Vinho e bacalhau sempre foi um tema discutido amplamente pelos ávidos por boas harmonizações. E a “briga” começa quando você vai definir o que é o bacalhau, principalmente se estiver perto de um português. Ele com certeza vai te falar que bacalhau não é peixe e que é simplesmente “bacalhau”.
E se um “ser” desses tem esse status, deve ter algum motivo. Realmente o bacalhau é uma iguaria que pode ser feita de diversas formas diferentes e continuando com o raciocínio do português, se você juntar 100 lusitanos, vai ter com certeza 100 receitas diferentes. Não é uma maravilha?
Mas como no meu programa (Desafio ao Vinho) não dava pra colocar tantas receitas, chamei o Emerson Donadon, da Voilà, para levar os pratos, ele escolheu um risoto de bacalhau e um lombo de bacalhau com alho negro. Duas receitas excelentes, muito saborosas e, acreditem, muito diferentes também.
O risoto de bacalhau, por ter arroz e alguns temperos, foi melhor harmonizado com um vinho verde, mas o lombo casou direitinho com o Van Zellers Douro Branco 2010 que tínhamos lá. Esse vinho, que tem um corte de 4 uvas – Codega, Gouveio, Rabigato e Viosinho – é muito interessante. Ele não passa por madeira, então mantém boas características frescas, como frutas brancas (pêra, maçã verde), leve toque herbáceo e até um pouquinho de floral. Na boca tem um corpo médio e uma acidez na medida. É realmente um vinho muito bem feito e que aguentou toda a força do bacalhau, mesmo com o azeite que tinha em abundância.
Se você também é fã de bacalhau, vale a pena tentar essa casadinha. O vinho é importado pela Vinho Sul.
O Vallado Branco é um vinho produzido na região do Douro, principalmente com as uvas Arinto, Gouveio, Rabigato e Viosinho. Como de praxe por lá, deve ter mais um monte de uvas aí no meio.
Dessa vez fiz um teste de harmonização com 3 queijos. Veja qual foi o melhor.
O vinho desse mês escolhido pela Confraria Brasileira de Enoblogs é no mínimo inusitado. Foi indicado um Porto Branco. Vejam só que interessante, pois é um vinho que é muito pouco consumido aqui no Brasil (e acredito que também não seja muito consumido em outros países, nem mesmo em Portugal).
Pra mim foi uma boa experiência, pois eu nunca tinha provado um vinho do Porto branco. Recorri aos meus livros para conhecer um pouco mais sobre a produção desse vinho.
E para não perder o prazo da postagem (que deve ser todo dia primeiro do mês), estive em duas lojas de vinhos (não importadoras, só lojas mesmo) e nenhuma das duas tinha nenhum para eu levar. Falaram a mesma coisa: esse vinho nunca sai. Por isso não trabalhamos com Porto Branco.
E foi em minhas compras semanais no Wal Mart que me deparei com uma garrafa de Porto White da Borges. Não hesitei e comprei.
Também não agüentei muito tempo esperando pra provar. Minha curiosidade era grande. Fiquei mais curioso ainda ao saber que as uvas que compunham o vinho eram das castas Malvasia Fina, Gouveio, Donzelinho e Viosinho. Portugal e suas uvas com nomes peculiares…
Bem, o vinho apresentou uma coloração âmbar, lembrando um vinho madeira ou até mesmo um moscatel de Setúbal. (eu juro que achava que ele seria mais branco.)
No nariz apresentou aromas de frutos secos, amêndoas e um toque forte de mel no final. Um aroma alcoólico acompanhou o vinho o tempo todo.
Em boca os aromas se confirmaram, junto com o álcool. Vinho quente e com um final marcante.
É um vinho peculiar, sem dúvida. Acompanha bem queijos azuis e também sobremesas. Os portugueses sugerem bebê-lo gelado no verão, puro ou com uma rodela de limão. Eu sinceramente não sei se seria a bebida mais refrescante, mas enfim, cada um tem seu gosto.
Depois dessa sugestão, vamos ver o que vem pra ser degustado na Confraria Brasileira de Enoblogs…