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[Vinícolas da Argentina] Pulmary

[Vinícolas da Argentina] Pulmary

Como já comentei aqui, na minha última visita à Mendoza eu tive o prazer de fazer um passeio de bicicleta pelos vinhedos. Foi muito prazeroso poder pedalar pelas ruas que cortam as vinícolas, com tranquilidade e calma para apreciar a paisagem e claro, os vinhos.
E nesse passeio eu parei numa vinícola muito pequena chamada Pulmary, uma vinícola que fica praticamente dentro da cidade (em Chacrasd e Coria). Mal sabia o que me esperava, pois foi uma das minha melhores experiências por lá.
A Pulmary é orgânica e os seus proprietários se orgulham muito disso. Eles possuem 12 hectares de terras onde plantam só variedades tintas desde 2002 (ou seja, são relativamente jovens). Provei alguns vinhos que gostei bastante.

Cabernet Sauvignon 2010 Donaria
Donaria signidica doação. É um vinho fácil de beber, bons taninos e final bem correto. Está pronto para beber e eu não acho que seja de longa guarda.

Malbec Reserva 2010
Doce, toques herbáceos mais leves, taninos bem presentes, final médio. Tanino rústico e bem presente.

Malbec Reserva 2008
Muito mais intenso em cor que o 2010. Mais doce também. É um vinho que pode ser guardado, mas só se você gostar de toques mais envelhecidos, senão é melhor consumir logo.

A experiência foi legal não só pelos vinhos, mas pela conversa com o pessoal de lá, que nos contaram como elaboram os vinhos, como vivem e alguns “segredos”, como por exemplo, que colocar um pé de pimenteira na frente dos vinhedos é até melhor do que colocar rosas. Eles ajudam a saber se há pragas ou ameaças à sanidade das videiras.

Achar a Pulmary não é fácil, pois eles são pequenos e ficam meio escondidos. Se quer uma dica, vá para Chacra de Corias e procure lá. Talvez alguém possa dar indicações de como chegar.
Um abraço
Daniel Perches

Posted in 2008, 2010, Argentina, Cabernet Sauvignon, Malbec0 Comments

[Vinícolas da Argentina] Jean Bousquet

[Vinícolas da Argentina] Jean Bousquet

Conheci os vinhos da Jean Bousquet faz pouco tempo. Conheci e gostei. E no final de 2011 estive novamente em Mendoza e pude visitar a vinícola e conhecer um pouco mais sobre a filosofia deles, principalmente no que diz respeito à agricultura orgânica.

Para os mais desavisados, vinho orgânico é todo vinho que não usa nenhum tipo de agrotóxico na sua produção. Bom, não? Pois é, eles são bem naturais e o melhor é que o produto final, o nosso tão querido vinho, é muito bom.

Os vinhos da Jean Bousquet me agradam e acho que uma das características interessantes deles é a sua regularidade. Eu confio nos vinhos, então sei que posso comprar desde o mais barato até o top, que todos vão ser bons. O que vai mudar é a sua complexidade, estrutura, etc.

A Jean Bousquet é reconhecida pelos seus vinhos tintos, mas faz também bons vinhos brancos e agora está fazendo espumantes. Provei recentemente o espumante já pronto, mas quando fui à vinícola eu pude provar o que ainda estava no tanque, sendo preparado. Foi uma experiência muito legal poder conhecer o líquido que um dia vai ser um espumante engarrafado. Se você tiver essa oportunidade, faça, pois é bem legal ver as diferenças.

E como eu disse que provei alguns vinhos, aí vão dicas dos que eu recomendo.

Chardonnay 2011
Linha jovem, passa muito pouco por barrica que nem dá pra falar que passou.
Banana, fruta, muito fresco na boca. Ideal para dias quentes.

Chardonnay Reserva 2010
Barrica por 6 meses. Leve manteiga, herbáceo, toque verde, fruta, banana, abacaxi, boa acidez. Bom final.

Chardonnay Grande Reserve 2010
1 ano barrica, marcante, um excelente vinho. Toque de coco e baunilha, e amêndoas.

Rosé Malbec / Cabernet 2011
Leve e delicado, na boca é bem presente, com toque de morango. Descompromissado, mas com um bom toque de seriedade.

Pinot Noir Reserva 2010
Cor cereja, madeira por 6 meses. Mais forte na boca do que no nariz. Leve verde. Final marcante, Tanino bem presente.

Malbec Premium 2011
É o que a gente pode chamar de “Malbec para todos”, pois é fácil de beber e de entender.

Malbec Reserva 2010
Mais fruta negra, chocolate, Madeira bem marcada. Não é difícil de entender, mas é mais complexo. Taninos ainda jovens.

Cabernet Sauvignon Reserva 2010
Não tem toques verdes, com aromas e taninos doces. Tem um toque final doce, de cereja muito agradável.

Malbec Grande Reserve Malbec 2009
Pra mim, foi o melhor. Excelente vinho, muito balanceado, toques doces, mas não muito pesado. Chocolate, doce. Tem bastante álcool, mas não se sente.  Final longo e ainda jovem.

Malbec Dulce Natural 2009
Um vinho fortificado muito interessante, pois tem nariz elegante, sem muita fruta ou álcool aparecendo. Final bem correto e longo.

O pessoal da Jean Bousquet recebe os turistas sem precisar nem de agendamento. Se estiver por perto, vale a pena visitar, conhecer as instalações que estão sendo ampliadas, sentar-se à beira do lago com trutas, brincar com o cachorro deles (enorme, que parece um lobo, mas é muito manso e brincalhão) e claro, provar alguns vinhos.

Os vinhos da Jean Bousquet são importados pela Abflug no Brasil.

Um abraço
Daniel Perches

Posted in 2009, 2010, 2011, Argentina, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Malbec0 Comments

Vinícola Alta Vista (e sua alma francesa)

Vinícola Alta Vista (e sua alma francesa)

Em minha última viagem à Mendoza, a vinícola AltaVista foi incluída no roteiro. Eu já havia estado lá um ano antes, provado os vinhos e até entrevistado o enólogo. Achei que não teria mais nada de “novo” para se ver.

E foi aí o meu engano. É fato que as instalações continuam as mesmas e alguns vinhos eu já conhecia. Mas além de eu provar vinhos novos, como o ícone deles, o Alto (falo daqui a pouco sobre esse vinho, é só descer um pouco o texto), eu tive o prazer de ir para lá de bicicleta.

Sim, meus amigos. Em Mendoza (e isso é relativamente comum em regiões vinícolas), há ciclovias que circundam vários vinhedos. Você pode alugar uma bike e sair pedalando e parando nas vinícolas, provando o vinho e depois partindo pra outra.

E a AltaVista é uma excelente parada. De proprietários franceses (são sócios da Taittinger, na França), a vinícola tem alma daquele país. É claro que não esqueceram o terroir argentino, produzindo vinhos fortes, encorpados e bem estruturados, mas ao mesmo tempo dá pra ver que há um certo toque mais delicado, aveludado e complexo nos vinhos deles.

Provei o Alta Vista Premium Torrontes 2011, que é um vinho dourado, com aromas bem típicos, leve herbáceo e terroso,  boca bem presente, acidez na medida, final bom e marcado. Depois provei o Alta Vista Terroir Selection Malbec 2008, que é um vinho feito com uvas vindas de 4 terroirs distintos. Tem um toque floral, chocolate e com um toque de amargor no final, mas nada que compromete.

O Alta Vista Single Vineyard Temis Malbec 2007 é um vinho feito no Valle del Uco, que tem leve toque adocicado, fruta em calda, chocolate, madeira bem presente e muito corpo, bons taninos mas um leve álcool sobrando.

Pra mim o top mesmo foi o Alta Vista Alto 2007, que é o vinho ícone. Feito com 70% de Malbec de Agrelo e 30% de Cabernet Sauvignon de Temis (que fica até perto). passa por 18 meses em barrica e mais 18 em garrafa. Muito intenso na cor. Aromas doces, mas muito delicados e complexos. Cereja, chocolate, fumo, leve carne, Taninos ainda muito jovens. Precisa de comida com gordura.

Gostou? Que tal então passear em Mendoza de bike? Se você ainda não fez esse tipo de passeio, eu recomendo fortemente. É muito gostoso pedalar, sentir a brisa leve, poder ver os vinhedos mais de perto, sentir o caminho. É claro que aqui cabe a recomendação de moderar na bebida e usar sempre protetor solar, porque senão a sua viagem com certeza acabará no dia seguinte.

Um abraço

Daniel Perches

 

Posted in 2007, 2008, 2011, Argentina, Cabernet Sauvignon, Malbec, Torrontes2 Comments

Espumante Arroba Extra Brut – pra quem quer conhecer o aroma de levedura

Espumante Arroba Extra Brut – pra quem quer conhecer o aroma de levedura

O Brasil é o país dos espumantes. A gente tem melhorado a cada ano e tenho provado espumantes muito bons por aqui e é claro que não podemos (nem devemos) nos comparar a países do velho mundo como França e Itália, mas nossos espumantes têm feito bonito em muitos lugares. E com razão.

Mas os nossos hermanos argentinos também produzem excelentes espumantes. Eu acho que ainda são um pouco desconhecidos em terras brasileiras (preferimos importar os Malbecs deles), mas valem a prova.

E o Arroba Extra Brut é uma dessas boas opções. Aliás, antes de falar sobre o espumante, é legal contar um pouco sobre o projeto Arroba. O enólogo Carlos Balmaceda é o autor dos vinhos. Depois de trabalhar muito tempo em Salta, resolveu voltar para Mendoza para fazer os seus próprios. É daqueles projetos que tem pequena produção e que privilegia o gosto do enólogo, e por isso é chamado de vinho de autor, ou até vinho de garagem.

Produzido com Chardonnay, Chenin Blanc e Pinot Noir (nessa ordem de percentuais, do maior para o menor), é um espumante bem interessante. E o que mais me impressionou nele foi o seu aroma. Tem um pouco de fruta branca, mas o que mais chama a atenção é o cheiro de levedura! Nunca tinha sentido um aroma tão forte de levedura num espumante.

Na boca tem um toque mais de fruta e é bem seco. Tem um final muito agradável e bem equilibrado. Tudo OK, mas enquanto eu bebia esse espumante eu não conseguia parar de pensar no seu aroma de levedura.

Está aí uma boa opção para se conhecer, que é até didática. Se você ainda tem dúvidas sobre como é o aroma de uma levedura, você tem duas opções: ir a uma vinícola (pois quando entrar, vai sentir facilmente esse aroma), ou provar o Arroba Extra Brut.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in Argentina, Chardonnay, Chenin Blanc, Pinot Noir4 Comments

O Family Wine Collection RJ Malbec 2005 veio para arrebentar!

O Family Wine Collection RJ Malbec 2005 veio para arrebentar!

Conheci esse vinho numa degustação do meu amigo Beto Duarte. Ele está fazendo um Guia e está promovendo provas constantemente. Nesse dia eram 25 vinhos argentinos. Começamos com alguns brancos e depois partimos para os tintos e obviamente a maioria era Malbec.

Tinha muita coisa legal lá, mas confesso que nenhum tinha me impressionado. Todos foram provados às cegas e minha sensação era de estar em uma prova de “mais do mesmo”, mas de repente me aparece esse vinho. Era o penúltimo e quando levei ao nariz, tomei um susto. Era muito acima da média do que tínhamos por lá naquele dia. Um vinho muito complexo, com aromas finos e elegantes, lembrando frutas negras, toque adocicado muito de leve e barrica muito bem colocada. Depois de me animar com o nariz, provei o vinho e aí me encantei. O vinho é 2005, mas ainda estava jovem, com taninos muito bons, mas ainda um pouco duros, mostrando que ainda é jovem. É daqueles vinhos que você pode guardar por um bom tempo. Foi a minha pontuação mais alta.

Terminada a degustação, as garrafas foram reveladas e vi que se tratava desse Family Wine Collection RJ Malbec 2005, importado pela Vinea. O vinho não custa barato (quase 300 reais), mas é um grande vinho que é produzido no Valle do Uco, em Mendoza. Nunca tinha ouvido falar dessa vinícola, mas já vi que os caras só fazem coisas sérias por lá, pois provei também outro vinho deles e também gostei muito.

O mais legal é que eu ganhei o resto da garrafa (tinha metade mais ou menos). Trouxe pra casa e guardei, para ver se os taninos dele ficariam mais macios depois de alguns dias abertos. O resultado foi que depois de 4 dias na geladeira, peguei o vinho para provar e estava espetacular. Sucesso!

Então se você for comprar esse vinho, sugiro que coloque num decanter por algumas horas. Não vai se arrepender. É puro deleite!

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2005, Argentina, Malbec2 Comments

[Vinícolas da Argentina] Bodegas López

[Vinícolas da Argentina] Bodegas López

Se você gosta de vinhos evoluídos e daquelas degustações verticais, onde se prova várias safras de um mesmo vinho, para saber como é a evolução dele ao longo dos anos, você precisa conhecer a Bodega López, que fica em Mendoza.

Os caras são enormes e têm mais de 1.000 hectares de uvas plantadas. Mas pra mim o grande diferencial da López nem é esse, é ter safras antigas. Os donos gostam de fazer os vinhos ao estilo europeu, mais austeros e elegantes. Eles têm lá uma linha de vinhos jovens, que é amplamente comercializada na Argentina e que são bons, mas nada de espetacular. O que é bom mesmo é o tal do Montchenot, que é o vinho deles que é envelhecido pelo menos 10 anos antes de ser comercializado.

Visitar a vinícola é aprendizado certo. com mais de 100 anos de história, eles têm até um pequeno museu com os carros e instrumentos de épocas passadas, muito interessantes. Alguns vinhos (como o Montchenot) são guardados em pipas de madeira enormes, para envelhecer por muito tempo.

E se você for visitar, recomendo que almoce no restaurante deles, que tem uma comida muito boa e que harmoniza muito bem com os vinhos da casa (eles servem os mais jovens), mas também recomendo que você pesquise as safras que quer comprar. Lá tem Montchenot 1958, 62, 71, 78, etc. É um verdadeiro parque de diversões para quem quer provar vinhos mais evoluídos.

Gostei muito de provar o Montchenot 2001, que é feito com Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec. O pessoal de lá criou esse corte  para ser o “corte típico argentino”. é um vinho que já tem uma cor mais evoluída, tijolo. Pela sua idade, ele estava com o aroma ainda fechado, que depois foi se abrindo e ficando cada vez melhor. Toques de cereja, frutas secas, terra, poeira, também evoluídos. O mais legal é que ainda tem acidez e de sobra nesse vinho, mostrando-se ainda vivo, bem marcante.

Outro vinho que me chamou a atenção foi o Federico Lopez Jerez, que é feito pelo método de Solera com as uvas Pedro Ximenes e Palomino, as típicas do Jerez “original”, da Espanha. O legal desse vinho é que ele é muito parecido com o seu primo espanhol, mas não tem toda aquela salinidade, então pode ser que agrade a alguns paladares mais sensíveis a esse tipo de aroma e sabor.

Dessa vez eu não consegui trazer nenhuma garrafa, mas com certeza na minha próxima viagem à Mendoza, trarei uma vertical para apreciar. Vale a pena. Veja mais informações no Site da Bodega López. Infelizmente não tem importador no Brasil (ainda)

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2001, 2008, 2011, Argentina, Cabernet Sauvignon, Palomino, Pedro Ximenes7 Comments

[Vinícolas da Argentina] Valle Perdido tem Spa 5 estrelas na Patagônia

[Vinícolas da Argentina] Valle Perdido tem Spa 5 estrelas na Patagônia

A Patagônia é uma região fantástica e intensa. Por lá se encontra bons vinhos (prove os Pinot Noir e depois me diga o que achou), é possível fazer atividades ao ar livre, esportes radicais e algumas outras coisas como esquiar (sim, em Bariloche, mas é um pulinho dali até a famosa estação de esqui). Mas é possível também relaxar em alto estilo.

Para aqueles que querem um lugar tranquilo, longe da confusão das cidades e com muita privacidade (sem esquecer do luxo), o Valle Perdido Wine Resort é a pedida. Membro do Small Luxury Hotels in the World, esse é o único Hotel Spa 5 estrelas da região (e acho que de toda a Argentina). Estive lá conhecendo e vi que realmente é algo impressionante. Lounges amplos com vista para os vinhedos, apartamentos luxuosos e aconchegantes e atividades de relaxamento como massagens, vinoterapia, etc, para quem quer cuidar do corpo e da mente. É possível também fazer eventos por lá, com toda a infraestrutura necessária e claro, com o benefício de se estar no meio dos vinhedos.

E como eu sei que se você for pra lá você quer saber dos vinhos deles, garanto que tem coisa boa para provar. Os proprietários investiram alto. São mais de 200 hectares de vinhas e exportação para muitos países. Eu pude degustar 3 vinhos e gostei de todos eles, mas por lá tem muito mais. É só pedir para o pessoal que ele vão te dar muitas opções, inclusive de estilos.

Provei o Argie Torrontes 2011, feito em La Rioja, que me agradou por não ser um vinho tão explosivo de aromas, mas austero mas ao mesmo tempo bem presente. O Cliff Raven Pinot Noir 2010 também é bem legal, com cor clara, aromas bem definidos e acidez elevada. E pra quem gosta dos mais intensos e fortes, o Valle Perdido Malbec Reserva 2007 é a pedida. Com todos os aromas florais e de frutas típicos dessa casta, é uma porrada!

Se você estiver disposto a pagar em torno de 500 reais por diária, pode ter todo o luxo que o hotel oferece e ainda provar esses vinhos aí. Topa?

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[Vinícolas da Argentina] NQN recebe os brasileiros de braços abertos

[Vinícolas da Argentina] NQN recebe os brasileiros de braços abertos

Aqui vai um conselho: se você for à Patagônia, visite a NQN. E se você voltar sem passar por lá, não vai te acontecer absolutamente nada (fique tranquilo que isso não é uma daquelas correntes, que diz que se você não passar isso para umas 20 pessoas, ou se não fizer uma oração, vai ter azar ou coisa parecida). O que vai acontecer é que você vai perder a visita a uma das vinícolas mais legais da região.

Estive lá no final de 2011 e pude conhecer pessoalmente o Lucas Nemesio, o Diretor da Vinícola. É daquele tipo de cara simpático, de bem com a vida e alegre por estar fazendo o que gosta. Lucas começou o projeto da vinícola em 2001, mas já com uma vocação turística. Ele quer receber gente por lá, para mostrar o que estão produzindo, para conhecer as instalações, para comer bem no restaurante dele e até para ficar na pousada que eles construíram, se for o caso.

Eu provei alguns vinhos (que conto abaixo) e almocei por lá também. A comida é impecável e merece que você tire algumas horas para apreciar com calma, através do restaurante que tem vista para os vinhedos.

Eu já conhecia alguns vinhos da NQN e já gostava. Depois de visitar a vinícola, gostei mais ainda. Veja o que eu degustei por lá:

Sauvignon Blanc 2011
Muito concentrado em fruta, no nariz e na boca, Pomelo, maracujá.

Pinot Noir Reserva 2010
Delicado, fruta mais leve. É um vinho que vai ficar melhor daqui um ano, com certeza. Ainda está um pouco “duro” e precisa descansar. Provei pra saber como seria o vinho e realmente vi que vai ficar excelente.

Reserva Malbec-Petit Verdot
Vinho muito complexo, usando o melhor de cada casta. Ainda precisa descansar um pouco, mas com certeza será um vinho muito bom. Perfume floral, fruta, excelente acidez, final marcante. Toque doce. Gostei muito desse.

E se você for para lá, mande um e-mail para o Lucas. Ele me garantiu que os brasileiros são muito bem vindos por lá. Quem sabe você não consegue almoçar com ele? Diversão – e bons vinhos – garantidos.

Fotos: Lucas Nemesio / NQN

 

 

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2010, 2011, Argentina, Malbec, Petit Verdot, Pinot Noir, Sauvignon Blanc0 Comments

[Vinícolas da Argentina] Trapiche

[Vinícolas da Argentina] Trapiche

A região de Mendoza tem mais de 1300 vinícolas cadastradas. Seria praticamente impossível de visitar todas. Eu estive lá algumas vezes e sempre quando volto saio com a sensação de ter deixado pra trás uma que eu gostaria de conhecer.

E na minha última visita pude finalmente conhecer a Trapiche, que é uma das maiores, sem dúvida. Eu já conhecia alguns dos vinhos, mas ao visitar a vinícola a gente acaba ganhando outro olhar sobre os vinhos, além, é claro, de poder ter informações do pessoal de lá, do enólogo e de toda a equipe.

Fiquei impressionado com o tamanho da Trapiche e com a história deles. A vinícola foi fundada por um italiano apaixonado por vinho, que mudou-se para Mendoza e começou a trabalhar por lá. Tornou-se rapidamente uma potência, a ponto de ter a sua própria linha de trem (hoje desativada) para transportar os seus vinhos para outros lugares.

A Trapiche hoje tem 1.200 hectares (é muita terra), exporta para 85 países e pra mim, tem qualidade de sobra. Se for a Mendoza, considere a visita à Trapiche. Vale a pena pela história e claro, pelos seus vinhos.

Veja alguns que eu provei e recomendo.

Broquel Torrontés 2010
Corte de 95% de Torrontés e 5% de Sauvignon Blanc. Verdeal, com aromas de frutas leves e um toque herbáceo. Não é tão ácido na boca, fácil de tomar. O Sauvignon Blanc faz um pouco de diferença aportando frescor e aromas mais intensos.

Finca las Palmas Chardonnay 2009
Fermentação na barrica com levedura indígena. Dourado intenso e bem brilhante, passando 9 a 10 meses em barrica.
Manteiga, cacau, fruta e um toque mineral. Na boca tem uma ótima acidez, não é um vinho que cansa. Final bem justo, sem nada de amargor.

Broquel Bonarda 2009
Muito intenso, aroma de frutas vermelhas, leve aroma de álcool, herbáceo. 15 meses em barrica trazem bons taninos e acidez. Final médio. Um vinho para se beber despretensiosamente.

Broquel Cabernet Franc 2009
Um dos que eu mais gostei. Muito intenso na cor, pimenta, folha de tomate. Bem estruturado, mas sem cansar. Recomendo.

Finca las Palmas Cabernet Sauvignon 2007
Outro que me encantou. Uvas vindas do Valle do Uco fazem um vinho elegante, com aromas típicos, mas que aparecem com delicadeza. Boa acidez, potencial de guarda. 18 meses de barrica francesa.

Iscay 2008
Significa 2 em linguagem indígena.
35% de Merlot e 65% de Malbec. Muita estrutura e potência. É um grande vinho de guarda. Provei ele ainda fechado, mas com o tempo abre e traz aromas de especiaria, carne, animal, couro, muito equilibrado.

Trapiche Manos 2005
É vinho ícone e só poderia ser feito com Malbec. Chama Manos porque 70% do vinho é todo feito a mão e 30% feito pelo método tradicional. São só 6 mil garrafas. Muito complexo, ainda jovem, taninos muito bons, nenhum amargor, um vinho de alta qualidade. Suavidade e força ao mesmo tempo. Herbáceo vai trocando com fruta, madeira e chocolate. Longo, fica na boca um final de chocolate e madeira.

A Trapiche tem uma linha enorme de produtos. Eu provei só alguns, mas a chance de você encontrar um outro que agrade seu paladar é grande. E eles têm também um projeto muito interessante de trabalho com os produtores que vendem uvas para eles, mas isso é assunto para outro post.

Se quiser saber mais sobre a Trapiche, acesse o site deles aqui. A importadora no Brasil é a Interfood/TodoVino.

Um abraço

Daniel Perches

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Brindando com os hermanos – Campanha pelo vinho

Brindando com os hermanos – Campanha pelo vinho

Vejam que excelente campanha pelo vinho feita pelos nossos hermanos. Vamos brindar!

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[Vinícolas da Argentina] Ruca Malén tem restaurante harmonizado de respeito

[Vinícolas da Argentina] Ruca Malén tem restaurante harmonizado de respeito

Várias vinícolas em Mendoza possuem restaurantes. Tem restaurantes mais baratos, mais caros, chiques, mais rústicos… Enfim, dá pra ir em um tipo diferente por dia e passear uma ou duas semanas comendo muito bem.

E um lugar que eu recomendo é o restaurante da Ruca Malén. A vinícola até tem um tour para conhecer por dentro como eles fazem vinho, mas definitivamente o melhor é o restaurante, afinal de contas, se você já foi em algumas vinícolas, verá que todas têm um mesmo padrão. Sugiro que você gaste seu tempo comendo lá. São 5 passos de comida, que mudam  a cada estação. A escolha dos pratos é feita em conjunto pelo chef, pela Sommeliere e pelos diretores da vinícola e eles acreditam que a melhor forma de apresentar os vinhos e mostrar a sua qualidade é provando com comida. Harmonização por lá é coisa séria e o resultado é excelente.

Estive pela última vez lá em dezembro/2011 e dependendo de quando você for, o cardápio será outro. E se for, prefira o verão, pois é possível fazer até um picnic por lá, que deve ser muito legal.

Gostou da idéia? Veja então os pratos e fique com mais vontade ainda.

1o passo
Pequena salada de truta do Valle del Uco curada com ervas, maçã e creme de flores brancas
, harmonizado com o Yauquén Torrontés 2011. O vinho é bem floral no nariz e com uma acidez bem marcante na boca.
A alta acidez do vinho foi muito bem com o prato, mesmo com a maçã. O molho deu um ótimo balanço, trazendo um pouco de untuosidade para a harmonização.

 

 

 

2o passo
Pequenos rolos de folhas de videira, filé migrou refogado e cereais argentinos com infusão de azeite de oliva, canela e tomates secos, servidos sobre um seixo rolado
, uma pedra típica da região. O prato foi harmonizado com o Yauquén Cabernet Sauvignon 2010. 30% do vinho é envelhecido em barrica durante 6 meses. É o vinho jovem, que mostra bastante fruta e que parece ter uma proposta descompromissada e servir realmente para entradas.
As folhas de uva trouxeram um sabor amargo que foi bem balanceado com a canela. O vinho, com seus taninos jovens e aromas e sabores mais picantes seguraram o amargor da comida, fazendo uma bela harmonização.

 

3o passo (Entrada)Malfattis de beterrabas assadas e ricota fresca com creme de tomilho defumado com o vinho Ruca Malén Reserva de Bodega 2009, que tem 40% Cabernet Sauvignon, 28% Syrah, 22% Malbec e 10% Petit Verdot. Passa 12 meses em barrica de carvalho. Tem uma mescla de herbáceo com café e um toque mineral no final. Da pra sentir um pouco o álcool na taça, mas não incomoda. Tem taninos ainda jovens e um final curto/médio e um pouco doce.
O prato tem bastante tomilho, que combinado com o molho de ricota fica bem forte, mas o vinho dá conta, principalmente pelos seus taninos.

 

 

4o passo
Medalhão de filé Mignon grelhado com tomates defumados, croquete de abóbora e batatas com chimichurri de cebolas.

Dessa vez foram dois vinhos para provarmos e vermos qual seria o melhor com o prato. Ruca Malén Malbec 2009, que passa 12 meses em barrica e o Kinién Cabernet Sauvignon 2008, que fica 18 meses em barrica. O Malbec tem toques adocicados no nariz e em boca tem bastante adstringência e bastante taninos.
Falaram que o Malbec iria melhor com a carne e o Cabernet melhor com os legumes. É verdade, mas o que não falaram é que o Cabernet não agüentou a carne. É um vinho muito bom, mas que realmente se tiver algo mais elaborado, que tenha muita fibra e gordura, talvez vá perder pra comida.

 

 

5o passo
Bavaroise de cítricos e biscoito, casca de laranja com frutas da estação
, harmonizados com o espumante Ruca Malén Brut, que tem 75% de Pinot Noir e 25% de Chardonnay e é feito pelo método Champenoise (2 anos em contato com as leveduras).
Ok, depois de comer tanto, nem precisava de sobremesa, mas essa tem seu valor. Não foi a melhor sobremesa que eu já comi e nem a melhor harmonização, mas tá valendo. A experiência é incrível e o trabalho deles de harmonizar é muito bom.

 

Para agendamentos, você precisa entrar no site da Ruca Malén. Os vinhos são importados pela Hannover no Brasil.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, Argentina, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Petit Verdot, Restaurante, Torrontes0 Comments

Afincado Malbec 2007 – tingindo a taça

Afincado Malbec 2007 – tingindo a taça

Essa dica é para quem gosta daqueles vinhos que pintam a taça de tão intensos que são. O Afincado é um dos vinhos da vinícola Terrazas de los Andes, que fica em Mendoza, na Argentina.

A vinícola é bem pequena e muito aconchegante. Estive lá (confira o post sobre a Terrazas de los Andes e o post sobre os vinhos deles) e gostei muito do que vi e provei. Aliás, continuo achando que o Cheval des Andes, o vinho Top deles, é um dos melhores da Argentina. Bem, pelo menos dos que eu provei, foi o que eu mais gostei.

Mas hoje falamos do Afincado, que é um vinho feito 100% com Malbec de um único terroir. É um vinho intenso em todos os sentidos. Os aromas são muito fortes e claros, lembrando frutas vermelhas, ameixa, leve toque floral, baunilha e chocolate. Na boca tem um corpo bem forte, pesado, mas com taninos macios.

Eu não acho fácil harmonizar comida com o Afincado. Como ele é muito potente e tem muito tanino, ele passa por cima das carnes facilmente. É preciso ter uma carne fibrosa e até com gordura (entremeada de preferência) para poder segurar um pouco. Pra falar a verdade, até hoje eu não consegui uma harmonização perfeita. Já provei com carnes com cortes argentinos, com um medalhão bem temperado, com risoto de funghi e até agora nada. Quero um dia testar com queijos amarelos mais maduros, pra ver como fica.

Mas independente da harmonização ser perfeita, é um belo vinho que merece atenção e até ser bebido com calma, deixando ele aerar um pouco para evoluir um pouquinho. Faça o teste e depois me diga.

Um abraço

Daniel Perches

Posted in 2007, Argentina, Malbec2 Comments

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