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Afincado Malbec 2007 – tingindo a taça

Afincado Malbec 2007 – tingindo a taça

Essa dica é para quem gosta daqueles vinhos que pintam a taça de tão intensos que são. O Afincado é um dos vinhos da vinícola Terrazas de los Andes, que fica em Mendoza, na Argentina.

A vinícola é bem pequena e muito aconchegante. Estive lá (confira o post sobre a Terrazas de los Andes e o post sobre os vinhos deles) e gostei muito do que vi e provei. Aliás, continuo achando que o Cheval des Andes, o vinho Top deles, é um dos melhores da Argentina. Bem, pelo menos dos que eu provei, foi o que eu mais gostei.

Mas hoje falamos do Afincado, que é um vinho feito 100% com Malbec de um único terroir. É um vinho intenso em todos os sentidos. Os aromas são muito fortes e claros, lembrando frutas vermelhas, ameixa, leve toque floral, baunilha e chocolate. Na boca tem um corpo bem forte, pesado, mas com taninos macios.

Eu não acho fácil harmonizar comida com o Afincado. Como ele é muito potente e tem muito tanino, ele passa por cima das carnes facilmente. É preciso ter uma carne fibrosa e até com gordura (entremeada de preferência) para poder segurar um pouco. Pra falar a verdade, até hoje eu não consegui uma harmonização perfeita. Já provei com carnes com cortes argentinos, com um medalhão bem temperado, com risoto de funghi e até agora nada. Quero um dia testar com queijos amarelos mais maduros, pra ver como fica.

Mas independente da harmonização ser perfeita, é um belo vinho que merece atenção e até ser bebido com calma, deixando ele aerar um pouco para evoluir um pouquinho. Faça o teste e depois me diga.

Um abraço

Daniel Perches

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[Vinícolas da Argentina] Clos de Chacras

[Vinícolas da Argentina] Clos de Chacras

Essa foi mais uma das novas vinícolas que conheci em minha viagem à Mendoza (que começou  na Patagônia), no final de 2011. Era uma que eu tenho que confessar que nem tinha provado os vinhos aqui no Brasil, o que foi bom, pois assim pude conhecer os vinhos e a vinícola de uma só vez.

A Clos de Chacras fica em Mendoza, mais precisamente em Chacras de Coria, daí seu nome. Por lá eles produzem só vinhos tintos, que saem de vinhedos bem antigos e que resultam em produtos bem trabalhados, com muita qualidade e potencial de envelhecimento.

Achei interessante a forma de apresentar os vinhos que eles têm por lá. São 3 linhas de vinhos para 3 públicos distintos: uma para os iniciantes, uma para os que já conhecem algo e uma para os conhecedores. Sinceramente eu duvido que alguém fique em só uma linha, mas de qualquer forma, é uma abordagem diferente. Eu provei as 3 e gostei bastante. Veja alguns que eu conheci por lá e recomendo.

Cavas de Crianza Cabernet Sauvignon 2008 – Esse é para os “iniciantes”. É um vinho que ainda estava um pouco fechado, mas depois, com algum tempo, foi se abrindo com aromas bem marcados. Fácil de beber, com um corpo médio, o que ajuda a harmonizar com vários tipos de comida.

Clos de Chacras Malbec 2008 – esse é da linha intermediária e é um vinho bem equilibrado, bem redondo e com toques de flores, frutas e até um pouco de medicinal.

Clos de Chacras Cabernet Sauvignon 2008 – foi um dos que eu mais gostei. Equilibrado, fácil de beber e com aromas bem definidos de frutas vermelhas e toques de pimenta e pimentão.

Gran Estirpe Blend 2005 é um corte para os “entendendores” (segundo eles). Vai 50% Malbec, 30% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot. É muito potente e acho que pode ser guardado por um bom tempo. tem muito tanino e acidez bem alta. Pra quem gosta dos “porradões”, esse é uma boa pedida.

Gran Estirpe 2007 é também um grande vinho, que eu achei até mais interessante que o 2005. Apesar de mais jovem, tinha mais complexidade e era muito mais vivo, sempre convidando para o próximo gole. Feito com as mesmas uvas do Gran Estirpe 2005, esse tem leve toque mentolado, fundo de morango, taninos bem macios, final longo.

Os vinhos da Clos de Chacras são importados pela Mercovino no Brasil.

Se estiver por Mendoza, vale a pena visitar a Clos de Chacras, mas vale muito a pena também ficar um tempo em Chacras de Coria. Lá é uma espécie de centro Gourmet, com muitos restaurantes e uma pracinha muito simpática, rodeada de bares que às noites ficam cheios de gente animada e bonita. Dá pra dormir por lá (eu fiquei na Posada El Encuentro e recomendo).

Depois me conte se não foi uma bela experiência.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2005, 2007, 2008, Argentina, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot0 Comments

Casa Donoso Clos Centenaire 2008

Casa Donoso Clos Centenaire 2008

Eu estava com esse vinho na minha adega para ser provado já há algum tempo. Sempre deixava para uma outra oportunidade e esse dia nunca chegava. Até que um dia eu tinha comprado um Malbec Argentino (no supermercado) para beber no almoço. Abri o tal Malbec e quase caí pra trás. Era muito ruim! Uma decepção total.

Ficar sem vinho não era uma opção, então voltei para a minha adega para encontrar algo para acompanhar a carne que eu tinha preparado e me deparei de novo com o Clos Centenaire 2008. É, era a vez dele.

Produzido no Vale do Maule, no Chile, pela Casa Donoso, é um dos vinhos da linha Premium deles. Esse é feito com 40% Cabernet Sauvignon, 30% Malbec, 20% Carménère e 10% Cabernet Franc. Uma boa mescla de frutas que deu um bom vinho.

Eu tinha a impressão que eu encontraria só aquele aroma de “goiaba madura” que é tão característico do Chile, mas me enganei. Esse tem sim aromas de frutas vermelhas adocicadas, mas vem acompanhado de um toque mais evoluído, com tabaco e cedro. Depois de um tempo aberto, ele mostrou também toques de chocolate.

É daqueles vinhos macios e sedosos, que tem taninos bem reodondos. Eu tinha em mente beber um vinho com um pouco mais de acidez, mas tudo bem. Deu certo com a carne grelhada sem grandes problemas.

Já provei outros vinhos da Casa Donoso e gostei bastante. O que eu mais gostei foi o “D”, que é o vinho ícone deles. É muito potente e marcante e vale a pena conhecer.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Malbec1 Comment

[Vinícolas do Uruguai] Pizzorno

[Vinícolas do Uruguai] Pizzorno

Se você pretende visitar o Uruguai e conhecer as vinícolas de lá, um lugar que não pode faltar é a Pizzorno. E são dois motivos para você ir lá: os vinhos e o Carlos Pizzorno. Eu explico os dois:

Os vinhos são realmente muito bons. Já conhecia alguns que provei aqui no Brasil, mas indo lá (tem que agendar antes) você vai poder conhecer um pouco mais, conversar com o pessoal e entender melhor porque cada um dos vinhos foi feito daquela forma. Uma característica muito legal do Uruguai é essa diversidade. Cada bodegueiro tem uma idéia diferente e faz algo “especial”, e a Pizzorno não foge à regra.

A segunda razão é conversar com o Carlos Pizzorno. Pense num cara alegre, brincalhão, de bem com a vida e sempre disposto a te explicar, te dar alguma informação sobre os vinhos. Pense também num cara realmente apaixonado pelo que faz. Esse é o Carlos. Se você tiver sorte de encontrá-lo por lá e ele for lhe mostrar a vinícola, verá como ele fala daquilo com intensidade, vibração, alegria. E se você estiver animado, tenho certeza que vai passar horas lá conversando e dando risadas com ele, sem perceber o tempo passar. Foi o que aconteceu comigo. Acho que ficamos umas 4 horas (entre almoço, visita à bodega e degustação) e pareceram 10 minutos.

E se você quer algumas dicas de vinhos de lá, vou contar sobre os que eu provei e achei interessantes:

Pizzorno Sauvignon Blanc Reserva  2011
Esse vinho tem 30% do seu mosto fermentado em carvalho. Queriam algo diferente, fugindo do tradicional. O resultado é muito bom, com toques de frutas (pomelo) e floral bem marcado. A barrica deu um pouco mais de corpo mas manteve a boa acidez.
R$65 (média)

Pizzorno Brut Reserva
Espumante feito com Chardonnay e Pinot Noir. Passou 2 anos em autólise (contato com as borras).
Dourado, perlage muito boa. Aromas terçiários, brioche, fermento, fruta.
Não esta no Brasil.

Dom Próspero Tannat-Malbec 2009
Nesse vinho o Malbec passa por carvalho e o Tannat não. Cor intensa, aromas doces, redondo, taninos bem macios. Toque que lembra os balsâmicos. É o único no Uruguai que faz esse corte.
R$ 40 (média)

Don Prospero Cabernet Sauvignon 2008
Esse passa 8meses em barrica para afinamento. Toque herbáceo, boa boca e taninos muito redondos. Fácil de beber. Um vinho muito bom para o dia a dia.

Se quiser conhecer mais, acesse o site da Pizzorno. Os vinhos deles são vendidos no Brasil pela GrandCru.

E se for pra lá, não perca a chance. Tenho certeza que não vai se arrepender.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, 2009, 2011, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Malbec, Tannat, Uruguai1 Comment

Lidio Carraro Elos Cabernet Sauvignon / Malbec 2008

Lidio Carraro Elos Cabernet Sauvignon / Malbec 2008

Safra nova do Elos Cabernet Sauvignon / Malbec 2008. Vamos provar (e veja também o Elos Cabernet Sauvignon / Malbec 2007).

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Mendel Finca Remota – de 2006 a 2009

Mendel Finca Remota – de 2006 a 2009

Sabe quando o pai fala sobre seus filhos e você vê perfeitamente aquele amor saindo de dentro dele? Pois é isso que eu vejo quando converso com um enólogo e ele começa a contar sobre seus vinhos. E foi assim também que aconteceu quando o grande Roberto de la Mota veio ao Brasil para apresentar seus vinhos. Roberto está à frente da Mendel, que fica em Mendoza, na Argentina. Já participei de outra degustação veritical dos vinhos dele e gostei bastante (ver o post aqui).

E dessa vez eu tive a grande oportunidade de participar de outra vertical, dessa vez dos vinhos Finca Remota, que são os tops da vinícola. Provei o 2006, o 2007, o 2008 e o 2009 (que ainda nem está sendo comercializado). Sem dúvida é um privilégio poder participar de um evento com um enólogo que sabe tanto e que pode passar pra gente a emoção da elaboração dos vinhos.

Roberto esteve em São Paulo a convite da Expand e falou sobre todas as safras, que eu comento rapidamente aqui.

Finca Remota 2006 – Foi a primeira safra desse vinho e de todas, foi a que eu mais gostei. Infelizmente não tem mais para vender. Tem uma cor violeta muito presente, começou com aromas fechados (não aparecendo muito), mas depois se abriu para frutas vermelhas e um toque de evolução bem interessante. Mostrou bastante acidez, o que demonstra que daria para guardar ainda muito tempo esse vinho.

Finca Remota 2007 – Também tinha bastante acidez e toque de frutas maduras (cereja, amora). Tinha um pouco menos de aromas na taça.

Finca Remota 2008 – Segundo de la Mota, foi um ano muito particular, mais frio que 2007. Aromas de amora verde me vieram logo à cabeça, lembrando quando eu pegava esses frutos direto do pé da chácara da minha família (bons tempos). Taninos muito presentes e ainda um pouco verdes o que denota que o vinho ainda precisa evoluir e pode ser guardado. O final apresentou um pouquinho de álcool sobrando. Se tiver um desses aí, recomendo decantar um pouco.

Finca Remota 2009 – Uma porrada. Mais adocicado que os outros e ainda muito jovem, mas para quem gosta de Malbecs potentes, vai se deliciar com esse. Não sei quando virá para o mercado ainda.

Meus dois preferidos foram os das pontas: 2006 pela sua complexidade e o 2009 pela sua potência.

Os vinhos Finca Remota custam R$ 248,00 na Expand.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, 2007, 2008, 2009, Argentina, Malbec0 Comments

Bodega Trivento é parada obrigatória em Mendoza

Bodega Trivento é parada obrigatória em Mendoza

Escrevo esse post diretamente de Mendoza, onde estou pela segunda vez. Vim pra cá em 2010 para fazer uma visita a algumas bodegas e gravar um especial para o “Na Estrada do Vinho”. Dessa vez a missão é outra, mas tive tempo de ir à Trivento, que é uma vinícola gigante daqui e que eu não tinha tido oportunidade de conhecer.

Agora que eu conheci, posso recomendar: sugiro que seja parada obrigatória para quem vier conhecer a região. De propriedade da Concha y Toro e situada em Maipú (distante uma meia hora do centro de Mendoza), a vinícola recém-inaugurou o seu espaço para o enoturismo. Estão agora devidamente preparados para nos receber. E recebem muito bem!

A bodega conta com 1200 hecaters de vinhedos, localizados em diversas regiões. É muita terra! E o mais legal foi saber que eles estão fazendo diversos trabalhos sociais, visando capacitar e melhorar a qualidade de vida da comunidade.

Confesso que eu conhecia só o TRIO, o vinho de entrada da vinícola. Na degustação pude provar outros que me surpreenderam pela sua qualidade, mas principalmente pela facilidade de se beber. São vinhos fáceis de entender e de gostar. Ponto para a Trivento, que vem fazendo um trabalho para posicionar seus vinhos tops no mercado. Abaixo tenho uma breve descrição de cada um dos vinhos, mas recomendo fortemente que se prove, pois são bem interessante.

 

Trivento Golden Reserve Chardonnay 2010
Esse vinho foi fermentado em barricas e depois teve mais um tempo nelas para ganhar complexidade. É um balanço entre o frescor e os aromas e sabores mais complexos que se ganha quando se opta por essa forma de vinificação. Esqueça os aromas lácteos que estamos acostumados a encontrar em vinhos Chardonnay com barrica. Esse tem mais fruta e florais.

Trivento Amado Sur Torrontés 2010
É feito com 75% de Torrontés e o restante de Viognier e Chardonnay, então torna-se um torrontés mais encorpado. Continua tendo os aromas florais bem marcantes, característico da torrontés, mas com um pouco mais de complexidade na boca.

Trivento Brut Nature
Feito com Pinot Noir e Chardonnay pelo método Charmat. É fresco e tem aromas vindos da Pinot Noir, lembrando frutas vermelhas e pêssego.

Trivento Reserve Cabernet Sauvignon 2010
Um vinho muito fácil de beber. Frutas vermelhas, toque de pimentão verde e de especiarias e na boca tem taninos bem finos. Um vinho excelente para o dia a dia.

Trivento Amado Sur Malbec 2009
Esse também leva mais uvas. Dessa vez são a Syrah e a Bonarda que chegam para dar um pouco de complexidade de aromas para o vinho e também para mudar um pouco o tradicional “malbec argentino” que conhecemos. Traz aromas de frutas vermelhas e negras e está no seu auge para ser consumido.

Trivento Golden Reserve Malbec 2008
Esse já tem mais complexidade, até por passar mais tempo em barricas (cerca de 1 ano). É clássico e tem uma boa vida pela frente ainda, mas se você gosta daqueles vinhos bem esruturados, pode gostar desse agora.

Trivento Golden Reserve Syrah
Foi o que eu mais gostei de toda a prova. É um vinho complexo, que se sente um pouco o toque da madeira, mas bem de leve. Tem taninnos bem presentes e um final longo. Como disse a nossa amiga Victoria (da Trivento), é um vinho que acompanha bem o chocolate amargo. Uma bela combinação, com certeza.

As visitas devem ser agendadas através do e-mail turismo@trivento.com e são sempre acompanhadas pelos guias e eventualmente pelos enólogos. É possível comprar os vinhos na vinícola (e os preços são bem interessantes).

Se for, me conte se gostou. Eu gostei!

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, 2009, 2010, Argentina, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Malbec, Syrah, Torrontes1 Comment

Sur de los Andes Malbec Classico 2008

Sur de los Andes Malbec Classico 2008

Os vinhos feitos com a uva Malbec estão entre os preferidos dos brasileiros. Se for de Mendoza (Argentina) então, melhor ainda. A região tem mais de 1.000 viníciolas e é conhecida no mundo inteiro por produzir bons vinhos com essa cepa. Eu já estive lá e realmente gostei do que vi e bebi.

E por ter tantas bodegas, não é difícil aparecer um novo vinho, de uma nova bodega, que não conhecemos. E foi assim com o Sur de los Andes Malbec Classico 2008. Esse é o vinho de entrada da vinícola, que têm outros superiores (e que se diferenciam principalmente pela localização dos vinhedos e pelo tempo de barrica).

O Classico é um vinho que expressa bem as características da Malbec, com aromas florais e de frutas vermelhas bem intensos. Tem um aroma de álcool que se sobressai e que acontece a mesma coisa na boca, mas que se deixar aerar um pouco, ele melhora.

Se você for harmonizar esse vinho, recomendo que se pense em uma comida bem estruturada, talvez até um churrasco (picanha), porque ele é marcante.

Vou tentar provar em breve os vinhos mais tops e comento por aqui.

Um abraço

Daniel Perches

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VF 2005

VF 2005

Numa degustação para conhecer alguns dos vinhos Tops das Américas que foram produzidos no ano de 2005, estive com alguns amigos na loja Portal dos Vinhos, no Morumbi. A Loja é comandada pelos simpáticos Emilio e Fátima, que de vez em quando tem até a ajuda da sua filha, que leva jeito para o negócio.

Confesso que até hoje provei pouquíssimos vinhos da Villa Francioni, uma vinícola brasileira que tem se destcado bastante no cenário brasileiro e internacional. Sei da sua qualidade e vejo sempre suas premiações, mas por enquanto me faltaram oportunidades.

O VF 2005, um dos tops da vinícola, é feito com as uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Malbec. O corte é o típico “bordalês”, conhecido pela sua máxima expressão na região de Bordeaux, na França.

O vinho mostrou-se bastante vivo, com aromas passando por flores, frutas vemelhas discretas (sem aquele adocicado forte), um leve torrado e algum toque de mentolado que foi aumentando conforme o tempo que ficou na taça.

Na boca ele pareceu bem macio e com os taninos na hora de serem consumidos. Seu final não é muito longo, mas é bem prazeroso. Gostei bastante do vinho, que me pareceu bem elegante e que demonstrou um bom caráter. É um vinho que pode acompanhar bem as comidas principalmente pela sua evolução. Se você tiver um desses, pode guardar mais um tempo ainda se quiser.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2005, Brasil, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot0 Comments

Afincado Malbec 2005

Afincado Malbec 2005

O Afincado é um dos vinhos da famosa bodega de Mendoza, a Terrazas de Los Andes. Já comentei aqui sobre a minha visita à bodega e o quanto fiquei encantado com os vinhos deles, principalmente com o Cheval des Andes, que é o top da vinícola, feito em parceria com a mais famosa ainda bodega Cheval Blanc, da França.

O Afincado é feito com Malbec, a uva emblemática da Argentina e principalmente de Mendoza. É um vinho muito elegante e que tem o que a gente chama de tipicidade, ou seja, é um vinho que mostra bem as características da uva que é feito.

No nariz tem um bom toque floral, tem frutas vermelhas e toques de torrefação. É um vinho elegante no nariz, mesmo com um pouquinho de álcool sobrando. Na boca tem taninos potentes e ainda um pouco duros. É um vinho que precisa de mais tempo de garrafa para se mostrar melhor. Tenho certeza que ele vai ficar um grande vinho daqui uns 3 ou 4 anos, mas não pudemos esperar, pois esse vinho participou de uma degustação promovida pelo amigo Evandro, do Blog Confraria2Panas, que nos brindou com algumas preciosidades da América, da safra de 2005.

Se você gosta de vinhos potentes, abra o Afincado agora. Se quer um vinho mais elegante e evoluído, pode guardar esse por uns bons anos. É vinho para se ter por décadas e que vai continuar bom (ou ficar melhor).

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2005, Argentina, Malbec0 Comments

Valdivieso Caballo Loco No 12

Valdivieso Caballo Loco No 12

O Caballo Loco é um grande vinho que tem uma história muito interessante.

Em 1990, os proprietários da Valdivieso resolveram fazer um vinho diferente. A idéia era simples: preparariam o vinho e engarrafariam só 50% da produção e guardariam os outros 50% para ser incorporado à próxima produção. O vinho seria mesclado (safra antiga com nova) e daí tirariam somente 50% e deixariam o restante para ser misturado à próxima safra. E assim por diante, sempre guardando 50% da produção.

Surgiu então, em 1990, o Caballo Loco No 1. Desde então os vinhos vêm sendo produzidos com mesclas de safras anteriores, até o Caballo Loco No 12, que é a safra mais recente. Não dá pra colocar a safra no rótulo, porque tem um monte de safra misturada.

Obviamente a história é bem interessante e me parece uma boa jogada de marketing, mas o vinho realmente é bom. Com uma ótima complexidade de aromas, misturou frutas vermelhas e aromas mais evoluídos como chocolate e torrefação. Na boca mostrou taninos  macios, mas com grande capacidade de envelhecimento. Por ter 14,6% de álcool, senti o vinho um pouco quente, mas nada que me incomodasse. Seu final é bem longo e não senti nada de amargor. É um vinho para ser bem harmonizado talvez com uma carne ensopada com molho de vinho, por exemplo.

Se você gostou da história e quer saber como é o vinho, terá que desembolsar algo em torno de 230 reais. Esse é importado pela Ravin no Brasil.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Malbec, Merlot0 Comments

Altos Las Hormigas Malbec Single Vineyard 2006

Altos Las Hormigas Malbec Single Vineyard 2006

Costumo pensar que os vinhos “caros”, ou seja, os que custam acima de 150 reais, tem a obrigação de serem bons. Afinal de contas, já pensou gastar essa boa quantia por um vinho ruim? Seria uma lástima. Eu ficaria muito chateado com o meu vendedor e com certeza, não voltaria nem na loja e provavelmente nem beberia outros vinhos da vinícola.

Mas de vez em quando encontro vinhos MUITO BONS, que mesmo sendo caros, merecem a nossa atenção. São aqueles que a gente paga com gosto (quando pode, é claro. Não vá se endividar por conta disso. Há belíssimos vinhos bem mais baratos também).

E foi assim que eu classifiquei o Altos Las Hormigas Malbec Single Vineyard 2006: MUITO BOM! E não é pra menos. Esse vinho faz parte de um projeto de micro terroir desenvolvido pela vinícola e pelo Ph.D Pedro Parra (veja o post com entrevistas com o enólogo e com o proprietário aqui).

Eles trabalharam duro até encontrar o terroir perfeito para fazer um belíssimo malbec e a região escolhida foi Vista Flores, em Mendoza. O resultado foi um vinho excepcional, muito potente, forte, estruturado e com um enorme potencial de guarda. É daqueles vinhos que a gente vai bebendo devagarinho e  sempre pensando no próximo gole.

Tem aromas intensos de frutas negras com um leve floral ao fundo e ao mesmo tempo passando por aromas das barricas, que estão bem integradas ao vinho, mas mostrando a sua força também.

O projeto Vista Flores é bem interessante e vale a pena ser conhecido, nem que seja através do site da Altos Las Hormigas.

Esse vinho é trazido pela Mistral e custa 179 dolares.

Um abraço

Daniel Perches

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