Trajadura

Os famosos jardins da Aveleda

A Aveleda é uma das maiores e mais conhecidas vinícolas da região dos Vinhos Verdes. Os caras estão fazendo vinho há muito tempo e o mais famoso (e praticamente onipresente) é o Casal Garcia. Quem nunca bebeu ou pelo menos viu um Casal Garcia? São muitos anos exportando para o Brasil e tenho certeza que foram responsáveis pela “conversão” de muita gente para o vinho, pois é fácil de beber, bem correto e com um preço bem justo.

Visitei a vinícola e um dos pontos altos foi a ida aos jardins da propriedade. Esses jardins são famosos, pois a família proprietária é grande fã de jardins, então destinou 7 hectares de suas terras só para compor a paisagem com bela árvores e plantas praticamente do mundo inteiro.

Lá que pensaram no conceito do Follie, que dá nome ao vinho top deles, mas que também significa “algo que não tem um significado prático, mas que reflete a imaginação do artista”, como as casas bem ao estilo de histórias de fantasias. Atrações como a “Torre das Cabras” são um espetáculo à parte. Essa torre foi construída para as cabras, que a utiliza de forma inclusive bem organizada, onde o pai da família tem a suíte real, no topo da torre, onde nenhuma outra cabra entra (nem a sua esposa). Os filhos ficam no andar de baixo e tem que se comportar.

Há construções antigas, levadas de Lisboa diretamente para os jardins, para compor um cenário bucólico e que por vezes pode-se pensar que é mágico.

Gostou? Essa é visita obrigatória se for à região. E depois ainda dá para provar o famoso Casal Garcia. Eu provei. Veja abaixo.

Casal Garcia
Trajadura, Loureiro, Arinto e Azal. Faz 8,5 MM de garrafas por ano.
Um vinho correto e que retrata a tipicidade da região.

Quinta da Aveleda 2011
Loureiro, Trajadura, Alvarinho.
Produzido só com uvas da propriedade. Caráter mais floral no nariz e na boca. Também bem correto.

Aveleda Alvarinho 2011
Aromas austeros. Na boca tem um toque cítrico muito interessante. Final bem saboroso. Gastronômico.

Casal Garcia Rosé
Fácil de beber, sem grandes destaques.

Na região dos Vinhos Verdes também tem gigantes como a Vini Verde

Na região dos Vinhos Verdes há de tudo: desde produtores muito pequenos até associações cooperativas que juntos produzem milhões de litros, como a Vini Verde.

Por lá se faz muito vinho e se você se deparar com algum deles (veja abaixo a degustação de alguns rótulos), busque pelo Loureiro. Lá também se faz muito Vinhão, o vinho tinto mais comum da região, mas esse é um pouco peculiar e se resolver provar, é legal saber que terá uma experiência diferente.

Estréia 2012
Loureiro, Trajadura, Arinto
Bastante cítrico, boca bem marcada, final interessante.

Estréia Grande Escolha Loureiro 2012
Maçã-verde e frutas brancas com muita acidez. Final mais leve e mais curto. Bastante seco.

Estréia Alvarinho 2011
Leve toque vegetal, grama. Na boca lembra mais frutas brancas. Final forte e que some de repente.

Estréia Rosé 2011
Vinhão, Borraçal, Espadeiro.
Nariz com aromas de frutas e leve toque de flor, mas já com um pouco de complexidade. Na boca é mais doce e o final é curto, mas ainda assim melhor do que os outros roses.

Um abraço

Daniel Perches

[Vinhos Verdes] Quinta da Lixa

A Quinta da Lixa foi a primeira vinícola que eu visitei quando estive na Região dos Vinhos Verdes. Tinha provado alguns vinhos deles no evento da Prazeres da Mesa, em Novembro, mas como não tinha muito tempo, não pude dar muita atenção.

Fiquei contente de ter ido lá e conhecido, pois os caras têm coisas bem legais sendo feitas. A Quinta da Lixa é uma vinícola de porte médio/grande e está ampliando a sua capacidade de produção. O que mais me chamou a atenção neles foi a versatilidade e a forma descontraída como tratam os vinhos, como o “Aroma das Castas” que tem esse nome porque tem realmente os aromas típicos das castas bem marcados e se alguém ficar em dúvida, pode ver no rótulo, que tem flores frutas para ajudar na definição. Outro bem interessante é o “Alvarinho Pouco Comum” que tem esse nome justamente por não ser tão típico, tendo alguma passagem por madeira, garrafa diferente e outras coisas. Há até Touriga Nacional por lá, que claro, não se compara às regiões que são especialistas nessa casta, como o Douro por exemplo, mas que me pareceu legal eles procurarem inovar.

Abaixo estão os vinhos que provei por lá:

 

Quinta da Lixa Espumante Bruto
Feito com Arinto e Avesso
Fresco e leve, fácil de beber. Boa acidez. Final agradável.

Quinta da Lixa Colheita 2011
Loureiro, Trajadura, Alvarinho.
Maçã Verde, cítrico, tuti-frutti, boca aparece um pouco amargo, final médio/rápido.

Terras do Minho 2011
Já está no Brasil (Supermercado Zona Sul).
Loureiro, Trajadura e Arinto.
Perde a complexidade do Alvarinho e ganha acidez e elegância vinda do Arinto.Toques mais doces, na boca tem um pouco mais de corpo, final médio,

Alvarinho Pouco Comum
Queriam fazer algo diferente. Até a garrafa é diferente (bordalesa). Aromas de frutas brancas com leve toque lácteo, e de amendoim. Na boca é bem diferente, com menos acidez e um final bem interessante.

Aromas das Castas 2011
Alvarinho e Trajadura
A idéia do vinho era retratar exatamente os aromas das castas. Pêra, damasco e flor de laranjeira. Na boca, apesar de ser um pouco ácido, percebe-se a fruta.

Anjos de Portugal 2011
Arinto, Trajadura e Loureiro.
Aromas e sabores mais adocicados, mais gás (bolhinhas).

Touriga Nacional Rosé 2011
Bastante diferente, pois a casta, apesar de existir na região, tem poucas casas fazendo. Toda a produção vai para o rosé e ainda não tem pretensão de fazer um tinto.
Cereja na cor. Cereja no aroma também, bastante acidez na boca. Funciona bem com comida japonesa.

Anjos de Portugal Rosé 2011
Touriga Nacional e Espadeiro.
Tem a presença do gás e os aromas são bem típicos de um rosé,com frutas vermelhas leves. Na boca é adocicado e a acidez não incomoda.

Quinta da Lixa Tinto 2011
Feito com a uva Vinhão. Aromas bem marcados e com boa acidez, mas não me impressionou muito.

Se for à Quinta da Lixa, não deixe de provar principalmente os “diferentes”, que inclusive só vendem lá, pelo menos por enquanto.

Um abraço

Daniel Perches

Clemen Reserva 2008 – Vinho Verde

Eu gosto de Vinho Verde. Gosto porque eles são, em geral, bastante frescos e fáceis de beber. Alguns tem tanta acidez que quando você coloca na taça eles formam até algumas bolhinhas no fundo. Tudo normal e sem problema algum. É uma característica deles mesmo.

São vinhos que pra mim caem perfeitamente no começo de uma reunião de amigos, para receber o pessoal, junto com alguns petiscos que podem ser desde frutos do mar até, por exemplo, uma bruschetta mais condimentada.

Então se você também gosta desse tipo de vinho ou quer experimentar um que é bom e com um ótimo custo, eu recomendo o Clemen Reserva 2008, que é importado pela Hestia Gourmet, com um custo aproximado de 45 reais. Esse é feito com as uvas Alvarinho e Trajadura, duas das castas típicas da região.

Esse é um vinho típico da região, com as características que eu citei (boa acidez, aromas de frutas brancas e um toque floral). Sempre que eu coloco um vinho verde em alguma reunião de amigos, eu fico impressionado como ele vai embora rapidinho. Muito fácil de beber, é companhia certa para uma boa tarde.

Mas se você quiser, pode tentar harmonizar com outras comidas também. Por ter bastante acidez, o vinho aceita comidas com gordura. Tente com uma carne de porco e verá que dará certo.

Um abraço

Daniel Perches

Varanda do Conde 2008

Uma das coisas que eu mais gosto no mundo dos vinhos é quando estamos em busca de algum tipo específico e nos deparamos com um daqueles que poucos conhecem ou que nem dão tanta importância (muitas vezes pelo seu preço) e que quando é aberto, só rende elogios.

Sabe do que eu estou falando? Já aconteceu com você? Espero que sim, pois a sensação é fantástica.

E foi assim que aconteceu com o Varanda do Conde. Esse teve a ajuda do nosso amigo e mestre em vinhos portugueses, o João Filipe Clemente, do blog Falando de Vinhos. A busca era por um Vinho Verde bom que custasse até R$ 50,00. Ele não só me indicou um excelente vinho, como ainda me fez pagar menos. Esse custou R$ 27,00 na Casa Flora.

Produzido com Alvarinho e Trajadura da Sub-Região de Monção, Região Demarcada dos Vinhos Verdes, mostrou-se com uma coloração amarelo palha bem límpida.

No nariz predominaram os aromas cítricos, sempre bem frescos e leves. Em boca, boa acidez e final bem interessante, não muito longo, mas saboroso.

Foi utilizado para iniciar uma recepção que tinha como tema Vinhos Portugueses. Acompanhado de petiscos e queijos, foi muito bem e deixou um gostinho de “quero mais” para todos os convidados. Para o verão é uma ótima pedida. Mas o mais interessante é que esse vinho, como a maioria dos Vinhos Verdes, tem uma maior versatilidade, podendo acompanhar diversos pratos, até mesmo uma feijoada, como o próprio João Filipe testou e aprovou.

Produzido pela Provam (Produtores de Vinho Alvarinho de Monção), faz parte de uma gama de produtos maior e que me deixou com vontade de conhecer. Se você quiser saber mais, acesse o site deles.

Um abraço

Daniel Perches

 varanda_conde