Archive | 1999

Brunello di Montalcino Ceretalto Casanova di Neri em vertical

Brunello di Montalcino Ceretalto Casanova di Neri em vertical

Quando falamos em Brunello di Montalcino, 9 entre 10 enófilos brilham os olhos. E não é pra menos. Em geral os vinhos de lá são excepcionais. E pra quem não sabe do que estamos falando, Montalcino é uma cidade que fica no coração da Toscana e faz vinhos tintos com a uva Sangiovese. Para o vinho poder sair com essa denominação (Brunello di Montalcino) deve seguir alguns critérios, dentre eles que o vinho fique estagiando por pelo menos 24 meses em barricas e que seja colocado a venda só depois de 5 anos da colheita. Dá pra perceber que estamos falando de grandes vinhos, não?

Mas mesmo entre os produtores de Brunello, tem alguns que se destacam ainda mais, como é o caso da Casanova di Neri, que é um produtor tradicional, que desde 1971 faz vinhos de excelente qualidade por lá. Seus vinhos só saem quando o Giacomo Neri (proprietário e enólogo) acredita que estão no ponto de qualidade ideal para a nossa plena satisfação.

E se você quiser comprovar a qualidade desse produtor, sugiro provar os vinhos da linha Cerretalto.

Cerretalto é o nome do vinhedo (que fica a oeste de Montalcino). Esse terreno foi identifdicado em 1954 e é muito rico em ferro. É também o nome da sua linha premiada de vinhos. Prêmios que pra mim são mais do que merecidos, dada a sua qualidade. São vinhos de grande potencial de envelhecimento. Provei alguns, numa vertical e abaixo estão as minhas impressões:

Brunello di Montalcino Casanova di Neri Cerretalto 2004
Foi uma safra muito equilibrada. O vinho ainda está muito jovem, mas não está “duro”. Dá pra beber tranquilamente. No nariz tem muita fruta, muito presente e equilibrada. Ameixa preta, leve toque mineral. Boca com muito tanino ainda. Boa acidez, final longo. Se conseguir guardar, é daqueles que dá pra “esquecer na adega” sem problemas.

Brunello di Montalcino Casanova di Neri Cerretalto 2003
Foi uma safra bem quente. Não é tão potente quanto o 2004, mas mantém a elegância. Tem um toque ferroso, cor mais evoluída, aromas mais doces, boca redonda, acidez na medida, excelente para a gastronomia.

Brunello di Montalcino Casanova di Neri Cerretalto 2001
Esse levou 100 pontos da Wine Spectator.
Tem um toque evoluído, bálsamo, ainda com acidez no topo. Muito equilibrado, elegante. Final muito longo que deixa lembranças.
O interessante desse vinho é que quando foi servido, estava muito fechado, ou seja, os seus aromas ainda estavam bem leves e escondidos. Abriu muito com o tempo, ficando cada vez melhor. Surgiram aromas de couro, animal, mineral. Um belíssimo vinho que está no ponto para o consumo.

Brunello di Montalcino Casanova di Neri Cerretalto 1999 
Era pra ser uma safra regular, mas que o Giacomo Neri acreditou (e teve sorte). Toque balsâmico, fruta passa, erva. Evoluído, mas com acidez ainda presente. Se você gosta de vinhos mais evoluídos, esse é um deleite.

Em 2011 pude provar vários vinhos de Brunello di Montalcino e dos que eu conheci, o Casanova di Neri é um que se destaca pela sua qualidade, regularidade e elegância. É aquela aposta certa. Pode comprar sem erro.

Um abraço
Daniel Perches

 

Posted in 1999, 2001, 2003, 2004, Itália, Sangiovese4 Comments

Pizzato Merlot 99

Pizzato Merlot 99

Na minha visita à Pizzato eu iria provar só o DNA99, mas vi que a Flavia Pizzato estava fazendo uma degustação vertical de safras antigas. Não tive dúvidas e provei também o Merlot 1999. Apesar da idade, o vinho estava ainda vivo.

Posted in 1999, Brasil, Merlot5 Comments

Familia Deicas agora na Interfood / TodoVino

Familia Deicas agora na Interfood / TodoVino

Em um almoço que contou com a ilustre presença de Fernando Deicas, a Interfood / TodoVino apresentou seu novo integrante do portfólio. Os vinhos da Família Deicas são bem conhecidos pelos brasileiros e mostram bem que o Uruguai tem uma boa vocação para a produção de vinhos, em especial os feitos com Tannat.

Fomos surpreendidos com uma vertical do vinho Preludio, passando pelas safras de 1997, 1999, 2002 e 2005. Eu já havia provado o Preludio Barrel Select 2004, mas esses que me foram apresentados eu não conhecia. Até então só sabia da sua fama de serem bons vinhos.

Comprovei a fama e fiquei realmente impressionado com a força e longevidade dos vinhos. De todas as safras provadas, a que mais me agradou foi a de 1999, que estava mais viva e mais intensa que a de 1997 (que estava muito boa também, mas já que temos que escolher uma, fiquei com a 99). As safras mais novas estão excelentes, mas eu guardaria mais alguns anos para obter mais complexidade. Os vinhos Preludio seguem um corte regular de Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Em 2005 eles acrescentaram um pouquinho de Marselan, mas foi um percentual muito pequeno e acredito que imperceptível. São coisas que o enólogo faz para melhorar o vinho, amaciá-lo, mas que para nós, ao provar, não há muito como perceber. Mas o que importa mesmo é que o vinho seja bom, não é mesmo?

Pude também provar finalmente o Preludio Branco, que eu queria conhecer. É um vinho com uma estrutura de impressionar. Passa um bom tempo por barricas e isso dá a ele uma complexidade que não se encontra facilmente por aí. Se você gosta de vinhos brancos mais amadeirados, esse é uma boa pedida.

E pra terminar com chave de ouro, provei o Família Deicas Tannat Premier Cru d’Exception 2005, um vinho que tem uma qualidade excepcional. Apesar de ainda jovem, o vinho mostrou que tem muito a oferecer, com aromas bem complexos, muito corpo e taninos de ótima qualidade. Um verdadeiro Premier Cru.

Esperamos que a vida da Familia Deicas seja boa junto com a Interfood e que possamos sempre ter esses bons vinhos à mesa.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 1997, 1999, 2002, 2005, Uruguai0 Comments

Pommery Cuvée Louise 1999

Pommery Cuvée Louise 1999

A gigante Pommery sabe o que faz. Desde seus champagnes “básicos” (e as aspas aqui ficam por conta da contradição), todos são muito elegantes e de muita qualidade.

Mas o Cuvée Louise é o champagne top da casa. Já de cara a gente sente a imponência, tanto pela sua embalagem, que é uma caixa branca muito bonita, até a sua garrafa, que tem um formato só utilizado realmente pelos grandes espumantes.

 É feito com as castas tradicionais – Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay – e com uma coloração dourada e muito límpida e brilhante, já dá pra ter uma idéia do que vem por aí.

Mas mesmo com a idéia, ao levar ao nariz, não há como não se impressionar. Aromas muito complexos de nozes e castanhas, brioche, frutas em compota e até um toque floral.

Em boca a acidez é muito balanceada e o seu final é longo e muito saboroso. Não consegui identificar nada que pudesse ser digno de nota contra esse belo espumante. Aroma, boca e final muito redondos.

É um grande champagne, que pode sem dúvida acompanhar grandes pratos (afinal de contas você não vai abrir esse champagne pra acompanhar um prato do dia a dia, não é?), mas eu resolvi beber sem nenhuma comida. Não queria que nada estragasse o meu paladar nesse momento tão intenso.

Aqui no Brasil custa em torno de 700 reais. Se puder investir, não vai se arrepender. E é um espumante de guarda. Não se impressione com seus 12 anos de vida. Ainda tem muito tempo pela frente.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 1999, Chardonnay, França, Pinot Meunier, Pinot Noir0 Comments

Oremus Tokaji Aszú 5 Puttonyos 1999

Oremus Tokaji Aszú 5 Puttonyos 1999

Oremus talvez seja o nome mais famoso e conhecido quando se fala em vinhos húngaros, mais especificamente os da região de Tokaji, ou Tokay, ou até mesmo Tokaj (essas três formas estão corretas). A propriedade tem uma longa história e seus vinhedos já tiveram como controladores reis e até o estado, mas desde 1993, a Oremus pertence ao grupo Vega Sicília, o mais famoso grupo espanhol. Pablo Alvarez, o diretor geral da Vega Sicília, percebeu a oportunidade que tinha em adquirir essa propriedade histórica e de altíssimo valor e não hesitou. Obviamente com a compra vieram a modernidade e possivelmente o aumento de produção, mas nunca a queda de qualidade. Seus vinhos continuam os néctares que sempre foram, deixando enófilos inebriados pelo mundo afora.

Esse vinho foi provado após uma noite de pizzas acompanhada de um belíssimo vinho também. Como na pizzaria onde estávamos não tinha nenhum doce que me pareceu acompanhar bem o vinho, preferi prová-lo sozinho, pois por si só é uma sobremesa, sendo um vinho considerado de “contemplação” por muitos.

Falar sobre a sua doçura é chover no molhado. O Oremus Aszú 5 puttonyos, que é produzido a partir de uvas botritizadas (ou seja, atacadas por um fungo, que também é conhecido por “podridão nobre”) tem uma viscosidade impressionante e apesar de seus 11 anos de idade, ainda estava apresentando um enorme frescor, exalando aromas de flor de laranjeira, doce de laranja, mel em abundância. Em boca, um excelente corpo e a sua jovialidade se comprovou. Boa acidez e final longo, mas mostrando que ficaria na garrafa descansando por mais uns belos anos sem problema nenhum.

É um vinho pra se beber com grandes amigos e com tempo. Vale a pena. Ele retribuiu gentilmente.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 1999, Hungria2 Comments

Barolo Monvigliero 1999

Barolo Monvigliero 1999

Esse foi mais um dos vinhos que foram degustados em uma tarde com amigos, quando decidimos provar alguns bons italianos. Depois de ter um Prosecco de entrada, partimos logo para esse Barolo. Como tínhamos outros vinhos mais fortes pra depois, decidimos já bebê-lo de início, assim poderíamos saboreá-lo melhor.

Ele já estava com uma coloração atijolada e com um grande halo de evolução, denotando a sua idade, mas de forma alguma, declínio.

No nariz, um ótimo bouquet que passou por frutas passas, especiarias e um bom torrado. O vinho ficou decantando por algum tempo e entre ser aberto e terminarmos com ele, passaram-se mais de duas horas. Até o final, o vinho mostrou-se bastante vivo.

Em boca, bastante acidez e até um pouco de tanicidade,mostrando que os seus 11 anos de vida não representavam o seu auge. Como é de se esperar de um bom barolo, esse vinho tem um potencial de guarda de vários anos. Não é raro ver notícias de barolos com 40 anos de idade sendo abertos e mostrando-se em perfeito estado.

Esse é um excelente vinho, que sem dúvida ficou melhor ainda na companhia de bons amigos. Tanto o vinho quanto o almoço deixaram saudades. Se puder comprar um desses e esperar, com certeza ele ficará ainda melhor. O difícil é deixar guardado.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 1999, Itália, Nebbiolo0 Comments

Almaviva 1999

Almaviva 1999

Alguns amigos nos pregam (boas) peças que serão lembradas por toda a vida. E dessa vez aconteceu comigo, que a convite do Cristiano (Vivendo Vinhos), eu e o Alexandre (Diário de Baco) fomos comemorar uma vitória em sua carreira, regados a um vinho especial, que o Cristiano guardou para uma ocasião como essa.

Não preciso nem falar o quanto fiquei honrado com o convite e claro que aceitei, afinal de contas, amigo é para essas coisas, não é mesmo?

O local escolhido foi o restaurante Olivetto, que tem como Sommelier o respeitadíssimo Diego. O serviço foi impecável, com direito até a decantação com luz de vela, para detectar sedimentos presentes na garrafa (natural para esse tipo de vinho, com essa idade).

Antes de degustarmos o Almaviva decidimos “abrir a noite” com um italiano que tem suas uvas cultivadas aos pés do vulcão Etna, feito com a uva Nerello  mascarese. Fantástico (e eu conto algum dia sobre ele), mas o que queríamos mesmo saber era do Almaviva.

Chegou então o tão esperado momento e com uma grande ansiedade, pudemos provar esse ícone chileno. O resultado é fantástico e à altura de todos os (bons) comentários já feitos sobre ele. O Almaviva é feito com cortes diferentes a cada ano. Especificamente em 1999 foram utilizados Cabernet Sauvignon (78%), Carmenère (19%) e Cabernet Franc (3%) e ficou 16 meses em carvalho descansando antes de ser engarrafado.

 almaviva1999Pra começar, sua coloração mostrou-se muito viva e intensa, com um bom halo de evolução, mas mostrando também que o vinho ainda poderia agüentar um bom tempo.

No nariz, muita complexidade: frutas vermelhas compotadas com um toque adocicado, toques mentolados, especiarias (que eu não consegui identificar com clareza alguma que se destacasse) e depois de um pouco de tempo na taça, aromas de couro e chocolate também vieram nos brindar.

Em boca, muita acidez, taninos muito macios, mas ainda fortes, mostrando que o vinho tem muita estrutura e que não estava nem um pouco “morto”. Impressionante a sua potência. Final longo e saboroso, daqueles pra ficar meditando depois de beber.

Esse vinho foi (bem) harmonizado com um cordeiro com purê de brócolis e temperos chilenos. Foi uma boa harmonização, mas se o Diego me permite, eu deixaria o prato com um pouquinho menos de pimenta. Mas é claro que isso é só um preciosismo, pois o que valeu mesmo foi a noite com os amigos.

Agradeço então ao meu amigo Cristiano, que dividiu não só a sua alegria conosco, mas também uma jóia de vinho. Amigos de verdade são assim, compartilham seus momentos bons com quem gostam e o mais legal é que recebem tudo de volta.

Ah, nesse dia, quando acordei vi São Paulo completamente alagada e a degustação seria em Campinas. Pensei por aproximadamente 2 segundos e concluí: VOU, NEM QUE SEJA DE BARCO!

Abraços

Daniel Perches

Posted in 1999, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Carmenere, Chile0 Comments

Baron de Oña Reserva 1999

baron_ona_1999

Depois de falarmos sobre as regiões da Espanha (parte I aqui e parte II aqui), nada melhor do que começar com um vinho Reserva da região de Rioja, do ano de 1999.

Esse vinho foi degustado em nosso “especial Espanha”, junto com outros grande rótulos que serão Continue Reading

Posted in 1999, Espanha, Tempranillo0 Comments


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