Cabernet Franc

Paradigma 2007, o vinho do Grande Angel Mendoza

Se você for à Mendoza, visite do Domaine Saint Diego. Você será recebido pelo Angel Mendoza, um dos grandes enólogos da Argentina.

Eu estive lá e trouxe esse vinho em 2010 e estava esperando uma boa oportunidade para abrir. O dia chegou. E o vinho é demais!

Viña Requingua – vinhos chilenos para todos os gostos e bolsos

Eu vou a vários eventos de vinhos e muitas vezes são marcas conhecidas. É sempre legal provar (ou provar novamente) aqueles que já conhecemos para relembrar, mas às vezes é interessante quando não sabemos nada do vinho. E foi isso que aconteceu quando me convidaram para conhecer os vinhos da Viña Requingua, lá do Chile (Valle Central – Colchagua, Curicó e Maule). E eu fui, feliz e contente, achando que seria uma grande novidade para o mercado. Foi só chegar e conversar com alguns e percebi que (para a minha felicidade) eu não sei muita coisa mesmo, pois esse vinho já estava por aqui há algum tempo e inclusive o Potro de Piedra é um que tem muitos fãs.

Então se você também é um dos que já conhece a vinícola, me desculpe. Eu que estou atrasado. Mas de qualquer forma, só como apanhado geral, o que vale a pensa saber é que esses caras têm um enólogo francês gente boa, daqueles que gostam mesmo é de conversar, de comer bem e claro, de beber. Nada de ficar falando muito técnico, de tempo de barrica, de tostagem, etc. Ele quer saber se gostamos ou não do vinho e pronto. Esse é dos meus.

E eu provei alguns dos vinhos deles (falo abaixo sobre três tintos) e para a minha alegria, gostei do mais barato. O mais caro, o Laku, ainda estava muito fechado e novo, então vamos dar um desconto. Os vinhos da Viña Requingua são importados pela Nor-Impor (que eu também não conhecia. Aliás, acho que estou em outro mundo…) e os preços você pode ver também aí embaixo.

San Simon 2009
Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc
R$ 89
Toques defumados e só um pouco doces, sem enjoar, mas bem potentes. Na boca parece um pouco jovem e rústico, com taninos bem jovens e um pouco quente, mas com comida vai bem. Depois de um tempo na taça ele ficou mais macio e bem agradável, principalmente com carnes leves como fraldinha.

Potro de Piedra 2010
Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc
R$ 107
Mais redondo no nariz e na boca, é daqueles que a gente não tem o que encontrar de defeito, mas na hora de harmonizar que eu achei que ele seria mais gastronômico e não foi tanto como eu imaginava. Talvez carne de churrasco não seja a grande pegada dele.

Laku
R$ 335
Esse é o vinho top e a história dele é interessante. O enólogo e o dono da vinícola fizeram uma degustação às cegas de todas as barricas, sem saber o que tinha dentro. Selecionaram as 7 melhores e fizeram o blend. O resultado só é revelado na rolha, mas ao abrir o vinho. O desse Laku eu já adianto pra você aqui, mas os próximos provavelmente só comprando uma garrafa e abrindo para saber o que tem dentro.

laku_rolha

Um abraço

Daniel Perches

Projeto Tormentas e seus vinhos de caráter

Finalmente consegui provar as criações do vinhateiro Marco Danielle. Polêmico desde o começo de seu projeto “Atelier Tormentas“, ele é um daqueles caras inquietos que a gente sempre ouve falar, que resolveram largar tudo para seguir seu sonho. Era fotógrafo e tinha uma boa carreira, mas o vinho pelo jeito falou mais alto.
A polêmica vem da forma como faz seus vinhos, procurando o mínimo de interferência possível de produtos orgânicos. Mas atenção: ele deixa claro que a vinificação é natural, não a produção. Marco compra uvas de terceiros e apesar de todo o cuidado com o manejo do vinhedo, ele sabe que elas vêm com agrotóxicos. Tudo bem para ele.

O negócio de Marco Danielle é a vinicultura natural, ou seja depois que chegam em sua cantina, ele trata de forma mais natural possível, usando pouco ou nenhum sulfito para conservar, dentre outras coisas. A cantina fica em Canela, no sul do Brasil.

Seus vinhos têm rótulos muito interessantes e cativantes e o grande destaque para mim foi o Fulvia Pinot Noir, que eu já tinha ouvido gente falar que é “o melhor vinho brasileiro” e outros falando o contrário. Eu não gosto muito de rotular como “melhor ou pior” vinho, mas sem dúvida é um vinho muito interessante, com caráter. O Fulvia é daqueles vinhos que não passa depercebido em nenhuma degustação. Ame ou odeie, você vai ter que se decidir.

fulviaFulvia Pinot Noir 2012
Como o vinho não é filtrado, pode ser um pouco turvo. Tem uma cor leve. Foi decantado por mais de 2 horas, mas ainda estava com os aromas leves e um pouco fechado. Tem um toque mais selvagem e menos “maquiado”. Tem uma acidez que é um pouco difícil de encontrar nos vinhos brasileiros. Mostra uma cara diferente da Pinot Noir. É um vinho que eu beberia novamente.
R$ 120,00

barberaEnsaios Experimentais Barbera 2012
Vinho mais intenso em cor, mas com menos aromas. Tem aquelas frutas negras na taça e até um pouco doce, que vão se soltando aos poucos. Na boca é intenso, mais redondo. Tem uma vocação mais legal para a gastronomia. Fica um bom tempo na boca. São feitas pouco mais de 1.000 garrafas.
R$ 120,00

minimusMinimus Anima Garagem 2008
1859 garrafas. Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Alicante Bouschet.
Nome significa alma minimalista. Estilo Bordeaux bem evidente, mas ainda com um toque vegetal que se sobrepõe e mostra-se um vinho de presença.
R$ 70,00

Em um mundo onde vários produtores tentam fazer vinhos “iguais” ou muito parecidos, Marco Danielle inova e mostra a que veio. Ganhou um fã.

Um abraço

Daniel Perches

* Os vinhos foram provados em apresentação feito pela Sommelière Ana Galliano no Restaurante Olivetto, em Campinas.

Director s Cut do Coppola é um vinho, mas daria um filme

Não é raro sairem versões “Director’s Cut” de filmes de Hollywood. Essas versões são feitas com imagens que foram rodadas mas descartadas na hora de produzir o filme final. São versões que o diretor acha interessante e que gostaria de ter no rolo, mas por motivos de tempo, de enredo, de mudanças no final, etc, ele acaba optando por cortar. E muitas vezes essas versões são até mais interessantes do que as que foram inicialmente para o mercado.

coppola_Directos_cutE baseado nessa tradição do cinema, o Sr. Francis Ford Coppola, que como já sabemos tem uma vinícola na California, criou também a “versão do Diretor” para seus vinhos. A idéia surgiu para que o enólogo assim como o diretor de um filme pudesse refletir sua própria interpretação da excelência de cada uma das diferentes cepas. E o resultado foi um vinho feito com 49% Zinfandel, 45% Cabernet Sauvignon, 5% Petit Verdot e 1% Cabernet Franc, com um caráter intenso: fruta negra, torrefação e toques de ervas aromáticas deixam esse vinho super potente. No nariz você sente de longe esses aromas e na boca ele fica soltando sabores um tempão depois de beber.

Como em um bom filme, ele precisa de um ator coadjuvante, que neste caso seria sem dúvida uma carne bem forte e com temperos ou uma massa com funghis, especiarias ou algo bem marcante e potente.

Esse vinho seguramente iria satisfazer Don Corleone…

Um abraço

Daniel Perches

 

Os vinhos da Coppola Winery são importados pela Ravin no Brasil. Esse custa R$ 289,00.

Salton Gerações Paulo Salton 2009

Com o intuito de homenagear as pessoas da família que fizeram a história da vinícola, a Salton – uma das maiores do Brasil – lança mais um vinho da linha “Gerações. Desta vez veio o Paulo Salton, um vinho feito com 40% de  Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 20% Cabernet Franc, todas da Serra Gaúcha, no sul do Brasil.

Vinho Paulo SaltonProvei este vinho durante o Winebar feito em Dezembro/2013, quando transmitimos diretamente da vinícola e tivemos a ilustre presença do Diretor Técnico, Lucindo Copat. Em conversa animada comigo e com os participantes, Lucindo nos contou várias curiosidades sobre a vinícola, a elaboração, o mercado do vinho, etc. Vale a pena conversar com ele, pois é um cara que tem muita história.

E o Gerações Paulo Salton é um dos belos vinhos que eles produzem. Garrafa pesada, rótulo bonito e líquido à altura. Um vinho com boa complexidade de aromas e sabores, com taninos macios e bem pronto para ser consumido já. Com certeza é um vinho que pede comida e não venha com nada muito leve porque ele vai passar por cima. Pode pensar em algo bem forte, com condimentos e até pimenta se achar interessante. Acho que essa linha está sendo vendida só na Loja Virtual da Salton e cada garrafa custa R$ 90,00. Um preço bem acessível pela qualidade do vinho.

Um abraço

Daniel Perches

2013 foi o ano do Chateau Cheval Blanc para mim

O propósito deste blog é falar sobre vinhos acessíveis e dar minha opinião sobre alguns vinhos que nem são tão baratos, mas que você pode ter dúvida na hora de comprar e pode querer saber como é antes de comprar. Eu faço muito isso: quando estou em dúvida sobre um vinho (especialmente sobre os mais caros, acima de 150 reais) eu pesquiso na internet para saber se alguém que eu confio já falou sobre eles. Se sim, vou ler e aí tomo a minha decisão.

Mas existem alguns vinhos que não precisam de apresentação, de resenha, de post, de propaganda, de nada. Eles simplesmente conquistaram tamanha reputação que vendem (e caro) por si só, como é o caso do Cheval Blanc, um dos poucos Premier Grand Cru Classé de Bordeaux. O “cavalo branco”, um blend de Merlot e Cabernet Franc, é um ícone no mundo dos vinhos e aclamado por enófilos do mundo todo.

Chateau Cheval BlancE para a minha sorte e alegria total, em 2013 eu pude conhecer duas safras deste magnífico vinho. Primeiro foi a safra 1998, que bebi ao lado do Cheval des Andes, o vinho feito pela família em parceria com uma vinícola argentina. Uma experiência muito bacana de ver o estilo de Bordeaux reproduzido em Mendoza. O Cheval Blanc 1998 estava já evoluído, com notas de ervas, tabaco e terra molhada. A acidez dele ainda estava perfeita e com certeza é uma safra que dá para guardar um bom tempo ainda.

E recentemente em minha viagem à França provei o Cheval Blanc 2004, na loja Lavínia (que aliás, recomendo a todos que passem por Paris. Dá para beber grandes vinhos como esse por taça). O vinho estava obviamente jovem, mas que já trazia toda a complexidade de um grande Bordeaux. Daqueles que você pode deixar na taça por horas e ele vai ficando cada vez melhor.

Beber um grande vinho como esse é uma experiência fantástica e para poder entendê-lo é preciso realmente parar, se concentrar e analisar todas as suas nuances. Esse sim vale a pena você ficar lá com o nariz na taça, porque é aí que está toda a beleza. E claro, beber calmamente, conhecendo e reconhecendo os sabores.

Depois dessas duas magníficas experiências, só posso agradecer e desejar um excelente 2014 para todos os meus amigos bebedores de bons vinhos. Que tenhamos muitos motivos pela frente para brindar.

Um abraço

Daniel Perches

 

 

Villa Francioni VF Tinto 2006

Estou ensaiando uma viagem para Santa Catarina para conhecer as vinícolas de lá. Ainda não estive naquela região, que dizem ser muito bonita e agradável. Espero que consiga em breve. E vai ser legal porque além de tudo, por lá estão algumas de minhas vinícolas brasileiras favoritas, como a Villa Francioni.

Estive recentemente em uma degustação dos vinhos deles em São Paulo e lá provei esse, o Villa Francioni VF Tinto 2006, um dos tops da vinícola, feito com as uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Malbec. Mas como trouxe uma garrafa para casa, tive o grande prazer de degustar com calma e poder perceber algumas coisas legais dele.

Tirando minha admiração inicial pela vinícola (que inclusive tem um rosé famoso e realmente muito bom), é fato que os caras não brincam em serviço. Vinhedos grande qualidade, equipe de primeira e outros fatores que são importantes não têm economia por lá. Eles investem mesmo e o resultado é nítido.

villa_francioni_VF_Tinto_2006Esse vinho é fantástico. O 2006, aberto agora no final de 2013, está em seu auge, com aromas complexos de frutas em compota, leves toques de especiarias e de madeira no nariz e na boca. Como acompanhamento para carnes mais pesadas, molhos de carne, massas com molhos de tomate, costela bovina e muitos outros, é ótimo.

Eu tinha antes uma reclamação sobre a Villa Francioni que era a sua distribuição. Não encontrava em lugar nenhum. Agora me parece que as coisas vão se resolver, porque a Ravin passou a distribuir e deveremos encontrar mais esse vinho nas gôndolas.

De toda a linha vale a pena provar o Rosé, que vem inclusive numa garrafa muito bonita (que eu uso uma para água em casa), esse VF e o Michelli (esse sim é caro, mas vale a pena). Os outros são legais também, mas se eu tivesse que escolher 3, seriam esses.

Antes que me xinguem, o tem um preço alto sim. Custa R$ 160,00. Um preço que pode ser comparado a preços de vinhos importados de alta qualidade. Como esse é um tema delicado e muito particular, me abstenho de fazer qualquer julgamento, mas tenho certeza que se colocado às cegas com outros vinhos de mesma qualidade de outros países, não fará feio (e arriscaria dizer que faria muito bonito). Quem se arrisca?

Um abraço

Daniel Perches

Anthonij Rupert Cabernet Franc 2005

Na semana passada estive em um almoço memorável, quando foi lançado o Cape Wine Auction 2014, um leilão que promete vir para arrebentar. Quem curte e se interessa pelo assunto (e obviamente tem dinheiro para investir nisso), é bom ficar ligado. Assim que receber mais informações, eu posto aqui. No Brasil, a Qual Vinho? está responsável por isso.

Mas o que aconteceu foi que nos reunimos para um brinde coletivo em 6 continentes, regado obviamente a bons vinhos. No Brasil o lugar escolhido foi a Vinheria Percussi e um dos vinhos foi o Anthonij Rupert Cabernet Franc 2005.

Eu nunca tinha bebido nada dessa vinícola, que é famosa e com certeza corresponde a tudo o que falam dela. Esse Cabernet Franc, apesar de ser 2005, parecia muito novo, tanto na cor, no nariz e na boca. Chocolate, baunilha e frutas em conserva foi o que deu para identificar no meio de um monte de aromas que vinham e iam, numa dança legal. Na boca é impressionante, com muito tanino e aquele final que parece nunca terminar.

anthonij_rupert_cabernet_franc_2005É um vinho que eu acho que nem é tão fácil de harmonizar, porque realmente é bem intenso, estruturado. Mas obviamente isso não foi obstáculo para nós, que tínhamos pratos como um fusili ao molho de abruzzo (que foi muito bem) e um cassoulet (que nem foi tão bem assim). O que importa é que o vinho fez bonito, mostrando que poderia inclusive ser guardado por muito mais tempo.

Vinhos da África do Sul (de qualidade) vem ganhando destaque no mercado brasileiro e com razão. Por lá produzem vinhos fantásticos e que merecem a nossa atenção. E como eu estou trabalhando em uma pauta de Cabernet Franc, para mim foi ainda mais interessante, porque deu para ver como essa uva se comporta naquele país.

Também gosta de Cabernet Franc? Então veja os outros posts sobre essa uva aqui.

Um abraço

Daniel Perches

Chilcas Single Vineyard Cabernet Franc 2010

Quando ouvi falar pela primeira vez dos vinhos Chilcas, lá do Chile, não foi muito bem. Me falaram que não eram muito bons e eu fiquei com isso na cabeça. Mas como acontece também quando falam bem, eu prefiro sempre provar tentando ser o mais imparcial possível, pois é fácil ser influenciado e perder o referencial e acabar julgando mal um vinho.

E logo depois dessa primeira “má impressão” eu tive algumas oportunidades de provar, mas nenhuma eu consegui. Teve degustação dos vinhos em São Paulo, teve no Encontro de Vinhos e teve até esse Chilcas Single Vineyard Cabernet Franc 2010 participando do Top5, que é a eleição que fazemos para escolher os melhores vinhos de cada uma das feiras que organizo. Aí não aguentei, fui atrás dessa garrafa e consegui finalmente provar.

Chilcas_cabernet_franc_2010Que bom que eu provei com calma, para conhecer o vinho, pois é muito interessante. Para quem gosta de vinho potente, esse é o cara! É daqueles que tem cor intensa, no nariz tem aqueles aromas de frutas negras e um toque de barrica (madeira) bem forte. Na boca é bem encorpado e tem bastante taninos.

O que eu gostei dele é que não tem o toque herbáceo característico de vinhos feitos com essa uva principalmente na Argentina. Ele até tem, mas bem pouco e não incomoda.

Mas o Chilcas Cabernet Franc não é fácil de harmonizar. Justamente por essa potência e concentração toda, uma comida mais leve vai ficar para trás facilmente. Acho que se for de carne, tem que ser os cortes com mais gordura, mas talvez o bom mesmo seja uma carne ensopada, um ragú, uma rabada, etc.

Preciso provar outros, mas esse já me deu uma boa idéia e me mostrou que meu amigo que falou mal estava enganado, pelo menos para mim.

Se quiser ver mais sobre a vinícola, acesse o site deles aqui.

Um abraço

Daniel Perches

 

Cinco Tierras RB Gran Reserva Cabernet Franc 2009

Se tem uma uva que tem me marcado durante 2013 é a Cabernet Franc. Tenho “travado lutas” com ela por várias vezes, tentando entender o que ela tem de bom, quais são suas características e no final de tudo, quero mesmo é saber se eu gosto ou não dessa uva. Isso porque eu já fui grande defensor da Cabernet Franc e já comprei muitas garrafas. Não sei se o meu gosto mudou (que é o mais provável que tenha acontecido) ou se os vinhos mudaram, mas é fato que recentemente provei alguns muito herbáceos, o que me deixou um pouco desconfiado. Será que eu gosto mesmo dessa uva?

Então, para tirar a prova, sempre que posso, provo com calma um Cabernet Franc. E foi o que aconteceu com esse Cinco Tierras RB Gran Reserva Cabernet Franc 2009, que participou do concurso do Top5 do Encontro de Vinhos de Campinas (veja resultado aqui). Não ficou entre os 5 melhores, mas depois da degustação eu resolvi provar novamente, sem pressão e para entender o vinho.

A primeira conclusão que eu tiro é que eu nem tinha percebido que era Cabernet Franc, porque para mim essa uva tinha caráter tão herbáceo que nenhum outro aroma ou sabor poderiam participar na taça. Mas esse não é bem assim. É mais elegante, apesar de muito estruturado e intenso. Tem aromas de frutas negras, cerejas maduras, chocolate e um final de madeira molhada. Na boca é redondo mas com muito tanino e eu diria até que é novo e poderia ficar mais tempo em garrafa. É um vinho que precisa de algo para acompanhar, de preferência uma comida bem forte também, com ervas e especiarias.

Esse é um dos vinhos top da Cinco Tierras. Já provei outros (veja tudo sobre a Cinco Tierras no Vinhos de Corte aqui) e gostei da maioria do que conheci. Esse custa em torno de R$ 200,00 e não é pouco dinheiro para arriscar. Então se você tiver interesse em conhecer um Cabernet Franc intenso, potente, mas sem aquele toque herbáceo tão presente, pode ser uma boa investir nesse. Os vinhos da Cinco Tierras são importados pela MS Import no Brasil.

Um abraço

Daniel Perches

Humberto Canale Gran Reserva Cabernet Franc 2008

Lembro-me quando provei Cabernet Franc pela primeira vez. Foi lá no Vale dos Vinhedos, no Sul do Brasil e obviamente de um produtor brasileiro. Lembro que quando provei, senti algo especial. Achei diferente, com aromas e sabores que eu não tinha sentido antes e comecei a ficar de olho nesta uva.

Passados alguns anos e algumas outras garrafas provadas eu continuo gostando bastante de Cabernet Franc. Sempre que posso provo e gosto muito de conhecer essa uva produzida em diferentes regiões. Recentemente estive na Argentina e provei alguns de Mendoza. Gostei de alguns mas outroas traziam um aroma de folhas verdes tão forte que não me deixaram tão feliz.

humberto_canale_Gran_Reserva_Cabernet_Franc_2008Aí estive no Grand Tasting, evento que a Grand Cru promove e encontrei lá esse Humberto Canale Gran Reserva Cabernet Franc 2008, que é produzido em Rio Negro, na Patagônia. E já que estava lá para provar, eu provei!

O vinho é bem interessante. Tem os aromas típicos, como frutas negras e toques de pimentos. Na boca ele é mais leve do que eu pensava que seria, o que tornou ele agradável e me pareceu mais fácil de harmonizar. Vinhos muito pesados sempre me deixam confuso na hora de acompanhar a comida.

Eu tenho me surpreendido positivamente com os vinhos da Patagônia. Essa região da Argentina tão bonita é também excelente produtora de vinhos. E o Humberto Canale está aí para provar isso.

Então mais um provado e aprovado. Até o próximo Cabernet Franc.

Um abraço

Daniel Perches

Domaine La Bonnelière Cabernet Franc Cuvée Tradition 2010

Os vinhos do Vale do Loire podem surpreender sempre. Pode ser por uma elegância que não estávamos esperando em determinado vinho, pela acidez em outro ou pelo “conjunto da obra”, como ocorre mais frequentemente. E foi o que aconteceu comigo agora.

La_Bonneliere_2010Depois de voltar de uma viagem para a Argentina e provar alguns vinhos feitos com Cabernet Franc que parecia que eu tinha enfiado meu nariz dentro de um matagal, tanto era o aroma herbáceo, eu me senti um pouco “cansado” dessa uva e estava disposto até a dar um tempo, mas aí surgiu esse Cabernet Franc feito exatamente lá no dito Vale do Loire. Relutei um pouco para abrir esse vinho, mas pensei que eu sempre (ou quase sempre) tive boas surpresas com essa região, então decidi topar o meu próprio desafio. E também, se estivesse muito herbáceo, eu poderia simplesmente trocar de vinho e pronto, não é mesmo?

Mas não, o La Bonnelière Cabernet Franc Cuvée Tradition 2010 não tem nada disso. Elegante e austero, é um vinho “básico” que não tem pretensão de ser uma porrada de aroma verde no seu nariz. Frutas vermelhas, leve toque terroso e um pouquinho de pimenta foi o que eu encontrei no nariz. Na boca tem um corpo médio e um tanino bem forte. Deu até para acompanhar um frango recheado numa boa (não foi a melhor combinação, mas deu certo).

Então fica a dica para quem também estiver cansado de mato no nariz, esse Cabernet Franc não vai te deixar na mão. A importação é feita pela Cave Jado no Brasil e custa em torno de 60 reais.

Um abraço

Daniel Perches