Mais um daqueles vinhos que tem um corte de uvas diferente, que me chamou a atenção e eu resolvi provar. Produzido pela Goats do Roam, que é uma vinícola do grupo Fairview (um gigante da África do Sul), esse vinho é feito com 54% de Viognier, 40% de Grenache Blanc e 6% de Roussanne. Pra falar a verdade, eu nunca tinha bebido nenhum vinho que tivesse Grenache Blanc (e li no site do produtor que foi a primeira colheita dessa uva pra eles e foi praticamente um teste)
O vinho mostrou-se bem fresco e muito balanceado. Aromas vegetais como grama e hortelã contrastaram muito bem com os aromas de frutas brancas como pêra e um leve toque cítrico.
Em boca tem uma acidez mediana e não é muito encorpado, mas é o que se espera desse vinho. Seu final tem média intensidade, mas o seu frescor sempre pede o próximo gole.
É um vinho pra ser degustado com pratos leves e com pouco condimento. Provei com um bacalhau que estava um pouco mais apimentado e não ficou ruim, mas não foi o casamento perfeito. Já com outra receita de bacalhau, com um molho de manjericão, ficou ótimo. Agradou a todos os participantes da harmonização.
Se você gosta de vinhos brancos leves, mas que têm bastante aroma e uma boa acidez, o Goats do Roam White é uma boa pedida pra sair do tradicional Sauvignon Blanc e Chardonnay. A safra 2010, que ainda não chegou ao Brasil, tem as mesmas uvas, mas com percentuais diferentes. Eu vou comprar mais uma garrafa do 2009 e guardar mais um pouquinho, até chegar a nova safra. Mas atenção: esse vinho deve ser consumido jovem. Se você quiser fazer também o teste das safras, não demore muito, senão vai perder o seu vinho.
Esse é um bom vinho para o dia a dia, principalmente para quem quer sair dos tradicionais “Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat”. Produzido pela Leopards Leap na África do Sul, o vinho foi trazido pela Sociedade da Mesa, um clube de vinhos que tem o propósito de agregar pessoas para uma compra coletiva, tornando o valor unitário mais barato.
Esse é feito com 52% de Pinotage e 48% de Shiraz, duas castas que são bastante freqüentes na África do Sul e a primeira é considerada inclusive uma uva emblemática daquele país.
O vinho é leve e fácil de beber. Tem aromas fáceis de serem identificados, com predominância de frutas vermelhas como cereja. Ao agitar a taça dá pra sentir um pouco de chocolate e baunilha, que deve ser pelo tempo que passa em barrica.
Em boca percebe-se o seu álcool (tem 14,5%) esquentando a boca. Seu final é curto/médio, mas sem amargor, o que ajuda bastante. A Sociedade da Mesa sugeriu beber o vinho entre 17 e 24 graus de temperatura. Eu acho que isso é alto. Eu testei com ele mais quente (em torno de 22 graus) e depois gelei um pouco. Sem dúvida, aos 16 graus ele fica mais agradável. Você notará que terá um pouco menos de aromas, mas em boca ficará melhor.
Também não guardaria muito tempo esse vinho, pois não me parece ter potencial de guarda longo. Se comprar, o melhor mesmo é beber logo. Aproveite aqueles dias de semana em que você prepara aquela comida que chama um vinho, mas que pela correria do dia a dia você acaba não querendo abrir um grande vinho para acompanhar. Um bife à parmegianna deve ir bem com ele, bem como uma massa ao pomodoro.
Mas, como sempre, o que vale é a experiência. Se você testar com algum outro tipo de comida e tiver dado certo, conte aqui.
E se quiser ver mais algumas sugestões de harmonizações e ocasiões para beber o vinho, acesse o site da Leopards Leap, que tem algumas dicas bem legais.
Depois de degustar o Simonsig Tiara, um vinho fantástico, resolvi provar com calma o espumante deles. A Pacific Importados, que é a importadora dessa vinícola no Brasil, levou esse vinho para o Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto, mas eu não tive tempo de provar com calma.
Agora sim pude comprovar a sua qualidade e elegância. Vale a pena, inclusive pelo seu preço.
A uva Syrah é plantada no mundo inteiro. Junto com a Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc e mais algumas outras, são consideradas já “uvas internacionais”. Qualquer país produtor de vinho tem essas variedades.
E justamente por esse motivo eu gosto de comparar vinhos feitos com essas uvas, desses diferentes países. Outro dia provei um Syrah da Sicília que estava fantástico. Leve, bem frutado, praticamente sem madeira e descendo como uma seda pela boca. Bem diferente dos Syrah que temos na Ámerica do Sul, por exemplo, que são mais encorpados e como é também o caso desse sulafricano, feito na região de Stellenbosch. Corpo, estrutura e vivacidade é o que não falta para esse vinho.
Apesar de seus 8 anos, em taça mostrou-se bastante vivo e ainda jovem, mesmo com um leve halo de evolução. No nariz deixou claro a sua marca, trazendo bastante especiaria e madeira.
Em boca, muita estrutura e taninos bastante finos, mas que ainda não estavam no auge da maturidade.
É um vinho denso e “pesado”, necessitando uma boa comida pra acompanhar. Pela sua estrutura, não é fácil combinar um bom prato. Eu iria com uma carne com bastante tempero e um molho forte, para não correr o risco do vinho nem tomar conhecimento do alimento e reinar sozinho.
Se gosta de vinho estruturado bem ao estilo novo mundo, essa é uma boa pedida!
Eu sou fã dos vinhos da África do Sul. A maioria dos que eu provei tem uma qualidade incrível, muita complexidade e longevidade.
Mas melhor (aliás, muito melhor) do que eu pra falar é a Master of Wine Jancis Robinson. Pra quem não a conhece, ela é uma das mulheres mais “poderosas” do vinho. Escreve para diversas publicações e é uma das pessoas mais respeitadas no meio.
Vejam o que ela fala sobre os vinhos da África do Sul (somente em inglês).
O Simonsig Tiara 2003 esteve na disputa e ficou entre os Top5 do Encontro de Vinhos, que aconteceu em Agosto de 2010, em São Paulo. Eu ainda não tinha tido oportunidade de provar o vinho. Realmente o vinho mereceu a sua colocação.
Produzido na região de Stellenbosch com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, é um daqueles que fazem o bom nome da África do Sul como produtora de vinhos. Esse é importado pela Pacific.
A uva Pinotage sempre me atrai, apesar de às vezes eu me decepcionar fortemente com alguns vinhos feitos com ela. Mas algumas vezes eu também acerto, como foi o caso, quando provei esse vinho na Enoteca Decanter. Lá eles servem vinhos em taça com um preço bem justo, o que me faz sempre ter vontade de voltar.
Produzido pela vinícola de mesmo nome, tem as uvas plantadas e vinificadas na região de Klein River, na África do Sul. Aliás, o país é conhecido por produzir bons vinhos com essa casta.
Esse tem uma coloração rubi bastante viva e brilhante, com um halo bem pequeno de evolução. Tem aromas muito intensos, com destaques para os defumados. Em boca apresentou taninos bastante finos e elegantes e mostrou que o vinho ainda está um pouco jovem. Acredito que se for guardado por mais uns dois anos, deve ficar melhor ainda.
Combinou bem com presunto Parma (apesar da minha preocupação inicial antes de servir o vinho. Achei que não daria certo.) e também com queijos curados. Parece-me ser um vinho gastronômico, que pode ser facilmente harmonizado com carnes assadas ou comidas que tenham especiarias em sua composição, por exemplo.
Esse custa em torno de 75 reais na Decanter. Um bom preço pela sua qualidade. Ouvi falar bem dos vinhos da Raka feitos com outras cepas, mas ainda não provei. Quem sabe não faço isso na minha próxima ida à Enoteca?
Mais um vinho degustado para a Confraria Brasileira de Enoblogs (ou CBE). Dessa vez coube ao confrade Luis Sérgio, do Blog Vitis Vinífera a escolha.
E como estamos em clima de Copa do Mundo, nada como degustar um vinho da África do Sul. A proposta era provar o Twwnty10 Sauvignon Blanc, mas infelizmente não consegui encontrar esse. Fui então com o Stellenzicht Golden Triangule 2007, que é muito interessante.
Dessa vez fui de novo de videopost, para contar o que eu achei.
Hoje é o tão esperado dia de estréia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010, então para comemorar, temos uma edição especial da Confraria Brasileira de Enoblogs. E nada mais propício do que falar sobre um vinho da África do Sul, que nos brinda com belos exemplares.
Escolhi então o The Wolftrap Blend 2008, que é um corte de Syrah, Mourvedre e Viognier. Gosto bastante dos cortes tintos que levam uvas brancas em sua composição. Acho que dá um caráter aromático muito interessante e também uma boa acidez.
Além da composição, o que me chamou a atenção foi o seu preço. Custa em torno de 42 reais na importadora Mistral (e um pouco mais nas lojas especializadas). Pareceu-me uma boa compra.
Vinho provado e vamos às impressões: apresentou uma coloração rubi bastante intensa e com um leve halo de evolução. Sua tampa em formato screwcap (rosca) já dava indícios de que é um vinho para consumo imediato. O seu halo aquoso me trouxe mais um desses indícios (e na verdade praticamente a comprovação).
No nariz, aromas muito interessantes de frutas contrastando com toques florais. Havia um pouco de álcool sobrando no começo, mas que se dissipou com o tempo. Os seus aromas apareceram fortemente no começo e depois sumiram um pouco. Mas depois de um tempo, eles voltaram a habitar a taça, formando de novo um belo composto aromático.
Em boca apresentou boa acidez e bons taninos. Só achei que ficou devendo um pouco no seu retrogosto. Ligeiro demais para mim.
No geral o vinho foi muito bem e é um que eu compraria novamente para beber descompromissadamente com amigos. O The Wolftrap é do mesmo produtor do Chocolate Block, esse sim uma “porrada” de vinho, que é diferente de tudo o que eu já vi antes. Para mais informações sobre os vinhos, o site deles é esse: http://www.boekenhoutskloof.co.za/
Vale a pena acessar e conhecer o mapa interativo que eles têm, mostrando as parcelas de cada cepa plantada. Idéia muito bacana.
Agora ficamos com o jogo do Brasil, torcendo para a nossa Seleção.
Não é difícil de ver por aí pessoas que comparam características dos vinhos com pessoas. Tem o “forte como um varão em busca de sua amada”, ou o vinho “delicado como uma donzela virgem”, e por aí vai. Não há limites para a criatividade nesse campo.
Nunca fui muito fã dessas associações. Acho que vinho é vinho e pessoa é pessoa. Mas enfim, cada um compara o seu vinho com o que quiser.
Mas dessa vez eu não me contive. Finalmente consegui comprar o tão famoso “vinho da Copa”, que foi muito esperado e falado, afinal de contas é o único vinho que pode estampar em seu rótulo o logo da FIFA. Que honra!
Vinho aberto e iniciei minha avaliação. Mas foi então que me dei conta que estava bebendo o vinho da Copa. E Copa é futebol. Pensei então: Se esse vinho fosse um jogador, em qual posição ele jogaria?
Aí sim a associação me pareceu interessante. Eis então minha conclusão:
Ele possui uma coloração rubi claro, praticamente sem nenhum halo de evolução, denotando um vinho jovem. Deve ser então um jogador com bastante vigor.
No nariz apresentou aromas bastante tímidos de frutas e um leve toque de pimentão adocicado no final. Concluo que só poderia ser um jogador que não transpira muito.
Em boca chega com muita potência, é quente, tem bons taninos, mas é muito ligeiro. Seu retrogosto vai embora muito rápido. Seria um jogador que aparece, mostra seu talento muito rápido e some.
Bem, meus amigos, depois de todas essas interpretações, só posso concluir que o vinho da Copa é um ATACANTE!
A Nederburg está sendo mundialmente conhecida pelos seus vinhos oficiais da Copa do Mundo de 2010 (o vinho Twenty10), que eu infelizmente ainda não tive a oportunidade de provar.
Mas enquanto não provo os “oficiais”, vou com os “não-oficiais” da mesma vinícola, que também são muito bons.
Depois de provar o Pinotage (relembre aqui), pude provar esse Shiraz que é produzido nas regiões de Paarl, Durbanville, Philadelphia e Stellenbosch, na África do Sul.
É um vinho que impressiona pelo seu corpo e pela sua estrutura. Com uma coloração rubi mito intensa e com um leve halo de evolução, suas lágrimas pintam a taça com uma boa intensidade.
No nariz apresentou bons aromas, com destaque para os amadeirados. Nada muito forte, que me incomodasse. Apareceram notas de frutas também, completando o leque aromático.
Em boca confirma a sua estrutura e mostra bons taninos, mas um pouco “indomados” ainda. Acho que precisa de mais um tempinho em garrafa para evoluir melhor.
É um vinho bastante gastronômico e que fica muito melhor se acompanhado de um prato que pode até levar algumas especiarias um pouco mais picantes. Aliás, ele até vai bem sozinho, mas se puder ser degustado num bom almoço ou jantar, vai se mostrar melhor.
Dessa vez vou ficar devendo o preço, pois esse foi presente.
Não havia dia mais propício para publicar o lançamento oficial da Confraria da Mentira. A idéia (verdadeira) não tem segredo nenhum. Um grupo de amigos reunidos para beber bons vinhos e comer boa comida.
Nós analisamos o vinho que estamos bebendo sim, mas se alguém fica muito tempo se atentando só a ele, logo um confrade solícito vem e conta uma mentira pra descontrair.
Se alguém resolve levar para algum assunto mais sério então, aí sim que todos os outros confrades rapidamente se unem para resolver a questão e amenizar o clima com… uma mentira.
Esse é o nosso dia de relaxamento. Sem preocupações, sem stress do trabalho, sem pensar em mais nada. Só em curtir o momento.
O primeiro encontro teve como tema vinhos sulafricanos e tivemos grandes rótulos que me chamaram muito a atenção e que serão comentados posteriormente. Vejam a nossa lista:
- Beyerskloof espumante Rosé Brut Pinotage
- Raka Biography 2005
- Sequillo 2005
- Aniwilka 2006
- The Chocolate Block 2008
- Robertson Almond Grove LH 2006
Eu já tenho os meus preferidos, que serão comentados muito em breve por aqui. Fique de olho.
Ah, por que “Confraria da Mentira”? Nem conto, por que se eu contar, você não vai acreditar!