Cabernet Franc

Château Prieuré Canteloup 2009

Algumas regiões vinícolas no mundo são tão complexas, que se você passasse a vida inteira dedicado só a uma delas, ainda assim teria um monte de coisas para aprender. Para mim, Bordeaux é assim. Quanto mais eu estudo ou provo vinhos, vejo que não conheço nada e que tem um monte de vinhos, de sub-regiões, denominações e até de uvas (em momentos raros) que eu precisaria aprender muito mais.

prieure_canteloup_2009E recentemente estive na loja da Vinos & Vinos, que tem um belíssimo portfólio de vinhos franceses e italianos (além de outros de países como o Chile) e provei alguns vinhos. Dentre eles estava o Château Prieuré Canteloup 2009, um vinho feito numa safra muito boa e com as uvas Merlot (60%), Cabernet Sauvignon (15%) e Cabernet Franc (15%). Esse é um “Grand Vin de Bordeaux, feito na região de Côtes Bordeaux.

Foi um vinho que me chamou a atenção pois ele é bem clássico da região, trazendo aquelas frutas negras, aquele toque mais aveludado, mas bem intenso, apesar de me parecer ainda um pouco jovem. Segundo o pessoal da importadora, se deixar ele aerando, ele ficará bem melhor. É ver para crer (mas eu tendo a acreditar que sim).

Como é difícil de encontrar bons Bordeaux com preços acessíveis, esse pode ser até considerado um “achado”. Custa pouco mais de 100 reais e vai dar certamente uma boa alegria à mesa. (veja o link do produto aqui)

Se provar, me conte o que achou.

Um abraço

Daniel Perches

Chateau Lagarette Cuvée Cyrus 2004

Outro dia meu amigo Beto Duarte (Papo de Vinho), um grande conhecedor dos vinhos franceses, falou que “vinho de Bordeaux bom, tem que esperar 10 anos”. É claro que ele estava generalizando e a gente sabe que existem muitas classificações na região e que um grande vinho pode demorar 30 anos para se mostrar, enquanto vinhos de entrada podem estar prontos para o consumo imediato, assim que liberados para a venda no mercado, mas em geral, acho que a regra vale.

chateau_lagarette_2004E foi então que eu bebi o Chateau Lagarette Cuvée Cyrus 2004, oferecido pelo Alexandre Frias (Diario de Baco/Enoblogs) e lembrei desse ensinamento e pude comprovar, na prática, se era realmente verdade isso.

No caso desse vinho, a verdade é total. Ele estava fantástico, no ponto certo de consumo (para mim pelo menos) e com muita qualidade, bem vivo e já com uma grande complexidade de aromas e sabores.

O Cuvée Cyrus é um vinho feito só com Cabernet Franc. o que não é muito comum em Bordeaux. Além disso ele é orgânico e biodinâmico e para melhorar (para quem gosta, obviamente), ele é praticamente natural, ou seja, quase não tem adição de sulfitos na colheita e na produção.

O resultado é um vinho intenso, com aromas de frutas em compota/geleia, um leve toque herbáceo, na boca muito macio e final muito longo. Isso é só o começo, porque é daqueles vinhos que você pode (e eu acho que deve) deixar no decanter e esquecer ele lá por algumas horas. Foi o que fizemos e depois de umas 2 horas ele começou a mudar radicalmente, trazendo aromas diferentes e ficando mais interessante a cada gole. Um show.

Como todo bom vinho de Bordeaux, não é barato (veja no site da Expand), mas vale a pena conhecer. E não é comum uma importadora no Brasil ter vinhos tão antigos (eles estão comercializando essa safra mesmo, de 10 anos de idade), vale a pena aproveitar.

Um abraço

Daniel Perches

 

Valmarino Reserva de Familia 2005 – direto da barrica para a minha adega

Há alguns anos eu recebi da Valmarino esse Reserva da Família 2005. Conheço a vinícola, que fica em Pinto Bandeira e faz um bom Cabernet Franc, além de um espumante interessante, chamado Valmarino&Churchill .

Na época que esse vinho chegou para mim ele ainda não tinha nem sido rotulado, por isso você pode ver que a garrafa está com uma etiqueta digamos, simples. Os caras pegaram uma garrafa da adega e me mandaram, mas me avisaram que esse vinho ainda poderia estar novo e seria legal se eu esperasse um pouco para abrir. Foi praticamente “da barrica para a minha adega”.

Acabei deixando ele guardando por alguns anos, como tinham me recomendado. Agora, com a Copa do Mundo, eu resolvi abrir um vinho brasileiro a cada jogo e ao fazer a contagem de meus vinhos nacionais, encontrei esse. Não tive dúvidas e deixei preparado para o dia do jogo.

Foi só a bola rolar para eu abrir o vinho e com o apito inicial veio também uma grande dúvida. Ao servir, logo depois de aberto, o vinho me pareceu bem estranho, com aromas bem balsâmicos, daqueles tipo “biotônico”. Fiquei até na dúvida se o vinho estava bom.

valmarino_RF_2005Mas eu tenho uma regra que é nunca descartar o vinho de cara, então eu deixei a garrafa respirar um pouco (enquanto eu não respirava durante o jogo) e foi a minha sorte. O vinho melhorou muito, evoluindo daqueles aromas “estranhos” para outros bem legais, como chocolate, tabaco, um pouco de especiarias e frutas vermelhas doces.

É um vinho encorpado, que passa um bom tempo por madeira, então se você quiser ter uma boa comida por perto, não vai ser má ideia. Alias, acho que esse é uma das características da Valmarino, que faz bons vinhos e gosta de usar boas barricas. Se você for ao Sul, vale a pena passar por lá, provar os vinhos e bater um papo com os proprietários. Pessoas simples e que refletem bem o terroir de Pinto Bandeira.

O vinho estava legal, mas o jogo não. O Brasil empatou com o México e por mais que eu não entenda nada de futebol, achei que os melhores momentos foram os que eu bebi o vinho, porque futebol mesmo, não teve muita coisa.

Um abraço

Daniel Perches

Hoje é dia de transmissão ao vivo com vinhos da Salton

Hoje teremos mais uma transmissão ao vivo, pelo canal Winebar. E novamente é a Salton que aparece por lá, para apresentar algumas novidades. Serão 3 vinhos provados e comentados, dessa vez na companhia de um dos enólogos da casa e uma Sommeliere. A reunião vai ser animada e vamos ter bastante papo. Eu já estou curioso para provar os vinhos, pois tem o top novo deles e também um que custa barato, além de um espumante que me parece bem legal. Ou seja, 3 opções diferentes e que podem ser bem legais. Você pode participar ao vivo a partir das 20h. É só acessar www.winebar.com.br e acompanhar nosso vídeo e mandar suas perguntas e comentários pelo chat. Eu espero você lá. veja abaixo um pouco mais sobre os vinhos.

Espumante Salton Intenso

espumante-salton-intenso

Características do Salton Intenso Merlot
Possui uma coloração amarelo claro, com intensas e finas borbulhas, formando uma coroa de espuma branca na superfície do líquido. Expressa aromas equilibrados entre o frescor de suas variedades e a prolongada permanência sobre borras finas: cítricos, flores brancas, frutos secos, cevadas tostada e levedura. Sua cremosidade e estrutura envolvem o paladar, em meio a uma refrescante e equilibrada acidez.

Acompanhamentos
Tapioca, camarão na moranga, cuscuz a paulista, bolinho de bacalhau, camarões e frutos do mar, moqueca, galinhada, peixes assados na folha de bananeira, bobó de camarão.

Preço: R$ 40
Loja Virtual Salton : http://www.salton.com.br/novo/loja/produto/espumante-intenso-by-salton

Salton Paradoxo Merlot

salton-paradoxo-merlot

 

Características do Salton Intenso Merlot
Possui uma vivaz coloração bordô. No seu aroma surgem notas de frutas vermelhas maduras e notas balsâmicas, as quais são ressaltadas por aromas próprios da passagem por barricas de carvalho. Em boca, sua acidez é refrescante, seus taninos são maduros e untuosos, e a persistência gustativa é prolongada.Queijos de pasta dura e maturação média, risoto com cogumelos frescos, carnes vermelhas com molhos.

Acompanhamentos
Queijos de pasta dura e maturação média, risoto com cogumelos frescos, carnes vermelhas com molhos.

Preço: R$ 25
Loja Virtual Salton : http://www.salton.com.br/novo/loja/produto/salton-paradoxo-merlot

 

Salton Septimum 2009

septimum

Composição
Tannat, Ancelota, Merlot, Cabernet Franc, Teroldego, Cabernet Sauvignon e Marcelan

Edição para colecionador – VF Juarez Machado

Eu sempre reparo nos rótulos dos vinhos e uma coisa que é fato é que eles são, na maioria dos casos, feios e chatos. Então quando cheguei na Ravin para o lançamento do VF Juarez Machado e vi esses rótulos, fiquei muito animado. Para se ter uma ideia do que eu estou falando, eu nem sabia o que era o vinho, quanto custava, qual era a história nem nada, mas já estava animado com o negócio e queria comprar uma garrafa para guardar para mim.
Mas me fala se não são muito legais essas pinturas que o artista catarinense Juarez Machado criou para a nova linha de vinhos da Villa Francioni que leva o seu nome?

VF_Juarez_machadoO  artista buscou inspiração na sede de empresa, em São Joaquim, para criar a série de rótulos exclusivos para o vinho que leva o nome dele. O tema aborda os cinco sentidos (olfato, tato, paladar e visão) além do universo exterior e interior, num total de 7 rótulos diferenciados. A partir das telas pintadas pelo artista, foram feitas as reproduções para os rótulos. Além das ilustrações, Juarez Machado também compôs um poema que está no contra-rótulo de cada garrafa.

Eu já sou fã da Villa Francioni e já estava convencido pelo rótulo, mas é claro que precisava provar o vinho, então vamos lá: são quatro diferentes uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec, a safra é 2007. O vinho parece novo ainda e tem aqueles aromas de barrica, torrado, de frutas negras.

Se você comprar, pode abrir logo. O enólogo falou que dá para guardar, mas eu sinceramente guardaria só a garrafa. O vinho está bom para beber agora. Esses vinhos você encontra na Ravin.

Um abraço e que venham mais iniciativas como essa.

Daniel Perches

Paradigma 2007, o vinho do Grande Angel Mendoza

Se você for à Mendoza, visite do Domaine Saint Diego. Você será recebido pelo Angel Mendoza, um dos grandes enólogos da Argentina.

Eu estive lá e trouxe esse vinho em 2010 e estava esperando uma boa oportunidade para abrir. O dia chegou. E o vinho é demais!

Viña Requingua – vinhos chilenos para todos os gostos e bolsos

Eu vou a vários eventos de vinhos e muitas vezes são marcas conhecidas. É sempre legal provar (ou provar novamente) aqueles que já conhecemos para relembrar, mas às vezes é interessante quando não sabemos nada do vinho. E foi isso que aconteceu quando me convidaram para conhecer os vinhos da Viña Requingua, lá do Chile (Valle Central – Colchagua, Curicó e Maule). E eu fui, feliz e contente, achando que seria uma grande novidade para o mercado. Foi só chegar e conversar com alguns e percebi que (para a minha felicidade) eu não sei muita coisa mesmo, pois esse vinho já estava por aqui há algum tempo e inclusive o Potro de Piedra é um que tem muitos fãs.

Então se você também é um dos que já conhece a vinícola, me desculpe. Eu que estou atrasado. Mas de qualquer forma, só como apanhado geral, o que vale a pensa saber é que esses caras têm um enólogo francês gente boa, daqueles que gostam mesmo é de conversar, de comer bem e claro, de beber. Nada de ficar falando muito técnico, de tempo de barrica, de tostagem, etc. Ele quer saber se gostamos ou não do vinho e pronto. Esse é dos meus.

E eu provei alguns dos vinhos deles (falo abaixo sobre três tintos) e para a minha alegria, gostei do mais barato. O mais caro, o Laku, ainda estava muito fechado e novo, então vamos dar um desconto. Os vinhos da Viña Requingua são importados pela Nor-Impor (que eu também não conhecia. Aliás, acho que estou em outro mundo…) e os preços você pode ver também aí embaixo.

San Simon 2009
Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc
R$ 89
Toques defumados e só um pouco doces, sem enjoar, mas bem potentes. Na boca parece um pouco jovem e rústico, com taninos bem jovens e um pouco quente, mas com comida vai bem. Depois de um tempo na taça ele ficou mais macio e bem agradável, principalmente com carnes leves como fraldinha.

Potro de Piedra 2010
Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc
R$ 107
Mais redondo no nariz e na boca, é daqueles que a gente não tem o que encontrar de defeito, mas na hora de harmonizar que eu achei que ele seria mais gastronômico e não foi tanto como eu imaginava. Talvez carne de churrasco não seja a grande pegada dele.

Laku
R$ 335
Esse é o vinho top e a história dele é interessante. O enólogo e o dono da vinícola fizeram uma degustação às cegas de todas as barricas, sem saber o que tinha dentro. Selecionaram as 7 melhores e fizeram o blend. O resultado só é revelado na rolha, mas ao abrir o vinho. O desse Laku eu já adianto pra você aqui, mas os próximos provavelmente só comprando uma garrafa e abrindo para saber o que tem dentro.

laku_rolha

Um abraço

Daniel Perches

Projeto Tormentas e seus vinhos de caráter

Finalmente consegui provar as criações do vinhateiro Marco Danielle. Polêmico desde o começo de seu projeto “Atelier Tormentas“, ele é um daqueles caras inquietos que a gente sempre ouve falar, que resolveram largar tudo para seguir seu sonho. Era fotógrafo e tinha uma boa carreira, mas o vinho pelo jeito falou mais alto.
A polêmica vem da forma como faz seus vinhos, procurando o mínimo de interferência possível de produtos orgânicos. Mas atenção: ele deixa claro que a vinificação é natural, não a produção. Marco compra uvas de terceiros e apesar de todo o cuidado com o manejo do vinhedo, ele sabe que elas vêm com agrotóxicos. Tudo bem para ele.

O negócio de Marco Danielle é a vinicultura natural, ou seja depois que chegam em sua cantina, ele trata de forma mais natural possível, usando pouco ou nenhum sulfito para conservar, dentre outras coisas. A cantina fica em Canela, no sul do Brasil.

Seus vinhos têm rótulos muito interessantes e cativantes e o grande destaque para mim foi o Fulvia Pinot Noir, que eu já tinha ouvido gente falar que é “o melhor vinho brasileiro” e outros falando o contrário. Eu não gosto muito de rotular como “melhor ou pior” vinho, mas sem dúvida é um vinho muito interessante, com caráter. O Fulvia é daqueles vinhos que não passa depercebido em nenhuma degustação. Ame ou odeie, você vai ter que se decidir.

fulviaFulvia Pinot Noir 2012
Como o vinho não é filtrado, pode ser um pouco turvo. Tem uma cor leve. Foi decantado por mais de 2 horas, mas ainda estava com os aromas leves e um pouco fechado. Tem um toque mais selvagem e menos “maquiado”. Tem uma acidez que é um pouco difícil de encontrar nos vinhos brasileiros. Mostra uma cara diferente da Pinot Noir. É um vinho que eu beberia novamente.
R$ 120,00

barberaEnsaios Experimentais Barbera 2012
Vinho mais intenso em cor, mas com menos aromas. Tem aquelas frutas negras na taça e até um pouco doce, que vão se soltando aos poucos. Na boca é intenso, mais redondo. Tem uma vocação mais legal para a gastronomia. Fica um bom tempo na boca. São feitas pouco mais de 1.000 garrafas.
R$ 120,00

minimusMinimus Anima Garagem 2008
1859 garrafas. Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Alicante Bouschet.
Nome significa alma minimalista. Estilo Bordeaux bem evidente, mas ainda com um toque vegetal que se sobrepõe e mostra-se um vinho de presença.
R$ 70,00

Em um mundo onde vários produtores tentam fazer vinhos “iguais” ou muito parecidos, Marco Danielle inova e mostra a que veio. Ganhou um fã.

Um abraço

Daniel Perches

* Os vinhos foram provados em apresentação feito pela Sommelière Ana Galliano no Restaurante Olivetto, em Campinas.

Director s Cut do Coppola é um vinho, mas daria um filme

Não é raro sairem versões “Director’s Cut” de filmes de Hollywood. Essas versões são feitas com imagens que foram rodadas mas descartadas na hora de produzir o filme final. São versões que o diretor acha interessante e que gostaria de ter no rolo, mas por motivos de tempo, de enredo, de mudanças no final, etc, ele acaba optando por cortar. E muitas vezes essas versões são até mais interessantes do que as que foram inicialmente para o mercado.

coppola_Directos_cutE baseado nessa tradição do cinema, o Sr. Francis Ford Coppola, que como já sabemos tem uma vinícola na California, criou também a “versão do Diretor” para seus vinhos. A idéia surgiu para que o enólogo assim como o diretor de um filme pudesse refletir sua própria interpretação da excelência de cada uma das diferentes cepas. E o resultado foi um vinho feito com 49% Zinfandel, 45% Cabernet Sauvignon, 5% Petit Verdot e 1% Cabernet Franc, com um caráter intenso: fruta negra, torrefação e toques de ervas aromáticas deixam esse vinho super potente. No nariz você sente de longe esses aromas e na boca ele fica soltando sabores um tempão depois de beber.

Como em um bom filme, ele precisa de um ator coadjuvante, que neste caso seria sem dúvida uma carne bem forte e com temperos ou uma massa com funghis, especiarias ou algo bem marcante e potente.

Esse vinho seguramente iria satisfazer Don Corleone…

Um abraço

Daniel Perches

 

Os vinhos da Coppola Winery são importados pela Ravin no Brasil. Esse custa R$ 289,00.

Salton Gerações Paulo Salton 2009

Com o intuito de homenagear as pessoas da família que fizeram a história da vinícola, a Salton – uma das maiores do Brasil – lança mais um vinho da linha “Gerações. Desta vez veio o Paulo Salton, um vinho feito com 40% de  Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 20% Cabernet Franc, todas da Serra Gaúcha, no sul do Brasil.

Vinho Paulo SaltonProvei este vinho durante o Winebar feito em Dezembro/2013, quando transmitimos diretamente da vinícola e tivemos a ilustre presença do Diretor Técnico, Lucindo Copat. Em conversa animada comigo e com os participantes, Lucindo nos contou várias curiosidades sobre a vinícola, a elaboração, o mercado do vinho, etc. Vale a pena conversar com ele, pois é um cara que tem muita história.

E o Gerações Paulo Salton é um dos belos vinhos que eles produzem. Garrafa pesada, rótulo bonito e líquido à altura. Um vinho com boa complexidade de aromas e sabores, com taninos macios e bem pronto para ser consumido já. Com certeza é um vinho que pede comida e não venha com nada muito leve porque ele vai passar por cima. Pode pensar em algo bem forte, com condimentos e até pimenta se achar interessante. Acho que essa linha está sendo vendida só na Loja Virtual da Salton e cada garrafa custa R$ 90,00. Um preço bem acessível pela qualidade do vinho.

Um abraço

Daniel Perches

2013 foi o ano do Chateau Cheval Blanc para mim

O propósito deste blog é falar sobre vinhos acessíveis e dar minha opinião sobre alguns vinhos que nem são tão baratos, mas que você pode ter dúvida na hora de comprar e pode querer saber como é antes de comprar. Eu faço muito isso: quando estou em dúvida sobre um vinho (especialmente sobre os mais caros, acima de 150 reais) eu pesquiso na internet para saber se alguém que eu confio já falou sobre eles. Se sim, vou ler e aí tomo a minha decisão.

Mas existem alguns vinhos que não precisam de apresentação, de resenha, de post, de propaganda, de nada. Eles simplesmente conquistaram tamanha reputação que vendem (e caro) por si só, como é o caso do Cheval Blanc, um dos poucos Premier Grand Cru Classé de Bordeaux. O “cavalo branco”, um blend de Merlot e Cabernet Franc, é um ícone no mundo dos vinhos e aclamado por enófilos do mundo todo.

Chateau Cheval BlancE para a minha sorte e alegria total, em 2013 eu pude conhecer duas safras deste magnífico vinho. Primeiro foi a safra 1998, que bebi ao lado do Cheval des Andes, o vinho feito pela família em parceria com uma vinícola argentina. Uma experiência muito bacana de ver o estilo de Bordeaux reproduzido em Mendoza. O Cheval Blanc 1998 estava já evoluído, com notas de ervas, tabaco e terra molhada. A acidez dele ainda estava perfeita e com certeza é uma safra que dá para guardar um bom tempo ainda.

E recentemente em minha viagem à França provei o Cheval Blanc 2004, na loja Lavínia (que aliás, recomendo a todos que passem por Paris. Dá para beber grandes vinhos como esse por taça). O vinho estava obviamente jovem, mas que já trazia toda a complexidade de um grande Bordeaux. Daqueles que você pode deixar na taça por horas e ele vai ficando cada vez melhor.

Beber um grande vinho como esse é uma experiência fantástica e para poder entendê-lo é preciso realmente parar, se concentrar e analisar todas as suas nuances. Esse sim vale a pena você ficar lá com o nariz na taça, porque é aí que está toda a beleza. E claro, beber calmamente, conhecendo e reconhecendo os sabores.

Depois dessas duas magníficas experiências, só posso agradecer e desejar um excelente 2014 para todos os meus amigos bebedores de bons vinhos. Que tenhamos muitos motivos pela frente para brindar.

Um abraço

Daniel Perches

 

 

Villa Francioni VF Tinto 2006

Estou ensaiando uma viagem para Santa Catarina para conhecer as vinícolas de lá. Ainda não estive naquela região, que dizem ser muito bonita e agradável. Espero que consiga em breve. E vai ser legal porque além de tudo, por lá estão algumas de minhas vinícolas brasileiras favoritas, como a Villa Francioni.

Estive recentemente em uma degustação dos vinhos deles em São Paulo e lá provei esse, o Villa Francioni VF Tinto 2006, um dos tops da vinícola, feito com as uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Malbec. Mas como trouxe uma garrafa para casa, tive o grande prazer de degustar com calma e poder perceber algumas coisas legais dele.

Tirando minha admiração inicial pela vinícola (que inclusive tem um rosé famoso e realmente muito bom), é fato que os caras não brincam em serviço. Vinhedos grande qualidade, equipe de primeira e outros fatores que são importantes não têm economia por lá. Eles investem mesmo e o resultado é nítido.

villa_francioni_VF_Tinto_2006Esse vinho é fantástico. O 2006, aberto agora no final de 2013, está em seu auge, com aromas complexos de frutas em compota, leves toques de especiarias e de madeira no nariz e na boca. Como acompanhamento para carnes mais pesadas, molhos de carne, massas com molhos de tomate, costela bovina e muitos outros, é ótimo.

Eu tinha antes uma reclamação sobre a Villa Francioni que era a sua distribuição. Não encontrava em lugar nenhum. Agora me parece que as coisas vão se resolver, porque a Ravin passou a distribuir e deveremos encontrar mais esse vinho nas gôndolas.

De toda a linha vale a pena provar o Rosé, que vem inclusive numa garrafa muito bonita (que eu uso uma para água em casa), esse VF e o Michelli (esse sim é caro, mas vale a pena). Os outros são legais também, mas se eu tivesse que escolher 3, seriam esses.

Antes que me xinguem, o tem um preço alto sim. Custa R$ 160,00. Um preço que pode ser comparado a preços de vinhos importados de alta qualidade. Como esse é um tema delicado e muito particular, me abstenho de fazer qualquer julgamento, mas tenho certeza que se colocado às cegas com outros vinhos de mesma qualidade de outros países, não fará feio (e arriscaria dizer que faria muito bonito). Quem se arrisca?

Um abraço

Daniel Perches