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Almaviva 1999

Almaviva 1999

Alguns amigos nos pregam (boas) peças que serão lembradas por toda a vida. E dessa vez aconteceu comigo, que a convite do Cristiano (Vivendo Vinhos), eu e o Alexandre (Diário de Baco) fomos comemorar uma vitória em sua carreira, regados a um vinho especial, que o Cristiano guardou para uma ocasião como essa.

Não preciso nem falar o quanto fiquei honrado com o convite e claro que aceitei, afinal de contas, amigo é para essas coisas, não é mesmo?

O local escolhido foi o restaurante Olivetto, que tem como Sommelier o respeitadíssimo Diego. O serviço foi impecável, com direito até a decantação com luz de vela, para detectar sedimentos presentes na garrafa (natural para esse tipo de vinho, com essa idade).

Antes de degustarmos o Almaviva decidimos “abrir a noite” com um italiano que tem suas uvas cultivadas aos pés do vulcão Etna, feito com a uva Nerello  mascarese. Fantástico (e eu conto algum dia sobre ele), mas o que queríamos mesmo saber era do Almaviva.

Chegou então o tão esperado momento e com uma grande ansiedade, pudemos provar esse ícone chileno. O resultado é fantástico e à altura de todos os (bons) comentários já feitos sobre ele. O Almaviva é feito com cortes diferentes a cada ano. Especificamente em 1999 foram utilizados Cabernet Sauvignon (78%), Carmenère (19%) e Cabernet Franc (3%) e ficou 16 meses em carvalho descansando antes de ser engarrafado.

 almaviva1999Pra começar, sua coloração mostrou-se muito viva e intensa, com um bom halo de evolução, mas mostrando também que o vinho ainda poderia agüentar um bom tempo.

No nariz, muita complexidade: frutas vermelhas compotadas com um toque adocicado, toques mentolados, especiarias (que eu não consegui identificar com clareza alguma que se destacasse) e depois de um pouco de tempo na taça, aromas de couro e chocolate também vieram nos brindar.

Em boca, muita acidez, taninos muito macios, mas ainda fortes, mostrando que o vinho tem muita estrutura e que não estava nem um pouco “morto”. Impressionante a sua potência. Final longo e saboroso, daqueles pra ficar meditando depois de beber.

Esse vinho foi (bem) harmonizado com um cordeiro com purê de brócolis e temperos chilenos. Foi uma boa harmonização, mas se o Diego me permite, eu deixaria o prato com um pouquinho menos de pimenta. Mas é claro que isso é só um preciosismo, pois o que valeu mesmo foi a noite com os amigos.

Agradeço então ao meu amigo Cristiano, que dividiu não só a sua alegria conosco, mas também uma jóia de vinho. Amigos de verdade são assim, compartilham seus momentos bons com quem gostam e o mais legal é que recebem tudo de volta.

Ah, nesse dia, quando acordei vi São Paulo completamente alagada e a degustação seria em Campinas. Pensei por aproximadamente 2 segundos e concluí: VOU, NEM QUE SEJA DE BARCO!

Abraços

Daniel Perches

Posted in 1999, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile0 Comments

Casa Silva Carmenère Reserva 2004

Casa Silva Carmenère Reserva 2004

Falar desse vinho para mim tem um sabor especial. Não só pela qualidade dele, mas pelo momento e circunstância que foi provado. Tentarei aqui ser fiel às suas características, mas desde já informo que posso estar sendo parcial. E já explico o porquê da cautela.

Há aproximadamente dois anos eu estava com meu grande amigo Rafael quando ele me mostrou esse vinho, que havia ganhado. Ao notar meu interesse, ele prometeu que abriríamos em um momento especial. Por diversas razões, não tivemos oportunidade de prová-lo até então. O vinho ficou lá, guardado, esperando a hora certa de nos brindar.

Tive então o grande prazer de receber não só o Rafael, mas também o Renato e o Marcelo em minha casa, quando pudemos fazer um belo churrasco e degustar esse vinho. E como eu sempre digo, o vinho na companhia de amigos (e nesse caso, são amigos muito queridos, que eu aguardava há tempos que viessem me visitar), torna-se muito mais saboroso.

Vinho aberto, taças em mãos, brindes feitos. Agora é a hora da avaliação. Produzido em sua totalidade com a uva Carmenère proveniente do Vale do Colchagua, mostrou uma coloração rubi intensa, com um pequeno halo de evolução. Lágrimas grandes e lentas pintaram a taça, mostrando a força do vinho. Acredito que ainda tinha bastante vida pela frente.

No nariz, aromas adocicados de frutas vermelhas em compota contrastando com um toque animal, puxado para o couro. Final com toque de especiaria. Um belo bouquet, sem dúvida.

Em boca apresentou taninos muito arredondados e macios, ótimo volume e final longo e praticamente sem amargor. Um vinho bastante encorpado e que merece um bom acompanhamento.

Não diria nem que o churrasco seria a melhor opção para ele, mas como o que mais me valeu na noite foi a companhia dos amigos, para falar a verdade, a carne foi uma mera coadjuvante.

Termino essa matéria agradecendo: Obrigado, meus amigos, pela noite maravilhosa que passamos juntos. Espero que possamos nos encontrar muitas e muitas vezes aqui e degustar sempre bons vinhos. A noite foi especial, e dessa vez, não foi por causa do vinho.

Um abraço

Daniel Perches

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Posted in 2004, Carmenere, Chile4 Comments

EPU 2006 (o meu melhor vinho)

EPU 2006 (o meu melhor vinho)

O Epu é, sem dúvida, um dos melhores vinhos do Chile e com certeza, do mundo todo.

Faço essa afirmação sem medo de errar ou de ser exagerado, pois a qualidade desse vinho é algo de se tirar o chapéu. Produzido com as uvas Cabernet Sauvignon e Carmenère, é o segundo vinho da Almaviva, casa já bastante conhecida por todos e que produz o tão afamado vinho de mesmo nome, que é muito pontuado e venerado no mundo todo.

Uma vez ouvi algumas pessoas dizerem que “segundo vinho não vale a pena”. A afirmação era algo como “ninguém quer saber do segundo lugar, então fuja dos segundos vinhos dos produtores. São a parte ruim do que foi utilizado para fazer o primeiro”.

Pois quem falou isso precisa provar então esse vinho para mudar seu conceito e acho que uma boa opção é bebendo um Epu.

Eu já tinha bastante informação sobre ele e por isso foi o primeiro que eu procurei ao chegar ao Chile e foi o que eu escolhi para acompanhamento da passagem de ano. Mesmo sabendo do potencial do vinho e estando teoricamente preparado, ao sentir seus aromas e depois de beber o primeiro gole, fiquei simplesmente extasiado.

Grandes vinhos como esse merecem mais do que descrições organolépticas. Merecem uma resenha sensorial.  Não vou me esquecer tão fácil dos seus aromas delicados e ao mesmo tempo potentes, da sua complexidade em boca, que ao mesmo tempo em que mostrava um vinho corpulento, era também muito macio e sedoso. Um final bastante longo, persistente e sem amargor completam a experiência, pedindo que se beba sozinho, sem comida pra “atrapalhar”, mesmo sabendo que é um vinho gastronômico e que precisa de um bom acompanhamento. Pareceu-me um vinho dos grandes jantares, daqueles que se serve em decanters para os grandes barões, com aquelas comidas super elaboradas.

Posso afirmar, sem dúvida, que esse foi o melhor vinho que eu bebi em minha viagem ao Chile. E claro que trouxe uma garrafa extra para ser guardada e aberta em um momento especial, conforme esse vinho merece. Essa é da safra de 2007, que ouvi dizer que está ainda melhor. Quem viver, verá. Ou melhor, quem beber, sentirá.

E pra terminar em grande estilo, deixo todos com mais água na boca ao contar o seu preço: 75 reais. Algo inimaginável para um vinho dessa categoria no Brasil…

Um abraço

Daniel Perches

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Posted in 2006, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile4 Comments

Primus 2006

Primus 2006

Já falamos aqui e aqui um pouco sobre o Chile, mas até então, nada de vinhos de lá. Sendo assim, hoje vamos partir para o primeiro vinho .

O Primus é o vinho top da vinícola Veramonte, situada no vale de Casablanca (e com vinhedos também no Colchagua).

Essa garrafa foi comprada no primeiro dia por lá, quando visitei a loja “El mundo del vino” em Santiago. A idéia era encontrar um vinho para passar o réveillon. Esse acabou não sendo o escolhido para a noite mas depois, quando foi degustado e aprovado com louvor.

Produzido com Cabernet Sauvignon (36%), Syrah (31%), Merlot (17%) e Carmenère (16%), tem uma coloração rubi muito intensa e com um pequeno halo de evolução. Segundo o vendedor da loja e também o produtor, tem um potencial de guarda de mais de 10 anos. Acredito, pois o vinho ainda estava jovem. Esse passa 14 meses em barrica antes de ir para a garrafa.

No nariz, aromas de especiarias (pimenta), couro e madeira. Surgiu alguma fruta vermelha, mas que foi logo superada pelos aromas terciários descritos. Sua força e estrutura não me pareceram daqueles típicos vinhos chilenos que estamos acostumados a beber, que sempre vêm com uma “fruta tropical” (a famosa goiaba). Estava muito mais para um potente bordalês.

Em boca é muito estruturado e com taninos ainda um pouco duros, comprovando a sua jovialidade. É um vinho que pede comida. Acredito que deva ir muito bem com uma carne ou com uma massa que tenha um molho forte e até apimentado.

Os outros vinhos da vinícola Veramonte também foram degustados e são de ótima qualidade, mas esse Primus, o top da linha, é o mais bem feito e caprichado. Aliás, é um que merece um decanter por pelo menos 1 hora antes de se beber. Tenho certeza que vai melhorar bastante.

Esse, vale algo em torno de R$ 35,00 lá no Chile. Um ótimo preço para esse vinho, sem dúvida. Pergunto-me quanto valeria no Brasil, mas acredito que nos chegaria por volta dos 90 reais.

Em breve falaremos mais sobre outros vinhos da Veramonte e também do Vale do Colchagua, que é o “coração” dos vales do Chile e que abriga vinícolas muito importantes.

Um abraço

Daniel Perches

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Posted in 2006, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Merlot, Syrah4 Comments

Palo Alto Reserva 2007

 

Publico hoje o primeiro post participando da “Confraria Brasileira de Enoblogs”. Uma iniciativa muito interessante do nosso colega Gil Mesquita, do Vinho para Todos.

O vinho do mês é o Palo Alto Reserva 2007, que tem 3 uvas em sua composição: Cabernet Sauvignon, Carmenere e Syrah e é  produzido no Maulle Valley, no Chile. O interessante desse vinho é que cada uva desse corte vêm de um lugar diferente da região que é produzido.

Em tempo: a Viña Palo Alto pertence à famosa Concha y Toro.

Mas vamos ao vinho: visualmente é bem interessante. É denso, com uma coloração rubi intenso, bem brilhante. Apresenta um bom halo de evolução e suas lágrimas chegam a pintar a taça. Percebe-se de cara que é um vinho bem estruturado.

paloalto_redEm boca, tem muitas frutas negras com destaque para a ameixa. Apresenta também um leve adocicado como um chocolate no final. Notas de couro e torrefação também foram identificadas.

Na boca tem bom corpo e boa adstringência. Seu final ainda me pareceu um pouco “duro”, mas bebendo mais um pouco me acostumei ao vinho. Tem uma boa persistência (média a longa).

Fiz uma experiência com o vinho: quando abri, tirei uma taça e reservei para beber só no final. Deixei lá, descansando e arejando. Passado mais ou menos uma hora, voltei à taça e percebi que o vinho tinha evoluído, mas não tanto quanto eu esperava. Ou seja, o vinho é bastante potente e saboroso, mas acredito que não precise de decantação / aeração para que melhore. Considero isso, de certa forma, um benefício, pois em geral nós abrimos a garrafa e bebemos imediatamente, não é mesmo?

Resumindo, esse vinho tem ótima qualidade (aliás, como todos os outros da Concha y Toro) e o melhor é o seu preço, que gira em torno de 30 reais. Uma ótima compra para o dia a dia, sem dúvida. É importado pela Expand no Brasil, mas é facilmente encontrado em lojas especializadas.

Um abraço

Daniel Perches

 

Posted in 2007, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile, Syrah0 Comments

Caliterra Reserva Carmenere 2008

caliterra_carmenereQuando falamos na uva Carmenere, principalmente vinda do Chile, a gente já lembra logo daquele aroma adocicado de goiaba, que já virou característico. Não sei se é bom ou ruim, mas sempre que eu pego uma garrafa dessa uva e desse país, eu acho que já me preparo para sentir esse aroma. E aí começa a “briga” interna, pois eu quero procurar outros aromas, mas sempre me pego pensando na tal da goiaba… Continue Reading

Posted in 2008, Carmenere, Chile0 Comments


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