Com esse sobrenome, ela não poderia trabalhar com outra coisa, senão vinho. Sofia Uva é a filha do dono da Herdade da Mingorra, uma propriedade no Alentejo que está trazendo alguns de seus bons rótulos para o Brasil através da Grand Cru.
Em degustação na loja da Bela Cintra a proprietária nos contou um pouco sobre os seus vinhos e sobre as difíceis colheitas de 2007 e de 2005 (anos secos e que a chuva veio bem um pouco antes da colheita, praticamente arruinando toda a plantação). Apesar dos anos difíceis, conseguiu fazer bons vinhos, com destaque para dois deles:
Alfaraz Reserva Branco 2007 Produzido 100% com a uva Antão Vaz, é um vinho que passa 6 meses em barrica fermentando e depois fica mais um tempo pra afinar. O resultado é um vinho bem untuoso, com aromas lácteos e frutas passas, que permanecem em taça por muito tempo. Em boca tem um bom corpo e um final longo. É um vinho estruturado, mas que não perde a sua acidez. Pede uma boa comida, que pode até ter uma estrutura maior, como um bom molho com mais gordura.
Custa R$ 68,00
Alfaraz Reserva Tinto 2005
Com um corte de Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional, o vinho me chamou a atenção pela sua força, taninos bons (apesar de ainda jovens, o que mostra que o vinho ainda vai envelhecer) e apesar de tudo ainda ser relativamente “macio” em boca. É um vinho que também pede comida e que deve melhorar muito com um bom prato (e se for um português ainda, melhor!).
Custa R$ 110,00
Além disso degustamos também outros rótulos como o Terras d´Uva Branco 2008 e o Terras d´Uva Tinto 2007 (os vinhos de entrada da vinícola), o Colheita Selecionada 2007 e o top da vinícola, o Uvas Castas 2005, que também é um belo vinho.
Sofia nos contou que está preparando um espumante brut que deve chegar ao mercado português ainda esse ano e talvez esteja aqui pra gente no ano que vem. Espero pode provar, pois a vinícola mostrou boa qualidade. Aliás, esperamos que a Sra. Uva e sua família continuem honrando o sobrenome.
Recebi esse vinho do pessoal da FTP Wines e ficou um tempo em minha adega. Ouvi falar bem dele e resolvi provar. Os vinhos do Dão (e de Portugal) são famosos e apreciados no mundo todo. Não é à toa, afinal de contas, são vinhos que têm centenas de anos de história que devem ser respeitados.
E o Picos do Couto é mais um dos exemplos dos vinhos produzidos no Dão.
Comprei esse vinhoem uma promoção que a Loja Empório Frei Caneca fez, há mais de um ano. Era um Pack com 6 unidades, sendo uma delas o Quinta de Cabriz Reserva. Por recomendação do gerente da loja, guardei o vinho por um tempo, pois ele me disse que ainda estava “verde”.
E ele estava corretíssimo. Abri o vinho agora e ele estava muito bom, mas ficou a impressão de que ainda estava precisando de mais tempo em garrafa para se mostrar plenamente. Note que o vinho não estava ruim, de forma alguma. É só que se eu o guardasse por mais alguns anos, acho que teria um vinho melhor ainda.
Mas vamos às impressões: esse corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta-Roriz é feito no Dão. Em taça, um vermelho escuro, com um halo mínimo de evolução. Muito denso.
No nariz, aromas de frutas frescas, mato verde, algum terroso e um pouco de madeira depois de aerado por mais de uma hora. Apareceram notas de baunilha também.
Em boca, seus taninos estavam “amarrando” um pouco, mas dava pra notar que o vinho tem boa qualidade, pois praticamente não tinha amargor no final. O que tinha, eu atribuí à sua curta maturação. Espero que eu esteja correto. Li bastante sobre o vinho e ninguém comentou isso, aliás vi alguns falando muito bem de uma safra ainda mais jovem, a de 2005. Talvez essa safra tenha uma maior longevidade, quem sabe?
Quando comprei, o vinho custava em torno de 70 reais e era importado pela Expand. Não sei como está agora.
Uma outra boa dica é o Quinta de Cabriz (sem ser o reserva). Um bom tinto, que tem um bom valor.