Carmenere

Aliara, da Odfjell. Um vinho para beber com carinho

Antes de começar a falar sobre o vinho, vamos esclarecer uma coisa para você não ficar confuso, a Odfjell é uma vinícola chilena, mas esse nome não remete em nada ao espanhol, certo? Sim, certo, mas é porque esse nome é norueguês e vem da família Odfjell, que foi para o país e fundou a vinícola com seu sobrenome. Tudo mais claro agora?

E com uma filosofia orgânica, eles produzem belos vinhos, que sempre me agradaram (veja os outros vinhos deles que já provei aqui) e agora tive a oportunidade de provar uma outra linha que eu ainda não conhecia, que é o Aliara. Provei algumas safras (que infelizmente não estão mais sendo comercializadas atualmente) e pude ver a evolução do vinho, que mudou bastante a sua composição, que anteriormente tinha muito Cabernet Sauvignon e passou a ter mais Carignan.

Mas independente dos percentuais de uvas, o mais impressionante desse vinho é a maciez dele na boca. Conversei com o Sr. Laurence Odfjell, Executive Chairman da vinícola e falei que estava sentindo uma maciez na boca além do que estava acostumado, principalmente com os vinhos do Chile. Ele me disse que isso felizmente é proposital e que o enólogo disse para ele que trataria desse tema especificamente há alguns anos.

O resultado é um vinho realmente muito macio, extremamente bem cuidado, daqueles que a gente tem vontade de beber com calma, devagar e com uma boa comida. A safra atual vendida na World Wine é a 2009 e se você puder provar, eu recomendo que faça. Vale a pena. Veja abaixo um pouco sobre as outras safras, caso você tenha em casa alguma delas guardada.

aliaraAliara 2001
Toques já evoluídos mas bem interessantes. Na boca ainda está bem vivo e com bastante acidez. Potente e muito marcante. Com o tempo evoluiu muito, parecendo com um Bordeaux antigo. Belíssimo!

Aliara 2005
Muito diferente, com composição completamente diferente de uvas. Já mostra mais um toque chileno, mais adocicado, mas ainda assim não é enjoativo.

Aliara 2007
Pareceu ainda um pouco fechado, mas bem denso. Na boca é muito concentrado, com frutas negras e com menos adocicado.

Aliara 2008
No nariz parece mais pronto e na boca um pouco mais magro e mais ligeiro.

Aliara 2009
É a safra que está sendo vendida atualmente e custa 147,20. No nariz está com as frutas já maduras e na boca está muito redondo. Parece muito pronto para ser bebido agora e um belíssimo vinho. O melhor da degustação.

Aliara 2010
Obviamente mais jovem, mas parece que não tem todo o corpo do 2009 e nem a maciez do anterior. Ainda precisa de tempo na garrafa. É bom que esperem mesmo.

 

Continuo fã da Odfjell e dos seus vinhos. Dos mais básicos aos mais tops, principalmente dos feitos com a Carignan.

Um abraço

Daniel Perches

Vem aí vinho chileno de qualidade – Maturana Wines

Essa é para quem gosta de novidades e de provar vinhos novos no mercado. Em breve chegará ao Brasil o vinho Maturana Wines 2011, produzido no vale do Cachapoal, no Chile, pela vinícola de mesmo nome.

Essa vinícola é bem nova e tem só um vinho, pelo menos por enquanto. A safra 2011 foi feita com 72% de Carmenere e 28% de Cabernet Sauvignon. O resultado foi um vinho bem equilibrado, que começa com muita potência e depois vai ficando mais macio. Um belo vinho, que é muito gastronômico e pede uma boa comida para acompanhar. Nada daquele Carmenere pesado e com aromas enjoativos. Esse é mais consistente e seus aromas vão evoluindo para toques de cerejas e chocolate com o tempo na taça. Obviamente, o negócio é beber ele num ambiente climatizado ou no frio, mas com uma boa comida como um filé com molho funghi foi muito bem.

Maturana Wines 2011Quem vai trazer é a La Cristianini e ainda não sei o preço, mas vale a pena ficar de olho para ver se cabe no bolso assim que desembarcar no Brasil.

Um abraço

Daniel Perches

T.H. da Undurraga – vinhos de qualidade e que expressam o terroir

Os chilenos são bons de fazer vinho. Não é à toa que é o país que mais exporta para o Brasil, responsável por mais de 30% de todo o nosso estoque por aqui.

E por conta de sua geografia longa e fina, o Chile tem muitos terroirs diferentes para a produção de vinhos. Surgiu daí a idéia da Undurraga, uma vinícola grande de lá, de fazer o projeto T.H., ou Terroir Hunters.

A equipe de enólogos vai em busca de lugares onde eles possam plantar um determinado tipo de uva e desenvolver lá um vinho que reproduza as características do local. Idéia muito bacana e que tem dado certo. Eu provei alguns dos vinhos que estão no Brasil importados pela Inovini e conversei com um dos enólogos, o Rafael Urrejola. No vídeo abaixo ele explica um pouco sobre o que vamos encontrar ao degustar um vinho T.H.

Dos vinhos que eu provei, o T.H. Sauvignon Blanc 2012 e o Carmenere 2011, que é feito em Peumo, uma região que tem condições muito boas para a produção dessa uva se destacaram.

Se quiser conhecer e entender melhor os terroirs do Chile e o que cada um aporta no vinho, a linha T.H. é uma ótima opção. Atualmente a Inovini está trazendo o Sauvignon Blanc 2012, o Chardonnay 2011, o Pinot Noir 2012, o Syrah 2011, o Carmenere 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011.

Um abraço
Daniel Perches

Casa Silva Reserva Rosé 2011

Como eu falei lá no Instagram, está aberta oficialmente a Temporada de Degustações de Verão. Sim, afinal de contas o calor está chegando mais forte a cada dia, o final do ano se aproxima, as férias, as festas e tudo mais. E isso, pelo menos para mim, está intimamente associado a beber vinhos leves, frescos. Isso engloba praticamente toda a categoria de brancos, rosés e espumantes.

E por conta disso eu abri o Casa Silva Reserva Rosé 2011, que veio para mim na seleção do mês da Winelands, o Clube de vinhos que eu assino. Aliás, uma boa seleção, que contou ainda com um Cava (espumante espanhol), um branco que eu queria provar faz tempo e um tinto da Casa Silva.

Esse Rosé me surpreendeu. Eu acho até que já tinha provado ele lá na Casa Silva mesmo, que fica no Valle do Colchagua, no Chile e está sob a direção de um chileno que mais parece brasileiro, o Mario Geisse (o mesmo dos espumantes Geisse, feitos no Brasil).

Feito com Carmenere, Syrah e Sauvignon Gris, é um vinho muito alegre. Cor bonita, lembrando uma rosa-chá já me chamou a atenção. No nariz tem uma fruta vermelha fresca, tipo morango, muito bacana, mas misturado com um toque mineral. Na boca é leve, com uma excelente acidez e de novo o toque mineral.

Para acompanhar umas entradinhas ou só um happy hour é bem bacana. Aliás, me lembrou de fazer uns tapas, aqueles aperitivos espanhóis, conhece? Acho que vai ficar ainda mais legal o meu happy hour.

Ótima pedida e veio em boa hora. Já vou colocar o meu branco para gelar e a partir de agora, a maioria dos vinhos que eu vou provar em casa serão desse tipo. E que venha o calor, porque eu estou pronto!

E você, bebe vinhos mais leves no verão? Tem alguma dica imperdível? Manda pra mim.

Um abraço

Daniel Perches

Terrunyo Carmenere 2007

Eu nem sou muito fã de Carmenere, mas esse Terrunyo, da Concha Y Toro pra mim é fantástico. Eu costumo chamar ele de “mini Carmín de Peumo”, em homenagem ao Carmenere top da vinícola. Provei esse vinho quando fizemos o Winebar sobre as Novas Subdenominações do Chile, mas como eu tinha outra garrafa (para a minha sorte), pude provar novamente com calma. Um abraço Daniel Perches

Conhecendo os vinhos Arboleda

Há tempos que eu via os vinhos Arboleda. Já tinha até ouvido falar bem mas não tive oportunidade de prová-los. E chegou a hora com a vinda da enóloga da vinícola, a Carolina Herrera (não a dos perfumes) para falar sobre o projeto durante um almoço em São Paulo, na Brasserie Erick Jacquin.

Foi muito interessante finalmente provar os vinhos. Descobri que Arboleda (que significa grupo de árvores) foi o nome dado à vinícola por conta das árvores nativas que estão em torno do vinhedo. A vinícola começou em 1999 e tem dois vinhedos, um para os brancos e outro para os tintos. Em 1999 plantaram os tintos e em 2005 foi a vez dos brancos. A Arboleda é uma das 14 vinícolas no Chile que tem certificado de Sustentabilidade.

O fundador é o famoso Eduardo Chadwick, para quem não conhece, é o enólogo do Seña (falarei sobre ele depois), um vinho ícone do Chile muito famoso (e caro).que sempre teve vontade de ter um projeto pessoal e um dia estava no Valle do Aconcágua, encontrou um terreno que acreditou fazer sentido começar a plantar e assim surgiu a vinícola.

Os vinhos da Arboleda me pareceram muito bem feitos e de excelente qualidade. Fiquei mais encantado com o branco, que é delicado e potente ao mesmo tempo.

Degustação

arboleda_SB_2011Arboleda Sauvignon Blanc 2011
Aromático mas não é enjoativo. Nada daqueles intensos e cheios de maracujá. Frutas brancas, goiaba, manga. Bem elegante. Na boca é leve e fácil. Não tem tanta acidez, mas tem um final médio/longo bem agradável. Deve acompanhar mais comidas do que um que seja mais intenso.
R$ 98

Arboleda Pinot Noir 2011
Aromas mais fortes e potentes, com frutas e um toque de sous bois. Na boca tem bastante frescor e é vibrante. Não tem aquela goiaba tão forte e presente. Não dá para comparar em nada com Borgonha, mas é bem feito.

Arboleda Carmenere 2010
Esse sim tem o toque de goiaba e de fruta bem madura e adocicada. Muito intenso e um pouco mais difícil de harmonizar com comida, mas para quem gosta de um bom carmenere, esse dá show.

Os vinhos Arboleda são importados pela Expand no Brasil.

E em breve conto sobre o Seña 2007 que eu provei por lá também.

Um abraço

Daniel Perches

Tatio Reserva Rosé 2012

Não tenho o hábito de beber rosés, mas gosto deles e sempre acho que tenho que provar mais rótulos. Então tento colocar pelo menos 1 por semana no meu cardápio e quase sempre é o vinho de domingo. Abro uma garrafa enquanto estou cozinhando e vou levando ele até o almoço. Depois mato a garrafa no final do dia. Quase sempre são leves e fáceis de beber, por isso a escolha.

E neste domingo foi a vez do Tatio Reserva Rosé 2012, vinho que eu recebi vindo do clube de vinhos que eu assino, o Winelands. Esse já estava na minha adega há algum tempo, mas ainda não tinha tido tempo de provar. É produzido pela Viña San Vicente lá no Chile e feito com Cabernet Sauvignon, Carmenere e Malbec.

geiser_tatio_reserva_Rose_2012As uvas que compõem o vinho obviamente interferem na cor, então dá para imaginar como esse é, não? Muito intenso, com uma cor cereja forte. Acho que mesmo que tivessem tentado fazer algo de cor mais leve, não sei se conseguiriam facilmente.

No nariz tem aromas adocicados e intensos, com um fundo mineral. Na boca é tão intenso quanto no nariz e os toques mais adocicados também estão lá. Só achei o final um pouco curto, mas para um aperitivo está bom.

Não é meu tipo ideal de vinho rosé (prefiro os mais leves), mas acho que esse, para quem gosta de vinho com toques mais doces, pode agradar bem.

Um abraço

Daniel Perches

Viento Terral 2011

Esse vinho chileno vem lá do Vale do Maule. Feito com 40% Cabernet Sauvignon, 30% Malbec, 20% Carménère e 10% Cabernet Franc, me chamou a atenção pelos seus aromas. Como (quase) sempre acontece comigo quando eu vou beber um vinho chileno que eu não conheço, eu já tenho uma certa predisposição, me preparando para aromas mais adocicados e muitas vezes enjoativos. Mas não foi assim com esse, que provavelmente pela sua composição (e claro, pela sua qualidade), mostrou que é bem interessante.

viento_terralE o lado interessante dele veio primeiro dos aromas, que tinham um toque terroso misturado com um chocolate, muito bacana e nem um pouco enjoativo. Na boca também surpreendeu, sem tanto corpo e com uma boa acidez, deixando o vinho bem fácil de ser bebido.

Só errei na harmonização, porque eu provei com uma massa recheada de alho-poró, com molho vermelho. Acho que o casamento não foi muito feliz e o vinho ficou para trás da comida, mas tudo bem, a gente não precisa acertar sempre, não é mesmo?

O Viento Terral Blend 2011 foi importado pela Winelands e enviado na última remessa (Maio/2013). Vou agora provar os outros da vinícola San Vicente para ver se mantém a qualidade. Tem até um Grand Reserva, que espero que não seja tão parrudo. Em breve conto por aqui.

Um abraço

Daniel Perches

Almaviva lança sua 15a safra em grande estilo no Brasil

Almaviva é a vinícola mais premium do Chile. Conhecida e reconhecida no mundo inteiro, é uma união de duas bodegas bem conhecidas: Viña Concha Y Toro e a Baron Philippe de Rotschild. A primeira é a maior do Chile (e a 5a maior do mundo, se não me engano) e a segunda é uma das mais conhecidas de Bordeaux, que faz vinhos excepcionais.

Em 1996, fruto da união das duas, saiu a primeira safra do vinho Almaviva, que era composto de Cabernet Sauvignon, Carmenère e Cabernet Franc. A idéia sempre foi a mesma, fazer o melhor vinho do Chile, ao estilo Bordeaux. E para isso os maiores esforços dos dois sócios sempre foram escalados, sempre trazendo grandes enólogos e trabalhando no melhor conceito de Chateau de Bordeaux.

ALMAVIVA2010-01E em 2010 foi feita a 15a safra do Almaviva, que foi apresentada em São Paulo em Março de 2013, num evento de altíssimo luxo e qualidade impecável.

Começamos com uma degustação vertical de sete safras (1998, 1999, 2001, 2005, 2007, 2009, 2010) onde o enólogo Michel Friou nos conduziu através da história da vinícola, mostrando os diferentes momentos de cada um dos vinhos. É interessante ver como o vinho teve mudanças leves no seu estilo de produção, mas sempre mantendo a alta qualidade, classe e elegância. A safra 2010 veio com uma novidade: adicionaram a Petit Verdot, que é também uma das uvas do chamado corte bordalês.

De todas as safras provadas (depois provamos mais no jantar), fiquei bastante impressionado com a 2001, a 2005 (que para mim foi a melhor de todas) e a 2010, que promete ser um grande vinho pelos próximos anos.

Aqui conto um pouco mais do 2010 e em outros posts contarei sobre as outras safras. Essa 15a colheita mostrou-se ainda jovem, mas com toques bem interessantes que quando evoluírem vão ser um grande vinho. Na boca é bem potente, mas mostra uma ótima elegância, que não ataca com força, mas com constância. Aromas ainda fechados e taninos bem intensos, mas muito macios. É sem dúvida um vinho que merece um descanso de alguns anos antes de ser consumido, mas se você não resistir, pelo menos tenha uma boa comida junto.

E já que estamos falando em comida, tivemos também belíssimos pratos neste evento. O buffet foi comandado por Emmanuel Bassoleil, o francês que arrebenta lá no Unique/Skye. Durante o serviço, outras safras servidas e a primeira, a 1996, que veio para o Brasil em tamanho Double-Magnum, estava espetacular.

Para coroar o show, uma apresentação impecável do Barbeiro de Sevilha. Evento black-tie à altura do vinho, como deveria ser.

É, o Almaviva mostrou que não veio para ser coadjuvante, mas sim ator principal.

Um abraço

Daniel Perches

Cachos de Oro 2009 – um vinho exuberante

O Chile é um país realmente diversificado em relação aos vinhos. E mesmo que você já tenha bebido muito vinho chileno (de todas as categorias), não vai ser difícil se surpreender com algum deles.

Eu sempre me surpreendo. E fico contente com isso. Foi assim com o Cachos de Oro 2009, um vinho do novo projeto chamado Leyendas de Família, lá do Valle do Maule, que está vindo para o Brasil com importação pela Casa do Porto.

Cachos-de-OroO Cachos de Oro tem esse nome por conta da lenda do Touro de chifres dourados. Tem 50% de Cabernet Sauvignon e 50% de Carmenere e passa um bom tempo por madeira. É um daqueles vinhos chilenos encorpados, potentes e ao mesmo tempo elegantes.

Nesse vinho você vai encontrar as notas tradicionais de pimentão, toques de pimenta negra, defumados, frutas vermelhas adocicadas, mas vai encontrar também um ponto legal, que é a vocação gastronômica, que em geral os vinhos desse porte não tem.

Gostei dele para acompanhar uma carne com um pouco de gordura na grelha e até com alguns molhos como o barbecue ele se deu bem. E ele tem uma boa acidez, então a gente não “cansa” dele tão fácil. Na verdade, matar a garrafa em duas pessoas não é uma tarefa difícil (e muito menos desagradável).

Então se você é fã de vinho chileno e gosta de conhecer mais sobre esse país, está aí uma boa dica. E depois ainda dá para provar o top da casa, que eu não conheço mas fiquei curioso. Chama-se Magia Negra e tem Cabernet Sauvignon, Carmenere, Cabernet Franc e Malbec. Se você provar, me conta.

Um abraço

Daniel Perches

Altazor 2008 – o vinho top da Undurraga

Sempre digo que falar de vinho top é fácil. Mas ao mesmo tempo que é fácil, porque a gente só tem elogios a fazer, é também difícil, porque eu acredito que cada vinícola faz seu vinho top (ou ícone) com o intuito de se diferenciar.

E aí é que está o problema: falar que o vinho tem diversos aromas, tem corpo, taninos potentes, etc, é chover no molhado, ou seja, é falar o que é óbvio.

E quando eu bebi o Altazor, que é o vinho top da Undurraga, lá do Chile, eu pensei nisso. O que esse vinho tem de diferente dos outros vinhos tops que eu já bebi, principalmente do Chile.

Para mim, o Altazor (Carbernet Sauvignon, Carmenere, Syrah, Carignan , Petit Verdot) é elegante sem precisar ser pesado. Ele tem um balanço de aromas e sabores, junto com os taninos, que faz com que você beba o vinho já pensando no próximo gole, sem enjoar do excesso de madeira ou de qualquer outra característica que possa fazer com que você fique menos entusiasmado a cada gole.

O Altazor é um vinho que dá para beber em duas pessoas, com uma boa comida e terminar a garrafa sem grandes dificuldades. Isso, aliado aos seus aromas e sabores, que obviamente são de excelente qualidade, é o que diferencia ele de alguns outros tops.

O meu Altazor foi harmonizado com um bom hamburger “gourmet”, que eu preparei na churrasqueira. E se alguém aí achar que foi um sacrilégio colocar o Altazor para harmonizar com hambuger, precisa certamente rever os conceitos, tanto de harmonização quanto de hamburger, porque esse lanche pode chegar a pontos de sofisticação tão altos quanto um bom prato de restaurante.

Sim, o hamburger é digno do Altazor. E vice-versa.

Toda a linha Undurraga é importada pela abflug.

Um abraço

Daniel Perches

Terrunyo – o queridinho da Concha Y Toro

Já comentei aqui sobre a minha recente visita à Concha Y Toro, onde pude beber uma vertical do vinho Carmin de Peumo. o vinho é um dos tops da vinícola e é feito basicamente de Carmenere. Caro, mas muito bom!

Na mesma visita, antes dessa vertical do Carmin, provamos vários vinhos da linha Terrunyo, que me agradaram muito. São vinhos para se prestar a atenção e o que me pareceu é que são “queridinhos” da Concha Y Toro. Vale conhecer.

Segundo o enólogo, o Terrunyo é como um grande avião, que demora para subir, mas depois quando chega a velocidade de cruzeiro, fica super bem. Pareceu uma boa analogia. São vinhos que precisam de decantação e que depois de umas 2 horas ficam fantásticos! Veja os que eu provei.

Terrunyo Sauvignon Blanc 2011 Block
Feito com Clones de Sancerre, da França.
Tem potência mas ao mesmo tempo é elegante. Boa acidez. Leve vegetal no nariz. no primeiro ataque é bem ácido, mas depois fica muito bem na boca. Mineralidade e frescor. Abre com o tempo e fica ainda melhor.

 

Terrunyo Sauvignon Blanc 2011 Block 9 (só 2000 garrafas)

Anda um pouco herbáceo, mas é mais aromático e mais elegante. Leve salino e leve doce na boca, no final.  Esse eu acho que não vem para o Brasil. Tem que comprar na Vinícola.

Terrunyo Carmenere 2008
As uvas são plantadas em Peumo. O lugar é bom para Carmenere porque tem um clima mais constante e a Carmenere precisa de vida longa na vinha.
Esse vinho tem vegetal, mas é bem pouco. Notas de tabaco, fruta doce, denso. É doce na boca, mas não tanto. Não é enjoativo. Tem bastante grafite tanto no nariz quanto na boca.

Terrunyo Cabernet Sauvignon 2008
Grafite, leve mineral, fruta, potente, taninos bem presentes. Muita concentração e força. É um vinho que está pronto, mas que dá para guardar ainda por mais 10 anos com certeza.

Terrunyo Riesling 2011
É um Riesling elegante, com aromas até tímidos, mas que aparece grande na boca. Excelente acidez e final de boca. Se envelhecer vai ficar ainda melhor com certeza. O enólogo acredita que pode ficar 20 anos envelhecendo (e eu não tive coragem de discordar).
Se quiser provar, infelizmente vai ter que desembolsar um bom dinheiro. Os vinhos da linha Terrunyo custam em torno de 200 reais no Brasil. Foi a minha única decepção da degustação.

Um abraço

Daniel Perches