Quando eu comecei a aprender sobre vinhos, lembro-me de uma aula na ABS-SP, onde um dos professores falou sobre “litragem”. A palavra, muito usada no meio, é para referir-se à quantidade de vinhos provados e isso é muito importante para você ir formando o seu paladar e poder cada vez mais avaliar melhor um vinho, afinal de contas, para saber se algo é bom, é preciso que se compare com outros similares, não é mesmo?
E quando fui abrir o Don Arturo Brut, um espumante brasileiro feito com Chardonnay, Riesling e Pinot Noir, lembrei-me de minha litragem referente aos espumantes feitos com Riesling. Para ser bem sincero, nenhum deles até hoje me agradou totalmente. Sempre achei que a adição desta uva dava um aroma não muito agradável e algumas vezes até deixava o espumante com um final amargo. E lá fui eu, com a minha pontinha de precoceito abrir o espumante.
Nada como uma experiência atrás da outra para mudar os parâmetros. Esse Don Arturo Brut, que tem um terço da nossa uva em questão, não foi um espumante que me deixou caindo de amores, mas mostrou que essa uva pode dar sim um charme diferente ao vinho. Notas florais e levemente cítricas vieram ao nariz e na boca o floral fica mais intenso, mas sem amargor.
Da mesma linha eu ainda prefiro o Don Arturo Rosé (veja post aqui), mas esse é muito bem-vindo para começar uma festa.
Outro dia me peguei pensando que eu já tinha provado uma boa quantidade de vinhos do Frescobaldi. Fiquei lembrando todos os que eu já conhecia e achei que tinha então um bom painel. Mas depois de ir a um evento realizado pela Ravin com a presença do Stefano Begnini, que nada mais é do que membro da 30ª geração da Familia Frescobaldi (isso mesmo, 30ª. Dá pra imaginar o know-how dos caras?), percebi que eu ainda tinha muitos a provar.
E o Castello di Pomino Bianco DOC 2011 foi um que estava lá naquele dia e eu pude beber com mais calma, porque apesar de já conhecer, foi em um momento de um evento e que não deu para prestar muita atenção à ele. Pois é, deveria ter feito isso, porque o vinho é espetacular. Há tempos que eu não ficava tão impressionado com um vinho branco como com esse. Começando pelo belíssimo rótulo que já chama a atenção, esse é feito com Chardonnay e Pinot Bianco e tem uma complexidade e ao mesmo tempo uma facilidade para beber de se tirar o chapéu.
Frutas brancas, flores e toques de fermento deixam o vinho muito bacana no nariz. Na boca, apesar de ter uma leve passagem (só parte do vinho) por barrica, não fica nem perto daqueles enjoativos que as vezes pegamos por aí. É fresco e muito saboroso. Enquanto o sr. Stefano falava sobre a família, que tem mais de 1.000 anos de história, eu estava lá me deliciando com esse vinho branco que eu realmente recomendo. Nem vou pensar em harmonização, porque desta vez eu queria só beber o vinho, sem acompanhamento mesmo.
Ja estive na Salentein pelo menos 2 vezes (veja as outras visitas, inclusive com vídeo aqui). A bodega é grande, muito bem construída e muito bonita. É possível fazer visitas turísticas e conhecer a galeria de arte que eles têm por lá, por exemplo. Além disso há um restaurante muito bem conceituado, para que você possa passar algum tempo na Salentein e que esse tempo seja agradável.
Em minha última visita pude provar safras novas de vinhos que eu já conhecia e conhecer alguns novos e continuo com a boa impressão de que a Salentein sempre mantém sua qualidade e é uma vinícola que merece atenção em seus vinhos desde os mais básicos até os tops.
Killka Chardonnay 2011
Pensado para ser um Chardonnay jovem. No nariz é bem de um Chardonnay padrão, com abacaxi e frutas tropicais. Na boca tem até um pouco de frescor. Nada muito encantador, mas é um vinho correto.
Salentein Chardonnay 2011
Tem mais toque de madeira, com toques cítricos, menos acidez, final mais marcado e mais longo.
Salentein Pinot Noir 2011
Cor cereja. No nariz é até bem típico, mas na boca falta um pouco de corpo e de final. Tem toques minerais, mas não é tão expressivo.
Portillo Malbec 2011
Malbec para beber sem muito compromisso, tem taninos bem redondos e acidez OK. Um vinho bem feito e barato.
Killka Cabernet Sauvignon 2011
Aromas mais frutados, menos toques de evolução. Na boca é bem fácil de beber. Tem bastante tanino. Fácil de beber.
Salentein Malbec Reserva 2011
No nariz não tem tanta fruta, mas na boca é bem potente.
Numina Gran Corte 2010
Significa número, essência. Malbec 65%, Cabernet Sauvignon 14%, Merlot 8%, Petit Verdot 8%, Cabernet Franc 5%. Se sente mais complexidade, mas também o verdor do Cabernet Franc, mesmo que tendo pouco no corte. É potente e com bastante acidez. Fica um tempo sendo lembrado.
Primus Malbec 2010
Tem fruta, tem flor, mas tem também um toque balsâmico, na boca é forte, estruturado, com final longo e sem arestas. Não é o meu estilo de Malbec, mas é um bom vinho. Prefiro os Malbecs que seja mais potentes mas que tenham mais fruta.
Espumante Salentein Brut Nature
Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier. Aroma bem elegante. Me pareceu que estão ainda testando essa idéia de fazer espumantes, mas acho que tem futuro.
Os vinhos da Salentein são importados pela Zahil no Brasil.
Certa vez eu passei pela loja Barrica Negra, que fica na Rua Rocha, em São Paulo. Por estar com pressa, entrei só para conhecer e acabei nem tendo tempo de provar nenhum vinho e nem mesmo de saber os preços. Por conta disso fiquei sem conhecer belos vinhos. Mas por sorte tive a oportunidade de estar com a Giovanna, que é a proprietária da loja e também da vinícola Fermasa, lá de Mendoza em um jantar para poder provar com calma seus vinhos, conversar e entender o projeto. Sorte mesmo, porque aí percebi o que tinha perdido naquele dia, pois os vinhos são muito bons e com preços realmente bacanas.
Foi o pai de Giovanna que começou a Fermasa, por conta de um sonho antigo de produzir vinhos de qualidade. Após seu falecimento ela assumiu os trabalhos e agora vive entre o Brasil e a Argentina. Mulher de raça e determinada a continuar o sonho do pai, para a nossa alegria.
Lá na Barrica Negra eles só comercializam a linha de produtos da Fermasa, e por conta de não ter “atravessadores”, o preço é quase inacreditável pela qualidade dos vinhos. Eu provei praticamente a linha toda e quer saber? Voltei lá para comprar mais depois. Já fiz uma festa de família e foi sucesso.
Baladero Extra Brut 2012
Feito 100% com Chardonnay, é um espumante bem seco. Não tem aquela complexidade de um espumante mais top, mas serve muito bem para uma recepção. Na boca tem a acidez na medida. Final legal. Fácil de beber para um extra-Brut.
R$ 39,00
Baladero Chardonnay 2012 Sim, eu sei que não sou grande fã de Chardonnays, mas mesmo tirando o meu gosto pessoal, esse foi o mais simples de toda a linha para mim. Básico nos aromas e nos sabores. Um vinho que não enjoa com os aromas que poderiam ser mais fortes.
R$ 26,00
Baladero Malbec 2009
Simples no aroma, mas na boca traz uma nota tostada e de chocolate interessante. Um bom vinho para 28 reais. Simples, mas bem feito.
R$ 26,00
Baladero Cabernet Sauvignon 2009
Notas mais doces e na boca é leve. Ainda está novo e precisa de mais um tempo para ficar no ponto.
R$ 26,00
Jerarquia Malbec Reserva 2007
Passa 2 anos em barrica nova. Malbecão com todo o estilo. Custa 44 reais e vale mais. Um belo custo beneficio. Passou por cima da carne que comi lá no restaurante (mesmo com uma boa dose de gordura), mas vale a harmonização.
R$ 42,00
Baladero Cabernet Sauvignon 2007
Esse sim, mais evoluído mas ainda na medida. Para quem curte o vinho já com mais evolução e um toque de complexidade por conta disso, é excelente.
R$ 26,00
Vinserus Malbec 2007
Vinho doce. Tem um doce natural legal, sem grande dulçor. Final médio mas que é bem gastronômico.
Nem sei se eu deveria contar isso, mas acho que se comprar mais de 6 garrafas, eles até dão desconto.
Eu curti bastante e gostei da bravura da proprietária. Vou levá-la lá no Desafio ao Vinho para fazermos alguns testes com o vinho dela. Vamos ver o que vai dar.
Como um consumidor ávido por espumantes, eu estou sempre em busca de novidades e claro, de coisas boas. Há algum tempo estive com o pessoal do Le French Bazar que promoveu um jantar com os espumantes Cava Raventós i Blanc. E quando falamos Cava já dá para saber que é da Espanha.
O nome Cava pode inspirar baixa qualidade e alto volume para muita gente, mas como em qualquer lugar do mundo do vinho, há produtos de alta qualidade também, como é o caso do Raventós i Blanc. Com espumantes muito elegantes e que de tanta qualidade reconhecida, vão ter sua própria Denominação de Origem em breve. Então para quem só teve más experiências com Cavas, é só provar um deles e ver que a história é outra.
Provei alguns neste jantar que pra variar estava delicioso (sim, sei que sou suspeito para falar, pois sou fã da comida de lá) e que harmonizaram muito bem.
Veja abaixo o que bebi, com direito a um vinho tranquilo deles, difícil de encontrar e muito interessante.
I blanc
Elizabeth Raventós
60% Xarel.lo, 30% Chardonnay, 10% Monastrell.
Ótimo no nariz e na boca é muito delicado, com acidez na medida. A Monastrell parece que deu um toque especial ao espumante.
Preço: 203,50
Raventós de Nit Rosé 2009
50% Macabeo, 25% Xarel.lo, 20% Parellada e 5% Monastrell
Um rosé feito de forma “diferente” porque não tem Pinot Noir. Elegante, sem ser muito doce. Não enjoa. Final bem equilibrado.
Preço: 125,40
Silencis 2010
Vinho tranquilo (não é espumante). É difícil de encontrar um varietal de Xarelo porque tudo é usado para fazer os espumantes. Leve cítrico. Bom volume de boca. Final marcado e bem gastronômico.
Preço: 116,40
Estive na casa do Consul da França no Brasil para a cerimônia de entrega do reconhecimento do termo Champagne como uma palavra protegida e que representa a região de mesmo nome. Ou seja, a partir de agora, quem ainda insistia em ter “Champagne” no nome do seu espumante feito aqui no Brasil vai ter que retirar. Nada mais legítimo, afinal de contas os caras trabalharam muitos séculos para terem essa fama e essa qualidade.
E depois da cerimônia pudemos provar algumas garrafas de lá, claro. Uma delas era a Drappier Carte d’Or, que eu gostei bastante. Fazia já algum tempo que eu não bebia esse champagne e me dei conta que nunca tinha escrito sobre ele, então chegou a oportunidade. Feito com 90% Pinot Noir, 7% Chardonnay, 3% Pinot Meunier, eu considero um clássico Champagne aqui no Brasil.
Seu rótulo amarelo não deixa ninguém se enganar. Dá pra ver de longe um Drappier. Tem aquele toque de fermento na medida, acidez boa (não muito viva, mas bem gastronômica) e um final muito saboroso. Provei com um foie gras do Erick Jacquin (e quem gosta e ainda não provou o dele, vale a pena) e ficou maravilhoso.
Drappier é um dos champagnes que eu considero “coringas”. Excelente qualidade e custo na média dos da mesma categoria no Brasil. Se é barato ou caro, é outra história.
Os champagnes Drappier são importados pela Zahil no Brasil.
Recebi recentemente essa garrafa de espumante para provar. O Don Arturo Rosé é produzido no Brasil e vendido pela Expand por um preço bacana (não chega a R$ 40,00 a garrafa). Tem essa versão rosé e também a brut.
A Rosé é feita com Chardonnay, Riseling e Pinot Noir. Uma só uva tint, mas que dá a coloração bem intensa para esse espumante. E não é só na cor que ele é intenso não. No nariz tem frutas doces bem presente. Na boca tem um bom dulçor, mas me surpreendeu, pois depois de sentir os aromas eu pensei que viria um espumante até mais adocicado, mas ele é bem equilibrado, com uma excelente acidez.
Que o Brasil é um bom produtor de espumantes, já sabemos. Agora precisamos aumentar mesmo é o consumo, para que possamos realmente ser o “país dos espumantes” como eu gostaria de ver. E esse Don Arturo me parece ajudar neste aspecto, pois além de ser fácil de beber tem um custo acessível considerando um espumante de qualidade.
E deixo uma dica aqui no final: o aroma “docinho” deste espumante com certeza conquistará as mulheres (e cada um usa essa dica da forma que achar mais pertinente).
Lembro-me de ter bebido um vinho Callia pela primeira vez há muito tempo e acho até que comprei em um supermercado. Bebi e gostei. Aí fui atrás de conhecer outros rótulos da vinícola e um dia cheguei até o Gran Callia e fiquei maravilhado. Sempre achei os vinhos da Callia muito legais.
Aí, em minha última viagem à Argentina no começo de 2013 eu tive a oportunidade de conhecer a vinícola lá em San Juan e fiquei realmente impressionado. Os caras pertencem ao grupo Salentein e produzem 10 milhões de litros. Dá pra imaginar o tamanho por aí, não é?
E com um portfólio enorme que eles têm, não daria para provar e conhecer tudo, mas fizemos uma degustação muito bacana que me mostrou o que eu já pensava sobre eles. Os caras sabem fazer vinho que agrada a maioria dos paladares. Todos os que eu provei era corretos e é claro que sempre tem o gosto pessoal, mas nenhum tinha defeito ou algo que me desagradasse. Veja abaixo os que estavam nesta degustação e se quiser se aventurar, acho que tem grandes chances de dar certo.
Callia Alta Chardonnay 2012
Aromas leves, com toques de marmelo. Na boca é mais doce, com final bem marcado. Pode ser que enjoe um pouco no final da garrafa.
Callia Magna Chardonnay 2012
Passa por madeira. Ainda fresco, mas já sente-se um pouco o peso da barrica. Um pouco curto.
Callia Reserva Torrontés 2012
Bastante fruta, marmelo muito presente. Na boca tem boa acidez.
Callia Alta Syrah Rosé 2012
Aromas bem doces, mesclando fruta vermelha com toques até mais adocicados e até florais. Fácil de beber e sem complicação. Um bom rose argentino.
Callia Alta Syrah 2012
Vinho do churrasco com a família. Fácil de beber, com boa fruta, leve e descomplicado.
Callia Reserva Malbec 2011
No nariz traz boa fruta e na boca já é um pouco mais potente. Final médio mas que não deixa aresta. Também bom para churrasco leve.
Callia Magna Syrah 2010
50% do vinho passa por madeira. A idéia é dar um pouco mais de complexidade ao vinho com um pouco de madeira e torná-lo um pouco mais propício ao envelhecimento. Não é difícil de beber, tem bons taninos e final bem leve e suave.
Callia Magna Cabernet Sauvignon 2010
Os taninos estão bem presentes e senti que falta um pouco de corpo, mas é um vinho bem legal. O final dele é muito suave, sem arestas.
Callia Magna Malbec 2010
Boa fruta, leve floral. Na boca é forte e potente, aportando toda a força da madeira.
Grand Callia 2009
Malbec 50%, Syrah 30%, Tannat 20%.
Bem macio na boca. No nariz é elegante e tem um pouco de complexidade, trazendo frutas em geléia. Um vinho de alta qualidade, para abrir e decantar para fazer bonito com os amigos.
Callia Extra Brut
Chardonnay e Pinot Gris. Toques mais herbáceos. É um espumante correto, tem um leve cítrico na boca, que fica até o final.
“Só é champagne se for da região de Champagne”. Para quem acompanha o meu blog ou lê um pouco sobre vinho sabe que a gente fala muito sobre isso, afinal de contas há muita confusão em relação ao nome. Para muitos, se tem bolhas é champagne. E não é bem assim. Champagne é uma região ao norte da França que dá nome ao espumante feito lá. Ou seja, para ser champagne, tem que ser feito lá na França e na região de Champagne (sim, porque a França faz espumantes em diversas outras regiões).
E no último dia 18 de abril eu estive na casa do Consul da França no Brasil (aliás, belíssima casa) para uma cerimônia de entrega do certificado de registro da denominação de origem. Ou seja, o Brasil agora oficialmente reconhece essa palavra como sendo de uma região francesa. Por consequencia não permite mais que espumantes brasileiros tenham isso escrito em seus rótulos. É, meus amigos, acreditem, pois tem produtor aí fazendo espumante e mandando bala no nome champagne no rótulo. Estratégia sórdida e para mim pouco ética para ganhar consumidores, mas enfim, o que importa é que agora está tudo certo. Só champagne de verdade por aqui.
Neste dia pude provar diversos champagnes que contarei em breve por aqui e comer muito bem, com um buffet do Erick Jacquin (quem ainda não conhece esse francês bravo mas que cozinha como ninguém deve ir ao seu restaurante e vai se deliciar).
Parabéns ao Comitê de Champagne no Brasil, que é representado pela simpática Sophie Lechevalier e ao INPI que trabalhou neste processo muito bem.
Eu comecei a celebrar naquele dia e resolvi não parar. Até o dia de escrever esse post já abri mais duas garrafas e acho que vou continuar nesta levada, porque como sempre admito, se eu tivesse que escolher só um vinho dentre todos, seria com certeza champagne.
Em minha ultima visita a Mendoza conheci o projeto “Clos de Los Siete“, que tem esse nome porque são 7 investidores, dentre eles o famoso enólogo Michel Rolland. São 5 vinícolas que ficam próximas umas das outras e elaboram cada uma seus próprios vinhos, mas que juntas fazem um com o nome do grupo, que é um Blend do que há de melhor em cada uma.
A DiamAndes é uma delas e a vinícola é enorme, recém construída e que tem um espaço muito moderno e ao mesmo tempo aconchegante para os visitantes. É possível conhecer as instalações (que têm equipamentos de ultima geração) e também beber um vinho no winebar. Ela tem esse nome porque é feita em formato de diamante e logo na sua entrada ela tem uma escultura de aço replicando a estrutura de uma pedra de diamante que é muito bonita. É praticamente um cartão postal encrustado nos Andes.
Tudo o que há de mais moderno eles têm por lá, então se você está querendo conhecer uma vinícola de vanguarda, é a DiamAndes que você tem que visitar. Provei 3 vinhos deles que me impressionaram pela qualidade.
DiamAndes de Uco Chardonnay 2011 Fermentado em barrica. Maturação de 8 a 10 meses. Bastante fruta no nariz, fresco, sem enjoar e sem aparecer a barrica por cima de tudo. Na boca também é fresco, leve, final bem marcado pela fruta.
DiamAndes de Uco Malbec 2010
Vinho elegante, com fruta na medida e leve toque mineral, bom corpo, sem arestas, bom final.
DiamAndes de Uco Gran Reserva 2008
Malbec 75% e Cabernet Sauvignon 25%. Complexo no nariz, passando por aromas de frutas, leve balsâmico. Tem bastante álcool. Na boca é bem potente e estruturado, com toques de chocolate e tabaco. Muito tanino e boa acidez. Vinho que pode ser guardado.
E se for à DiamAndes, aproveite e agende a visita em outras vinícolas do grupo. Elas ficam uma ao lado da outra.
Eu já estive na Trapiche algumas vezes. A primeira vez foi para fazer o projeto Estrada do Vinho e depois voltei lá para provar mais alguns vinhos. E nessa minha última viagem à região de Mendoza tive o prazer de voltar pela terceira vez. E se você pensa que eu cansei de ir lá, está enganado, porque eu sou fã dos caras. Uma bodega que produz 10 milhões de litros poderia ser algo de “massa” e fazer só vinhos industrializados, mas eles têm algo especial em cada um dos vinhos. Fiquei sabendo também que estão fazendo um Malbec orgânico que vai ser biodinamico certificado. Ainda não sabem quando terão a certificação e por enquanto não vai para o mercado, mas para quem gosta, é bom ficar de olho.
E dessa vez conheci o grande Sergio Case, que é um dos enólogos e que, depois, em um jantar na bodega, me contou inclusive que está fazendo vinhos em um projeto particular. Gostei da idéia e pedi mais informações para ele. Veja o que ele me contou sobre isso e sobre algumas tendências também durante o Argentina Wine Awards 2013.
E para não perder o costume, aí estão os vinhos que eu provei da Trapiche
Finca Las Palmas Gran Reserva Chardonnay 2011
Vem do Vale do Uco. Querem algo mais cítrico, mineral. É o top da vinícola. 100% barrica, 8 meses.o nariz é bem interessante, com muita fruta. Na boca é mais pesado, mas bem estiloso.
Broquel Petit Verdot 2011
Gostei bastante. Aromas muito fortes, é um vinho que você sente desde longe da taça. Na boca é potente, intenso. Bom final, vai indo embora devagar. Um vinho gastronômico, porque tem boa acidez, sabor muito atraente e não é cansativo. 14 meses barrica.
Broquel Cabernet Franc 2010
Fruta, carne, pimentão, especiarias. Na boca é forte, mas já um pouco macio. Um vinho para acompanhar uma carne como um ojo de bife. 14 meses barrica.
Finca Las Palmas Gran Reserva Malbec 2010
Um bom Malbec, bem típico e bem fácil de beber. 18 meses de barrica. Vale a pena provar. Muito macio e redondo.
Finca Las Palmas Cabernet Sauvignon 2010
Também me chamou muito a atenção. Muito intenso no nariz, para quem gosta de um bom Cabernet Sauvignon. Taninos bem fortes e ainda jovem. Muito bom.
Trapiche Single Vineyard Jorge Miralles 2009
Muito intenso, fruta bem presente, leve álcool sobrando, bastante tanino.
Yscay Malbec & Cabernet Franc 2008
Excelente combinação, traz a fruta do Malbec e a potência do Cabernet Franc. Na boca não é tão persistente quanto o anterior, mas é bem legal.
Yscay Syrah & Viognier 2010
É o “Serie 1″ de uma série que vão fazer com enólogos que sejam especialistas em alguma uva.
Elegante, não é tão explosivo, mas que faz com que você queira beber sempre mais. Fresco, com acidez na medida certa. Final que vai embora devagarinho.
E se você for à Mendoza, pode ser um belo passeio conhecer a Trapiche. Depois me conte como foi.
Tonino Lamborghini sempre foi apaixonado por carros. Seu sobrenome o “condena” e não há meios de desassociar a palavra da lembrança dos motores potentes, velozes e exclusivos.
Mas Tonino tinha uma outra paixão, que eram os vinhos. E resolveu, depois da venda da sua fábrica para a Volkswagen, partir para esse lado um pouco mais calmo, se é que podemos classificar desta forma.
E como não poderia deixar de ser, ele queria o mesmo nível de qualidade imposto nos motores, lá no campo, nas uvas, na produção do vinho e até na apresentação de suas garrafas.
Surgiu então a marca Tonino Lamborghini Wines, que traz vinhos feitos em diferentes regiões da Itália, produzido por vinícolas de alta qualidade, que entregam para ele os melhores vinhos, colocam em suas garrafas que são estampadas com uma placa de cerâmica única, que não é vista em nenhum outro vinho.
E o resultado é o que se imagina: vinhos de altíssima qualidade, realmente diferentes e que me chamaram muito a atenção. Desde o seu espumante Brut Pinot Chardonnay, que só é feito em garrafas Magnum (de 1,5l), passando pelo Sangue di Miura Vermentino 2010, que é produzido em Maremma – Toscana que tem aromas diferentes de qualquer outro vinho que eu já provei, com ervas aparecendo a todo momento. E se ainda quiser conhecer mais, tem o Palazzo del Vignola Gutturnio 2009, que tem 60% Barbera e 40% Bonarda na composição mas que também não nada parecido com os que eu já tinha provado dessas uvas.
E para terminar a minha experiência com os Lamborghini, provei depois o Palazzo del Vignola Chianti 2009, que é feito com Sangiovese, Canaiolo, Colorino. Um vinho fantástico, para ser apreciado com calma e tranquilidade, deixando ele relaxar na taça por um bom tempo, pois com certeza ele trará aromas novos a cada gole.
E aí, interessa um Lamborghini? Estão no Brasil pela Casa do Porto. É só passar lá e sair acelerando na degustação (mas sempre lembrando de não beber e dirigir, para não ter problemas com a Lei Seca).