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Vinhos Casa Marin

Vinhos Casa Marin

Em mais um dos almoços para recepcionar os jornalistas e imprensa, o pessoal da Vinea nos recebeu junto com o Felipe Marín, que veio apresentar os seus vinhos, da sua tão famosa Casa Marin. Esses vinhos são famosos e cultuados aqui no Brasil e eu ainda não tinha tido a chance de conhecê-los. Provei e aprovei. São realmente muito bons e dignos de todos os comentários que fazem por aí.

Abaixo conto um pouco sobre os que eu provei:

Casa Marin Sauvignon Gris 2008
Eu só tinha provado um vinho até hoje feito com essa casta. Fiquei espantado com a sua qualidade. Com uma coloração praticamente translúcida, é um vinho muito fresco, com toques minerais e florais, acompanhando frutas brancas frescas. Tem até um leve frizante, de tanta acidez. Mas não se engane pensando que isso pode ser um defeito, pois o vinho é muito correto em boca, equilibrado e com um belo final. Acompanha perfeitamente um dia de calor, com uns petiscos como anéis de lula, por exemplo.

Casa Marin Laurel Sauvignon Blanc 2008
Com uma coloração palha um pouco mais escura que o Sauvignon Gris (mas ainda assim bastante claro), mostrou aromas típicos dessa casta, lembrando frutas brancas e um toque floral. Bastante fresco. Alta acidez e final médio a longo.

Casa Marin Cipreses Sauvignon Blanc 2008
Produzido com uvas de outro bloco de vinhedos, esse se mostrou ainda um pouco mais escuro que o anterior, mas com a mesma qualidade. Frutas bastante presentes e uma ótima acidez. Vinho para se beber tranquilamente sem se preocupar com comida (só com a companhia).

Casa Marin Riesling Miramar 2007
Acredito que se colocar esse riesling ao lado de outros da mesma casta, vindos do Velho Mundo, ele será facilmente confundido. Toque petroláceo bem presente, pedra de isqueiro, leve floral e frutas em abundância. Um belíssimo riesling, que me lembrou que eu preciso beber mais vinhos dessa casta.

Casa Marin Gewurztraminer Casona 2008
Como os anteriores, esse também apresentou as notas típicas dessa casta, destacando-se o floral bastante aberto (como pétalas de rosas) e frutas brancas, com destaque claro para a lichia.

Casa Marin Pinot Noir Três Viñedos 2009
Esse Pinot Noir mostrou-se jovem e leve, como deve ser. Destacaram-se as frutas vermelhas mais adocicadas. Seu final é um pouco quente, mas totalmente correto. Bom vinho. Ótimo para acompanhar carnes leves.

Cartagena Carmenere 2009
Frutas tropicais vermelhas deram o toque adocicado para o vinho, que me pareceu um bom representante dessa que é a casta emblemática do Chile. Sinceramente, não me chamou muito a atenção, talvez por ter provado outros tão expressivos, mas é um vinho bastante correto e para quem gosta dessa uva, é uma boa opção, com ótima qualidade.

Cartagena Cabernet Sauvignon 2008
Mais um que não me fez muito a cabeça. Apesar de ter conversado com o Felipe e perguntado pra ele sobre a acidez desses vinhos (que nos tintos me pareceu que faltou um pouco) e ele ter me dito que tem é acidez demais, me pareceu um vinho um pouco leve para o que eu gostaria de ter em um Cabernet Sauvignon. Mas foi muito bem com a carne servida no dia.

Casa Marin Lo Abarca Pinot Noir 2006
Agora a “brincadeira começou a ficar séria”. Esse é um Pinot Noir de respeito. Frutas muito presentes, acidez corretíssima e final longo. Um vinho para se beber tranquilamente, sem pressa. Belíssimo. Vale provar para conhecer bons pinots do novo mundo.

Casa Marin Litoral Pinot Noir 2003
Melhor Pinot Noir do Novo Mundo que eu já provei até hoje. Não posso deixar de falar isso. Fiquei impressionado com a sua qualidade. Um vinho com 7 anos de vida e com muitos ainda pela frente. Depois de aerado um pouco, melhorou ainda mais. Como disse o nosso amigo Ivan (da Vinea), naquela garrafa tem “uns 4 vinhos diferentes”. É só o deixar respirar um pouco e com certeza terá belas surpresas. Esse eu nem preciso comentar, porque sua qualidade fala por si.

Casa Marin Miramar Syrah 2005
Esse vinho apresentou algumas características típicas da uva Syrah, como um toque de especiarias, leve chocolate no final, mas é outro que eu achei que faltou acidez, deixando o vinho um pouco “sem graça”. Mas isso pode ter sido obra do “efeito Pinot Noir Litoral” que eu tinha acabado de provar…

Bem, depois de todos esses belos vinhos, ainda tivemos uma salada com camarões com o Riesling para acompanhar (que foi muito bem harmonizado) e na seqüência um tornedor de filé ao molho madeira, que aí sim, os vinhos Syrah e Cabernet combinaram bem.

Conseguimos uma entrevista com o Felipe Marin, que em breve estará aqui no blog também.

A Vinea tem nos fundos de sua loja um belíssimo restaurante que funciona às noites (sob reserva) e você pode comprar o vinho para beber, a preço de loja. Eu já estou me agendando para ir lá beber mais do Litoral…

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2003, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Gewurztraminer, Pinot Noir, Riesling, Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris, Syrah5 Comments

Max Weinlaub, enólogo da Viña Maipo, apresenta seus vinhos

Max Weinlaub, enólogo da Viña Maipo, apresenta seus vinhos

Em mais um daqueles encontros com bastante descontração e alegria, o pessoal da Ravin trouxe o enólogo chefe (e astro dos vídeos da vinícola), Max Weinlaub, para nos apresentar os vinhos da Viña Maipo.

A vinícola nasceu em 1948 e em 1968 foi adquirida pela Concha y Toro (uma das maiores do mundo). A partir de 1978 focou-se no mercado internacional, principalmente no mercado escandinavo. Atualmente exporta para mais de 60 países. Dá pra imaginar o trabalho que é feito por lá, não?

Max veio apresentar seus vinhos e também o seu “projeto Syrah”, que tem o intuito de promover essa casta, seja em cortes, entrando como complemento para trazer complexidade ou sozinha, como é o caso do vinho top, o Limited Edition. Acredito que o Max saiba bem o que faz, pois são realmente muito bons. Abaixo estão os vinhos provados.

Espumante Brut
Uvas: Chardonnay (70%), Chenin Blanc (15%) e Riesling (15%)
Foi servido para “abrir os trabalhos”. Coloração amarelo palha com reflexos verdeais, apresentou aromas de frutas brancas, leve tostado e adocicado no final. É feito pelo método Charmat.

Gran Devoción Sauvignon Blanc 2008
Uva: 100% Sauvignon Blanc
O Chile e em específico o vale de Casablanca produz vinhos feitos com essa casta com muita qualidade. A sua alta amplitude térmica contribui bastante para isso. Esse vinho mostrou-se com bastante tipicidade, trazendo aromas de frutas brancas, maracujá, cítricos. Um belíssimo vinho. Em boca apresentou bom corpo, mas sua acidez poderia ser um pouco mais alta, o que não compromete em nada o vinho, que aliás, em minha opinião, foi um dos melhores do painel do dia. Em conversa com o Max, ele nos disse que a safra 2010 (ainda não disponível) está com bem mais acidez. Eu ficarei atento para comprar assim que chegar.

Gran Devoción Carmenere-Syrah 2008
Uvas: Carmenere (75%) e Syrah (25%)
A Syrah atuou trazendo aromas de especiarias e quebrando um pouco o adocicado da Carmenere. Vinho bastante equilibrado e com ótimo final. Uma bela combinação, mostrando perfeitamente a atuação da Syrah dentro do conjunto.

Gran Devoción Syrah- Petit Syrah 2008
Uvas: Syrah (80%) e Petit Syrah (20%)
Tenho que admitir que sou fã da uva Petit Syrah, então a minha avaliação “isenta” fica um pouco comprometida. Achei que foi um dos melhores do dia. Mesmo só com 20% de Petit Syrah, o vinho mostrou-se com notas típicas dessa casta, lembrando especiarias. Nariz franco, com aromas bem demarcados. Em boca achei um pouco quente, mas sem comprometer.

Gran Devoción Cabernet-Syrah
Uvas: Cabernet Sauvignon (85%) e Syrah (15%)
A Cabernet Sauvignon trouxe elegância para o vinho, deixando-o mais corpulento e com aromas mais voltados para o tabaco, chocolate e madeira. É um vinho que merece um tempo de aeração ou até mesmo mais algum tempo de garrafa.

Limited Edition Syrah 2007
Uvas: Syrah (98%) e Cabernet Sauvignon (2%)
Esse é o vinho top da vinícola e vejam o esmero do enólogo, colocando somente 2% de Cabernet Sauvignon na mescla. Um grande vinho, que merece aeração por algum tempo para se abrir. Talvez seja até melhor guardá-lo por algum tempo, mas quem é que consegue? Esse vinho está na faixa dos 100 reais (na importadora) e pra mim é um dos melhores nessa faixa de preço.

Só posso agradecer ao Max e ao pessoal da Ravin, por mais um belo almoço com ótimos vinhos.

E com essa apresentação, ficou pra mim a tarefa de conhecer um pouco mais sobre o mercado de vinhos da Escandinavia, mas principalmente da Suécia, afinal de contas, eu morei lá. Vou consultar algumas pessoas e depois conto aqui.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2007, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Petit Syrah, Sauvignon Blanc, Syrah0 Comments

Vinhos Altaïr apresentados na Grand Cru

Vinhos Altaïr apresentados na Grand Cru

Estive na semana passada na Grand Cru da Bela Cintra (São Paulo) para uma degustação / apresentação dos vinhos da chilena Altaïr. Seus vinhos são bem conhecidos dos enófilos e muito apreciados devido à sua excepcional qualidade.

O Sr. Renée Vasquez apresentou os 3 vinhos (que descrevo abaixo) mostrando grande conhecimento de seu produto e principalmente amor por ele. Aliás, não só amor pelos vinhos, mas também pelo Chile. Ao final, nos mostrou a camisa da seleção chilena. Até então eu estava concordando em tudo com o que ele dizia, mas quando nos disse que o Chile ganharia a Copa do Mundo, tive que ser contra. Mas vamos deixá-lo feliz por enquanto, pois sonhar não custa nada, não é mesmo? :)

Ainda um pouco sobre a vinícola, Altaïr é o nome de uma estrela. É a estrela mais brilhante da constelação de Áquila e é a única estrela que em setembro pode ser vista pelo hemisfério sul e norte ao mesmo tempo. E realmente a vinícola Altaïr brilha. Situada no vale de Cachapoal, mais precisamente no “Alto Cachapoal”, como eles mesmos denominam, está a 800 metros acima do nível do mar e sobre grande influência da sua situação climática, tendo uma grande amplitude térmica com grande fator. No alto Cachapoal há uma grande variedade de solos também, e todos foram mapeados pela vinícola, para que se possa aproveitar o melhor possível de cada um deles. Os vinhos produzidos lá possuem uma alta graduação alcoólica natural, mas mostram-se muito bem equilibrados, talvez pela sua acidez também acentuada. São vinhos de excepcional qualidade e que valem a prova. Vamos a eles:

Icono 2004
R$ 58,00
Produzido somente com Cabernet Sauvignon, o vinho apresentou-se em sua maturidade plena, com reflexos já granada em suas bordas. Aromas de frutas vermelhas, toques de baunilha, pimentão e um pouco de chocolate. Em boca mostrou-se bastante redondo e com um final médio, mas sem amargor.

Sideral 2005
R$ 139,00
Esse vinho é produzido com Cabernet Sauvignon (87%) e Carmenere (13%) e fica de 12 a 15 meses em barricas para afinamento. Um vinho muito elegante, já tendendo ao estilo do velho mundo. O vinho mostrou-se bastante jovem ainda em taça, com coloração rubi intensa e pequeno halo de evolução. Seus aromas lembram frutas vermelhas em compota e um leve toque balsâmico. O corte desse vinho não é fixo a cada safra. Nesse só tivemos 2 castas, mas em outros anos produziu-se com algumas outras. O vinho evoluiu muito em taça depois de algum tempo, mostrando toques fortes de chocolate, tanto no nariz quanto na boca. Muito bom!

Altaïr 2004
R$ 290,00
É o vinho mais clássico da vinícola e é produzido a partir de plantas que produzem somente 1kg de fruta por pé. Há um cuidado muito especial para a produção desse vinho. A safra desse ano foi feita com um corte de 73% de Cabernet Sauvignon, 15% de Syrah, 11% de Carmenere e 1% de Cabernet Franc. Lembra o estilo de Bordeaux pela sua classe e porte. Novamente encontramos as frutas vermelhas, mas agora mescladas com toques de chocolate, defumados, madeira molhada e bosque. Seu final é bastante longo e suave. Um vinho muito interessante e que apesar de seu alto preço, vale a pena.

Fica então a dica para quem está procurando bons vinhos chilenos. Esses não têm como errar.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2004, 2005, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Syrah2 Comments

De Martino Reserva Carmenere 347 2008

De Martino Reserva Carmenere 347 2008

Quando estive no Chile (final de 2009) não tive a oportunidade de visitar a vinícola De Martino, infelizmente. Não só a sua fama, mas principalmente os seus vinhos são muito bons. Gostaria de ter tido tempo para conhecê-los, mas com certeza na próxima, estarei por lá.

Os vinhos da De Martino, desde os seus mais básicos até os seus tops, são muito bem produzidos e refletem muito bem o estilo de vinho chileno.

Esse, da linha 347, é produzido com a uva Carmenere, a casta mais emblemática do Chile e não foge à regra de qualidade e de tipicidade. As uvas para a produção desse vinho vêm de 3 diferentes regiões do Chile: Valle del Maipo, Valle de Cachapoal e Valle do Maule.

Com uma coloração rubi intensa, mostra-se um vinho jovem, límpido e bem bonito. No nariz despontam aromas de frutas, que se mesclam com um aroma muito interessante de chocolate.

Na boca, taninos bem domados, boa acidez e um final que remete muito a chocolate também, tornando o vinho bastante interessante.

É um vinho que pode ser bebido sozinho, pois não tem uma estrutura muito pesada, que precise necessariamente de uma comida, mas se acompanhado de um bom prato, com certeza vai se mostrar melhor ainda.

Comercializado pela Decanter, é uma ótima opção para se conhecer um bom Carmenere do Chile. Quem provar, acho que não vai se arrepender. Custa em torno de 40 reais. Um bom preço, pela sua qualidade.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, Carmenere, Chile0 Comments

Almaviva 1999

Almaviva 1999

Alguns amigos nos pregam (boas) peças que serão lembradas por toda a vida. E dessa vez aconteceu comigo, que a convite do Cristiano (Vivendo Vinhos), eu e o Alexandre (Diário de Baco) fomos comemorar uma vitória em sua carreira, regados a um vinho especial, que o Cristiano guardou para uma ocasião como essa.

Não preciso nem falar o quanto fiquei honrado com o convite e claro que aceitei, afinal de contas, amigo é para essas coisas, não é mesmo?

O local escolhido foi o restaurante Olivetto, que tem como Sommelier o respeitadíssimo Diego. O serviço foi impecável, com direito até a decantação com luz de vela, para detectar sedimentos presentes na garrafa (natural para esse tipo de vinho, com essa idade).

Antes de degustarmos o Almaviva decidimos “abrir a noite” com um italiano que tem suas uvas cultivadas aos pés do vulcão Etna, feito com a uva Nerello  mascarese. Fantástico (e eu conto algum dia sobre ele), mas o que queríamos mesmo saber era do Almaviva.

Chegou então o tão esperado momento e com uma grande ansiedade, pudemos provar esse ícone chileno. O resultado é fantástico e à altura de todos os (bons) comentários já feitos sobre ele. O Almaviva é feito com cortes diferentes a cada ano. Especificamente em 1999 foram utilizados Cabernet Sauvignon (78%), Carmenère (19%) e Cabernet Franc (3%) e ficou 16 meses em carvalho descansando antes de ser engarrafado.

 almaviva1999Pra começar, sua coloração mostrou-se muito viva e intensa, com um bom halo de evolução, mas mostrando também que o vinho ainda poderia agüentar um bom tempo.

No nariz, muita complexidade: frutas vermelhas compotadas com um toque adocicado, toques mentolados, especiarias (que eu não consegui identificar com clareza alguma que se destacasse) e depois de um pouco de tempo na taça, aromas de couro e chocolate também vieram nos brindar.

Em boca, muita acidez, taninos muito macios, mas ainda fortes, mostrando que o vinho tem muita estrutura e que não estava nem um pouco “morto”. Impressionante a sua potência. Final longo e saboroso, daqueles pra ficar meditando depois de beber.

Esse vinho foi (bem) harmonizado com um cordeiro com purê de brócolis e temperos chilenos. Foi uma boa harmonização, mas se o Diego me permite, eu deixaria o prato com um pouquinho menos de pimenta. Mas é claro que isso é só um preciosismo, pois o que valeu mesmo foi a noite com os amigos.

Agradeço então ao meu amigo Cristiano, que dividiu não só a sua alegria conosco, mas também uma jóia de vinho. Amigos de verdade são assim, compartilham seus momentos bons com quem gostam e o mais legal é que recebem tudo de volta.

Ah, nesse dia, quando acordei vi São Paulo completamente alagada e a degustação seria em Campinas. Pensei por aproximadamente 2 segundos e concluí: VOU, NEM QUE SEJA DE BARCO!

Abraços

Daniel Perches

Posted in 1999, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile0 Comments

Casa Silva Carmenère Reserva 2004

Casa Silva Carmenère Reserva 2004

Falar desse vinho para mim tem um sabor especial. Não só pela qualidade dele, mas pelo momento e circunstância que foi provado. Tentarei aqui ser fiel às suas características, mas desde já informo que posso estar sendo parcial. E já explico o porquê da cautela.

Há aproximadamente dois anos eu estava com meu grande amigo Rafael quando ele me mostrou esse vinho, que havia ganhado. Ao notar meu interesse, ele prometeu que abriríamos em um momento especial. Por diversas razões, não tivemos oportunidade de prová-lo até então. O vinho ficou lá, guardado, esperando a hora certa de nos brindar.

Tive então o grande prazer de receber não só o Rafael, mas também o Renato e o Marcelo em minha casa, quando pudemos fazer um belo churrasco e degustar esse vinho. E como eu sempre digo, o vinho na companhia de amigos (e nesse caso, são amigos muito queridos, que eu aguardava há tempos que viessem me visitar), torna-se muito mais saboroso.

Vinho aberto, taças em mãos, brindes feitos. Agora é a hora da avaliação. Produzido em sua totalidade com a uva Carmenère proveniente do Vale do Colchagua, mostrou uma coloração rubi intensa, com um pequeno halo de evolução. Lágrimas grandes e lentas pintaram a taça, mostrando a força do vinho. Acredito que ainda tinha bastante vida pela frente.

No nariz, aromas adocicados de frutas vermelhas em compota contrastando com um toque animal, puxado para o couro. Final com toque de especiaria. Um belo bouquet, sem dúvida.

Em boca apresentou taninos muito arredondados e macios, ótimo volume e final longo e praticamente sem amargor. Um vinho bastante encorpado e que merece um bom acompanhamento.

Não diria nem que o churrasco seria a melhor opção para ele, mas como o que mais me valeu na noite foi a companhia dos amigos, para falar a verdade, a carne foi uma mera coadjuvante.

Termino essa matéria agradecendo: Obrigado, meus amigos, pela noite maravilhosa que passamos juntos. Espero que possamos nos encontrar muitas e muitas vezes aqui e degustar sempre bons vinhos. A noite foi especial, e dessa vez, não foi por causa do vinho.

Um abraço

Daniel Perches

casa_silva_reserva_Carmenere

Posted in 2004, Carmenere, Chile4 Comments

EPU 2006 (o meu melhor vinho)

EPU 2006 (o meu melhor vinho)

O Epu é, sem dúvida, um dos melhores vinhos do Chile e com certeza, do mundo todo.

Faço essa afirmação sem medo de errar ou de ser exagerado, pois a qualidade desse vinho é algo de se tirar o chapéu. Produzido com as uvas Cabernet Sauvignon e Carmenère, é o segundo vinho da Almaviva, casa já bastante conhecida por todos e que produz o tão afamado vinho de mesmo nome, que é muito pontuado e venerado no mundo todo.

Uma vez ouvi algumas pessoas dizerem que “segundo vinho não vale a pena”. A afirmação era algo como “ninguém quer saber do segundo lugar, então fuja dos segundos vinhos dos produtores. São a parte ruim do que foi utilizado para fazer o primeiro”.

Pois quem falou isso precisa provar então esse vinho para mudar seu conceito e acho que uma boa opção é bebendo um Epu.

Eu já tinha bastante informação sobre ele e por isso foi o primeiro que eu procurei ao chegar ao Chile e foi o que eu escolhi para acompanhamento da passagem de ano. Mesmo sabendo do potencial do vinho e estando teoricamente preparado, ao sentir seus aromas e depois de beber o primeiro gole, fiquei simplesmente extasiado.

Grandes vinhos como esse merecem mais do que descrições organolépticas. Merecem uma resenha sensorial.  Não vou me esquecer tão fácil dos seus aromas delicados e ao mesmo tempo potentes, da sua complexidade em boca, que ao mesmo tempo em que mostrava um vinho corpulento, era também muito macio e sedoso. Um final bastante longo, persistente e sem amargor completam a experiência, pedindo que se beba sozinho, sem comida pra “atrapalhar”, mesmo sabendo que é um vinho gastronômico e que precisa de um bom acompanhamento. Pareceu-me um vinho dos grandes jantares, daqueles que se serve em decanters para os grandes barões, com aquelas comidas super elaboradas.

Posso afirmar, sem dúvida, que esse foi o melhor vinho que eu bebi em minha viagem ao Chile. E claro que trouxe uma garrafa extra para ser guardada e aberta em um momento especial, conforme esse vinho merece. Essa é da safra de 2007, que ouvi dizer que está ainda melhor. Quem viver, verá. Ou melhor, quem beber, sentirá.

E pra terminar em grande estilo, deixo todos com mais água na boca ao contar o seu preço: 75 reais. Algo inimaginável para um vinho dessa categoria no Brasil…

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile17 Comments

Primus 2006

Primus 2006

Já falamos aqui e aqui um pouco sobre o Chile, mas até então, nada de vinhos de lá. Sendo assim, hoje vamos partir para o primeiro vinho .

O Primus é o vinho top da vinícola Veramonte, situada no vale de Casablanca (e com vinhedos também no Colchagua).

Essa garrafa foi comprada no primeiro dia por lá, quando visitei a loja “El mundo del vino” em Santiago. A idéia era encontrar um vinho para passar o réveillon. Esse acabou não sendo o escolhido para a noite mas depois, quando foi degustado e aprovado com louvor.

Produzido com Cabernet Sauvignon (36%), Syrah (31%), Merlot (17%) e Carmenère (16%), tem uma coloração rubi muito intensa e com um pequeno halo de evolução. Segundo o vendedor da loja e também o produtor, tem um potencial de guarda de mais de 10 anos. Acredito, pois o vinho ainda estava jovem. Esse passa 14 meses em barrica antes de ir para a garrafa.

No nariz, aromas de especiarias (pimenta), couro e madeira. Surgiu alguma fruta vermelha, mas que foi logo superada pelos aromas terciários descritos. Sua força e estrutura não me pareceram daqueles típicos vinhos chilenos que estamos acostumados a beber, que sempre vêm com uma “fruta tropical” (a famosa goiaba). Estava muito mais para um potente bordalês.

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Em boca é muito estruturado e com taninos ainda um pouco duros, comprovando a sua jovialidade. É um vinho que pede comida. Acredito que deva ir muito bem com uma carne ou com uma massa que tenha um molho forte e até apimentado.

Os outros vinhos da vinícola Veramonte também foram degustados e são de ótima qualidade, mas esse Primus, o top da linha, é o mais bem feito e caprichado. Aliás, é um que merece um decanter por pelo menos 1 hora antes de se beber. Tenho certeza que vai melhorar bastante.

 

Esse, vale algo em torno de R$ 35,00 lá no Chile. Um ótimo preço para esse vinho, sem dúvida. Pergunto-me quanto valeria no Brasil, mas acredito que nos chegaria por volta dos 90 reais.

Em breve falaremos mais sobre outros vinhos da Veramonte e também do Vale do Colchagua, que é o “coração” dos vales do Chile e que abriga vinícolas muito importantes.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Merlot, Syrah8 Comments

Palo Alto Reserva 2007

 

Publico hoje o primeiro post participando da “Confraria Brasileira de Enoblogs”. Uma iniciativa muito interessante do nosso colega Gil Mesquita, do Vinho para Todos.

O vinho do mês é o Palo Alto Reserva 2007, que tem 3 uvas em sua composição: Cabernet Sauvignon, Carmenere e Syrah e é  produzido no Maulle Valley, no Chile. O interessante desse vinho é que cada uva desse corte vêm de um lugar diferente da região que é produzido.

Em tempo: a Viña Palo Alto pertence à famosa Concha y Toro.

Mas vamos ao vinho: visualmente é bem interessante. É denso, com uma coloração rubi intenso, bem brilhante. Apresenta um bom halo de evolução e suas lágrimas chegam a pintar a taça. Percebe-se de cara que é um vinho bem estruturado.

paloalto_redEm boca, tem muitas frutas negras com destaque para a ameixa. Apresenta também um leve adocicado como um chocolate no final. Notas de couro e torrefação também foram identificadas.

Na boca tem bom corpo e boa adstringência. Seu final ainda me pareceu um pouco “duro”, mas bebendo mais um pouco me acostumei ao vinho. Tem uma boa persistência (média a longa).

Fiz uma experiência com o vinho: quando abri, tirei uma taça e reservei para beber só no final. Deixei lá, descansando e arejando. Passado mais ou menos uma hora, voltei à taça e percebi que o vinho tinha evoluído, mas não tanto quanto eu esperava. Ou seja, o vinho é bastante potente e saboroso, mas acredito que não precise de decantação / aeração para que melhore. Considero isso, de certa forma, um benefício, pois em geral nós abrimos a garrafa e bebemos imediatamente, não é mesmo?

Resumindo, esse vinho tem ótima qualidade (aliás, como todos os outros da Concha y Toro) e o melhor é o seu preço, que gira em torno de 30 reais. Uma ótima compra para o dia a dia, sem dúvida. É importado pela Expand no Brasil, mas é facilmente encontrado em lojas especializadas.

Um abraço

Daniel Perches

 

Posted in 2007, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Syrah0 Comments

Caliterra Reserva Carmenere 2008

caliterra_carmenereQuando falamos na uva Carmenere, principalmente vinda do Chile, a gente já lembra logo daquele aroma adocicado de goiaba, que já virou característico. Não sei se é bom ou ruim, mas sempre que eu pego uma garrafa dessa uva e desse país, eu acho que já me preparo para sentir esse aroma. E aí começa a “briga” interna, pois eu quero procurar outros aromas, mas sempre me pego pensando na tal da goiaba… Continue Reading

Posted in 2008, Carmenere, Chile0 Comments

Valdivieso Reserva Carmenère 2005

Com o intuito de conhecer melhor os vinhos do Chile para a visita no final do ano, comprei esse Reserva dessa vinícola que há tempos me chama a atenção.

Como estava em promoção, era o que eu precisava para arrematar uma bela garrafa dessa uva que ainda me intriga e tentar decifrá-la.

Feito! Estou aqui escrevendo com a minha tacinha de degustação ao lado. Tacinha que me acompanha já há mais de ano e que, companheira de guerra, me ajuda a encontrar aqueles aromas mais escondidos naquelas grande e belas taças que a gente usa em outras ocasiões.

Mas vamos ao vinho. Sua garrafa já tem certa imponência e peso, ajudando a já termos uma boa impressão desse vinho.

Sua coloração vermelha intenso, que me lembrou sangue, complementou a idéia de seu corpo. Parecia que eu estava vertendo um líquido pesado na taça.

Após alguns instantes de aeração (esse precisa dar uma respirada), enfim os aromas. Achei uma grande variedade e fiquei bastante feliz.

Inicialmente, somos tomados por um aroma de cassis e de cerejas frescas. Alguma especiaria aparece timidamente e aos poucos um aroma de chocolate vai se desinibindo e nos deixando mais encantados. Acontece então uma fusão desses aromas, trazendo até algumas pontas mentoladas.

Como de praxe, busquei a tão comentada goiaba que aparece sempre nos vinhos chilenos. Sim, encontrei, mas nada muito forte nem em desarmonia com o restante dos aromas.

Em boca, o vinho não foi tudo o que eu esperava. Seu corpo é médio e tem uma boa adstringência, porém a permanência é pequena e o amargor, tanto no final quanto no resíduo é forte. Isso me incomodou um pouco, principalmente porque eu não estou comendo nada. Acredito que se acompanhado de uma comida, isso vai ser resolvido (assim espero).

Eu não sou grande fã de Carmenères, mas esse até que me deixou grato.  Pra falar a verdade, digo que não sou fã, mas ao mesmo tempo não conheço muitos rótulos dessa uva emblemática desse país. Merece sim, sem dúvida, aprofundamento para melhor conhecimento e quem sabe, mudar meus gostos?

Posted in 2005, Carmenere, Chile2 Comments

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