produzido com Nebbiolo, uma uva que tem uma cor até clarinha, tendendo para o alaranjado, mas que quando você bebe, sente que não tem nada de levinho.

E o Barolo Cannubi 2005 é exatamente assim: na taça ele parece até mais fraquinho, mas no nariz e na boca são verdadeiras explosões de aromas e sabores, trazendo uma verdadeira sensação de prazer. Frutas vermelhas junto com amêndoas, flores, toques de couro, tudo junto e ao mesmo tempo. Uma loucura que dá vontade de ficar cheirando a taça o tempo todo.

Provei esse vinho com o pessoal da Abflug, que são os importadores. Como toda prova “técnica”, não tinha comida na jogada, mas é um vinho que precisa de uma boa comida pra acompanhar. Provei também outros vinhos do mesmo produtor, o Cascina Adelaide, que me pareceram muito bons. Não são vinhos baratos (esse barolo custa em torno de 400 reais), mas que com certeza tem qualidade de sobra.

Um dos pratos mais conhecidos é o Brasato ao Barolo, que é uma carne cozida lentamente (ou em panela de pressão) que tem como parte do molho uma garrafa de Barolo. Se você não tiver coragem de colocar uma garrafa de barolo dentro da comida, faça com outro vinho e prove com o barolo. Com certeza, inesquecível.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2005, Itália, Nebbiolo1 Comment

Lidio Carraro Coletânea 2009

Lidio Carraro Coletânea 2009

A Lidio Carraro escolheu bem o nome desse vinho, pois ele reflete exatamente o seu intuito. É uma coletânea de uvas: Merlot, Tempranillo, Teroldego, Cabernet Franc, Tannat e Nebbiolo. Seis uvas bastante distintas, combinadas em um corte que pelo menos pra mim, é inédito.

E como já comentei aqui, acho que eles fazem muito bem seus vinhos. Com uma filosofia de não utilizar madeira (barris de carvalho ou algo similar) para buscar a essência do vinho, o pessoal da Lidio Carraro vem conquistando fans no Brasil e no mundo. Frequentemente vejo notícias deles contando que estão em mais algum país com seus vinhos sendo exportados. Sinal de qualidade!

E o Coletânea reflete essa qualidade. É um vinho intenso, que me parece estar ainda um pouco jovem, mas talvez pela sua composição de várias uvas tenha adquirido algumas características que permitem que a gente beba agora, sem ter que esperar alguns anos para poder provar o vinho na sua “melhor forma”. Algo difícil de se conseguir e que eu já vi alguns produtores falando que os vinhos de corte (mais de uma uva) são bons por conta disso também, pois trazem o melhor de cada uma delas.

O vinho tem um bouquet interessante, que começa com frutas negras adocicadas, passa por um toque achocolatado, balsâmico e até medicinal. E depois de um tempo aberto ele vai mudando bastante. É realmente uma grande quantidade de aromas aparecendo. E o mais legal é que eles aparecem de forma bem clara, facilitando a identificação.

Na boca tem bastante tanino que me pareceu um pouco jovem, mas que eu acho que vai ficar bem interessante daqui algum tempo (talvez uns 2 anos).

Esse lançamento da Lidio Carraro chegou pra mim através da Sociedade da Mesa, o clube de vinhos que eu sou associado. Ao que me parece, ainda não está sendo comercializado, mas quando chegar ao mercado, vale a pena provar. Como eu tenho duas garrafas, vou guardar uma delas para o futuro, para ver como vai ficar.

Lidio Carraro, mais uma vez estão de parabéns.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2009, Brasil, Cabernet Franc, Merlot, Nebbiolo, Tannat, Tempranillo, Teroldego3 Comments

Livio Pavese Barbaresco 2005

Livio Pavese Barbaresco 2005

Os vinhos denominados Barbaresco são produzidos no sudeste do Piemonte, com a uva Nebbiolo, que é a mesma utilizada no seu “vizinho”, Barolo.

Os Barbarescos são em geral considerados um pouco mais “leves” que os Barolos. Talvez seja pela sua posição em relação às colinas, mas independente de qualquer geografia, o que importa mesmo é que os vinhos de lá são excelentes.

E o Livio Pavese Barbaresco 2005 é um bom exemplar da região. Produzido 100% com a uva Nebbiolo, apresenta uma coloração granada, típica dos vinhos de lá.

No nariz traz aromas complexos de frutas secas, leve toque defumado, madeira seca e herbáceos. Tudo muito bem integrado, que não deixou nem o leve teor extra de álcool no nariz incomodar.

Em boca tem muita maciez, mas também uma boa força. É um vinho que melhora muito com a comida e foi muito bem com uma vitela, que é muito bem preparada no restaurante Rascal, em São Paulo.

Esse vinho foi provado para “comparar” com um outro Nebbiolo, o da Lídio Carraro. Estava com meu amigo Beto Duarte provando o Singular (da Lidio), que achamos muito bom e com muita tipicidade. Não resistimos à tentação de pedir um barbaresco para tirar a prova.

O Singular, da Lidio Carraro tem toda a tipicidade esperada de um Nebbiolo, mas dessa vez temos que dar o ponto para o Livio Pavese, pois além de me parecer um pouco mais complexo no nariz, é um vinho que apesar de todos os seus impostos de importação, nos chegou a R$ 120,00, no restaurante.

Dessa vez, temos que dar o braço a torcer. Os italianos nos venceram em todos os quesitos, e principalmente no preço.

Abraços

Daniel Perches

Posted in 2005, Itália, Nebbiolo2 Comments

Lidio Carraro Singular Nebbiolo 2006

Lidio Carraro Singular Nebbiolo 2006

Como já comentei aqui algumas vezes, gosto bastante dos vinhos produzidos pela vinícola Lídio Carraro. São vinhos que expressam seu caráter através de um cuidado muito especial de seus produtores, desde o plantio até a produção final.

Eu já tinha provado vários dos produtos vinícola, mas o Nebbiolo eu ainda não tinha conseguido provar com calma. Digo “com calma” pois pude prová-lo na ExpoVinis desse ano, mas as condições não eram as melhores. Estande cheio, muito barulho, pouco tempo para conversar sobre o vinho… Enfim, valeu para saber que eu deveria provar com mais calma.

E foi assim que eu e o meu amigo Beto Duarte decidimos então abrir uma garrafa desse belo vinho, para degustar mais tranquilamente.

O lugar escolhido foi o Restaurante Ráscal, no Itaim (em São Paulo). Um belíssimo restaurante que tem como Sommelier o Anderson, um rapaz muito atencioso e educado. É um lugar que vale a pena conhecer.

Mas hoje falaremos do vinho (sobre o Rascal eu posso contar outro dia). O Lidio Carraro Singular Nebbiolo é um vinho que, como todos os outros da vinícola, não passa por madeira para afinamento. É produzido em tanques de aço e imediatamente engarrafado.

Lidio Carraro Singular Nebbiolo 2006Em taça mostrou uma coloração típica dos nebbiolos, granada, com reflexos alaranjados. Translúcido.

No nariz apresentou ótimos aromas, nos remetendo a frutas secas, um leve terroso e algum toque defumado. Posteriormente evoluiu para toques mais licorosos, mas sempre mantendo a sua característica inicial.

Em boca é macio, apesar de seus taninos estarem ainda jovens. É sem dúvida um vinho para envelhecer mais uns 5 anos talvez, antes de chegar à sua plenitude. Mas mesmo com esses taninos mostrando toda a sua força, seu final é equilibrado e longo.

É um belíssimo vinho, que se equipara a bons barolos e barbarescos (que são vinhos italianos feitos com a mesma uva).

O único ponto negativo é o preço, que chega na casa dos 180 reais. Infelizmente, pelo menos pra mim, não é um vinho que dá pra se beber frequentemente. Mas se ele fosse mais barato, com certeza habitaria constantemente a minha adega.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, Brasil, Nebbiolo2 Comments

Barolo Monvigliero 1999

Barolo Monvigliero 1999

Esse foi mais um dos vinhos que foram degustados em uma tarde com amigos, quando decidimos provar alguns bons italianos. Depois de ter um Prosecco de entrada, partimos logo para esse Barolo. Como tínhamos outros vinhos mais fortes pra depois, decidimos já bebê-lo de início, assim poderíamos saboreá-lo melhor.

Ele já estava com uma coloração atijolada e com um grande halo de evolução, denotando a sua idade, mas de forma alguma, declínio.

No nariz, um ótimo bouquet que passou por frutas passas, especiarias e um bom torrado. O vinho ficou decantando por algum tempo e entre ser aberto e terminarmos com ele, passaram-se mais de duas horas. Até o final, o vinho mostrou-se bastante vivo.

Em boca, bastante acidez e até um pouco de tanicidade,mostrando que os seus 11 anos de vida não representavam o seu auge. Como é de se esperar de um bom barolo, esse vinho tem um potencial de guarda de vários anos. Não é raro ver notícias de barolos com 40 anos de idade sendo abertos e mostrando-se em perfeito estado.

Esse é um excelente vinho, que sem dúvida ficou melhor ainda na companhia de bons amigos. Tanto o vinho quanto o almoço deixaram saudades. Se puder comprar um desses e esperar, com certeza ele ficará ainda melhor. O difícil é deixar guardado.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 1999, Itália, Nebbiolo0 Comments

Barbaresco Giuseppe Cortese Rabaja’ Riserva 2001

Barbaresco Giuseppe Cortese Rabaja’ Riserva 2001

Esse grande vinho foi um brinde do nosso amigo Beto Duarte (Papo de Vinho). Ele conheceu o produtor e trouxe-o para o Brasil. Veio o Barbaresco “normal”, mas não o Riserva. Acho que o importador não estava num dia muito inspirado quando não quis esse vinho, pois ele é simplesmente fantástico.

Produzido na região de Barbaresco e em sua totalidade com a uva Nebiollo, esbanja classe, robustez e uma longa vida pela frente. São plantados só 4 hectares na zona de Rabaja’, originando 6 mil garrafas. Passa 30 meses em carvalhos franceses e eslovenos e depois ainda fica 3 anos em garrafa, antes de ser comercializado. Em taça, mostrou uma coloração granada. Suas lágrimas são muito lentas e grossas, com muita elegância.

No nariz, um painel de aromas de se encantar. Inicialmente, um herbáceo lembrando bosque úmido, passando por frutas passas ou em compota, sendo complementado por aromas terciários de couro, estrebaria, charuto e um toque de mentol no final. Um bouquet completo.

Em boca é macio, mas percebe-se que os seus taninos ainda estão amadurecendo, mostrando novamente a longevidade desse vinho. Seu final é longo e persistente.

É um clássico Barbaresco, que prima pela sua elegância. Merece ser guardado por muitos e muitos anos e aberto em ocasiões especiais, quando for possível apreciar o vinho com calma e tranqüilidade.

Importante comentar que esse só é engarrafado em anos especiais. Uma raridade.

Como não é trazido para o Brasil, não é possível saber o preço, mas acreditamos que gire em torno de 600 reais.

Obrigado, Beto, por compartilhar essa jóia conosco. E parabéns ao produtor, Giuseppe Cortese, pela belíssima obra. Pra saber mais sobre esse e outros vinhos do Giuseppe, veja o site aqui.

Um abraço

Daniel Perches

rabaja_riserva

Posted in 2001, Itália, Nebbiolo0 Comments


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