Estive em uma degustação promovida pela Wines of Chile, onde a idéia era apresentar os melhores vinhos chilenos. Ou melhores ou pelo menos os que são “ícones” por lá. Infelizmente me atrasei para chegar e perdi a apresentação dos vinhos, que foi feita pelo Pedro Parra, o famoso “Doutor Terroir“.
Mas como tudo sempre tem um lado bom, eu provei os vinhos todos no final e sem nenhuma influência de qualquer explicação que pudesse me deixar pensando que um fosse melhor ou pior que o outro. E melhor ainda, provei às cegas, pois o garçom que estava me servindo não estava nada contente de ter que me atender no final do evento e não queria dar muita informação.
Bem, o fato é que eram todos muito bons, mas quando cheguei nesse, tomei um baque. Era realmente muito bom e pra mim se destacava dos outros pela sua qualidade e elegância. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: “Como ele pode ser tão potente e tão elegante ao mesmo tempo?”.
Depois fiquei sabendo que era o El Principal 2006, o vinho top da vinícola de mesmo nome, que fica no Maipo. O El Principal só é feito em anos excepcionais e o último, antes do 2006, foi feito em 2001. Realmente um vinho especial.
Talvez a elegância venha do seu corte (83% Cabernet Sauvignon e 17% Carmenere), talvez venha do terroir ou talvez venha do enólogo. Como eu perdi a explicação, só sei dizer que é um dos melhores vinhos chilenos que eu provei.
Não é um vinho barato pelo que eu vi. Como já sabia de sua qualidade e estava de passagem (em trânsito) pelo Chile comprei uma garrafa no Freeshop de lá por aproximadamente 100 reais. Não sei quem importa e tenho até medo de perguntar. Só sei que tenho um aqui guardado, me esperando. Resta coragem de abrir e ficar sem nenhum.
Acho que vou ter que voltar ao Chile buscar outra!
É isso aí, vai começar o Guia do Diablo. Eu e o Alexandre Frias (Diário de Baco) recebemos uma missão: teremos que montar um guia para um dos vinhos mais famosos do mundo, o Casillero del Diablo, da Concha y Toro.
E sabe como é, pedido do Diablo a gente não pode negar. Durante todo o mês de setembro estaremos trabalhando nesse guia e vamos reportar tudo lá no site deles (www.guiadodiablo.com.br). A idéia é criar um guia para comer e beber bem, sem frescura e sem aquelas chatices que de vez em quando vemos no mundo do vinho.
Muita gente mandou sugestões inusitadas, o que fez com que a gente sofresse um pouco (ou você achou que seria só farra???), mas tudo bem. No final, vai valer a pena. Serão 30 lugares visitados e homologados por nós e pelo Diablo (que é oficialmente nosso chefe durante essa jornada).
Esse vinho tinha tudo pra não dar certo pra mim. Primeiro porque eu tenho que confessar que eu nunca comprei nenhum vinho da Sonata (que é vendido no WalMart aqui no Brasil) por puro preconceito. Não sei explicar, mas achava simplesmente que era de baixa qualidade e não queria nem saber dele.
Depois porque um Chardonnay com 2 anos de engarrafamento, se não for reserva mesmo, já estará perdendo bastante as suas características. Em geral esses vinhos precisam ser consumidos jovens (de preferência até no ano que foram fabricados) para manter o seu frescor.
Bem, mas como eu gosto de fazer minhas “pesquisas” e também porque eu prometi aqui procurar vinhos bons de supermercado, eu acabei comprando esse. E fui bem surpreendido. No contra-rotulo diz que foi fermentado e envelhecido em barricas de carvalho. Nota-se isso realmente logo no nariz, que traz algumas notas mais lácteas, chocolate branco e um pouco de madeira, mas claro que não deixando de lado s características típicas da uva Chardonnay, principalmente o aroma que remete ao abacaxi. Na boca o vinho tem um corpo médio, acidez relativamente boa. O final do vinho é um pouco curto, mas bem correto.
Pareceu pra mim um bom vinho para quem quer conhecer um Chardonnay que passa por barrica. Não espere grande complexidade, mas pelo preço (em torno de 20 reais), é uma ótima opção, principalmente para o dia a dia.
Mais um bom achado de supermercado. Agora vou tomar coragem e provar os outros (tintos) da Sonata.
O nome desse vinho já diz tudo. É fora do comum mesmo.
Provei esse (e outros do mesmo produtor) em uma feira da Wines of Chile, uma entidade que promove o vinho daquele país. A feira, aliás, estava enorme e cheia de vinhos que eu não conhecia. Vou relatando aos poucos por aqui.
O Unusual é um corte de Cabernet Sauvignon (50%), Zinfandel (20%) e Shiraz (30%). Eu nunca tinha provado um vinho com uma composição dessas, ainda mais do Chile. Se estívessemos falando de vinhos californianos, onde a Zinfandel reina, até que tudo bem, mas no Chile não. Aliás, nunca tinha provado nenhum zinfandel do Chile.
O vinho é realmente diferente, obviamente por conta do seu solo, seu terroir. Esse é produzido no Valle del Maipo, bem no centro do Chile.
Com aromas lembrando especiarias em contraste com o adocicado das frutas vermelhas que também aparecem, o vinho é intrigante. Chama a atenção também o toque de barrica e de frutas secas. Na boca é um vinho até relativamente fácil, com taninos bem ajustados. É um vinho que me pareceu ser bem gastronômico. Tem um álcool elevado e talvez até por isso precise de uma comida mais estruturada, até com um pouco de gordura, para se dar bem.
Então se você gosta de provar cortes diferentes de vinhos, pode buscar esse, que está à venda no Makro (não sei o preço). Para saber mais sobre o produtor, acesse o site da TerraMater.
Quem produz esse vinho é a Viña Errazuriz, uma vinícola chilena situada no Vale do Aconcagua. É inclusive bem famosa e na minha opinião, com toda razão. Eles fazem realmente bons vinhos e vejo que por aqui no Brasil eles são muito bem aceitos.
O Don Maximiano é o vinho top da vinícola e especificamente na safra de 2005 foi feito com as uvas Cabernet Sauvignon (85%), Cabernet Franc (7%), Petit Verdot (5%) e Shiraz (3%). Um corte que trouxe bastante estrutura para o vinho.
Apesar de sua idade, o vinho parecia bem jovem. Aromas de frutas vermelhas estavam em abundância e dessa vez, mesmo degustado às cegas, não foi difícil de perceber que era um vinho chileno, pois o aroma característico estava lá presente: aquela fruta vermelha adocicada, lembrando até um pouco de goiaba (e olha que nem tem Carmenere nesse, pois muita gente diz que o aroma de goiaba é vindo da Carmenere).
Na boca mostrou um bom corpo, mas o álcool ficou um pouco acima do que eu esperava. Tem 14,5% e dá pra sentir realmente. Mas é um vinho que tem uma boa acidez, o que ajuda na degustação, principalmente se acompanhado de uma boa carne, por exemplo.
Como todo bom vinho top ou vinho ícone, esse custa caro. Quem importa é a Vinci Vinhos e ele custa em torno de R$ 300,00. Se você gosta de vinhos chilenos, com certeza é uma boa pedida. Mas lembre-se que vem com o aroma de goiabada junto!
A Validivieso está em alta no mercado. Ando vendo seus vinhos em diversos lugares e conversei com alguns consumidores que falaram bem dos vinhos deles.
Concordo com o pessoal. Gostei bastante dos vinhos que já provei e já publiquei alguns por aqui (veja todos da Valdivieso aqui). São vihos muito bem produzidos e que demonstram um bom potencial de guarda. Provei inclusive algumas safras antigas, como o Valdivieso Cabernet Franc 1998 e estava realmente muito bom.
E o Éclat 2007 é um dos vinhos deles que me chamou a atenção. Feito com Carignan (65%), Mourvedre (20%) e Syrah (15%) lá no vale do Maule, é um vinho com aromas encantadores. Não sei se é o “efeito Carignan” que me agrada, mas eu realmente gostei desse vinho no nariz. Quando falo “efeito Carignan” me refiro à minha admiração por essa uva, que produz vinhos bem interessantes e que eu gosto de beber.
O Éclat tem toques de frutas secas (damasco) e um pouco de mentolado que vem depois de um certo tempo que o vinho está na taça. Na boca é leve e macio, com bons taninos. Não tem um final muito longo, mas bem correto e de fácil harmonização, pois não é um vinho muito intenso, podendo então ser pareado com vários pratos, até os que tem uma carga maior de sal e de pimentas.
Provei o vinho em uma degustação e só uma coisa me deixou um pouco intrigado. Depois de algum tempo (umas 2h mais ou menos) o vinho perdeu bastante dos aromas que tinha no começo. Pode ter sido só essa garrafa, mas vale a atenção. Só não recomendo beber apresssadamente o vinho para aproveitar os aromas, porque o efeito do álcool não vai ser tão interessante.
A linha da Valdivieso é importada pela Ravin no Brasil e esse vinho custa 99 reais (base site Ravin / Agosto 2011).
Esse é daqueles vinhos que vêm para quebrar alguns paradigmas. Ouço muito coisas do tipo: “Carmenere chileno tem só aroma de goiaba”, ou “Carmenere chileno é muito doce”.
Sim, meus caros, é verdade que muitos vinhos feitos no Chile com essa uva têm essa característica, mas como sempre digo, cuidado com as generalizações.
O Yali Limited Edition Carmenère 2008, por exemplo,é um vinho que foge a essas características. Produzido no Vale do Maipo, no Chile, é uma das marcas da gigante Viña Ventisquero.
É um vinho elegante, mas que mostra ao mesmo tempo muita força e potência. Tem uma grande concentração de cor, mostrando-se inclusive jovem. Com certeza dá pra guardar esse vinho por mais alguns anos. No nariz ele tem notas de frutas negras como amora, mas tem também o toque das frutas vermelhas. Por conta de sua passagem relativamente longa por barricas (16 meses) ele adquiriu alguns aromas também mais adocicados (mas fiquem tranquilos que não é nada enjoativo), remetendo a côco.
Na boca sente-se a sua força através dos seus taninos bem presentes, mas já relativamente macios, não deixando aquela sensação de secura na gengiva.
O vinho harmonizou muito bem com uma carne degustada no Noth Vila Nova Conceição, um novo restaurante da cidade de São Paulo que é um espetáculo. Aliás, não só a comida por lá é boa, mas o serviço também é de se prestar atenção.
Esse custa em torno de 100 reais e entra, na minha opinião, numa lista de best buys pela sua qualidade. Aqui no Brasil a marca Yali é comercializada pela Domno.
O Caballo Loco é um grande vinho que tem uma história muito interessante.
Em 1990, os proprietários da Valdivieso resolveram fazer um vinho diferente. A idéia era simples: preparariam o vinho e engarrafariam só 50% da produção e guardariam os outros 50% para ser incorporado à próxima produção. O vinho seria mesclado (safra antiga com nova) e daí tirariam somente 50% e deixariam o restante para ser misturado à próxima safra. E assim por diante, sempre guardando 50% da produção.
Surgiu então, em 1990, o Caballo Loco No 1. Desde então os vinhos vêm sendo produzidos com mesclas de safras anteriores, até o Caballo Loco No 12, que é a safra mais recente. Não dá pra colocar a safra no rótulo, porque tem um monte de safra misturada.
Obviamente a história é bem interessante e me parece uma boa jogada de marketing, mas o vinho realmente é bom. Com uma ótima complexidade de aromas, misturou frutas vermelhas e aromas mais evoluídos como chocolate e torrefação. Na boca mostrou taninos macios, mas com grande capacidade de envelhecimento. Por ter 14,6% de álcool, senti o vinho um pouco quente, mas nada que me incomodasse. Seu final é bem longo e não senti nada de amargor. É um vinho para ser bem harmonizado talvez com uma carne ensopada com molho de vinho, por exemplo.
Se você gostou da história e quer saber como é o vinho, terá que desembolsar algo em torno de 230 reais. Esse é importado pela Ravin no Brasil.
Acho que não tem ninguém que não conheça a Concha Y Toro. É uma das maiores do mundo do vinho, com dezenas de marcas diferentes (que vão desde vinhos mais básicos até grandes vinhos, como o AlmaViva).
E quem é que não tem uma história com um Casillero del Diablo? Aliás, esse vinho tem uma lenda interessante. Vale a pena conhecer.
Mas no Encontro de Vinhos não teremos nada de lenda. Serão apresentados alguns vinhos do portfólio (até porque levar todos seria impossível). Vale conferir.
Encontro de Vinhos São Paulo Hotel San Raphael – Largo do Arouche – São Paulo Dia 04 de agosto – das 12h as 22h Ingressos a R$ 60,00 (na hora) www.encontrodevinhos.com.br
A Viña Valdivieso é uma vinícola bem grande do Chile, que está no Brasil através da importadora Ravin.
Estive no lançamento dos vinhos para o mercado e conversei, junto com o Beto Duarte, com o Rogério D’Ávila (o importador), com o Eugenio (enólogo) e com o Matteo (gerente de exportação).
Vejam o que eles nos contam sobre essa gigante que está no Brasil para mostrar a sua força.
Valdivieso é um produtor que está localizado na região do Valle Central, no Chile. Seus vinhos são já bem conhecidos dos brasileiros, que encontram eles em diversas lojas especializadas e também em supermercados.
Tive a oportunidade de provar o Chardonnay 2010 com a promessa de ser um “Best Buy“. E eu gosto bastante desses desafios, pois pra mim o Best Buy tem que ter (lógico) bom preço, ser bom por si só mas também tem que ser bom em comparação com outros, que nesse caso, tenham a mesma faixa de preço.
De acordo com o site da Ravin, que importa o vinho para o Brasil, esse custa R$ 23 (base Julho/2011). Realmente é um preço bem acessível.
E o vinho mostrou-se muito bem para a categoria. É um vinho muito correto, que tem bons aromas que lembram frutas frescas e até um leve toque floral, boa acidez e é bem agradável na boca.
É daqueles vinhos que a gente pode comprar para beber sem muita pretensão: num dia de calor, num final de tarde com amigos ou até mesmo acompanhando uma entrada leve como uma salada.
A Valdivieso tem outros vinhos também nessa faixa de preço que merecem a atenção. Vou provar e comento com vocês por aqui. Então se quer uma dica de um Chardonnay bom e barato, aí está uma que provavelmente vai agradar.
Vernus é mais um vinho da gigante Santa Helena, que produz o vinho que é bastante conhecido por nós aqui no Brasil: o Santa Helena Reservado. Esse é feito no Vale do Colchagua, no Chile.