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Harmonização – Fettuccine Bolognese e Chianti

Harmonização – Fettuccine Bolognese e Chianti

Por sugestão dos Blogs Gourmandise e Le Vin au Blog, fiz essa harmonização com um vinho e um prato típico italianos. O molho bolognese (ou bolonhesa) é bem conhecido dos brasileiros e eu arriscaria dizer que é praticamente uma paixão nacional. Já os vinhos da região de Chianti ainda não atingiram esse patamar (de paixão nacional), mas acredito que por puro desconhecimento, pois são muito bons!

Segui à risca a receita e o resultado foi uma bela harmonização. O molho, feito com ingredientes ácidos (salsão, tomate) e alguns componentes lácteos (leite, creme de leite, manteiga) formou uma bela combinação com o Chianti Tosca, da Tenuta Valipatta, que apresentou uma boa acidez e aromas tendendo para os herbáceos e uma leve madeira seca.

O Chianti é produzido na Toscana e é composto de 90% de Sangiovese e 10% de Canaiolo Nero. É comercializado no Brasil pela Zahil e custa em torno de 55 reais. Um bom preço para um Chianti de qualidade.

Eu nunca tinha feito um molho bolognese da forma como descrita abaixo. O resultado foi um molho um pouco diferente do que estamos mais acostumados, que tem muito tempero. Esse foi mais suave e acredito que também por conta do sal marinho, que não só é mais saudável como é mais leve. Agradou bastante.

Esse prato vai bem com outros vinhos também, mas se puder reproduzir com esse Chianti (ou com outros da mesma região), vale a pena.

Abaixo replico as receitas. Parabéns aos blogs organizadores pela bela harmonização.

Receita escolhida: Fettuccine Bolognese – 4 pessoas

Ingredientes:

• 240ml de creme de leite fresco
• 200g de pancetta (gordura de banha de porco) brunoise
• 2 xícaras de cenoura brunoise
• 1 xícara de salsão brunoise
• 1 xícara de cebola brunoise
• 900g de Maminha limpa e sem gordura picada na ponta da faca
• 240ml de vinho tinto seco
• 8 Colheres de sopa de tomate bem maduro concassé brunoise
• 200ml de fundo de legumes caseiro (a receita é a mesma do utilizado na receita da Polenta com ragu de músculo, basta diminuir as quantidades)
• 480ml de leite integral quente
• 30g de manteiga sem sal gelada
• Sal marinho a gosto
• Pimenta preta moída na hora
• 500g de fettuccine Rustichella d’Abruzzo  ou De Cecco (Fettuccelle ou Fettuccia)

Preparo:

Derreta a gordura de porco até ficar quase completamente líquida, unir os legumes e refogar até a cebola ficar translúcida.
Adicionar a carne e refogar até dourar ligeiramente.
Colocar o sal e a pimenta moída na hora.
Acrescentar o vinho, o fundo e tomate, cozinhar por mais ou menos 5 minutos.
Tampar, diminuir o fogo e cozinhar por 2 horas, adicionando o leite aos poucos.

Obs:
Antes de servir aqueça o molho, coloque o creme de leite reduzido para 1/3 (faça no fogo baixo) a manteiga e uma pitada de sal, cozinhe por 3 minutos. Acrescente a massa cozida (respeite o tempo de cocção descrito na embalagem) e sirva imediatamente.
Esta receita foi adaptada da receita do chef André Mifano (restaurante Vito).

Fundo de legumes:
• 200g de cenoura brunoise
• 200g de salsão brunoise
• 400g de cebola brunoise
• 2 dentes de alho esmagados
• 10 grãos de pimenta do reino
• 1 folha de louro
• talos de salsa
• 1L500ml de água
Cozinhe tudo em fogo baixo por 40 minutos à 1h. Amorne e coe, desprezando os legumes. Reserve o líquido.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2006, Canaiolo, Itália, Sangiovese0 Comments

Antiche Vie Chianti 2007

Antiche Vie Chianti 2007

Como diz o meu amigo Alexandre, “um bom Chianti não pode faltar na adega”. E eu concordo com ele. Os Chianti são vinhos muito saborosos e em geral, que acompanham muito bem comidas típicas italianas. Eu acho que a combinação perfeita para uma pizza de calabresa é um bom Chianti.

E como nunca é demais conhecer mais um rótulo, esse eu provei em companhia de outro amigo, o Beto Duarte. Conhecemos o Antiche Vie, que é do mesmo produtor do IXE Tempranillo (veja o post do IXE aqui), que também é um espetáculo de vinho.

Esse Chianti é produzido com Sangiovese (85%), Ciliegiolo, Canaiolo, Malvasia Nera (15%). Em taça mostrou uma coloração não muito escura. No nariz apresentou bons aromas, com um toque de frutas, madeira e até um leve defumado. Depois de certo tempo em taça melhorou um pouco, evoluindo seus aromas e tornando-se ainda mais agradável.

Dessa vez a harmonização não foi com pizza, mas com uma boa carne grelhada. Acompanhou bem, mas eu ainda aposto na primeira opção.

O Antiche Vie (como os outros vinhos do mesmo produtor) não está ainda à venda no Brasil, mas esperamos que em breve esteja. Esse Chianti deve chegar por volta dos 40 reais, o que é um bom preço pra ele.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2007, Canaiolo, Ciliegiolo, Itália, Malvasia Nera, Sangiovese1 Comment

O Príncipe que virou molho

O Príncipe que virou molho

Estou em busca de conhecer mais vinhos da região de Chianti. São vinhos muito interessantes, que são feitos, em geral, com bastante esmero e são conhecidos no mundo inteiro.

Para situar: Chianti é o nome de um vinho que fica na região de mesmo nome, na Itália. Dentro de Chianti ainda tem a região de Chianti Clássico mas isso é assunto para outro post, pois dessa vez, eu provei um vinho da região de Chianti (não Clássico).

E como falei, como estava em busca de Chiantis, eu encontrei esse no Carrefour. Já havia visto ele outras vezes, mas nunca tinha me interessado. Dessa vez , resolvi arriscar.

Vinho comprado, aberto e degustado. O Chianti Príncipe, com um belo rótulo, me pareceu ser uma boa pedida. Ledo engano. O vinho foi uma grande decepção. Esperamos num Chianti uma boa acidez, um bom equilíbrio, bons taninos… Nada disso havia lá. Cheguei até a duvidar da qualidade das uvas que haviam gerado o vinho. (a saber, esse é produzido com as uvas Sangiovese, Canaiolo Nero, Trebbiano Toscano e Malvasia).

Tentamos (eu e minha esposa) mais uma pequena taça, mas não teve jeito. O vinho não iria evoluir e estávamos decepcionados.

Como sempre digo (e aprendi com o meu amigo e mestre Álvaro Galvão), eu não quero, nem posso, julgar o vinho por uma garrafa só. Tenho que criar coragem para comprar uma outra para testar e ter certeza que o vinho não tem a qualidade esperada. Enquanto isso ficou com essa má impressão do vinho, infelizmente.

Quanto ao Príncipe? Bem, esse virou um belo molho para um ragu, que acompanhou uma polenta, e ficou fantástico.

Quem sabe não era essa a vocação desse vinho?

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2007, Canaiolo, Itália, Malvasia, Sangiovese, Trebbiano Toscano3 Comments

DO 12 uve Il Paradiso di Frassina 2005

DO 12 uve Il Paradiso di Frassina 2005

Outro dia um colega blogueiro me fez uma pergunta interessante: “Qual o vinho que você já bebeu com a maior quantidade de tipos de uva?”.

Em geral, nós estamos acostumados a ver cortes com 2, 3, até 5 uvas. Mas quando nos deparamos com um vinho que é composto por 12 castas diferentes, realmente dá vontade de provar.

E foi assim que eu conheci o DO, da vinícola Paradiso di Frassina. Como já comentei aqui sobre outro vinho deles, o produtor costuma levar música o tempo todo para os vinhedos, pois acredita que assim as plantas vão ficar mais felizes e produzir melhores frutos.

Continuo sem ter certeza sobre essa teoria, mas uma coisa é certa: esse vinho é muito bom!

Quere saber as uvas? Vamos lá: Brunello e Morellino (25%), Cabernet Sauvignon (20%), Cesanese d’Affile (10%), Syrah (10%), Petit Verdot (8%), Merlot (6%), Ancellotta (6%), Alicante Bouschet (5%), Cabernet Franc (4%), Tannat (3%), Canaiolo (3%).

Bastante coisa, hein?

O resultado disso tudo é um vinho com uma coloração rubi profunda, com um leve halo de evolução.

Os aromas são muitos, passando por frutas vermelhas em compota, aromas terrosos e também defumados. O interessante é que os aromas iam e voltavam, fazendo como se fosse um rodízio. A cada vez, algo diferente.

Em boca, muita maciez. Seus taninos são de ótima qualidade e seu final é longo e bem marcante. Um vinho de muito caráter.

Deve acompanhar bem uma boa comida e ser degustado calmamente, deixando-o evoluir em taça, para que libere todo o seu bouquet. Acredito que carnes assadas sejam um bom par para ele.

Importado pela Santa Ceia, não é um vinho barato, mas vale a pena. Eu recomendo.

E agora já sabem qual é o vinho que eu provei que tem mais castas diferentes em sua produção. E você, já provou algum vinho assim? O que achou?

Abraços

Daniel Perches

Abaixo você vê o contra-rotulo do vinho, com as informações sobre as uvas.

Posted in 2005, Alicante Bouschet, Ancellota, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Canaiolo, Cesanese d'Affile, Itália, Merlot, Petit Verdot, Sangiovese, Syrah, Tannat6 Comments


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