Valência, na Espanha, recebe milhares de turistas durante o ano. O pessoal vai em busca de festa, boa comida e claro, bons vinhos. E o Murviedro é feito por lá, com a predominância da Tempranillo, mas com um corte que ajuda a amaciar o vinho.
(e desculpem o corte brusco no final do vídeo)
Em meio às minhas andanças na França, no começo desse ano, eu entrei em supermercado pra comprar alguns queijos. Inevitavelmente, fui dar uma olhada nas prateleiras de vinhos (que são um espetáculo à parte) e foi aí que me deparei com o Domaine El Bordj Coteaux de Mascara 2008, um vinho produzido na Argélia. Era um país que eu tenho que confessar que nem sabia que tinha vinhos.
Como bom curioso, não tive dúvidas e comprei o vinho. Queria trazer mais, mas como estava ainda no começo da viagem e sabia que a quantidade de garrafas aumentaria a cada dia, eu tive que me conter e trazer somente duas. Aliás, um grande risco, porque eu não tinha a menor idéia se era um bom vinho ou não.
E pra não me enganar sozinho, levei esse vinho para uma degustação na Vino&Sapore. No dia seriam degustadas várias safras do renomado Marques de Casa Concha, da Concha Y Toro e eu esperei terminar tudo para apresentar o vinho (às cegas) para o pessoal que estava lá.
E não é que o vinho não decepcionou? Produzido com as uvas Grenache, Cinsault, Mourvèdre, Morastel, Cabernet Sauvignon, Syrah e Alicante Bouschet, tem nessa mistura outro ponto interessante. Nunca vi essas uvas todas juntas em um vinho.
Bem, o fato é que o vinho é bom, com aromas de frutas vermelhas e um forte toque mineral. Na boca foi bem, com boa acidez e um final que eu achei curto, mas dando o desconto pelo inusitado, até que me agradou.
Essa é uma das belezas do mundo do vinho: poder encontrar vinhos completamente diferentes de tudo o que já provou, seja pela procedência, pelas uvas ou pelos aromas e sabor.
Em mais um de nossos (já) regulares encontros dos enoblogueiros com alguns produtores/importadores, tivemos a oportunidade de conhecer a Pago Casa Gran, uma vinícola que situa-se em Valência, na Espanha.
Fomos recebidos pelo Sr. Pedro, representante da vinícola (que ainda não tem importador definido no Brasil), que nos contou um pouco da história e nos apresentou 4 vinhos da casa.
A Pago Casa Gran tem uma longa tradição em cultivo de uvas, porém só recentemente que decidiu produzir seus próprios vinhos. Decisão acertada, pois estão conseguindo bons resultados, como pudemos perceber – e que eu comento abaixo.
Casa Benasal Blanco 2008 O único branco produzido na vinícola, tem um corte inusitado: Gewurztraminer (60%) com Moscatel (40%). Duas variedades muito aromáticas e características.
O vinho apresentou uma gama muito grande aromas florais e de frutas brancas bem jovens. Inicialmente a Moscatel tomou conta da taça, mas com o passar do tempo, foi se balanceando com os aromas da Gewurztraminer. Um vinho muito interessante e que é uma boa pedida para se beber sozinho ou então acompanhando saladas leves. Ótimo para o verão.
Reposo 2006 Apesar de seus 4 anos de vida, o Reposo mostrou-se como uma criança. Muita potência, vivacidade (inclusive na coloração) e força. Taninos ainda um pouco verdes e acidez um pouco alta, mas com certeza vai evoluir com o tempo. Interessante é que esse vinho não passa por barricas para afinamento. É um corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Monastrell. Sugiro beber acompanhando comida e de preferência que tenha boa acidez (molhos vermelhos, por exemplo).
Falcata Casa Gran 2006 Esse já passa por barricas francesas por 12 meses antes de ir para a garrafa. Seus aromas ainda estão um pouco “tímidos”, mas abrem-se com o tempo. Corte de Syrah (30%), Garnacha Tintoreira (30%), Monastrell (30%) e Cabernet Sauvignon (10%). Merece aeração de 1 hora para que possa mostrar melhor seu potencial.
Falcata Arenal 2006 Esse é o vinho top da vinícola, composto por Garnacha Tintoreira (70%) e Monastrell (30%). Passa 14 meses em barrica antes de ser engarrafado. Vinho bastante equilibrado, com aromas fortes de frutas vermelhas e leve toque terroso. Tem aromas mais abertos do que o Falcata Casa Gran. Em boca, retrogosto de madeira e de especiarias. Acredito que seus taninos ainda evoluirão mais, tornando-se ainda mais redondo.
Os preços dos vinhos não foram citados, pois ainda não há um acerto com nenhum importador (pelo menos não até a data dessa matéria). Mais informações sobre a vinícola você encontra no site aqui.
Mais uma degustação muito bem conduzida e, como sempre, com uma bela recepção pelo nosso amigo Marcelo di Morais, lá do Empório Vila Buarque.