Napa Valley, na California (Estados Unidos), é a terra do Cabernet Sauvignon e do Zinfandel. Praticamente toda vinícola faz esses dois vinhos, afinal de contas o pessoal aqui ficou conhecido por eles.
Mas como acontece em outros lugares, muitas outras uvas também são cultivadas, e bem cultivadas, mas como o apelo comercial não é tão grande, acabam ficando apagadas e a gente nem conhece.
Precisei ir para os Estados Unidos para poder provar um bom Sauvignon Blanc de Napa Valley. E o Titus foi uma indicação de um cara que eu conheci que tem uma loja no centro de Santa Helena (uma das regiões de Napa, bem legal por sinal).
Eu queria um Sauvignon Blanc da região, que fugisse um pouco do estilo “Nova Zelândia”, que tem aquela explosão de aromas que até deixa a gente interessado, mas é muito intenso. Gosto disso, mas também gosto de algo mais austero de vez em quando.
E o meu amigo de Santa Helena acertou em cheio. Esse Titus Sauvignon Blanc é um vinho que tem toques de frutas brancas, com um forte aroma de pêras, mas que não é enjoativo. Também não tem aquele aroma forte de maracujá, que é tão típico nesse vinho, principalmente nos que são feitos no Hemisfério Sul.
A acidez dele não é nada exagerada, o que ajuda na harmonização. Eu provei com um queijo de cabra cremoso e ficou delicioso. O queijo e o vinho se complementaram, formando um final até levemente adocicado e bem prazeroso.
Sei que não é fácil encontrar bons vinhos americanos no Brasil, saindo do Cabernet Sauvignon e do Zinfandel. E por isso mesmo que eu busquei esse. E gostei.
Ah, e o melhor é o preço. Custa em torno de 20 dólares (nos Estados Unidos, claro). Uma boa barganha. Se quiser mais informações, veja o site do Titus aqui.
Sim, meus amigos. Provei o Ménage à Trois! Antes que os mais puritanos caiam de costas, essa experiência foi exclusivamente com o vinho que tem esse nome. Acredite, há um vinho que chama Ménage à Trois. É da California (fica em Napa, Yountville) e tem esse nome porque é uma brincadeira que a vinícola Folie à Deux fez, por produzir um vinho com 3 uvas.
Eu provei o tinto, que é feito com Cabernet SAuvignon, Merlot e Zinfandel, mas tem também branco e rosé. Ou seja, tem Menáge à Trois para todos os gostos!
Esse eu comprei num supermercado em Santa Helena (California) e paguei 12 dólares. Um preço relativamente bom, se comparado com os outros que tinha por lá. Não vi nada que valesse a pena por menos do que 10 dólares.
É um vinho bem intenso e com aromas e sabores bem adocicados. Talvez essa combinação de uvas tenha sido a causadora, mas é fato que me lembrou outros vinhos, como o Yellow Tail, por exemplo (que aliás, tem em todo o lugar nos Estados Unidos).
Acho que o vinho atende a proposta, que é ser um vinho descompromissado e para o dia a dia. Nesse caso, seria para o dia a dia das pessoas que gostam de vinhos adocicados, claro.
Não é o meu estilo de vinho, mas acho que faz sucesso. Talvez o sucesso seja pelas suas características organolépticas (e organoléptica sim é uma palavra que deveria ser considerada imoral, de tão difícil), mas talvez seja pelo seu nome…
Sugiro que prove o Ménage à Trois. Quem sabe você gosta?
É isso aí, meus amigos. Estou a caminho de Napa Valley, na California. Uma semana intensa, com algumas visitas a vinícolas grandes e famosas como a Joseph Phelps, Kuleto e até o Chateau Montelena. Sim, aquele que foi o protagonista do grande “escândalo” do julgamento de Paris. Aliás, vou conversar com o Bo Barret, o proprietário, que na época era só um garotão e agora está à frente dos negócios da família.
Além disso estou indo também para um evento chamado Zinfandel Festival. Serão 3 dias de Zinfandel na veia. Acho que tem mais de 100 produtores inscritos para apresentar seus vinhos e eu preciso me preparar (e preparar meu fígado) para conseguir conhecer pelo menos boa parte disso.
Depois disso parto para as minhas merecidas férias, mas é claro que durante a minha estadia na zona vinícola americana mais famosa eu estarei postando por aqui as novidades. E se você tiver Instagram, melhor ainda. Aí a gente pode conversar mais rápido ainda, pois posto todas as fotos por lá. É só me seguir no @vinhosdecorte.
Tem alguma dica ou sugestão? Manda pra mim! Ainda tenho alguns dias livres, esperando por isso!
Adoro comerciais de vinho, principalmente os antigos (aliás, adoro comerciais antigos em geral). Recebi essa dica de um amigo americano que é esquiador e que sempre que abre uma garrafa de espumante, lembra dessa peça. Vejam que interessante essa, que usa um artifício bem comum (e que achavam que funcionava perfeitamente) que é repetir o nome várias vezes.
Um abraço pra você, Travis. Espero que esteja aproveitando as montanhas.
Estive no Grand Tasting, evento anual da importadora Grand Cru. É um evento impecável em todos os sentidos: desde a sua organização até a qualidade dos vinhos, nada deixa a desejar.
E como são muitos vinhos, fiz uma rápida seleção de alguns rótulos que me chamaram a atenção. Não vou detalhar muito os vinhos (até porque é uma boa quantidade), mas acredito que se você buscar algum desses, não vai se arrepender.
Brancos Leves
- Saint Clair Vicar’s Choice Sauvignon Blanc 2009 – Nova Zelândia – R$ 73
Um vinho com uma excelente acidez e que demonstra a vocação da Nova Zelândia para produzir vinhos com essa casta.
Brancos estruturados
- Hayes Ranch Chardonnay 2007 – Estados Unidos – R$ 45
Vinho branco californiano com um toque forte de madeira. Pra quem gosta, é um deleite e com um belo preço.
- Forgeot Chablis – França – R$ 85
Não é nada fácil encontrar bons Chablis com preço acessível. Esse supera as expectativas
- Chateauneuf-du-Pape La Nerthe Blanc 2008 – R$ 180
Pra quem pensa que Chateauneuf-du-Pape é só tinto, tem que provar esse. Um vinho com uma excelente complexidade aromática e de boca que vale a degustação com calma.
Pinot Noir
- Redtree Pinot Noir 2009 – Estados Unidos – R$ 45
Excelente custo x benefício. Vale provar.
- Saint Clair Vicar’s Choice Pinot Noir 2010 – Nova Zelândia – R$ 84
Muita fruta, excelente acidez e um ótimo equilíbrio. Mostra bem a característica da Pinot Noir da Nova Zelândia.
- Bouchard Cote de Beaune Villages 2009 – França – R$ 98
Pinot Noir francês bom, abaixo de 100 reais, é difícil de achar. Esse é um deles.
Itália
- Feudo Macari Maharis 2007 – R$ 290
O vinho topo da vinícola, que tem uma potência incrível.
No próximo post comento sobre outros vinhos que eu provei lá e gostei.
Robert Mondavi não brincava em serviço. Criou um verdadeiro império no mundo dos vinhos e seu nome é associado sempre a produtos de qualidade.
Mesmo que eu tenha tentado não ser influenciado por todo o nome em volta do mito, eu me rendi ao Robert Mondavi Private Selection Cabernet Sauvignon 2008. Realmente é um vinho bem feito e que principalmente tem um ótimo custo x benefício. Aí eu não pude deixar de colocar alguns pesos para definir esse critério, pois não é nada fácil encontrar vinhos da Califórnia com um preço acessível aqui no Brasil.
E na verdade estamos falando de um grande blend, pois apesar de ter em seu rótulo (e dentro da legislação) somente a uva Cabernet Sauvignon, esse vinho tem 77% de Cabernet Sauvignon, 16% de Syrah, 4% de Cabernet Franc, 2% de Petite Sirah e 1% de Sangiovese, com todas as uvas vindas de Monterey e Paso Robles, na California. Ou seja, foi feito um belo de um afinamento pra chegar nesse vinho.
Confesso que não tenho o melhor nariz do mundo, mas quando senti os aromas desse vinho, já suspeitei que ele não tinha só Cabernet Sauvignon (e se você provar e se atentar a ele, com certeza irá identificar com certa facilidade). Seus aromas tem uma fruta vermelha forte, mas vem acompanhado de um toque de especiaria e um pouco de chocolate, remetendo à Syrah também.
Em boca é um pouco quente, mas nada que incomode. Seus taninos são bem finos e o seu final é muito correto. É um vinho bem gastronômico, que acompanhou uma série de bruschetas variadas feitas para harmonizar. A maioria foi bem, acredito que pela sua combinação de uvas.
Bem, como disse no começo, o Sr. Mondavi sabia bem o que fazia. Vale a pena provar.
Tive a oportunidade de participar de um jantar harmonizado realizado pela Winet, empresa do meu amigo Deco Rossi, que está dando o que falar. Deco é um blogueiro e profissional do vinho muito competente, que tem muito talento e isso está sendo justamente reconhecido.
O jantar foi na loja WinePro, que fica na Av. Cidade Jardim. Uma loja com um bom portfólio e uma ótima infra-estrutura para receber os apaixonados pelo vinho. Lá dá pra fazer esses eventos harmonizados, cursos e eventos até maiores, mas dá também pra ir para tomar uma boa taça de vinho com os amigos. Vale a pena conhecer.
O Jantar foi preparado pelo experiente chef Mario Lo Sardo e teve como tema a Pinot Noir. Tema difícil, por sinal. A Pinot Noir é uma uva delicada e que desperta paixões (e ao mesmo tempo, muitas críticas, se não é bem vinificada) por todo o mundo.
O Deco escolheu muito bem os vinhos, que foram degustados às cegas. O desafio era descobrir os países de cada uma das taças. Algo bastante difícil e que não foi alcançado por ninguém, mas o que importa mesmo é a confraternização. Nesse evento pude conhecer bons rótulos que me chamaram a atenção, como o Wild Rock Cupids Arrow 2008, da Nova Zelândia e também o De Loach 2009, da California.
Sempre digo que esses eventos são uma ótima opção pra se conhecer um pouco mais sobre os vinhos degustados e se acompanhado de uma apresentação (sempre breve, por favor), é melhor ainda. E isso foi feito com maestria pelo Deco, que fez com que o evento se desenrolasse de forma muito descontraída e aconchegante.
Nessa noite os vinhos elegidos por preferência foram:
Mesmo para os degustadores mais experientes, diferenciar às cegas uma uva da outra, com o vinho pronto, é bastante difícil. Conheço poucos que conseguem diferenciar um Cabernet Sauvignon de um Merlot, só pelo olfato e pelo paladar.
Em geral, com os vinhos mais evidentes, fica fácil. Mas não é nada raro alguém ser pego de “calças curtas”.
Mas agora os nossos problemas e dúvidas se acabaram! Cientistas do Texas descobriram uma forma de detectar qual é a uva varietal de um vinho, através de um sensor que identifica isso através dos taninos. Então se você tem um Pinot Noir que está, digamos, meio estranho, pode fazer o teste e tirar a prova.
Mas é claro que a máquina ainda está em fase de elaboração e somente alguns testes foram feitos e não será tão simples assim fazer a verificação, afinal de contas, isso é algo utilizado cientificamente.
Porém não custa sonhar. Quem sabe um dia a gente não vai poder comprovar a autenticidade das uvas de nossos vinhos?
Um Zinfandel da California leve. É assim o Robert Mondavi Private Selection Zinfandel 2008. Se você acha que Zinfandel da California é sinônimo de vinho extremamente encorpado e alcóolico, tem que conhecer esse.
Conheça o vinho do ano de 2010, segundo a Wine Spectator. E dessa vez, a California reinou absoluta, especialmente em sua safra de 2007. Depois de emplacar várias posições entre os 10 melhores, levou também o 1o lugar, com um vinho feito à base de Grenache, Mourvedre e Syrah.
1o lugar - Saxum
James Berry Vineyard Paso Robles 2007
98 points / $67
950 cases made
California
In 1998, when 28-year-old Justin Smith started making wine in Paso Robles, it was a sleepy Central Coast area. Now the wine region is one of California’s fastest-growing. West Paso has a magical combination of rocky limestone soils, rolling hillsides and a not-too-cool climate that gives red Rhône varieties a firm structure to frame their rich, dark berry flavors.
Smith, who owns the 3,000-case Saxum winery with his wife, Heather, creates wines of distinctive character, depth and personality. In 2007, a near-perfect vintage, Saxum’s wines reached new heights. The 2007 James Berry Vineyard Paso Robles is a blend of Grenache, Mourvèdre and Syrah from a vineyard named after Smith’s father. The three varieties are aged 20 months in new and used barriques and large puncheons, to emphasize fruit purity. With its classic quality and reasonable price, this wine is a testament that Paso Robles has earned its place on the world stage. Notas de degustação
Divulgados o 3o e 2o lugar dos Top10 da Wine Spectator. Dessa vez entrou um branco da California (que está dominando o painel) e também mais um Shiraz da Austrália.
3o lugar – Peter Michael
Chardonnay Sonoma County Ma Belle-Fille 2008
97 points / $85
2,100 cases made
California
Ma Belle-Fille is the youngest vineyard on the winery’s Knights Valley estate, as well as the highest, reaching an elevation of 1,900 feet, and is quickly becoming the winery’s best source for Chardonnay. It’s a cool location but situated above the summer fog line, allowing for excellent sun exposure. Winemaker Nick Morlet uses native yeast; the wine is 100 percent barrel-fermented in French oak. Notas de degustação
2o lugar – Two Hands
Shiraz Barossa Valley Bella’s Garden 2008
94 points / $55
2,400 cases made
Australia
Managing partner Michael Twelftree and winemaker Matt Wenk have found a winning formula with their Garden Series, an umbrella of six different Shiraz wines, each sourced from vineyards located in subappellations of South Australia. The Barossa bottling, Bella’s Garden, has reached the Top 100 a total of six times since its first release (the 2001 vintage). Wenk used 18 percent new French oak hogsheads, minimal fining and no filtration to produce this fresh-tasting, complex wine. Notas de degustação