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Tignanello 1995

Tignanello 1995

No dia após o Encontro de Vinhos, fui convidado, junto com outros blogueiros para degustar essa jóia rara. Não poderia ter recebido presente melhor, pois não é todo dia que se bebe grandes vinhos como esse, e ainda mais na companhia de pessoas que conhecem, entendem e principalmente, bebem sem frescura.

O local escolhido foi o Ráscal do Itaim, que sempre nos serve com excelente qualidade (e o Anderson, o Sommelier, é muito atencioso) e os felizardos foram eu, Jeriel da Costa, Alexandre Frias, Beto Duarte, Walter Tommasi e Silvestre Tavares (o dono da preciosidade).

Foram 2 espumantes, 3 grandes vinhos e depois ainda um tokaj pra fechar os trabalhos, mas resolvi falar primeiro do Tignanello pois é um vinho ícone, tanto na Itália quanto aqui no Brasil. Sonho de muitos enófilos (inclusive meu), é um vinho que esbanja elegância. Um vinho pra se admirar.

Produzido na região da Toscana, mais precisamente dentro de Chianti Clássico, é um “Supertoscano” que tem em sua composição 80% de Sangiovese, 15% de Cabernet Sauvignon e 5% de Cabernet Franc.

Ao ser servido (às cegas, junto com os outros grandes vinhos), apresentou uma coloração já tendendo para o cobre, com um grande halo de evolução.

No nariz mostrou-se um pouco mais tímido que os outros, demonstrando pra mim que era um vinho que apesar de toda a sua idade, ainda estava em sua plenitude e poderia até ser guardado por mais tempo. Aromas de alcaçuz, frutas em compota e um delicioso terroso que rondava toda a taça montaram os aromas apresentados. Tudo com muita elegância e sem nenhum se sobressair a outro.

Em boca, me impressionei com os seus taninos. Muito vivos ainda e pedindo para que alguma comida acompanhasse. Não tive dúvidas: provei junto com o famoso polpetone que é servido lá no restaurante. Ficou sensacional. Depois ainda fizemos o teste sugerido pelo Tommasi, de harmonizar o Tignanello com um presunto cru italiano. Ficou melhor ainda. A gordura do presunto era completamente absorvida pelo vinho, formando uma combinação digna de se fazer reverência.

É, meus amigos, esse não é um vinho barato (infelizmente), mas é um vinho que, se tiverem oportunidade de beber, não deixem passar. É uma experiência única, eu diria.

Em breve conto mais sobre os outros vinhos, mas só para despertar o interesse, os outros foram um Cousiño-Macul 1995, um Marques de Riscal Gran Reserva 2000 (levado pelo Walter) e um Tokaj Aszu 1989. Dá pra imaginar a minha alegria?

Até a próxima então.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 1995, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Itália, Sangiovese2 Comments

Don Melchor 1995

Don Melchor 1995

Como já comentei aqui, estive na Concha y Toro e conheci não só a vinícola e a famosa adega “Casillero del Diablo”, mas também tive a ótima oportunidade de almoçar no restaurante que fica anexo à loja, no final do tour.

O restaurante oferece uma boa carta de pratos e preços acessíveis. Até aí, nada de extraordinário, mas o que me chamou mesmo a atenção foi a possibilidade de comprar e provar vinhos de safras antigas, servidos em taça.

Naquele dia estavam servindo o Don Melchor 1995. Nem é preciso comentar que não hesitei em prová-lo. Eu tinha a intenção de comprar algumas garrafas de safras até mais antigas, mas estava um pouco em dúvida. Essa foi a minha deixa para decidir.

Taça pedida e a atendente foi um tanto relutante e até me reforçou a informação de que havia também a safra 2006 para provar. Eu viria a entender o porquê dessa afirmação mais tarde…

O vinho seria o 1995 e pronto, estava decidido. E sendo assim, recebi a taça, respirei fundo e parti para a análise e para a degustação, claro. Vale comentar antes que a safra de 1995 não teve grande expressão (nem boas pontuações) e nesse ano foi feita somente com Cabernet Sauvignon.

Com uma coloração já bem atijolada e um grande halo de evolução, o vinho mostrou claros sinais da idade avançada. Já era um senhor.

No nariz, aromas terciários de couro, pêlo de animal, especiarias, estrebaria e um final mentolado. O interessante foi que quando chegou à mesa estava com um aroma ferroso, que quase confundi com oxidado e cheguei a pensar até que o vinho não estava bom para o consumo.

Em boca o vinho mostrou-se leve e com seus taninos já bem “cansados”, talvez pelo tempo em garrafa. Claros sinais de que sua vida ali na garrafa (e depois na minha taça) já estava chegando ao fim.

Conversando depois em off com algumas pessoas de lá, fui informado que as safras mais antigas do Don Melchor realmente eram feitas para serem consumidas em, no máximo, 10 anos. Com a tecnologia e obviamente a melhoria dos processos, hoje é possível fazer um vinho não só mais longevo quanto mais rapidamente pronto para o consumo, como é o caso da safra 2006.

Se isso procede ou não, não posso afirmar com certeza, mas posso dizer que esse 1995 estava já em sua plena maturidade, mas ainda apresentava muitos aromas e fortes sinais de que, quando mais jovem, foi um vinho bastante potente.

Uma garrafa desse vinho, lá na vinícola, custava em torno de 70 dólares e eles têm safras bem mais antigas (essas, só para vender a garrafa fechada). Alguém se habilita a uma degustação vertical?

Abraços

Daniel Perches

don_melchor_1995

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