Lembro-me quando provei um Barolo pela primeira vez (e não faz muito tempo). Sabe aqueles vinhos que você toma uma porrada e quando se recupera, quer “apanhar” mais? Barolo é assim! Desperta paixões e cria fans no mundo inteiro.
Barolo é um vinho feito na região de mesmo nome e que tem que ser produzido com Nebbiolo, uma uva que tem uma cor até clarinha, tendendo para o alaranjado, mas que quando você bebe, sente que não tem nada de levinho.
E o Barolo Cannubi 2005 é exatamente assim: na taça ele parece até mais fraquinho, mas no nariz e na boca são verdadeiras explosões de aromas e sabores, trazendo uma verdadeira sensação de prazer. Frutas vermelhas junto com amêndoas, flores, toques de couro, tudo junto e ao mesmo tempo. Uma loucura que dá vontade de ficar cheirando a taça o tempo todo.
Provei esse vinho com o pessoal da Abflug, que são os importadores. Como toda prova “técnica”, não tinha comida na jogada, mas é um vinho que precisa de uma boa comida pra acompanhar. Provei também outros vinhos do mesmo produtor, o Cascina Adelaide, que me pareceram muito bons. Não são vinhos baratos (esse barolo custa em torno de 400 reais), mas que com certeza tem qualidade de sobra.
Um dos pratos mais conhecidos é o Brasato ao Barolo, que é uma carne cozida lentamente (ou em panela de pressão) que tem como parte do molho uma garrafa de Barolo. Se você não tiver coragem de colocar uma garrafa de barolo dentro da comida, faça com outro vinho e prove com o barolo. Com certeza, inesquecível.
Encontrei esse vinho meio “perdido” em uma loja em Bento Gonçalves. O interessante é que eu guardei ele para o dia seguinte e quando provei estava melhor ainda. Precisava mesmo de um pouco de ar. Mas o final ainda é curto.
Olha eu aqui de novo falando sobre um vinho da Terrazas de los Andes. Sim, eu admito que sou fã dos caras.
Mas eu explico: Além de eles terem aquele vinho Cheval des Andes, que pra mim é um dos melhores que eu já provei da Argentina, eles têm um espaço maravilhoso lá em Mendoza para receber os turistas, com uma casa fantástica. Fui lá, fui muito bem recebido e fiquei fã. E vamos combinar que com essa soma de bons fatores, não dá pra não ficar fã, não é?
Sendo assim, sempre que eu vejo um vinho deles que eu não provei ainda, eu compro. Encontrei esse, o Altos del Plata Syrah 2009, no Supermercado WalMart. Custou R$ 35,90 (base agosto/2011) e me pareceu um bom preço.
Foi só o tempo de ele descansar um pouco aqui em casa (coisa de uma semana) que eu já parti para abri-lo. É um vinho jovem, que ainda tem os seus 14% de álcool aparecendo bem forte na taça. Mas junto com o álcool vem também aromas de frutas vermelhas e um toque de especiaria, para dar aquela boa caracterizada na Syrah (esses são os aromas típicos dessa uva: frutas vermelhas com especiarias). Na boca tem um bom corpo e uma boa acidez, mas é um pouco “quente” (ou seja, sinto o álcool bem presente aqui também) e o seu final não é dos mais longos, mas os taninos estão muito macios e não senti amargor.
É um vinho muito bem feito, daqueles para se beber no dia a dia e o que eu gosto de chamar de “coringa”. Sabe aqueles que a gente busca quando está em dúvida sobre outros da mesma categoria (principalmente de preço) que não conhece? É esse! Se quiser algum bom vinho (sem correr risco de errar), na faixa dos 35 reais, é esse!
Só recomendo deixar aerar por alguns minutos para o álcool sair um pouco. Vai ficar melhor!
Quem produz esse vinho é a Viña Errazuriz, uma vinícola chilena situada no Vale do Aconcagua. É inclusive bem famosa e na minha opinião, com toda razão. Eles fazem realmente bons vinhos e vejo que por aqui no Brasil eles são muito bem aceitos.
O Don Maximiano é o vinho top da vinícola e especificamente na safra de 2005 foi feito com as uvas Cabernet Sauvignon (85%), Cabernet Franc (7%), Petit Verdot (5%) e Shiraz (3%). Um corte que trouxe bastante estrutura para o vinho.
Apesar de sua idade, o vinho parecia bem jovem. Aromas de frutas vermelhas estavam em abundância e dessa vez, mesmo degustado às cegas, não foi difícil de perceber que era um vinho chileno, pois o aroma característico estava lá presente: aquela fruta vermelha adocicada, lembrando até um pouco de goiaba (e olha que nem tem Carmenere nesse, pois muita gente diz que o aroma de goiaba é vindo da Carmenere).
Na boca mostrou um bom corpo, mas o álcool ficou um pouco acima do que eu esperava. Tem 14,5% e dá pra sentir realmente. Mas é um vinho que tem uma boa acidez, o que ajuda na degustação, principalmente se acompanhado de uma boa carne, por exemplo.
Como todo bom vinho top ou vinho ícone, esse custa caro. Quem importa é a Vinci Vinhos e ele custa em torno de R$ 300,00. Se você gosta de vinhos chilenos, com certeza é uma boa pedida. Mas lembre-se que vem com o aroma de goiabada junto!
Esse vinho é do produtor Pietro Beconcini. A vinícola é comandada pelos simpáticos Leo e Eva, que de tanto que já conversamos, sinto que somos amigos.
A vinícola tem boas histórias para contar: eles é que produzem o vinho IXE, um Tempranillo feito na Toscana e também o Vigna Alle Nichie, que foi o vinho ganhador do Top5 do Encontro de Vinhos OFF de Abril de 2011.
E o Resciso é mais um vinho deles, dessa vez feito só com Sangiovese. Eu já tinha provado esse vinho em outra oportunidade, mas estava numa situação corrida, daquelas que você praticamente não presta atenção no que está bebendo. Como tinha uma garrafa em casa, resolvi provar com calma, para poder ver se realmente o vinho era tudo aquilo que me falaram.
O vinho não fez feio. Aliás, fez muito bonito, pois mostrou-se realmente digno dos elogios que eu já tinha ouvido.
Abri a garrafa e deixei ela descansar aberta por umas duas horas antes de beber. Tive essa (rara) oportunidade pois estava em companhia de amigos e estávamos bebendo outro vinho antes. Acredito que isso tenha ajudado o vinho a se desenvolver e abrir bem os seus aromas.
É um vinho complexo e que mostra muito potencial. Tem muita fruta vermelha, toques terrosos e um pouco de madeira e defumado muito bem integrados. Na boca tem uma excelente acidez, daquelas que lembra mesmo os bons italianos.
Coloquei o Resciso numa prova de fogo, pois bebi o vinho na companhia de uma amiga italiana, de Roma. Ela, que bebe vinho desde pequena, não é nenhuma crítica ou estudiosa de vinhos, mas para quem bebe vinho italiano desde pequenina, acho que sabe das coisas. Ela aprovou. E eu também.
Esse ainda não tem importador no Brasil, mas eventualmente pode ser encontrado nos Encontros de Vinhos.
Se você ainda duvida ou não concorda que o Brasil tem grandes vinhos, eu diria que precisa conhecer melhor o que está sendo produzido por aqui. É bem verdade que temos alguns vinhos e vinícolas que precisam melhorar a sua qualidade para poder participar do mercado que está cada vez mais competitivo, mas ao mesmo tempo temos alguns vinhos que são realmente muito bem trabalhados, como é o caso do Storia 2005, produzido pela Casa Valduga com a uva Merlot.
O Storia é o Top dessa enorme vinícola, que impressiona pela sua estrutura. No nariz mostra aromas muito finos de frutas negras, amora, toques de torrefação e especiarias. Tudo muito harmônico e saindo da taça com muita força.
Na boca é ainda mais potente. Taninos muito presentes, mas não daqueles que incomodam, mas sim algo macio e combinado com uma acidez muito presente, dá sempre vontade de beber mais, mesmo sendo um vinho de um corpo muito estruturado (pois os vinhos com essas características, quando não tem acidez, ficam um pouco pesados).
É, o Storia é realmente um grande vinho. Não é à toa que ele vem ganhando prêmios e mais prêmios internacionais. E quando eu provei, reclamei de preço (que está em torno de 150 reais), mas meus amigos e confrades falaram coisas que me fizeram pensar. O vinho é muito bom e merece ser tratado como um grande vinho. SÓ porque é brasileiro ele deve ser mais barato? Será que ele não vale o quanto custa? Vamos esquecer o quanto a Casa Valduga (ou o revendedor) está ganhando e pensar na qualidade do vinho.
Aliás, só como exercício, pense nos vinhos que você já comprou nessa faixa. Eu mesmo já paguei mais caro por vinhos bem inferiores. Não gosto de pagar caro por vinhos, mas fico satisfeito quando pago caro e o vinho corresponde.
Numa degustação para conhecer alguns dos vinhos Tops das Américas que foram produzidos no ano de 2005, estive com alguns amigos na loja Portal dos Vinhos, no Morumbi. A Loja é comandada pelos simpáticos Emilio e Fátima, que de vez em quando tem até a ajuda da sua filha, que leva jeito para o negócio.
Confesso que até hoje provei pouquíssimos vinhos da Villa Francioni, uma vinícola brasileira que tem se destcado bastante no cenário brasileiro e internacional. Sei da sua qualidade e vejo sempre suas premiações, mas por enquanto me faltaram oportunidades.
O VF 2005, um dos tops da vinícola, é feito com as uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Malbec. O corte é o típico “bordalês”, conhecido pela sua máxima expressão na região de Bordeaux, na França.
O vinho mostrou-se bastante vivo, com aromas passando por flores, frutas vemelhas discretas (sem aquele adocicado forte), um leve torrado e algum toque de mentolado que foi aumentando conforme o tempo que ficou na taça.
Na boca ele pareceu bem macio e com os taninos na hora de serem consumidos. Seu final não é muito longo, mas é bem prazeroso. Gostei bastante do vinho, que me pareceu bem elegante e que demonstrou um bom caráter. É um vinho que pode acompanhar bem as comidas principalmente pela sua evolução. Se você tiver um desses, pode guardar mais um tempo ainda se quiser.
O Afincado é um dos vinhos da famosa bodega de Mendoza, a Terrazas de Los Andes. Já comentei aqui sobre a minha visita à bodega e o quanto fiquei encantado com os vinhos deles, principalmente com o Cheval des Andes, que é o top da vinícola, feito em parceria com a mais famosa ainda bodega Cheval Blanc, da França.
O Afincado é feito com Malbec, a uva emblemática da Argentina e principalmente de Mendoza. É um vinho muito elegante e que tem o que a gente chama de tipicidade, ou seja, é um vinho que mostra bem as características da uva que é feito.
No nariz tem um bom toque floral, tem frutas vermelhas e toques de torrefação. É um vinho elegante no nariz, mesmo com um pouquinho de álcool sobrando. Na boca tem taninos potentes e ainda um pouco duros. É um vinho que precisa de mais tempo de garrafa para se mostrar melhor. Tenho certeza que ele vai ficar um grande vinho daqui uns 3 ou 4 anos, mas não pudemos esperar, pois esse vinho participou de uma degustação promovida pelo amigo Evandro, do Blog Confraria2Panas, que nos brindou com algumas preciosidades da América, da safra de 2005.
Se você gosta de vinhos potentes, abra o Afincado agora. Se quer um vinho mais elegante e evoluído, pode guardar esse por uns bons anos. É vinho para se ter por décadas e que vai continuar bom (ou ficar melhor).
Estive na vinícola Pizzato, lá no Vale dos Vinhedos e provei junto com a Flavia Pizzato o DNA 99, que apesar do nome, foi produzido em 2005 com a uva Merlot.
É um vinho muito potente e com um grande potencial de guarda.
Olha aí uma boa oportunidade para provar o famoso Pingus, um vinho espanhol de Ribera del Duero que é extremamente cultuado pelos enófilos e pela crítica. A Grand Cru da Bela Cintra (São Paulo) vai promover no dia 07 de julho uma degustação com os vinhos do famoso vinhateiro Peter Sisseck. Serão 5 vinhos (conforme lista abaixo) e claro que a estrela será o Pingus 2008, que recebeu 99 pontos do famoso crítico Robert Parker. Se considerarmos que a garrafa desse vinho custa quase 4 mil reais, vale a pena pagar a degustação para conhecer esse ícone. Mas não se prenda só ao Pingus, pois todos são altamente pontuados.
Se você pensa em comprar um desses vinhos, talvez essa seja uma boa chance de conhecer antes. Esses eu não conheço, mas não faltam (boas) credenciais. Se alguém aí for, depois me conte.
Wine list:
- Quinta Sardonia 2005 l RP 95
- Quinta Sardonia 2006 l RP 93
- Flor de Pingus 2007 l RP 95
- Flor de Pingus 2008 l RP 96
- Pingus 2008 l RP 99
Serviço:
Peter Sisseck – O gênio da Ribera Del Duero
Local: Grand Cru Bela Cintra – Rua Bela Cintra, 1799 – Jardins
Que tal um Porto LBV 2005? Eu encontrei essa garrafa pequena na loja Vino&Sapore e trouxe para provar. Acho que é uma boa forma de se conhecer o vinho e depois comprar uma garrafa grande, caso goste.