Gewurztraminer

Cave de Ribeauvillé Gewurztraminer Terroirs 2012

Um dos vinhos brancos mais interessantes, para mim, é o Gewurztraminer. De nome difícil de se pronunciar e escrever, essa uva se desenvolve com características tão legais e distintas em cada uma das regiões, que só provando para se perceber como isso é evidente.

E na Alsace, na França, ela é rainha, fazendo vinhos exuberantes, cheios de aromas e sabores. Provar um bom Gewurztraminer de lá é uma experiência que merece um tempinho de atenção com o vinho, para sentir tudo o que ele pode apresentar.

gewurztraminer_cave_ribeauville_2012Foi isso que eu fiz com o Cave de Ribeauvillé Gewurztraminer Terroirs 2012, que é importado pela Chez France no Brasil. Mesmo depois de ter provado vários vinhos do portfólio deles (e gostado de vários), esse me chamou a atenção.

Além das frutas em calda, ele traz um toque resinoso muito interessante e que eu diria até intrigante. Na boca é estruturado, pelo menos mais do que os que eu tenho provado dessa uva.

É gastronômico, mas dá tranquilamente para beber ele sozinho e vai trazer sem dúvida muito prazer. Por ele ser bem intenso, você vai provavelmente bebê-lo devagar, aprecisando, pois o seu retrogosto fica na boca por muito tempo.

Gostou da ideia? Então se provar me conte. Ou me dê dicas de outros Gewurztraminer bons.

Abraços

Daniel Perches

Os belos vinhos da Miguel Torres

Conforme prometido, quero contar um pouco aqui sobre os vinhos da Miguel Torres que eu provei em um almoço promovido pela importadora Devinum, que traz os vinhos deles para o Brasil.

Miguel Torres é na verdade um grupo de vinícolas muito tradicional e que tem vinhedos em diversos países. Começou na Espanha e por lá que faz os mais conhecidos, como o Mas la Plana, um Cabernet Sauvignon que é um espetáculo. A Miguel Torres é pioneira em diversos aspectos. Foi uma das primeiras a investir no Chile, por exemplo. Agora estão comprando vinhedos em lugares “diferentes” por conta da mudança climática e estão fazendo estudos para recuperar 32 variedades antigas da Catalunha. Vale a pena ficar de olho porque acho que vem coisa bem interessante por aí.

Em conversa com o Miguel Torres (relembre o post aqui) ele contou algumas histórias legais e nos apresentou alguns de seus vinhos que compõem um vasto portfólio. Vale a pena conhecer os vinhos deles. Muito bem produzidos, finos e de grande elegância.

Veja abaixo as notas da degustação e depois me conte se provar algum deles.

Viña Esmeralda
Moscatel e Gewurztraminer. Variedades alemães que o pai de Miguel plantou para conquistar a mulher dele, que é alemã e falava que gostava muito dessas castas. Leve, aromático e fácil de beber. Para começar bem uma reunião.

De Casta Rosado 2012
Garnacha e Cariñena. Um vinho leve que também pode serviri bem para começar a reunião. Fácil de beber e sem grandes complicações. Muita fruta e aromas bem fáceis de identificar.

fransolaFransola 2011
95% Sauvignon Blanc e 5 % Parellada. Metade fermentado em barrica. Tem bom frescor e boa acidez, sem ser muito enjoativo. Elegante, com um toque de barrica que deixa o vinho especial. Deixa um defumado muito bom que persiste. Achei esse vinho fantástico!

Ibéricos 2009
100% Tempranillo. A idéia do vinho é ter um pouco de frescor e não muita madeira, o que realmente conseguiram. Elegante. Médio corpo mas bem integrado e que acompanha muito bem a comida(que é a idéia).

Salmos 2010
Garnacha Tinta, Syrah e Cariñena. Feito o Priorato. Compraram 100 ha lá e resolveram produzir como se tivessem só 10 ha. Um vinho que é potente mas não cansa. Tem bom frescor no final tem um toque de pimenta bem interessante.

Mas la Plana 2009
Cabernet Sauvignon. Muito complexo e elegante. Cabernet Sauvignon com toques de pimentão e frutas vermelhas mas sem enjoar. Um clássico. Com Morcilla ficou fantástico e com lingüiça apimentada também.

Grans Muralles 2005
Feito com uvas antigas recuperadas. Vinho elegante e potente ao mesmo tempo. Um vinho que tem capacidade de envelhecimento e pode ficar bem melhor daqui a alguns anos.

Eu não estive ainda na vinícola, mas me falaram que é fantástica. Vale a pena visitar.

Um abraço

Daniel Perches

Qual vinho combina melhor com doces brasileiros? Desafio ao Vinho!

O Brasil tem uma infinidade de doces diferentes. É doce em compota, doce melado, doce seco, bolo, brigadeiro, cupcake e por aí vai. E como lá no Desafio ao Vinho nós gostamos de testar todos os tipos de harmonizações, vamos provar hoje alguns vinhos de sobremesa com doces típicos de nosso país. Escolhemos algumas compotas lá do Restaurante Tordesilhas, uma referência em comida regional.

Para acompanhar e harmonizar, teremos nada menos do que 5 vinhos:

Susana Balbo Late Harvest Torrontes 2010
Uva:
Torrontes
Produtor: Domínio del Plata
Região:
Mendoza
Preço
:
Importador: Cantu

 

Santa Rita Late Harvest  2011
Uva:
  Gewurztraminer / Moscatel de Alexandria
Produtor:
 Ventisquero
Região:
 Valle del Limarí – Chile
Preço
: 60
Importador
: Grand Cru

 

Late Harvest Concha Y Toro 2008
Uvas:
Sauvignon Blanc (85%), Riesling e Gewurztraminer
Produtor:
Concha Y Toro
Região:
Valle do Maule – Chile
Preço:
42
Importador
: VCT

Muscat de Beaumes-de-Venise 2007
Uvas:
Muscat de Petit Grain
Produtor
: Vidal-Fleury
Região
: Rhône
Preço
: 80
Importador
: Vinea

Perini Branco Licoroso
Uvas:
combinação de uvas finas aromáticas
Produtor
: Perini
Região
: Vale Trentino / Garibaldi
Preço
: 27
Produtor
: Casa Perini

E aí, quem leva a melhor? Assista ao vivo pela ClicTV/UOL – http://clictv.uol.com.br as 12h.

Um abraço

Daniel Perches

Casa Valduga Gewurztraminer 2011 e seu frescor característico

Fazia algum tempo que eu não provava o Gewurztraminer da Casa Valduga. Provei pela última vez quando falei sobre ele (safra anterior. Veja o post Casa Valduga Gewurztraminer 2010). Foi um post que fiz para a Confraria Brasileira de Enoblogs, que é uma confraria virtual que degustamos todos os meses e postamos sempre no primeiro dia de cada mês.

Pelo jeito a produção desse vinho não é muito grande, pois logo depois de comprar, voltei ao site pra ver mais infos e ele estava esgotado.

Essa safra 2011 me pareceu bem interessante. No nariz mostrou toques florais, mas veio mais fruta do que o habitual, deixando o vinho um pouco mais complexo.

Na boca também parece que tem um pouco mais de corpo do que o anterior, trazendo também um pouco de fruta como abacaxi. Não sei se há adição de outra uva ou se é 100% Gewurztraminer, mas o fato é que esse me agradou exatamente por não ser tão levinho. Para os mais desavisados, quando provar um vinho feito com essa uva pode até levar um susto, pois no nariz ele mostra um monte de aromas e depois na boca é bem ligeiro e “magro”. Esse, da Casa Valduga, tem mais corpo. Pode ser até que agrade mais os paladares basileiros.

Acompanhou muito bem uma salada de folhas e frutas. Aliás, mesmo com alguns pedaços de maçã, que pode ser, em alguns casos, um grande problema para o vinho pela sua acidez, ele se manteve bem.

Ótima alternativa para um dia de calor, ou pra quem quer algo mais leve e um pouco diferente. Para saber mais sobre esse e outros vinhos, acesse o site da Casa Valduga.

Um abraço

Daniel Perches

Caparzo Bianco 2008 – Na Toscana tem vinho branco também

A Toscana é mundialmente conhecida pelos seus vinhos tintos, mas lá se faz branco também. Esse é da Tenuta Caparzo.

Ramirana Gran Reserva Sauvignon Blanc 2009

Nos eventos de vinhos existe um fenômeno engraçado, que é a indicação de vinhos bons. É como um boato. Você chega e o primeiro que te conhece já vem e te fala: Olha, tem um vinho aqui que é espetacular. Vai lá provar.

Aí se você você gosta, é a sua vez de passar pra frente. Eu já presenciei isso diversas vezes e vejo que tem gente que até chega já pedindo a indicação.

Confesso que não sou muito adepto e prefiro eu mesmo provar e buscar os meus favoritos. Se coincidir com o dos meus amigos e conhecidos, melhor ainda. Mas dessa vez eu tenho que admitir que a indicação foi boa.

Conheci o Ramirana Gran Reserva Sauvignon Blanc 2009 em um evento lá no Bar des Arts, no Itaim (São Paulo) por indicação do meu amigo Alexandre Frias. Ele falou que o vinho era bom e eu acreditei nele. Fui lá provar e não é que era bom mesmo?

Produzido com 70% de Sauvignon Blanc e 30% de Gewurztraminer, o vinho é diferente e muito interessante. Ele tem muita fruta no nariz que combina perfeitamente com um floral (provavelmente vindo da Gewurztraminer) que deixa qualquer um espantado.

Na boca a combinação de castas funciona de novo, dando ao vinho um bom corpo, acidez muito equilibrada e um final muito saboroso. É daqueles vinhos frescos e que não aparece o seu teor de álcool (que é 14%) e que dá para se beber numa beira de piscina ou acompanhando uma boa salada tranquilamente.

A Viña Ventisquero foi muito feliz nessa combinação de uvas, extraindo o melhor de cada uma e nos brindando com um belo vinho branco. Infelizmente não sei o preço, mas quem importa é a Cantu.

Um abraço

Daniel Perches

Casa Valduga Premium Gewurztraminer 2010 #cbe

Os vinhos feitos com a uva Gewurztraminer estão na minha lista de “gosto bastante, mas bebo pouco”. E não me pergunte por que, pois eu mesmo me pergunto isso muitas vezes, mas nem sempre chego a uma conclusão plausível.

Essa é uma uva muito intrigante. Tem aromas muito ricos e na boca é bastante diferente. Sempre que eu bebo um vinho com Gewurztraminer, lembro-me da primeira vez com essa uva, quando tomei um susto ao colocar o vinho na boca, pois esperava algo completamente diferente.

E o Casa Valduga Premium Gewurztraminer 2010 é assim também: no nariz ele apresenta aromas florais bastante ricos e em boca ele mostra-se diferente, com um corpo mais leve do que o esperado e sabores mais cítricos.

Casa Valduga Premium Gewurztraminer 2010Esse em específico me pareceu que tinha até um pouco mais de fruta do que eu me lembrava dos outros que bebi. São frutas brancas maduras, com destaque para lichia, pêra e maçã vermelha, sempre acompanhadas de um toque adocicado intenso, como se cada fruta estivesse em calda, mas sem perder a sua característica.

Em boca o vinho mostrou-se com uma acidez bem pronunciada e com os tais sabores cítricos. Nos próximos goles tentei relacionar nariz e boca, mas algo estava desconexo, mas como falei, isso me parece algo típico de uma bela “pegadinha” de um vinho feito com Gewurztraminer. Nariz com vários aromas e boca com outros sabores completamente diferentes.

Seu final não é dos mais longos, mas não decepciona. Aliás, por conta de sua acidez, convida para o próximo gole, principalmente em um dia quente e se acompanhado de uma comida leve como uma salada, um peixe grelhado ou até mesmo um frango sem muito tempero.

Comercializado em uma faixa de 30 reais, é um bom vinho. Ótima alternativa aos Chardonnays e Sauvignon Blancs que geralmente bebemos quando buscamos vinhos brancos.

Esse foi degustado por sugestão do meu amigo Gil Mesquita, do Blog Vinho para Todos, como tema do mês de fevereiro da Confraria Brasileira de Enoblogs.

Um abraço

Daniel Perches

Vinhos Casa Marin

Em mais um dos almoços para recepcionar os jornalistas e imprensa, o pessoal da Vinea nos recebeu junto com o Felipe Marín, que veio apresentar os seus vinhos, da sua tão famosa Casa Marin. Esses vinhos são famosos e cultuados aqui no Brasil e eu ainda não tinha tido a chance de conhecê-los. Provei e aprovei. São realmente muito bons e dignos de todos os comentários que fazem por aí.

Abaixo conto um pouco sobre os que eu provei:

Casa Marin Sauvignon Gris 2008
Eu só tinha provado um vinho até hoje feito com essa casta. Fiquei espantado com a sua qualidade. Com uma coloração praticamente translúcida, é um vinho muito fresco, com toques minerais e florais, acompanhando frutas brancas frescas. Tem até um leve frizante, de tanta acidez. Mas não se engane pensando que isso pode ser um defeito, pois o vinho é muito correto em boca, equilibrado e com um belo final. Acompanha perfeitamente um dia de calor, com uns petiscos como anéis de lula, por exemplo.

Casa Marin Laurel Sauvignon Blanc 2008
Com uma coloração palha um pouco mais escura que o Sauvignon Gris (mas ainda assim bastante claro), mostrou aromas típicos dessa casta, lembrando frutas brancas e um toque floral. Bastante fresco. Alta acidez e final médio a longo.

Casa Marin Cipreses Sauvignon Blanc 2008
Produzido com uvas de outro bloco de vinhedos, esse se mostrou ainda um pouco mais escuro que o anterior, mas com a mesma qualidade. Frutas bastante presentes e uma ótima acidez. Vinho para se beber tranquilamente sem se preocupar com comida (só com a companhia).

Casa Marin Riesling Miramar 2007
Acredito que se colocar esse riesling ao lado de outros da mesma casta, vindos do Velho Mundo, ele será facilmente confundido. Toque petroláceo bem presente, pedra de isqueiro, leve floral e frutas em abundância. Um belíssimo riesling, que me lembrou que eu preciso beber mais vinhos dessa casta.

Casa Marin Gewurztraminer Casona 2008
Como os anteriores, esse também apresentou as notas típicas dessa casta, destacando-se o floral bastante aberto (como pétalas de rosas) e frutas brancas, com destaque claro para a lichia.

Casa Marin Pinot Noir Três Viñedos 2009
Esse Pinot Noir mostrou-se jovem e leve, como deve ser. Destacaram-se as frutas vermelhas mais adocicadas. Seu final é um pouco quente, mas totalmente correto. Bom vinho. Ótimo para acompanhar carnes leves.

Cartagena Carmenere 2009
Frutas tropicais vermelhas deram o toque adocicado para o vinho, que me pareceu um bom representante dessa que é a casta emblemática do Chile. Sinceramente, não me chamou muito a atenção, talvez por ter provado outros tão expressivos, mas é um vinho bastante correto e para quem gosta dessa uva, é uma boa opção, com ótima qualidade.

Cartagena Cabernet Sauvignon 2008
Mais um que não me fez muito a cabeça. Apesar de ter conversado com o Felipe e perguntado pra ele sobre a acidez desses vinhos (que nos tintos me pareceu que faltou um pouco) e ele ter me dito que tem é acidez demais, me pareceu um vinho um pouco leve para o que eu gostaria de ter em um Cabernet Sauvignon. Mas foi muito bem com a carne servida no dia.

Casa Marin Lo Abarca Pinot Noir 2006
Agora a “brincadeira começou a ficar séria”. Esse é um Pinot Noir de respeito. Frutas muito presentes, acidez corretíssima e final longo. Um vinho para se beber tranquilamente, sem pressa. Belíssimo. Vale provar para conhecer bons pinots do novo mundo.

Casa Marin Litoral Pinot Noir 2003
Melhor Pinot Noir do Novo Mundo que eu já provei até hoje. Não posso deixar de falar isso. Fiquei impressionado com a sua qualidade. Um vinho com 7 anos de vida e com muitos ainda pela frente. Depois de aerado um pouco, melhorou ainda mais. Como disse o nosso amigo Ivan (da Vinea), naquela garrafa tem “uns 4 vinhos diferentes”. É só o deixar respirar um pouco e com certeza terá belas surpresas. Esse eu nem preciso comentar, porque sua qualidade fala por si.

Casa Marin Miramar Syrah 2005
Esse vinho apresentou algumas características típicas da uva Syrah, como um toque de especiarias, leve chocolate no final, mas é outro que eu achei que faltou acidez, deixando o vinho um pouco “sem graça”. Mas isso pode ter sido obra do “efeito Pinot Noir Litoral” que eu tinha acabado de provar…

Bem, depois de todos esses belos vinhos, ainda tivemos uma salada com camarões com o Riesling para acompanhar (que foi muito bem harmonizado) e na seqüência um tornedor de filé ao molho madeira, que aí sim, os vinhos Syrah e Cabernet combinaram bem.

Conseguimos uma entrevista com o Felipe Marin, que em breve estará aqui no blog também.

A Vinea tem nos fundos de sua loja um belíssimo restaurante que funciona às noites (sob reserva) e você pode comprar o vinho para beber, a preço de loja. Eu já estou me agendando para ir lá beber mais do Litoral…

Um abraço

Daniel Perches

Cuvée Collines de Granit 2007

Quem já provou algum vinho feito com a uva Gewurztraminer sabe que essa casta tem características muito interessantes e uma delas é o seu aroma floral bastante intenso. Não é só o floral, mas esse deve ser o seu aroma mais característico.

Resolvi então provar o Cuvée Collines de Granit, que é importado pela Cave Jado, uma casa especializada em vinhos franceses.

Produzido na Alsacia, uma região bastante famosa da França especialmente pelos seus vinhos brancos, apresentou uma coloração palha com reflexos bastante brilhantes. No nariz, aromas típicos florais (como citados acima) com destaque para rosas, cítricos e uma leve ponta vegetal, como uma grama fresca. Em boca tem um corpo leve, com boa acidez e final correto.

É um ótimo representante da casta Gewurztraminer. Se você não conhece, vale a pena. É um vinho interessante, que prima pelos seus aromas e como todos da Cave Jado, pelo seu preço. Esse custa 86 reais.

Um abraço

Daniel Perches

Vinhos Pago Casa Gran

Em mais um de nossos (já) regulares encontros dos enoblogueiros com alguns produtores/importadores, tivemos a oportunidade de conhecer a Pago Casa Gran, uma vinícola que situa-se em Valência, na Espanha.

Fomos recebidos pelo Sr. Pedro, representante da vinícola (que ainda não tem importador definido no Brasil), que nos contou um pouco da história e nos apresentou 4 vinhos da casa.

A Pago Casa Gran tem uma longa tradição em cultivo de uvas, porém só recentemente que decidiu produzir seus próprios vinhos. Decisão acertada, pois estão conseguindo bons resultados, como pudemos perceber – e que eu comento abaixo.

 

Casa Benasal Blanco 2008
O único branco produzido na vinícola, tem um corte inusitado: Gewurztraminer (60%) com Moscatel (40%). Duas variedades muito aromáticas e características.
O vinho apresentou uma gama muito grande aromas florais e de frutas brancas bem jovens. Inicialmente a Moscatel tomou conta da taça, mas com o passar do tempo, foi se balanceando com os aromas da Gewurztraminer. Um vinho muito interessante e que é uma boa pedida para se beber sozinho ou então acompanhando saladas leves. Ótimo para o verão.

Reposo 2006
Apesar de seus 4 anos de vida, o Reposo mostrou-se como uma criança. Muita potência, vivacidade (inclusive na coloração) e força. Taninos ainda um pouco verdes e acidez um pouco alta, mas com certeza vai evoluir com o tempo. Interessante é que esse vinho não passa por barricas para afinamento. É um corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Monastrell. Sugiro beber acompanhando comida e de preferência que tenha boa acidez (molhos vermelhos, por exemplo).

Falcata Casa Gran 2006
Esse já passa por barricas francesas por 12 meses antes de ir para a garrafa. Seus aromas ainda estão um pouco “tímidos”, mas abrem-se com o tempo. Corte de Syrah (30%), Garnacha Tintoreira (30%), Monastrell (30%) e Cabernet Sauvignon (10%). Merece aeração de 1 hora para que possa mostrar melhor seu potencial.

Falcata Arenal 2006
Esse é o vinho top da vinícola, composto por Garnacha Tintoreira (70%) e Monastrell (30%). Passa 14 meses em barrica antes de ser engarrafado. Vinho bastante equilibrado, com aromas fortes de frutas vermelhas e leve toque terroso. Tem aromas mais abertos do que o Falcata Casa Gran. Em boca, retrogosto de madeira e de especiarias. Acredito que seus taninos ainda evoluirão mais, tornando-se ainda mais redondo.

Os preços dos vinhos não foram citados, pois ainda não há um acerto com nenhum importador (pelo menos não até a data dessa matéria). Mais informações sobre a vinícola você encontra no site aqui.

Mais uma degustação muito bem conduzida e, como sempre, com uma bela recepção pelo nosso amigo Marcelo di Morais, lá do Empório Vila Buarque.

Um abraço

Daniel Perches

Conhecendo os vinhos da EIVIN

Exatamente durante a semana em que me propus a escrever sobre vinhos nacionais, fui convidado para uma degustação de vinhos nacionais, representados pela EIVIN, que é capitaneada pelo Marcio Marson.

A EIVIN tem a proposta de trabalhar somente com vinhos nacionais. Proposta muito interessante e louvável. Sabemos que o Marcio e equipe têm um grande trabalho pela frente, pois ainda é nítida a dificuldade de se colocar o vinho nacional na mesa do brasileiro.

Mas eles estão fazendo um ótimo trabalho. Os vinhos representados são de excelente qualidade e recomendo fortemente que sejam provados. Comento abaixo sobre os que conheci.

 

Marson Espumante Brut Champenoise 2009
Belíssimo espumante feito com Chardonnay e Pinot Noir. A Vinícola Marson possui uma técnica diferenciada de tratamento das leveduras, que ao invés de ficarem em contato direto com o líquido no período de maturação, ficam dentro de saches (como aqueles de chás), tornando o produto final mais límpido. Vale a pena conhecer. Custa R$ 55 no mercado.

Espumante Stellato 2008
Produzido pela Vinícola Santo Emílio, esse espumante feito pelo método Charmat é composto de Cabernet Sauvignon e Merlot. Muito aromático, fresco e com boa acidez. Boa companhia para comidas mais gordurosas e concentradas. Pode ser uma boa com feijoada. Custa em torno de 53 reais.

Villaggio Grando Chardonnay 2008
Esse Chardonnay não passa por barrica, mas tem aromas muito característicos da passagem por madeira. Isso é fruto do terroir, o que me impressionou bastante. Coloração amarelo palha escura, aromas de abacaxi em calda, amanteigado, bem untuoso. Toques de fumaça. Um belo vinho. Custa em torno de 60 reais.

Cordilheira de Sant´Ana Gewurztraminer Reserva Especial 2008
Um vinho com bastante tipicidade da gewurztraminer, que é uma uva muito aromática. Toques muito presentes de lichia e de pétalas de rosas. Retrogosto confirmando o nariz. Vinho um pouco ligeiro (seu retrogosto termina rapidamente após ser bebido), mas tem tendência para evolução. Minha sugestão é comprar duas garrafas. Beba uma agora com uma bela salada e guarde outra por 2 anos. Acho que vai ter uma boa surpresa. Preço em torno de 60 reais.

Prelúdio  2007
Esse vinho é o primeiro do projeto do renomado (e polêmico) Marco Danielle, que ficou famoso por fazer vinhos sem a adição de SO2. O vinho me impressionou pela sua rusticidade. Percebe-se que tem bons taninos, boa acidez e bom equilíbrio em boca. Acho que precisa de mais um tempo de maturação. Feito com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Preço em torno de 65 reais

Bettú Corte Bordalês C 2001
Finalmente provei o vinho do famoso Bettú. Conhecido por ser um garagista inveterado, o Bettú faz seus vinhos literalmente na sua garagem e em produções muito pequenas. É um vinho que sugere que tenha as uvas do corte bordalês, mas não é revelado nem quais são nem quantidades. Desse vinho foram feitas somente 580 garrafas. Muito equilíbrio e maciez impressionante. Custa 130 reais.

Terragnolo Marselan 2009
Esse vinho foi retirado da barrica para prova. Ainda não está no mercado, mas recomendo que se compre de caixa quando chegar. A Terragnolo conseguiu “domar” muito bem a marselan (essa uva é um cruzamento da Cabernet Sauvignon com a Grenache). O vinho ainda está “jovem demais”, mas com certeza vai ser um grande vinho em alguns anos. É ver pra crer. Ainda sem preço de mercado.

Com isso temos aí uma boa gama de opções de vinhos nacionais para provar.

Depois de toda essa bateria o Marcio (EIVIN) e o Guilherme (Villaggio Grando) ainda nos brindaram com duas surpresas. Essas eu conto no post seguinte, pois vale a pena. Obrigado também ao Tiago, da Rosso Bianco, que nos recebeu muito bem lá e cedeu o espaço para a degustação.

Para saber mais sobre a EIVIN, veja o site aqui.

Abraços

Daniel Perches

Torreon de Paredes Reserva 2006

Os vinhos de sobremesa não são muito populares. Eu até arriscaria alguns palpites do porque desse baixo consumo, mas prefiro deixar isso para os especialistas em estatísticas. Faço aqui a minha parte e divulgo alguns sempre que posso, para que as pessoas possam conhecer e quem sabe, consumir também.

Provei esse vinho chileno no empório Vila Buarque, lugar que eu já virei fã convicto. Produzido no Vale do Cachapoal, em Rapel, é feito com as uvas Gewurztraminer (92%) e Sauvignon Blanc (8%) e passa 16 meses em barril de carvalho francês antes de ser engarrafado.

Não é um vinho que tem um aroma extremamente doce como alguns mais famosos. Esse tem algumas características diferentes e aromas mais contidos, tendendo ao cítrico, um leve floral, mel, e damasco.

torreon_paredesEm boca tem boa doçura e persistência média. É um vinho de sobremesa para o dia a dia, que vai muito bem com doces em calda ou até um mousse que não esteja muito doce. Não recomendo a harmonização com chocolates ou sobremesas muito fortes, pois com certeza passarão por cima do vinho.

Fica então uma dica de um vinho de sobremesa que pode ser uma boa para quem está iniciando nesse tipo de bebida, mas tenho que informar que é praticamente um caminho sem volta. Falo por experiência própria…

Um abraço

Daniel Perches